domingo, 30 de outubro de 2011

SIGLAS NOVAS, PROMESSAS VELHAS!


Para quem gosta de política ou tem planos de ascensão rápida na vida, 2012 está chegando com esperanças renovadas. Para quem trabalha e carrega a nação nas costas sabe que o seu destino está traçado e o melhor que vai acontecer é permanecer com uma carga que compense a sua desvalorização como profissional e ser humano e dê sustento à sua família.
Sonhar com dias melhores depende de cada um de nós enquanto povo. Não podemos ficar na dependência de outros. A escravidão acabou faz tempo. Os feudos e seus senhores também. As oligarquias tentam se manter no poder a qualquer custo e alguns continuam aceitando tudo isso. O bolsa-esmola corre solto aumentando o número de vagabundos pelas ruas. As vagas patrocinadas nas faculdades servem para criar um novo tipo de profissional, o mau. A frase de para-choques de caminhão: " Não dê o peixe e sim, ensine a pescar", não vale mais. Escondemos nossa incompetência como gestores em todas as áreas tentando tapar o sol com a peneira. Na saúde, educação, segurança, são achados subterfúgios para burlar as leis. A impunidade que hoje se observa nas manchetes dos jornais são velhas, amareladas pela sucessão de governos corruptos. A mesmice cansa. Votar nos velhos abutres ou em seus filhotes, cansa.
A mídia promove agora um novo partido, o vigésimo oitavo inscrito no tribunal eleitoral, o PSD ( Partido Social Democrático) e diz que aqui em Mato Grosso já é o maior em filiados. Criado por Kassab, prefeito de São Paulo, propaga aos quatro ventos que já nasce grande. Lembro a vocês que quando o PSDB nasceu em junho de 1988 também surgiu grande. Muitos migraram para a sigla. "Longe das benesses oficiais, mas perto do pulsar das ruas", era o lema. O tempo passou e o resultado foi igual a todos os outros. Os políticos que trocaram para a nova sigla falam em cabeças e idéias novas. Grande falácia! As cabeças são as mesmas e as idéias também. Kassab já trocou várias vezes de legenda, PL, PFL, DEM, até criar um partido que o promova e que sirva para seus interesses, iluminando seu projeto pessoal para 2014. No momento, a nova sigla vai servir de guarda-chuva para os políticos nas eleições municipais de 2012, enquanto isso, por baixo dos panos ele melhora suas bases e vitamina seu ego para as intenções futuras.
Meu povo! Estudamos sobre MDB e ARENA e sabíamos que o primeiro lutava contra a ditadura e o segundo, era a própria. Depois disso vimos um desmanche estatutário e ético sem precedentes. Do PDT, de Brizola, à última esperança de mudar, que foi o PT, a história caminhou e as mudanças não vieram. Então, não venham me dizer que uma nova sigla vai transformar alguma coisa em nossas vidas. Porque a base de tudo isso que é a moral e a ética não mudam. As moscas continuam as mesmas. Então, escondam seus doces e trabalhem honestamente. É o que nos resta. E viva la vida!

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

18 DE OUTUBRO: DIA DO MÉDICO


Comemorar o dia da minha profissão é celebrar a vida. Mas em um período em
que a vida tem cada vez menos valor, fico feliz com as poucas lembranças e agradecimentos nesse dia. Sei que todos foram de coração. Minha mãe ligou cedinho para me parabenizar, esposa, filho e poucos pacientes. Talvez porque é apenas mais uma profissão, ou apenas porque os valores foram invertidos. Volto aos tempos de faculdade e lembro dos meus sonhos de moço e estudante. Do departamento de imprensa do diretório acadêmico, à presidência no ano seguinte. Das brigas por condições melhores de transporte, refeição e melhores professores. Da decisão de seguir a mesma especialização de meu pediatra, sem saber do descaso que iríamos enfrentar no futuro.
O pseudo-socialismo do governo, gera,divulga e defende uma "moral" amoral, que degenera a pessoa humana transformando a vida de alguns à custa de outros, exigindo nosso sacrifício e suor nos sobrecarregando de impostos e outras obrigações, por vezes difíceis de cumprir.
Tento acreditar em dias melhores, em nos libertarmos disso tudo e exercermos a dignidade da nossa profissão.
Continuamos a ser estimulados ao individualismo, cujo único pensamento estreito começa e termina em nós mesmos. O indivíduo é empurrado a conseguir para si o maior número de bens materiais, mesmo que isso signifique pisar no colega ao lado. A qualidade da relação entre os profissionais desce a níveis nuncas antes imaginados. A ética médica é afetada, pois ela é reflexo dos princípios morais prevalentes na sociedade. Quando há um enfraquecimento geral da moral, como a do governo brasileiro, cada qual querendo tirar vantagem dos demais, difícil preservar princípios honestos de conduta em um segmento da população. Os médicos, não sendo melhores, nem piores que os demais sofrem, igualmente as pressões do meio. Já senti na pele o que discorro aqui. Nem todos conseguem ser éticos. Há felizmente, um número considerável de brasileiros, entre os quais muitos médicos, em luta pela reversão disso tudo.
Tudo o que vivemos hoje, origina-se do fato que uma minoria controla direta ou indiretamente os meios de produção e distribuição de bens e tenta manter seus privilégios a qualquer preço, mantendo inalterada a situação na educação, segurança e saúde que são cabides eleitorais todos os anos.
O Brasil continua organizado para satisfazer uma pequena parcela da população; Uns trabalham.Para os demais, bolsas-família servindo como mordaça na luta pela dignidade. O caos continua instalado nas unidades de saúde de todo o país. Se a assistência médica fosse organizada e houvesse valorização dos profissionais, todos os médicos já sairiam da faculdade empregados e não haveria essa carência e essa precariedade em alguns lugares.
Em nossa formação ouvimos que nosso sucesso dependeria do esforço pessoal, da capacidade técnica, do senso do dever e de outras qualidades individuais, mas descobrimos com o passar do tempo que dependemos mais ainda de uma política sem compromisso com a vida. O caminho é longo e precisa de organização social e política que valorize o trabalho acima de tudo.
Ainda assim, meu trabalho é gratificante. A relação de respeito e afeto com os pequenos pacientes faz com que sonhamos com dias melhores. A tarefa de acompanhá-los nessa caminhada procurando ajudá-los a construírem-se como pessoas é ímpar e cativante. Então, poder imaginar um mundo melhor vale suportar as larvas diárias, com a certeza que um dia serão, finalmente, borboletas.
Obrigado a meus pais e aos mestres que me incentivaram na caminhada como médico e principalmente, como ser humano!

