Nossa bisa era quase vizinha, porque também morava na avenida Visconde Ribeiro de Magalhães, em frente ao prado, ou associação rural de Bagé, famosa por suas corridas de cavalo e pelas expo-feiras na época. Lá ficamos hospedados durante um tempo devido a uma reforma na casa em que morávamos.
Havia uma grande figueira atrás da casa, um pequeno açude nos fundos com um frondosa árvore, onde íamos brincar e em datas festivas eram realizados os almoços sempre com churrasco feito pelo meu pai.
O açude mais tarde foi aterrado tirando um pouco da beleza do lugar. A figueira deu lugar a uma casa de madeira onde morava uma filha da bisa, com seus dois filhos. Grandes amigos que tive, o Laco e o Nego. Eram gêmeos mas totalmente diferentes no fenótipo e nas atitudes. Um era louro, preguiçoso e sonhador, o outro moreno, realista e trabalhador.
Muitos campeonatos de futebol de botão foram realizados com eles e muitas peladas nos bretes que ficavam atrás do terreno da vó Joana, como era chamada. Além, dos meninos, com a minha vó morava uma prima do meu pai, além de uns tios que eram muito boa gente.
Aos sábados à tarde ia, na pré-adolescência, ajudar o tio Adão, como era chamado, a preparar a missa da capelinha da vila. Geralmente eu ficava com uma das leituras. Tempos bons em que acreditávamos piamente que os padres eram os verdadeiros representantes de Deus na terra.
Minha bisa era uma querida e ficava muito feliz com as visitas e mais ainda com os doces em caixas e as compotas que ganhava de presente. Já velhinha, corcundinha e com pouca visão sempre acabava ganhando os jogos de pif, do meu avô Sadi, que saía da mesa sempre xingando indignado sem saber como aquela idosa que mal conseguia arrumar as cartas na mão sempre saía vitoriosa.
Lá tivemos bons momentos e lá lembro de um castigo homérico. Eu e meu irmão Claudio brigamos por algum motivo banal e acabamos amarrados em uma mesa, de joelhos no milho, até fazer as pazes.
Eram outros tempos, mas sobrevivemos e aprendemos a ser bons amigos e filhos.
Depois da casa reformada, íamos quase todos os dias no final de tarde visitar a bisa, a pé. Na volta, cansados, disputávamos quem vinha "montado" no pescoço do pai.
O mundo parecia ser tão grande e tão melhor, e o mais importante, era nosso!

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