pastilhas e balas, sonhos de moço,
nada de dor, galopes ao vento,
finais de tarde
azuis de sol pôr.
Pensei que a vida fosse um circo
trapézios, palhaços, no picadeiro,
bailarinos, motoqueiros no globo da morte
entregues à sorte, sem saber como lutar.
Pensei que a amizade fosse sadia
e a competição, uma farsa doentia
a felicidade, uma questão de tempo,
mas era só um feliz momento.
Pensei que a chuva fosse garoa
molhando as casas, telhado de zinco,
o cheiro da terra, os frutos, as flores
não sabia das enchentes,
nem da frustração dos amores.
Pensei que fosse comédia
risos, abraços, anéis, mãos e laços,
sem culpas, desculpas,
promessas desfeitas,
transbordando nos copos.
Pensei que aquele amigo
que partiu comigo
estivesse bem
sorrindo pra vida, em clara euforia
mas que ironia, estava sozinho e doente
vítima de uma epidemia.
Pensei que em nossos caminhos
não houvessem espinhos ou ervas daninhas
e
que as crianças não passassem fome,
nem fossem brinquedos quebrados
pelas mãos do homem.
Pensei que o meu trabalho
mudasse essa gente,
abrissem as mentes, que lessem mais livros,
fossem mais amigos, olhassem o futuro,
pensassem caminhos livres da ignorância,
não deram importância, não é de comer,
não querem pensar
apenas sobreviver.
E nesses descaminhos, nesses desgovernos
insisto na vida, galopo sem freio
peço que meus filhos se tornem iguais
semeando sementes em terra decente
e colham os frutos, de amor e de paz.

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