ao meu lado, meu amor servia a cuia
Lembrei-me a minha infância,
de outra páscoa
e do medo de enfrentar a aleluia
Das correrias, minhas tardes campesinas
de jogar bola com amigos de toda a vida
da pandorga, que o céu todo coloria
e da prosa das tardes tão compridas
Das festinhas da garagem lá de casa,
a liturgia preparada com carinho
a timidez da primeira namorada
e as charlas mudas no cochicho das vizinhas.
Hoje distante da família e dos amigos
parece que o pago é em outro planeta
Os descaminhos e os vales percorridos
nos fazem tristes e felizes por sonhar
um dia voltar montado na cauda de um cometa.
Embora o tempo continue em seu galope
e já não tenha mais idade para montar
hoje, mateio com a prenda mais bonita
que no meu rancho escolheu para morar.
Passam-se os anos e a vontade é retornar
para a fronteira que divide o coração
Lá tem família, mãe, irmãos, é meu lugar
levar comigo meu amor e o chimarrão.

Nenhum comentário:
Postar um comentário