domingo, 16 de outubro de 2011

CONGRESSO BRASILEIRO DE PEDIATRIA


Estar participando do congresso brasileiro de pediatria é algo muito bom, e sendo em Salvador, é melhor ainda. Apesar de ser cansativo o ciclo de palestras, e uma correria para entrar em uma sala com algum tema mais interessante, é renovador. Não falo pelas mudanças em condutas ou tratamentos, pois, cada vez menos temos alterações significantes, mas pelo contato com colegas de outros estados e o reencontro com amigos da residência. Estamos em uma fase em que muito pouco se cria e muito se copia. Os laboratórios investem muito em fórmulas já existentes, prometendo sabores diversos que vão agradar nossos pacientes; Alguns apelam para o preço e outros na qualificação e na história de seus produtos. A briga maior fica por conta dos alimentos, os leites, para lactentes e crianças menores. Danone, Nestlé, Abbott, Meadjohnson e outras brigam pelo seu espaço como se fosse cachorro grande. E acho que são mesmo.
Todo o congresso vale por nos fazer recordar de tudo. São temas diversos do nosso cotidiano passando por doenças que existem, mas não fazem parte do dia-dia. O melhor de tudo é que saímos com aquela vontade de estudar mais, saber mais e dedicar mais tempo a vida. O dia do pediatra também foi discutido. A desvalorização, a falta de incentivo, os planos de saúde que nos escravizam e os governos que nos sufocam. Apesar da luta da sociedade brasileira de pediatria pela nossa valorização, não se vê luz no fim do túnel. Conversando com outros colegas, éramos próximos de 6000 no evento, vemos a disparidade de situações e salários. A exploração vem de todos os lados, explicando a todos porque ninguém mais quer fazer pediatria. Muito mais fácil realizar exames como ultra-som que demoram cerca de um minuto para serem realizados, ou fazer qualquer tipo de cirurgia. Propostas de emprego pipocam por todo o lado. Mas os valores, na maioria, vergonhosos, além de ficar na mão de prefeitos e secretários de saúde que não sabem o quanto vao durar em seus cargos.
Ir a este congresso foi como ressuscitar, sair da caverna do ostracismo, e sorrir para o mundo. Renova-se o espírito, e voltamos ao viço da juventude que tínhamos quando saímos da faculdade e da especialização. A vontade é sempre de mudar o mundo e salvar todas as crianças. Pena que a vida é tão desvalorizada. O SUS está morto e esqueceram de enterrar. Cheira mal e não consegue mais se esconder atrás de invenções tapa-furos, as OS, UPAs, PSFs. Os hospitais fechados ou vegetando em UTIs. Essa é a má notícia, mas isso vocês estão cansados de saber. Não adianta prédios ostentando luxo e profissionais desvalorizados. Materiais de procedência discutível e nivelação de todos por baixo. Isso foi muito discutido sem chegar a solução nenhuma. De uma cidade de Minas, com uma população semelhante a nossa, encontrei um colega satisfeito com o que ganha da prefeitura. Os dois pediatras vivem que nem a gente que trabalha aqui, sem tempo para a família e para a própria vida, mas ganham mais que o dobro. Talvez porque o prefeito é pediatra, talvez porque simplesmente tem que ser assim.
Volto renovado, mas com a certeza de que sonhar com melhoras só quando estiver em outro congresso. E viva la vida!

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

A PALAVRA ESCONDIDA


Já falei mais de uma vez que a falta de tempo ou minha desorganização não me deixa escrever o quanto desejaria. Talvez a mesma falta de tempo que faz com que algumas pessoas, escondidas em sua covardia e mediocridade, fiquem tecendo comentários com palavras chulas usando pseudônimos. Não produzem nada, mas criticam quem produz. Esquecem de viver sua vida para viver a vida dos outros. São os noveleiros de plantão. A turma dos que só ficam felizes com a desgraça alheia. Os que mandam bilhetes e e-mails sem assinar. Enquanto tentamos construir uma vida melhor, um lugar melhor para viver, os abutres e os vermes se fecham em si mesmo, ficando com suas palavras em cima do muro, ou pior, atrás dos seus pcs semeando discórdia para colher ódio. Acho condenável escrever em jornais e não se identificar. Confundem liberdade com libertinagem. Todos temos que assumir o que falamos e o que escrevemos. Todos somos passíveis de erros e cometer injustiças com atos e palavras. Alguns até sofrem por ter coragem demais quando falam e outros minguam pois em sua timidez se perdem e não conseguem exprimir nada.
Quando comecei a escrever neste blog até comentei que não sou escritor, jornalista ou qualquer artista das letras. Escrevo por escrever. Por me sentir bem e tenho certeza que não estou machucando qualquer outra pessoa, a não ser eu mesmo quando escrevo meus textos.
Sou feliz quando escrevo, assim como quando estou atendendo uma criança, ou cantando entre amigos.
Esses dias tem sido cansativos demais. Fiquei sozinho na pediatria por tres semanas. Hospital e consultório lotados. Encarei junto com o consulado a festa do Inter. Dei aula de urgência para uma turma de Pós- graduação. E abracei os problemas que qualquer ser humano enfrenta no dia a dia, encarando de frente, assinando e carimbando meu nome embaixo.
Peço a todos que continuem comentando. Só assim poderei saber se estou agradando ou não. Aos analfabetos de coração e que adoram usar adjetivos que só são conhecidos em suas pocilgas sem números ou assinaturas, posso dizer que rezem bastante para logo encontrarem um sentido melhor a sua vida. Ainda dá tempo!

domingo, 14 de agosto de 2011

TU ME FAZ FALTA MEU VELHO! (Dia dos Pais)


Meu pai partiu cedo. Assim como muitos outros deixou este mundo e foi conhecer outros se é que eles existem. Acho que sim. Pelo menos no meu coração e nos meus sonhos. Esta noite ainda sonhei com ele. Estava como da última vez que me visitou, e minha mãe, como sempre estava preucupada com a saúde dele.
Valdir nasceu em Bagé, assim como eu e meus irmãos. Filho de ferroviários, brincou e fez travessuras igual a qualquer piá do interior. Minha vó contava das suas artes. Da vez que tentou fazer cocada com porções de açúcar. Foi sempre sonhador e quase teve todas as coisas que desejou na vida. Estudou no mesmo colégio que eu, que na época era interno. Quebrou pedras, foi office boy da Varig, fotógrafo até entrar na Ipiranga distribuídora de petróleo como escriturário, o que equivale a auxiliar administrativo nos dias de hoje. Anos depois chegaria a gerência, foi quando foi transferido para Passo Fundo e ficou nesta empresa até sua aposentadoria. Naquele mesmo ano eu terminava meu segundo grau e com muito orgulho fui receber o diploma dele, pois anos após ele voltava a estudar e se formava também. Tentou ir adiante na faculdade, mas as dificuldades para conciliar o trabalho e estudos dificultavam as coisas e ele nao foi adiante. Gostava de pescaria e caçada e adorávamos acampar com ele. Parceiro de sempre. Jogava futebol e participava ativamente da nossa infância, coisa que eu não consigo fazer com o neto dele. Com ele aprendi a jogar futebol de mesa e ganhar torneios. Aprendi a importância da solidariedade, pois vivia ajudando os vizinhos nas enchentes que eram comuns, enchendo nossa casa de gente. Na doença, seu carro estava sempre a disposição dos outros. Aprendi desde cedo que a família era algo a ser preservado e era a base para a vida. Não! Não era perfeito. Mas não conheci um pai mais perfeito e presente do que ele. Sua preucupação era a saúde e a educação. Esteve presente nos meus tropeços, como criança e principalmente como homem, me amparando e também nas minhas vitórias. Em minha formatura não existia alguém mais feliz e emocionado. E quando nasceu meu segundo filho viajou quilômetros para estar junto. Meu pai partiu cedo. Deixou de ver muitas outras coisas, boas ou ruins. Meus irmãos se formaram. Minha mãe ficou só, perdida, pois com a partida dele arrancaram o alicerce da sua vida. Minha irmã lhe deu mais uma neta e esse ano chegou o primeiro bisneto.
Sinto muito a tua falta meu velho. Nas horas que eu preciso do teu conforto e de teus conselhos e nos dias como esse em que eu recebo uma homenagem que é tua também.
Meu pai foi cedo! Mora em algum lugar que não sabemos onde fica. Talvez nos encontremos algum dia e falaremos de filhos e netos. De futebol e outras coisas fúteis, mas falaremos muito de saudade. Esta não passa nunca e dói no coração em dias como esse. Feliz dia dos pais!

