No início dos anos 80, finalizamos um ciclo em Bagé e mudamos para Passo Fundo. Meu pai foi promovido à gerente da Ipiranga, distribuidora de petróleo. Dois motivos de orgulho, a promoção de um cara que vestiu sempre a camisa da empresa e que ocupava o cargo de escriturário (auxiliar administrativo) e ao mesmo tempo encerrava o segundo grau junto comigo. Por sinal eu acabei indo receber o seu diploma já que estava em seu novo cargo em sua nova cidade.
Lá conheci a pizza italiana e o xis de verdade, além da sopa de agnoline, servida em um casamento em Nova Bassano como entrada, o que estranhei muito, e lá comecei minha experiência política.
Entrei para um cursinho pré-vestibular chamado Gama, que pertencia aos professores Romero, de Física, e Salete, a Saletinha, como gostava de ser chamada, que ministrava Química. Fiz bons amigos: Jair, que faleceu precocemente em um acidente de moto logo depois de passar em Odontologia, Miguel, Glaucia, Sandra e Sarita.
Miguel tinha um irmão petista de carteirinha e como a sede do PT era praticamente vizinha do cursinho, começamos a frequentar as reuniões. Na faculdade fui líder estudantil e presidente do diretório acadêmico, além de secretário de imprensa. Logo ideias socialistas de acabar com a pobreza, valorizar a educação e trabalho para todos começaram a fazer parte da minha vida de idealista e sonhador. Enfim, o tão esperado futuro da nação viraria presente.
Do nada surgiu um tal de "caçador de marajás", Fernando Collor de Mello, que em seu programa de campanha inclusive usou a ex-mulher de Lula para chocar a opinião pública e vencer as eleições. Assim como caçou, foi cassado, envolvido em escândalos por todos os lados. Estava desenhado o caminho para um salvador da pátria, Lula da Silva.
Muitos colegas ligados à Brizola me diziam: Jaime, um metalúrgico, analfabeto, aposentado por causa de um dedo. Precisamos de mais! Mas meu argumento era mais forte. Não era um analfabeto apenas. Era um homem sofrido e envolvido com as causas sociais. Tinha excelentes nomes que o ajudariam a governar: Aluísio Mercadante, José Genoíno, José Dirceu, Raul Pont, Tarso Genro, pessoas que representavam o ideal pregado pelo partido.
Talvez, os primeiros dois anos de governo foram de inspiração. A inflação caiu, aumentaram os empregos e o país começou a sonhar.
Com o passar dos anos virou um conto de fadas de terror. O príncipe virou o sapo barbudo. Os escândalos triplicaram. Mensalão, petrolão, desvios de grandes somas, saques no BNDES para financiar obras em países com ditaduras sangrentas. Acabou com a faculdade de Jornalismo, quadruplicaram as faculdades de Medicina, sem mestres, sem doutores, sem sedes, formando péssimos profissionais, talvez para ficarem ao nível do "mais médicos" que começara a entrar no país.
O sonho virou pesadelo. E o resto vocês já sabem. Entrou uma presidente com o cérebro lesado, manipulada pelo partido. Dona de discursos com frases de efeito, sem pé nem cabeça.
Acabara a época dos políticos sérios, estudiosos e de confiança. que entravam no governo com o seu capital e saíam com o mesmo, sem adquirir grandes posses.
Para derrubar a ditadura petista que se instalara, restou apenas o projeto de um tenente que na aposentadoria, e somente com ela, recebeu o título de capitão do exército. Com fama de religioso, cheio de princípios e que não media palavras para demonstrar sua insatisfação com a corrupção instalada e a insegurança do povo chegou ao poder não por ser o cara ideal, mas porque não tinha outro melhor.
Mas, parece que estamos fadados a ser governados por pessoas desgovernadas. Do mito nada restou! Com uma língua maior do que a boca, insensível a tudo e a todos, perdeu o trem da história por sua total incompetência de governar. Por não aceitar ser contrariado, pelas más escolhas para os ministérios, por se cercar de pessoas que falam o nome de Deus em vão o tempo todo e pela má criação dos filhos, que estão enriquecendo, como assim fizeram os filhos de Lula, mas não em silêncio. Falastrôes como o pai, ostentam seu crescimento nas redes sociais e na cara dos seus eleitores miseráveis.
Ainda temos dois anos pela frente. Não creio mais nos políticos, principalmente nos que usam a religião e o nome de Deus para se darem bem. A pandemia está aí consumindo as famílias. E o presidente foi muito estúpido em não perceber seu erro. Em não voltar atrás nas suas condutas. Afinal, parte das pessoas seguem cegamente os seus passos. Se ele fala que é uma gripezinha, se não usa as únicas defesas certas que temos, a máscara e o não aglomerar, essas pessoas se refletem no seu espelho. Em dezembro quando começaram as vendas de vacinas já era para ter ido às compras e seria um novo salvador da pátria, mas preferiu ficar de braços cruzados, fazendo briguinhas políticas com os adversários a assumir o comando do navio chamado Brasil, como um chefe da nação e cumprir assim as obrigações com seu povo.
Do povo não espero mais nada! Sem educação e sem cultura se aproveitam da guerra invisível contra o vírus para aumentarem os preços dos insumos, para ficarem mais vagabundos, para aglomerarem aumentando a contaminação, a ocupação dos leitos dos hospitais sucateados nos últimos 15 anos, e por fim, o número de mortes.
A pandemia nos trouxe muitas lições, todas aprendidas por quem já aprende tudo facilmente. A solidariedade, a doação, a entrega dos profissionais médicos e de enfermagem. A luta do povo trabalhador que faz o possível e o impossível para sobreviver. Infelizmente, também provou mais uma vez que os que parasitam e vegetam preferem a esmola do governo a trabalharem honestamente. Que o egoísmo e os interesses próprios sempre prevalecem. Que os políticos apenas usam o povo como gado, como escudo e como bucha de canhão. Empregos para os amigos e abandono dos parceiros. Essa é a realidade! Que me perdoem a amargura. Vida que segue! Porque quem ama o que faz, quem respeita as leis, quem não mendiga cargos de confiança, quem tem uma profissão digna e uma família amorosa, esses sobreviverão.
De resto, o que vivi nos anos 80 e o que percebo hoje é que todos são farinha do mesmo saco! Lula e a quadrilha do PT nunca mais! E que até 2022 surja uma terceira via, alguém que honre o cargo de chefe de estado, que seja honesto, coerente e civilizado.
Para finalizar, apenas um pedido a vocês. Coloquem amor no que fazem, não importa o trabalho. Ele nos trás dignidade sempre! E se puderem, protejam suas famílias. Só assim Deus estará por nós!
E viva la vida!