Minha vida até hoje se divide entre as paixões pela família, medicina, literatura e música. A música me acompanhou sempre como se minha vida sempre tivesse uma trilha sonora. E realmente sempre foi assim.
No colégio Auxiliadora sempre era escolhida uma música para entrada da aula. O intervalo era todo musical, com sucessos da época. Quando tocava a música escolhida era a hora de retornar aos estudos. Lembro de "Piu" da Ornela Vanoni.
Adorava Queen, Abba, Milton Nascimento, Chico Buarque e Bee Gees que me renderam dois bons amigos na época, Sílvio Tavares e Paulo Bispo. O Sílvio tinha quase todos os álbuns da família Gibb e nos encontrávamos para fazer os trabalhos da escola e para ouvir as músicas. Outro irmão que consegui na vida foi o Carlos Nunes, parceiro de confidências, de futebol de mesa, da bola no campinho e no gosto pela música. Era mais jovem do que eu, mas dono de uma cabeça maravilhosa. Meu amigo na infância e adolescência e meu irmão de alma. Ainda encontro sempre que posso e faz parte do meu grupo de bom dia nas redes sociais.
No início do segundo grau implantaram na escola o sistema positivo. Difícil para os alunos que tinham uma base de ensino totalmente diferente e também para os professores. Optei pelo chamado extensivo por achar que seria melhor para me preparar para o vestibular e tinha aula nos dois períodos. Tinha um professor de Geografia chamado Miguel que era muito ruim didaticamente falando. Ele mandava abrir a apostila e apenas sublinhar os pontos que ele achava interessante e que poderiam cair na prova. Fiz uma paródia da música do Chico Buarque, Geni e o Zepelin, acredito que em 1979. que se transformou em "Miguel e o Zepervin". Miguel, o professor, Ervin Conzatti, o diretor, padre tranquilo e solícito. Citei quase todos os funcionários e professores na letra. Em um intervalo ou recreio, como era chamado, alguns colegas pegaram a letra e cantaram inteira, quase gritando. Fiquei apavorado com a possibilidade de ser punido, mas no final rendeu apenas alguns comentários. Na letra o professor de geografia ficava triste porque a professora de inglês, Raquel Brossard, só falava no Osni, professor de Português.
Raquel, sempre linda e educada chegou na aula seguinte explicando o porquê, já que a língua inglesa e portuguesa tinham tudo a ver. Naquele dia fiquei feliz, porque uma letra minha, polêmica é verdade, estava sendo motivo de comentários do corpo docente.
Outro destaque da escola na época era a banda marcial. Além de ser perfeita em suas apresentações comandadas pelo então diretor Lino Fistarol, tinha como destaque as balizas que faziam evoluções e embelezavam os desfiles. Minha prima Lia Martha foi a mascote durante um bom tempo. Lembro ainda da Fernanda, Lígia, Andréa, Viviane, Simone, minha amiga, e do meu primeiro amor platônico, Maria Emília, a Mila. Minha bicicleta, pandorga, tudo na minha vida tinha o nome de Mila. Até um poema com seu nome escrevi, mas nunca tive coragem para entregar. Foi perdido com outros poemas e contos nas viagens.
Há alguns anos Léo Jaime escreveu uma canção que me remetia a história com Mila que nunca aconteceu. Dizia " você vai de carro prá escola e eu só vou a pé. Você tem amigos à beça e eu só tenho o Zé prá consolar as tardes de domingo que eu passo a sofrer sonhando em ter um carro conversível prá você me querer..."
Coisas da adolescência! Restam as boas lembranças de um tempo que não volta mais.


Que belas lembranças tuas palavras trazem, querido Jaime!! Muito obrigada pelo teu carinho!!
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