sábado, 30 de julho de 2011

UM DIA DE SOL EM AGOSTO



Mais um aniversário se aproxima. Já não me interesso mais em contar quantos passaram e muito menos quantos ainda hão de vir. Simplesmente os anos passam muito mais rápido do que gostaríamos e vemos passar cada vez mais pessoas por esse tempo corrido que se chama vida. Não uso relógio no pulso há muito tempo, mas não preciso dele para ser escravo dos minutos e das horas. Somos escravizados por ele sem perceber. Vão se os dias, meses e anos e você só se dá conta disso quando ve seu filho crescido e seus parentes encurtando suas posturas. Continuo a comemorar cada aniversário como se fosse o único e último, assim como me congratulo com Deus todos os dias, agradecendo a oportunidade de estar fazendo parte da vida de todos, sejam familiares, pacientes ou apenas aqueles que sorrindo ou acenando de longe nos tornam seres mais valorizados e melhores. Esta semana conversava com amigos sobre os aniversários da infância. A simplicidade das coisas, das superfestas regadas a pepsi e guaraná amazonas. Do frio e da chuva fina do agosto de Bagé . O churrasco de costela ao meio-dia, a roupa nova para aquela data, a mãe fazendo o bolo com o recheio mais simples do mundo, o rizoto, a torta fria, a salada de frutas e a expectativa dos presentes que na sua simplicidade me faziam a criança mais feliz do mundo.
Hoje enchemos nossos filhos das coisas que sonhamos e das que não existiam também, tentando preencher a lacuna deixada pela distância que escolhemos para continuar nossa caminhada. Privamos eles dos avós, das brincadeiras com os primos, de tudo que era simples e bom. Dói pensar que os anos não passam apenas para nós e que meus cabelos que hoje embranquecem não se comparam aos de minha mãe que alvos e finos se quebram com o passar dos dias, distante dos meus olhos.
Mas, a felicidade da família se resume a que seus filhos sigam em frente, vivendo bem e respeitando o sobrenome que é a maior herança deixada pelos pais e avós. Os dias criam asas e partem cedo. As noites desaparecem quietas, escondidas no meio deles e assim passa-se o tempo e chega mais um aniversário. A idade, esta não me interessa. Mais velho, mais experiente, mas ainda com o espírito do menino que jogava bola no campinho ao lado de casa todas as tardes, que jogava bolinha de gude, soltava pandorga, corria de bicicleta,que viu o Inter ser campeão brasileiro, tinha mais irmãos que amigos, ouvia Roberto, Raul, Almondêgas, Abba e Bee Gees e aos 9 anos dizia que seria médico. Ainda ouço esse pessoal, acho que sou um bom médico, gosto de cantar, sempre estou lendo um bom livro e ainda tento escrever nas horas vagas, cada vez menos vagas. Por isso comemoro a data do meu nascimento como se fosse o primeiro dia. Um dia dos pais de um ano qualquer. Um dia de sol na vida dos meus pais. Um dia de sol para o resto de minha vida.

domingo, 10 de julho de 2011

FACUNDO CABRAL " NÃO ESTÁS DEPRIMIDO, ESTÁS DISTRAÍDO"


Morreu Facundo Cabral. Poeta, escritor, cantor e compositor argentino, estava com 74 anos e foi assassinado após um show na Cidade da Guatemala, sábado, dia 9 de julho. Conhecido mundialmente por suas músicas, gravadas por vários cantores,destacou-se também na literatura. Nascido na cidade de Balcarce, província de Buenos Aires, teve uma infância difícil tornando-se menino de rua e marginal a ponto de ser internado em um reformatório pois havia se tornado um alcoolista desde os 9 anos de idade. Preso aos 14 anos, foi atrás das grades, através de um jesuíta de nome Simon, que teve seu primeiro contato com as letras e com a literatura universal. Em contato com a igreja tornou-se segundo ele um livre pensador começando na música logo depois. Seu maior sucesso foi gravado em 1970, "No soy de aqui, ni soy de allá", sendo interpretada por vários cantores de renome.

Este texto fantástico escrito por ele nos dá uma amostra do talento do mesmo. Chama-se "Não estás deprimido, estás distraído.

"Não estás deprimido, estás distraído, distraído em relação à vida que te preenche. Distraído em relação à vida que te rodeia: Golfinhos, bosques, mares, montanhas, rios.
Não caias como caiu teu irmão que sofre por um único ser humano, quando no mundo existem 5,6 milhões. Além de tudo, não é assim tão ruim viver só. Eu fico bem, decidindo a cada instante o que desejo fazer, e graças à solidão conheço-me, o que algo fundamental para viver.
Não cais no que caiu teu pai, que se sente velho porque tem setenta anos, e esquece que Moisés comandou o Êxodo aos oitenta e Rubinstein interpretava Chopin com uma maestria aos noventa. Só para citar dois casos conhecidos.
Não estás deprimido, estás distraído, por isso acreditas que perdeste algo, o que é impossível, porque tudo te foi dado. Não fizeste um só cabelo de tua cabeça, portanto não podes ser dono de nada. Além disso, a vida não te tira coisas, a vida te liberta de coisas. Te alivia para que voe mais alto, para que alcances a plenitude. Do útero ao túmulo, vivemos numa escola, por isso, o que chamas de problemas são lições. Não perdeste nada, aquele que morre simplesmente está adiantado em relação a nós, porque para lá vamos todos. Além disso, o melhor dele, é o amor,segue em teu coração.
Quem poderia dizer que Jesus esta morto? Não existe a morte: existe mudança. E do outro lado te esperam pessoas maravilhosas: Gandhi, Michelangelo, Whitman, São Agostinho, a Madre Teresa, teu avô e minha mãe, que acreditavam que a pobreza está mais próxima do amor, porque o dinheiro nos distrai com coisas demais, e nos machuca, porque nos torna desconfiados.
Faz apenas o que amas e serás feliz e aquele que faz o que ama, está benditamente condenado ao sucesso, que chegará quando deve chegar, porque o que deve ser será, e chegará naturalmente. Não faças nada por obrigação nem por compromisso, apenas por amor. Então terás plenitude, e nessa plenitude tudo é possível. E sem esforço, porque és movido pela força natural da vida, a que me levantou quando caiu o avião que levava minha mulher e minha filha; a que me manteve vivo quando os médicos me deram três ou quatro meses de vida.
Deus te tornou responsável por um ser humano, e é tu mesmo. A ti deves fazer livre e feliz, depois poderás compartilhar a vida verdadeira com todos os outros. Lembra-te de Jesus: "Amarás ao próximo como a ti mesmo". Reconcilia-te contigo, coloca-te frente ao espelho e pensa que esta criatura que estás vendo, é uma obra de Deus; e decide agora mesmo ser feliz, porque a felicidade é uma aquisição.
Aliás, a felicidade não é um direito, e sim um dever, porque se não fores feliz, estarás levando amargura para todos os que te amam. Um único homem que não possuiu nenhum talento nenhum valor para viver, mandou matar seis milhões de irmãos judeus.
Existem tantas coisas para experimentar, e a nossa passagem pela terra é tão curta, que sofrer é uma perda de tempo. Temos para gozar a neve no inverno e as flores na primavera, o chocolate de Perusa, a baguette francesa, os tacos mexicanos, o vinho chileno, os mares e os rios, o futebol dos brasileiros, As Mil e Uma Noites, a Divina Comédia, Quixote, Pedro Páramo, os boleros de Manzanero e as poesias de Whitman, as músicas de Mahler, Mozart, Chopin, Beethoven, as pinturas de Caravaggio, Rembrandt, Velázquez, Picasso e Tamayo, entre tantas maravilhas.
E se estás com câncer ou AIDS, podem acontecer duas coisas, e as duas são boas; se a doença ganha te liberta do corpo que é cheio de moléstias: tenho fome, tenho frio, tenho sono, tenho vontades, tenho razão, tenho dúvidas... e se tu vences, serás mais humilde, mais agradecido, portanto, facilmente feliz. Livre do tremendo peso da culpa, da responsabilidade e da vaidade, disposto a viver cada instante profundamente,.... como deve ser.
Não estás deprimido, estás desocupado. Ajuda a criança que precisa de ti, essa criança que será sócia do teu filho. Aliás o serviço é uma felicidade segura como gozar a natureza e cuidar dela para aqueles que virão. Dá sem medida e te darão sem medida. Ama até que te tornes o ser amado, mais ainda converte-te no mesmíssimo Amor . E não te deixes confundir por uns poucos homicidas e suicidas, o bem é maioria, porém, não se nota porque é silencioso, uma bomba faz mais barulho que uma caricia, porém, para cada bomba que destrói há milhões de carícias que alimentam a vida.

