um menino que vivia feliz
entre primos e irmãos.
A vida era uma brincadeira
heróis e bandidos eram iguais,
como iguais eram as pessoas
e os caminhos eram livres da maldade.
As histórias que ele ouvia
eram retiradas da caixa de livros
das memórias dos avós,
contadas à beira do fogão à lenha.
Aqueles eram dias onde o inverno era quente
e o verão tinha o frescor dos plátanos.
O perfume era de café e pão caseiroe cabia o mundo inteiro em uma mesa tão pequena
"Lá vai o menino fazer chamarisco!" ,gritava minha avó
bola embaixo do braço, feliz ia para o campinho
corria a tarde inteira sem cansaço, na volta banho
jantar e um grande abraço!
E os dias que não passavam, voavam despercebidos
Ah! Saudades de minha família
que parecia tão grande e hoje se faz minguada,
E os dias que não passavam, voavam despercebidos
Ah! Saudades de minha família
que parecia tão grande e hoje se faz minguada,
dos tombos de bicicleta a pedalar sem as mãos
da vó, que me ensinou as primeiras letras e a tabuada.
da vó, que me ensinou as primeiras letras e a tabuada.
Saudades da esperança de esperar o natal,
do cheiro de terra molhada,
da alegria do mês de agosto,
dos dias em que o presente eram os pais presentes
Dias de jogar bolinha de gude
de jogar botão, e de leitura,
da pandorga no céu limpo
da pescaria no açude e de fartura
de primos e primas sorrindo
porque criança ri à toa
e o presente estava ali e o futuro era um nada.
Nunca havia solidão, apenas solidariedade
dos meus pais com os vizinhos
quando as cheias do inverno
invadiam as casinhas pequeninas,
causando incerteza e dor.
Lá em casa tinha abrigo apesar da simplicidade
era lá que tinha
amigo, era lá que tinha amor
velha infância que se foi só não morre na memória
nem nos livros de história
que escrevi no pensamento
" Era uma vez um gatinho xadrez..."
quer que eu te conte outra vez?
então passa para o outro lado
e assim meu pai por vezes tão cansado
brincava conosco no final do dia
e entre gargalhadas, eu dizia:
pai! Conta mais uma vez!

Lindo!
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