domingo, 16 de maio de 2021

MEMÓRIAS DO AUXILIADORA - MÚSICA E PAIXÃO










 Minha vida até hoje se divide entre as paixões pela família, medicina, literatura e música. A música me acompanhou sempre como se minha vida sempre tivesse uma trilha sonora. E realmente sempre foi assim.

No colégio Auxiliadora sempre era escolhida uma música para entrada da aula. O intervalo era todo musical, com sucessos da época. Quando tocava a música escolhida era a hora de retornar aos estudos. Lembro de "Piu" da Ornela Vanoni. 

Adorava Queen, Abba, Milton Nascimento, Chico Buarque e Bee Gees que me renderam dois bons amigos na época, Sílvio Tavares e Paulo Bispo. O Sílvio tinha quase todos os álbuns da família Gibb e nos encontrávamos para fazer os trabalhos da escola e para ouvir as músicas. Outro irmão que consegui na vida foi o Carlos Nunes, parceiro de confidências, de futebol de mesa, da bola no campinho e no gosto pela música. Era mais jovem do que eu, mas dono de uma cabeça maravilhosa. Meu amigo na infância e adolescência e meu irmão de alma. Ainda encontro sempre que posso e faz parte do meu grupo de bom dia nas redes sociais.

No início do segundo grau implantaram na escola o sistema positivo. Difícil para os alunos que tinham uma base de ensino totalmente diferente e também para os professores. Optei pelo chamado extensivo por achar que seria melhor para me preparar para o vestibular e tinha aula nos dois períodos. Tinha um professor de Geografia chamado Miguel que era muito ruim didaticamente falando. Ele mandava abrir a apostila e apenas sublinhar os pontos que ele achava interessante e que poderiam cair na prova. Fiz uma paródia da música do Chico Buarque, Geni e o Zepelin, acredito que em 1979. que se transformou em "Miguel e o Zepervin". Miguel, o professor, Ervin Conzatti, o diretor, padre tranquilo e solícito. Citei quase todos os funcionários e professores na letra. Em um intervalo ou recreio, como era chamado, alguns colegas pegaram a letra e cantaram inteira, quase gritando. Fiquei apavorado com a possibilidade de ser punido, mas no final rendeu apenas alguns comentários. Na letra o professor de geografia ficava triste porque a professora de inglês, Raquel Brossard, só falava no Osni, professor de Português.

Raquel, sempre linda e educada chegou na aula seguinte explicando o porquê, já que a língua inglesa e portuguesa tinham tudo a ver. Naquele dia fiquei feliz, porque uma letra minha, polêmica é verdade, estava sendo motivo de comentários do corpo docente.

Outro destaque da escola na época era a banda marcial. Além de ser perfeita em suas apresentações comandadas pelo então diretor Lino Fistarol, tinha como destaque as balizas que faziam evoluções e embelezavam os desfiles. Minha prima Lia Martha foi a mascote durante um bom tempo. Lembro ainda da Fernanda, Lígia, Andréa, Viviane,  Simone, minha amiga, e do meu primeiro amor platônico, Maria Emília, a Mila. Minha bicicleta, pandorga, tudo na minha vida tinha o nome de Mila. Até um poema com seu nome escrevi, mas nunca tive coragem para entregar. Foi perdido com outros poemas e contos nas viagens. 

Há alguns anos Léo Jaime escreveu uma canção que me remetia a história com Mila que nunca aconteceu. Dizia " você vai de carro prá escola e eu só vou a pé. Você tem amigos à beça e eu só tenho o Zé prá consolar as tardes de domingo que eu passo a sofrer sonhando em ter um carro conversível prá você me querer..."

Coisas da adolescência! Restam as boas lembranças de um tempo que não volta mais.


Um comentário:

  1. Que belas lembranças tuas palavras trazem, querido Jaime!! Muito obrigada pelo teu carinho!!

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