Se Deus possuísse uma geladeira, teria a tua foto pregada nela. Se ele possuísse uma carteira, tua foto estaria dentro dela. Ele te envia flores a cada primavera. Ele te envia um amanhecer a cada manhã. Cada vez que desejas falar, Ele te escuta. Ele poderia viver em qualquer ponto do Universo, porém escolheu o teu coração. Enfrenta, amigo, Ele está louco por ti!

Deus não te prometeu dias sem dor, riso sem tristeza, sol sem chuva, porém prometeu força para cada dia, consolo para as lágrimas e luz para o caminho. Quando a vida te apresenta mil razões para chorar, mostra que tens mil e uma razões para sorrir. Não, .... não estás deprimido, ... estás distraído!"
Boa semana a todos!

sábado, 25 de junho de 2011

CAMINHAR É PRECISO!


"...tenho ouvido muitos discos, conversado com pessoas, caminhado meu caminho...Não me peça que eu lhe faça uma canção como se deve, correta, branca, suave, muito limpa, muito leve. Sons, palavras são navalhas e eu não posso cantar como convém, sem querer ferir ninguém..." O grande compositor e poeta Belchior nos presenteou com esses versos nos anos 70 que valem cada vez mais para os dias que estamos vivendo. Continuo caminhando, dialogando com pessoas, ouvindo muitos discos com música de qualidade falando de paz, amor, de dias melhores. Por outro lado somos submetidos todos os dias aos mais diversos barulhos que dizem ser música. Funks com adjetivos de baixo nível fazendo sacudir o esqueleto de meninas pré-adolescentes com shorts tão curtos quanto seus neurônios, as convidando a fazer sexo de maneira casual e aumentando o número de gravidez indesejada e, por consequência, superalimentando a miséria que já vivem.
Em um período em que discutimos, como combater a homofobia nas escolas, em liberação da maconha, assusta a reação que tudo isso pode causar em um povo sem cultura e dependente de tudo. Os alicerces do mundo foram sofrendo abalos cada vez mais profundos, família, igreja, governos, tudo foi consumido pela aridez do cotidiano. As famílias não conseguem mais transmitir os ensinamentos de seus antepassados aos seus filhos, onde amor e respeito valiam mais. A igreja, sinônimo de integridade moral, se perdeu em movimentos politiqueiros e os padres vestem suas batinas apenas para praticar pedofilia, desestimulando os jovens que sonhavam com o sacerdócio. Os governos estão perdidos com seus políticos despreparados e ambiciosos, querendo pregar uma moral de cuecas, cada vez mais colocando impostos nos ombros de quem trabalha dignamente para sustentar os vadios e pobres de espírito.
Caminho mesmo assim nessas ruas asfaltadas pelo progresso que aumentam o calor, cheirando à díesel e gasolina. Respiro esse ar poerento e seco do dia e essas noites com aroma de penas de frango queimadas. Caminho porque caminhar é preciso.
As canções que ouço continuam as mesmas, limpas, claras, com versos e sons corretos, com navalhas, abrindo corações com letras e melodias de fácil entendimento, ferindo apenas os ouvidos daqueles que ficaram surdos pelos insultos sonoros do tempo ou pela falta de oportunidade de sonhar e ouvir algo melhor.

quinta-feira, 23 de junho de 2011

ABSOLUTO


Hoje assisti o filme Absoluto, o Bi da Libertadores do Inter de Porto Alegre e falo para todos vocês que não tem como não se emocionar. O futebol tem essa mágica, fascina, hipnotiza e transforma homens em crianças. Acabamos rindo à toa, gritando, xingando e lubrificando os olhos como se estivessemos descascando cebolas. Assisti todos os jogos pela tv e tive o privilégio de estar no beira-rio na grande final e sei o que é isso. Já contei para vocês em outro artigo.
O filme retrata a tensão da estréia até a grande final contra o Chivas Guadalajara. Mas o que fascina é o depoimento dos torcedores. Homens e mulheres que largam tudo para acompanhar a paixão pelo time até nos jogos no exterior e olha que é preciso muita coragem para encarar os estádios adversários e seus torcedores fanáticos, principalmente, no Uruguai e na Argentina. O filme nos mostra que para vencer é preciso querer, mas ser competente também. O tempo passa muito rápido e a gente esquece, mas aquela equipe vencedora tinha Sandro, Taison, Guinazu, Dalessandro, jogando muito e o garoto Giuliano que foi decisivo na maioria das partidas.
O coração tem que ser forte para aguentar a pressão exercida de todos os lados. O time que não está bem em uma partida; o gol que não sai quando a equipe massacra o adversário como foi contra o São Paulo em Porto Alegre e o sofrimento que só o apito final acaba.
Ontem, assistindo ao jogo da final deste ano, o Santos foi muito superior e mereceu ficar com a taça, a mesma que tem o nome Internacional por duas vezes gravada ali nos últimos cinco anos. Imaginei a alegria daquela torcida ao descobrir existir vida após Pelé e a emoção que apenas quem vence a libertadores sente no peito. Parabéns ao Santos e a sua torcida, mas absoluto, só há um, o meu Internacional de Porto Alegre.

terça-feira, 7 de junho de 2011

SAÚDE OUTRA VEZ


Vivemos em uma cidade do Brasil e isso diz tudo. Com um desenvolvimento acima da média, Lucas do Rio Verde desabrochou para o mundo, na área da indústria e comércio, proporcionando um inchaço populacional e trazendo junto com o progresso, algumas dificuldades para seus moradores. Mas, aqui também é Brasil e tudo é burocrático, lento e apesar da boa vontade da prefeitura,dependemos da união para mudarmos alguma coisa. Falar em saúde, educação e segurança é sempre o assunto da moda, porque nunca vai ter solução, já que é onde os candidatos conseguem suas bandeiras e promessas de votos para as próximas e todas as outras eleições que virão. A população cresce, mas as faculdades, os hospitais, mão de obra qualificada, não crescem na mesma proporção, nos submetendo à algumas coisas que antes não faziam parte do cotidiano. Investe-se muito em políticos, mas não se investe em políticas de saúde. Não estou falando de tapar o sol com a peneira, e sim, de pagar decentemente os hospitais e os profissionais de saúde.
O SUS é um projeto maravilhoso no papel, mas é uma grande falácia na realidade. Pagar 67 reais por um atendimento de recém-nascido em uma sala-de-parto, é um absurdo! E dizer que até 2 anos atrás o valor era de 25 reais. Repassar perto de 70 reais a um profissional para cuidar de um paciente com pneumonia, independente dos dias de internação, é uma vergonha para quem trabalha e um desrespeito para quem recebe esse cuidado, sem falar do hospital que um a um vai fechando suas portas. Um corte de cabelo, um cartucho de impressora, um buque de rosas vale mais. A vida fica cada vez mais insignificante e perder um paciente por falta de leito em uma UTI ou por excesso de doentes pode se tornar uma rotina dolorosa se não dermos um basta.
Não iremos aumentar os profissionais oferecendo pouco. Morar em uma cidade do interior exige sacrifícios que a grande maioria dos recém-formados não está preparado para enfrentar, sem falar no custo de vida elevado. Desligar-se do cordão umbilical dos professores, dos exames diagnósticos de alta resolutividade, e uma medicina clínica cada vez mais pobre e desvalorizada, faz com que fiquemos, muitas vezes, à mercê de curandeiros, falsos médicos e doutores do nada.
Sendo assim, apesar de muitas vezes sermos obrigados a calar nosso grito, temos obrigação de falar, antes que nossa voz seja arrancada da garganta, aí será tarde demais, e viveremos eternamente mudos, à sombra dos caluniadores e dos pobres de espírito.

segunda-feira, 23 de maio de 2011

AUSÊNCIA(Poeminha XVII)




Pode ser que eu mude meu caminho
Pode ser que eu seja um estranho
para mudar minha vida
Mas vou tentar.
Fiquei perdido quando você se foi
Agora mudou o vento
Eu também posso mudar...
E voei como as águias
As pessoas estão esquecidas em algum lugar
e você se perdeu no meio delas
e eu precisando de conselhos
e você não está mais em minha vida.
O mundo está mudando
e eu posso mudar também...
Todos estão perdidos em livros
com palavras sem sentido
e eu precisando dos teus conselhos
e você não sabe
porque já está vivendo fora de minha vida.

segunda-feira, 9 de maio de 2011

NOTÍCIAS DE MAIO


O mes começou bem. Pelo menos os norte-americanos pensam assim. Bin Laden partiu para uma guerra santa sem volta ou deve estar preparando algum atentado no édem, mas deixou a impressão que o ódio pelo país de Obama triplicou já que os barbudos que usam o alcorão como desculpas para matar continuam sendo muitos.
No futebol perdemos para o Penharol e ficamos com a mesma sensação daquele jogo com o Mazembe pelo mundial. Éramos melhores, o jogo era teoricamente fácil e ao Inter faltou apenas entrar em campo. Ganhar o segundo turno do Gauchao não foi nada para quem sonha tão alto quanto nós colorados, o problema é que o tombo se torna maior e mais doloroso.
Dilma parece estar trabalhando já que não aparece tanto que nem o Lula, mas quem trabalhou mais foi o partido dela; Ressuscitou Delúbio, mais conhecido como o tesoureiro do escândalo do mensalão, que parece voltar ao seio do PT com honras de estado. Das trevas também ressurgiu José Dirceu com o sonho de ser presidente deste país. Se fosse um lugar de gente séria os dois estariam agora disputando eleição atrás das grades. Mas se os tiriricas da vida estão no congresso pq eles não tem direito?
Nardoni, aquele do caso Isabela conseguiu reduzir sua pena em 10 meses e a votação do novo código florestal acaba virando piada já que quem vota são os grandes latifundiários que usam e abusam da terra.
Para finalizar em minha organizada cidade, estamos trabalhando dobrado. Até esta data nasceram pelo menos 30 crianças; 50% delas pelo SUS. Cinco, de mães de menos de 15 anos e pelo menos 3 sem exame pré-natal nenhum, e sem preparo também. Reflexo do progresso desordenado a que fomos submetidos.
Pelo menos 3 vítimas de arma branca que foram para cirurgia, fora os atendimentos de lesões pequenas.
A polícia prendeu novos e velhos traficantes e as ambulâncias não param nem um minuto. Os postos de saúde estão cheios e as doenças cada vez mais difíceis de tratar, afundando cada vez mais a estrutura hospitalar que temos. Poucos médicos fazendo o trabalho de muitos que estão por aí neste país e os politiqueiros de plantão criticando sem conhecimento já buscando votos para o ano vindouro.
Não posso esquecer do nível das músicas que tem tocado nos fins de semana do lago, com letras de baixo nível convidando as crianças que dançam com suas pernas finas e saias curtas a iniciarem precocemente sua vida sexual. A pobreza nos bate à porta nas mais diferenças formas.
Maio começou assim. É a vida, simples assim.

sábado, 23 de abril de 2011

PÁSCOA! HORA DE RESSURREIÇÃO!


Mais um domingo de páscoa. Outra vez comemoramos a ressurreição de Cristo e esperamos ressuscitar na companhia dele. Outra páscoa no centro do país. Estar em uma cidade do interior do Mato Grosso é como estar do outro lado do mundo. Não é pela distância da capital ou da sua terra natal, mas por estar tão longe das pessoas que amamos, como se estivessemos em um lugar de línguas e costumes diferentes. Viemos para este lugar não para visitar amigos ou colocar no álbum fotos dos poucos pontos turísticos daqui, mas simplesmente para trabalhar. Somos patrões e escravos. Senhores de nada. Em um país onde quem trabalha mais, menos valorizado é, aqui não foge dos padrões. Somos soldados pedindo esmola! Estamos presos aqui por nossa conta. Quando saí de casa, adolescente, saí atrás do sonho de ser médico e ajudar pessoas. Crianças, principalmente, pois já havia decidido que o caminho a ser seguido seria pediatria. Lembro do orgulho de meu pai e minha família em minha formatura, mas lembro de me ver no espelho me perguntando o que fazer depois. Abandonamos a segurança de nosso lar para conquistarmos o mundo e nossa soberania. Nos tornamos homens e começamos nossa busca incessante por um lugar ao sol e desde cedo descobrimos que competência não é sinônimo de sucesso. Aprendemos que na vida, estudar é necessário, mas não nos ensinam o quanto. Os que perderam noites acabam cedo ou tarde entrando no mesmo barco que aqueles que estudaram o básico para serem aprovados, porque quem emprega não tem conhecimento ou cultura para valorizar o bom e nem separar o joio do trigo. Não nos preparam para estas batalhas de cartas marcadas. Somos educados para trabalhar e cumprir leis e não para entender porque pagamos tantos impostos, porque nosso ganha-pão é submetido à interferência de tanta gente se somos profissionais dito liberais. Todos os dias novos impostos são criados para sustentar viciados, assassinos, ladrões e principalmente a categoria que parasita o país, a classe política. Estudamos para isso. Saímos de casa. Escolhemos o lugar para criar nossos filhos, sonhando com o paraíso. E apenas isso. Nos afastamos do nosso alicerce, que é nossa família. Perdemos avós, pais, amigos pelo caminho, na distância de nossos passos, para isso. Trabalhar e trabalhar. Não vemos o sol nascer e nem se pôr, porque estamos trabalhando. Não! Esta cidade que escolhi não é o paraíso, longe disso. Apenas o sorriso da família é que remove as montanhas e nos faz seguir em frente, em busca da felicidade. Lembro de uma música que dizia " se há uma crise lá fora não fui eu quem fiz" . Será que devemos pensar assim para ser feliz? A vontade às vezes é largar tudo e fugir, mas para onde? Ficamos dependente dessa adrenalina e as pessoas cada vez mais dependentes da gente. Apenas quem está no comando não vê. Coloca todos na mesma vala. Temos que dar um jeito nisso ou vamos acabar engrossando as fileiras dos sem sonhos, que apenas sobrevivem das esmolas dadas pelo governo. Ainda bem que todo o ano Cristo volta para ressuscitar nossa vontade, sonhos e perseverança. É a páscoa que nos faz seguir em frente. Então abram seus corações e feliz páscoa a todos!

segunda-feira, 4 de abril de 2011

SAÚDE NO PRIMEIRO DE ABRIL: A GRANDE MENTIRA




Neste dia primeiro de abril passado, a rede globo, através do seu programa " Globo Repórter" mostrou mais um capítulo de como a saúde pública é tratada neste país. O dia, foi perfeito para o tema apresentado, o da mentira. Parece mentira que algo tão importante seja administrado pelas autoridades com tanto descaso. O mais engraçado em tudo isso é que essa realidade mostrada não é diferente da dos últimos 20 anos. A diferença é que o governo hoje lava as mãos e empurra para o estado, que por sua vez joga para o município a obrigação de cuidar da saúde dos seus habitantes. A invenção dos PSFs(posto de saúde da família) seria tão bom quanto a do sistema único de saúde, se saísse do papel e funcionasse. Os prédios estão em pé, mas não há profissionais competentes ou em número suficiente para ocupá-los. O SUS de hoje é um grande engôdo, que leva à míngua os hospitais, fazendo com que os usuários sejam jogados de um lado para outro, tentando assim evitar fechar suas portas. Os bons médicos não querem mais atender o sistema porque o trabalho é árduo e quase desumano, além de serem mal remunerados, estão mais sujeitos a erros e por conseguinte a processos. Vimos o caos instalado nos atendimentos, enfermarias que parecem sair de filmes-catástrofes, tamanho sofrimento e desorganização. Os médicos tentando escolher os pacientes pela gravidade, mas deixando escorrer por entre seus dedos a vida de uma criança. Profissionais despreparados, irônicos, irresponsáveis em um sistema alquebrado, organizado por políticos sem visão e com idéias saídas da pré-história. A saúde agoniza e o senhor Helvécio Magalhães, secretário nacional de atenção à saúde, fala que a falta de médicos é que é uma das principais questões de saúde pública. Quer aumentar o número desses profissionais como se isso fosse uma solução para todos os problemas. Não sabe ele que basta remunerá-los melhor, dar condições de trabalho e qualificá-los para enfrentar o inferno que eles criaram, que todas as cidades desse país sem direção, teria um profissional cumprindo horário e trabalhando de bom grado pela população. Há hospitais sucateados, os que morrem na planta e os que as plantas tomaram conta. O dinheiro que é desviado para a construção de elefantes brancos e licitações duvidosas, daria para manter profissionais, instituições e uma saúde digna para atender esse escurraçado povo brasileiro.
Fico pensando quantas vezes ainda perderemos pacientes por falta de leitos ou de profissionais de bom nível. Quantas vezes choraremos em frente a tv os descasos do sistema que está aí. Talvez até a hora em que nossas lágrimas sejam pelo nosso paciente ou por alguém mais próximo. Aí será tarde demais.

domingo, 27 de março de 2011

DOS VENENOS DO PROGRESSO


O tempo passa. As notícias são diárias e a ignorância também. O Japão sofre as consequências de um país desenvolvido, desenvolvido demais, contra as forças da natureza e dos homens. Temos culpa nisso e já está provado. Desmatamos, poluímos, matamos e roubamos em prol do progresso ou de nós mesmos.
Ás vezes temos vergonha do lugar onde moramos, não pelo local, mas pelos moradores. Os limites são de uma cidade, de um pensamento, de uma mania de grandeza idiota e maniqueísta. Somos seres humanos normais, acordamos, escovamos os dentes, tomamos café e vamos ao trabalho. Não meus caros amigos, Lucas do Rio Verde não é o centro do mundo como pensam alguns. Temos os mesmos problemas que qualquer habitante desde planeta chamado terra tem. Vamos celebrar a estupidez humana, dizia Renato Russo. E como somos estúpidos Renato! O progresso é maravilhoso, mas ficamos escravos dele. O progresso é assim, chega como quem não quer nada, nos dá grana e presente, o futuro, esse a Deus pertence. A pesquisa foi feita. Poderia ser feita em qualquer lugar agrícola desse país. Mas foi feita aqui nesta cidade quase pacata e quase fantástica de Lucas do Rio Verde, MT. Que bom que foi feita aqui, é o que pessoas decentes e esclarecidas deveriam falar. O veneno está aí batendo na sua rua, casa, família. Surpreendentemente o que ouvimos e lemos é a escória da sociedade se lamentando, como se o mundo tivesse contra nós. Sim! Um dossiê, um trabalho encomendado pelo FBI, CIA, SNI, ou apenas pela oposição, que por sinal baseia-se agricultores, o que não me surpreende nenhum pouco. Para quem não sabe colhemos o que plantamos. Na vida é sempre assim. A agricultura é assim. Você planta e vai torcendo para que tudo dê certo. Usa da sua astúcia, em plantar na época certa, usar o "defensivo" certo, e reza para que o tempo conspire a seu favor. É isso, e apenas isso! Os defensivos são venenos e com o tempo vão ficando obsoletos. As pragas da lavoura vão ficando resistentes e não é qualquer remedinho que vai matar. Na medicina é igual. Médicos bons e ruins usam antibióticos por qualquer motivo e competem ainda com balconistas de farmácia fustrados que continuam receitando antibióticos e deixando as bactérias cada vez mais fortes. Somos privilegiados. O trabalho feito pelo doutor em toxicologia, Wanderlei Pignatti , com a equipe da Fiocruz merece os nossos aplausos. Isso poderia ter sido feito em qualquer cidade dessa região, mas foi feita aqui. No Rio Grande do Sul sabe-se há muito tempo dos efeitos dessas drogas nos seres humanos. Intoxicações, mortes, mal-formações e crianças com deficit no desenvolvimento cognitivo. Parece que as pessoas não querem ouvir ou ler a verdade. Sim é verdade que os defensivos se depositam na natureza. Na terra, na água, no ar e em tudo que provém dela. Ainda não sabemos a dimensão de tudo isto. Não temos a quantidade de veneno que tem no ar, na água, no leite materno e nos alimentos que consumimos, e não sabemos a
quantidade que circula em nosso sangue para desenvolver alguma doença. Quem à noite não espirrou sentindo o cheiro de penas queimadas que poluem nosso ar?
A verdade é uma só. Quanto mais usarmos os defensivos, mais resistentes, as pragas da lavoura serão e mais agressivos serão as próximos. Quanto mais antibióticos usados de maneira corriqueira, mais fortes serão as bactérias e pior serão as consequências para a natureza e para os homens. Assim é a vida. É o preço do progresso e do sucesso nessa cidade e em qualquer outra que esteja em fase de expansão e crescimento agrícola. Devemos agradecer a pesquisa porque temos a chance de mudar isso. Aumentar a fiscalização por conta dos órgãos competentes. Observar e cobrar o lixo tóxico e não apenas a produção de fraldas sujas das clínicas.
Acorda para a vida povo brasileiro! Senão nossas terras não irão mais produzir, nossas crianças serão apenas eleitores sem cérebro e sem sonhos, nossa próxima luta será de paus e pedras, como disse Einstein, e nossos próximos antibióticos serão os chas da vovó.

domingo, 13 de março de 2011

AS TRISTEZAS E AGRURAS DE CADA UM


Esta semana tive uma surpresa desagradável ao abastecer o carro. A gasolina subiu. O governo já havia dado indícios disso apartir do momento em que o preço do álcool se elevava. Neste país é assim. O governo aumenta o bolsa-família e quem paga conta é o cidadão honesto. Aposenta políticos de um so mandato, e ruim, com salários astronômicos, e não um trabalhador com grave problema de saúde e que vai ganhar um valor miserável o resto de sua miserável vida. Acho que meu mau-humor está virando doença. Minha vida é um imposto só. talvez por isso! Trabalhamos para pagar a vida boa de poucos as custas do nosso suor. Estamos passando por uma fase de desvalorização total. Bons profissionais são colocados na mesma balança que os maus, vencendo os de caráter duvidoso, pela sua maior qualidade, o puxa-saquismo. A ignorância assola o país. Talvez assim, seja mais fácil governar. O Maranhão de Sarney era assim e nosso nobre país parece se espelhar nele. Os professores são desvalorizados, os médicos reféns de um modelo ultrapassado chamado SUS e de cooperativas que eles mesmo criaram. O povo não sabe ou não quer saber. Ele prefere ficar assistindo aos pseudo-guerreiros do big-brother, roteirizados por Bial, do que entender por que o único hospital da cidade está quebrado, ou porque não vem mais profissionais de saúde para este município. Os consultórios estão lotados e os bolsos cada vez mais vazios. Por que proliferam os postos de gasolina e minguam as bibliotecas? Por que cassam os vendedores de cds e dvds piratas, de péssima qualidade, se não há locais que vendam os originais? Ninguém questiona nada. Quando questionam é para saber se o exame, o remédio, a cirurgia, a comida, o transporte é de graça, ou de quantos dias é o atestado. A culpa é cada vez mais nossa. Nossa imprensa, com raras exceções, é analfabeta. Textos sem concordância, que fazem você se esforçar na interpretação antes de entender seu significado. Erros crassos da língua-mãe. Apresentadores com péssima dicção e leitura. Comerciais como se fossem as melhores notícias, e a música de baixo nível. Meus argumentos se esvaem diante de tantos desmandos e tanta falta de noção e bom-senso. A nossa sorte é que temos a natureza a nosso favor, só não sabemos até quando. O Japão foi destroçado na segunda guerra. Reconstruíram o país e agora sofrem com as agruras de vulcões e tsunamis. Vão se erguer de novo às custas do trabalho e da cultura de um povo que não desiste nunca. Quanto a nós, Deus nos livre dessas tragédias. Morreríamos sem lutar. Ficaríamos com certeza esperando, apenas esperando, a ajuda do governo ou a morte.
Desculpem-me as pessoas que curtem meu blog, mas esta é a forma que eu achei para desabafar e extravasar minha tristeza e indignação.

domingo, 6 de março de 2011

DOMINGO DE CARNAVAL



Domingo de carnaval! Para quem não sabe, esta festa, surgiu após a implantação da semana santa pela igreja católica no século XI, antecedida pela quaresma, que seriam 40 dias de jejum. Isso seria marcado por festividades nos dias que antecediam a quarta-feira de cinzas, o primeiro dia da Quaresma. A palavra carnaval está relacionada com a idéia de deleite dos prazeres da carne. "Carnis vallis" ( carne e prazeres), o que tem muito a ver com os dias de hoje.
O carnaval atual tem origem no século XIX, nas cidades européias e Paris foi a principal exportadora da festa com fantasias que temos hoje. Comecei falando disso porque estamos passando por mais um carnaval, e parece que o país para nesses dias e realmente esquece das agonias e agruras do cotidiano. Nunca gostei destes dias. Em minha cidade natal apreciava o carnaval de rua com suas 3 escolas de samba e muitos blocos que desciam a Avenida Sete todos os anos de minha infância. Minha avó levava suas cadeiras de abrir, era assim que as chamávamos, para desgosto do meu avô que detestava aquilo tudo, se instalava na avenida e só saía de lá quando passavam os últimos foliões. Havia o bloco da Tia Bolina, com um boneco enorme de uma negra, como nos carnavais do Recife. Era o nosso favorito. À meia-noite íamos para o clube que éramos sócios. Eu apenas ia para acompanhar meus pais que gostavam demais. Não curtia aquela procissão de alegria excessiva que andava e cantava as marchinhas ao redor do salão. Vez por outra uns mais excitados se envolviam em brigas e eram retirados sob protestos para fora do clube, retornando na noite seguinte para mais um "pulo" de carnaval.
Hoje moro em uma cidade nova em que não existem escolas de samba e os blocos são amontoados de jovens, que na sua grande maioria, se reúnem para beber e ouvir qualquer baboseira que não tem nada a ver com o carnaval até chegar a hora de ir para o lago onde a prefeitura colocou uma banda para tocar axé até a madrugada. Sei lá se isso é válido. Mas em uma cidade que não oferece nada de diversão, estes dias são a válvula de escape de todos que aqui vivem para trabalhar.
Acho que estou ficando velho e fico irritado com tudo. Talvez seja a música de carnaval, que mesmo com a chuva torrencial que tem caído nestas noites, ainda bate à minha janela até as 4h da manhã. Talvez a falta de opções que vai impondo a nossa vida um cotidiano de trabalho que não tem mais saída a não ser trabalhar mais. Agora temos um sol tímido aparecendo em meio às nuvens, mas a chuva vai voltar daqui a pouco. Aqui no MT essa época é assim. Estou aqui ouvindo uma música que diz "um dia voltarei a querência...", sentindo o estalar do carvão na churrasqueira e tomando um chimarrão. É o que faço todos os domingos. Quem sabe o ano que vem não entre em um bloco e vou para o lago com o povo tomar banho de chuva e lembrar dos velhos carnavais, já que voltar para a querência é um sonho cada vez mais distante.

terça-feira, 1 de março de 2011

O ADEUS A MOACYR


A literatura brasileira está de luto. Na madrugada de domingo descansou mais um mestre das letras: Moacyr Jaime Scliar. Gaucho de Porto Alegre, nascido no bairro do Bom-fim, de origem judaica, estava com 74 anos. Médico, especialista em saúde pública, professor universitário e principalmente, um homem com o dom de escrever. O último livro que li dele foi "Meu Filho, o Doutor- Medicina e Judaísmo na História, na Literatura- e no Humor", de 2001, que faz uma viagem pelos bastidores da Medicina, e seus condicionamentos sociais, políticos e culturais, como a trajetória judaica. Scliar era assim. Escreveu ensaios, contos, romances adultos e infanto-juvenis e crônicas sobre a vida cotidiana, o socialismo, a classe média e a imigração judaica, um dos seus temas preferidos.
Li muito durante o segundo grau e a faculdade e ainda leio, embora hoje esteja mais para Robin Cook e Stephen King, Moacyr era um dos meus favoritos, junto com Mário Quintana, Érico Veríssimo, Josué Guimarães e Luís Fernando Veríssimo.
Na minha estante ainda moram alguns livros dele, "Max e os Felinos", " O Anão no Televisor", Guerra no Bom-Fim", " Mes de Cães Danados". Li também, nos velhos tempos, "Os Voluntários", "O Ciclo das Águas", " Os Deuses de Raquel", " A Balada do Falso Messias", "O Exército de um Homem Só", " Cavalos e Obeliscos", " A Festa no Castelo", mas o meu favorito sem dúvida alguma sempre foi " O Centauro no Jardim", que mescla a história de judeus imigrantes do leste europeu apartir das guerras mundiais, suas dificuldades de ambientalização e a perda gradativa de suas raízes e tradições no judaísmo com o passar dos anos. Também mistura o fantástico e um realismo mágico, que aparece em muitas de suas estórias. Guedali, o personagem principal, é um judeu russo que nasce centauro e passa parte de sua vida como tal e parte, como homem. Há um simbolismo no livro que é a duplicidade do judeu, quer na questão racial, quer na questão religiosa. Para quem curte uma boa leitura é um prato cheio.
O bom da escrita é esta herança que fica. Lamentavelmente os poucos livros que caem nas mãos da maioria de nossa população apenas serve para enfeitar as estantes. Morre Scliar, o escritor, ficamos órfãos de sua presença, mas não dessa obra maravilhosa, ao alcance de todos, basta correr um pouquinho atrás que você não vai se arrepender.

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

"LU E KA" O SHOW



Sábado! Saio para a noite de Lucas pela primeira vez nos últimos 2 anos. Quando falo em noite, estou falando de sair para uma balada. Junto com meu sobrinho fui assistir o show da gaucha Luka em uma casa noturna daqui. Luka não decepciona. Tem uma presença de palco fantástica, é simpática e se comunica facilmente com o público. Canta maravilhosamente bem e compõe da mesma maneira. Letras simples, do cotidiano. Arranjos excelentes e uma banda com músicos jovens e talentosos como ela. Desfilou seus grandes sucessos e com seu inglês fluente cantou covers de Cindy Lauper, Pretenders, Joan Osborne, Guns e KT Tunstall. Além de tudo é uma mulher muito bonita e sexy. Valeu a pena! Talvez o único show decente aqui em Lucas durante este ano. Se depender da expolucas, a exposição da cidade, ficaremos mais burros musicalmente e cada vez mais perplexos com a invasão de tanta gente ruim nos palcos nos últimos anos. Talvez a culpa seja só nossa como falou um colega hoje. Ficamos apenas esperando e calamos nossa voz e por sermos bons e meros expectadores, acabamos sendo comandados pelos maus.
Nossas rádios, assim como nossos canais de televisão só tocam coisa ruim,então acabamos ouvindo música de má qualidade. O povo gosta disso, é o que dizem. Mas como o povo vai gostar de outra coisa se só conhecem duplas sertanejas de péssima qualidade musical.
A mídia quase não deu destaque ao show da Luka, muito provavelmente por não conhecê-la. Toquei suas músicas centenas de vezes nos anos que passei a frente do Programa Calendário Pop-rock da regional fm, mas um agulha musical numa sexta à noite em um palheiro com uma programação voltada para o sertanejo, não mudou muito.
Fico feliz pelo pouco mais de 250 pessoas que assistiram à Luka. Tenho certeza que elas saíram felizes por saber que existe vida musical além das dezenas de duplas que cantam as mesmas baboseiras todos os fins de semana aqui na cidade. Se Luka fosse uma dupla, " Lu e Ka" , com certeza o pub teria lotado, mesmo que não se conhecesse nada a respeito desta.
Da minha parte agradeço o esforço do Márcio do Mister Dam e espero que ele não desanime. Se continuar a trazer shows desse nível poderá contar sempre com minha presença. A música de Luka eu já curtia. Agora sou fã da cantora também.

segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

A VOLTA


Estou de volta ao trabalho. Gostaria de escrever todos os dias, mas o cotidiano acaba matando as idéias e meu espírito rebelde vai ficando cada vez mais domado. A cada dia que passa parece que vamos esquecendo dos nossos sonhos e deixando para trás o empreendedor e guerreiro que havia dentro da gente. O dia-dia é assim, cruel, egoísta e mata nossa vontade de querer mais, ser mais. Somos escravos de nós mesmos, pois concordamos com tudo o que nos cerca. Somos apenas números nesse mundo que vivemos. Vejam pela nossa cozinha ou nossa cidade, como queiram chamar. Há 13 anos quando cheguei não possuia mais que 14 mil habitantes. As pessoas pareciam mais felizes e o máximo de maldade eram as fofocas que livremente fluíam pelas vizinhas sem porvir ou nos salões de beleza. Hoje são mais de 40 mil pessoas, buscando um lugar ao sol que brilha apenas para poucos. O local perdeu sua magia, seu entusiasmo adolescente e sua integridade moral que só os pequenos municípios tem. Toda a semana a polícia prende pelo menos 10 pessoas com alguma relação com o tráfico e na mesma semana a grande maioria está de volta às ruas por serem menores. Aumentaram os roubos, as agressões, o desrespeito. Desapareceram as expectativas de prosperidade e vida estável.
Está certo. Você está me achando pessimista. Também sinto isso. Mas quanto mais passam os anos mais eu vejo que os hipócritas, puxa-sacos e maus profissionais é que se dão bem. Estamos cada vez mais sós, mais presos em nosso trabalho e mais introspectivos. Como cantava Renato Russo: " Os assassinos estão livres, nós não estamos".

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Diário de Bordo: PASSO FUNDO

Nossa primeira e última parada no Rio Grande antes de subir para o Mato Grosso. Cidade linda! Continua crescendo para cima e para os lados, invadindo campos e plantações. Comércio em alta, mas poucas indústrias. Apesar da correria intensa e do trânsito caótico, Passo Fundo continua a viver de forma satisfatória. A Universidade de Passo Fundo e a medicina de alto padrão fazem com que a cidade proporcione um universo diferente da maioria das outras do estado. Já se vão 18 anos que eu saí da residência de Pediatria e parece que foi ontem. São aproximadamente 183 mil habitantes, mas com uma população flutuante importante graças à escolas, cursinhos e principalmente à universidade, que é uma das melhores do estado. Para algumas áreas, os atrativos de um bom salário já não existem mais e o custo de vida é igual a média de grande parte dos outros lugares. Mas, em uma sociedade globalizada as chances são maiores para os superespecializados e é isso que ocorre lá também. A diversificação cultural é de dar inveja a grandes centros e capitais, como a nossa Cuiabá. Eventos como, o Festival Internacional do Folclore, o Rodeio Internacional, com participações campeiras da Argentina, Uruguai e Paraguai, Campeonato Mundial de Bocha, Olímpiadas dos Surdos do Mercosul, Jornada Nacional de Literatura, Feira do livro e a Passodança, fazem parte do calendário anual, além do cinema e do teatro e colocam em definitivo Passo Fundo no mapa diferenciado da cena cultural brasileira. Mas, o melhor de tudo são as amizades que perduram e fazem com que a gente volte sempre a trilhar essa estrada e visitar essa cidade. Mesmo não nascendo ali deixamos nosso coração e um grande bocado de nossas vidas. Ali tive meu primeiro filho: uma meninda chamada Aline. Adquirimos conhecimento e experiência, profissional e de vida para enfrentar as dificuldades e hoje vivemos em outro lugar, distante,mas cultivando as mesmas tradições, os mesmos costumes como se nunca tivéssemos saído dali.

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

HAPPY NEW YEAR!


O ano de 2010 se foi, mas sempre deixa algumas marcas que vamos levar alguns anos para amenizar. As cicatrizes ficam para lembrar as coisas boas e ruins que passaram. As contas que fizemos, por exemplo, estas nos acompanharão durante um bom tempo, assim como os amigos que fizemos e os que perdemos pelo caminho.
A passagem de ano serve para iluminar alguns caminhos, tomar outros e espiar se no fim do túnel ainda há alguma luz. Bom passar esta virada de ano aqui em Bagé com meus familiares. Bom rever cada um deles, às vezes, para lembrar que todos temos problemas e que a união em um momento como este pode nos trazer a solução para muitos deles. Está chegando a hora de pegar a estrada e encarar o novo ano, com suas dezenas de obstáculos e surpresas boas ou ruins que ele tem para nos oferecer. Mas a vida é assim. Muitos encontros e algumas despedidas. Quando encontro minha mãe, meus irmãos, é impossível não lembrar do meu pai que deve ter feito a ceia com Deus mais uma vez. Foi cedo meu velho e nos deixou um pouco órfãos. Impossível não lembrar dos amigos da infância e da adolescência que fizeram melhor nosso mundo. E a gente acaba pedindo mais. Mais tempo, mais vida para que essa celebração nunca acabe e que um dia todos voltem a se encontrar, para falar quem sabe, de coisas bobas, da primeira namorada,dos jogos de futebol no campinho, dos campeonatos de botão, das reuniões dançantes, da sopa da dona Cantalícia na escola, ou da primeira vez que escutamos "The Winner Takes It All" e nos emocionamos. Feliz ano novo a cada um que passou por nossa vida e a todos aqueles que ainda incógnitos, passarão por ela!

domingo, 2 de janeiro de 2011

Diário de bordo: BAGÉ


Até meus 14 anos de idade Rio Grande do Sul era o meu país e Bagé a capital dele. Conhecia apenas o Rio Grande e suas fronteiras com o Uruguai e a Argentina. Meu mundo era pequeno, mas achava que era o centro de tudo. Minha casa era enorme, o terreno sem fim e a cidade com cara de se perder por aí. Cresci e fui para outras querências, fazer cursinho pré-vestibular e faculdade e descobri que o mundo era bem mais do que isso. O hino que cantávamos quando pequeno, falando que Bagé era terra da gente onde o futuro dizia presente ficou no tempo. A letra esquecida em alguma gaveta e o futuro morreu. Hoje a cidade tem em torno de 12o mil habitantes. Minha escola não tem mais banda marcial. As fontes de renda do município, carne e lã já não são mais as mesmas.
Os anos passaram e as administrações passaram também e esqueceram de investir no público, como no restante do país. A cidadela dorme em berço esplendido. A maior parte das ruas tem calçamento precário e na frente da casa de minha mãe, em um bairro nobre e próximo ao centro, não tem calçamento e os esgotos estão a céu aberto. Parece que as pessoas aqui não sonham e não almejam nada além de formar uma família. Os empregos são escassos e os salários miseráveis. As pequenas empresas abrem em qualquer prédio sem o mínimo de investimento, sem fachadas, ou pinturas. A cidade parou no tempo e ficou esperando os milagres do governo Lula e de São Sebastião, seu padroeiro.
Os dois times da cidade, inimigos ferrenhos dentro e fora de campo não saem da segunda divisão do futebol gaucho há décadas. Jornais e rádios fecharam suas portas e há apenas um cinema que insistem em sobreviver.
A saúde está igual ao resto do Brasil, morta pelo Sus e sua política mau-caráter e deprimente, imposta por um governo esclavagista que dá esmolas ao povo em troca de votos. Os PSFs pagam mal e os profissionais que são poucos, fazem o que podem para sobreviver e atender a população.
Os governos foram matando pouco a pouco o futuro. Apenas as famílias sobrevivem amarradas no seio dos patriarcas e matriarcas que ainda existem, fortes e persistentes. Lutam como Bento e tantos outros farroupilhas para manterem suas crias em volta e ilesas. Mas tudo tem um tempo na vida. Há tempo de semear e tempo de colher. Há tempo de comemorar e tempo de começar tudo de novo esperando que no final do proximo ano estejamos juntos para comemorar mais uma vez.
Bagé é um pouco disso tudo. Família também....