domingo, 16 de outubro de 2011

CONGRESSO BRASILEIRO DE PEDIATRIA


Estar participando do congresso brasileiro de pediatria é algo muito bom, e sendo em Salvador, é melhor ainda. Apesar de ser cansativo o ciclo de palestras, e uma correria para entrar em uma sala com algum tema mais interessante, é renovador. Não falo pelas mudanças em condutas ou tratamentos, pois, cada vez menos temos alterações significantes, mas pelo contato com colegas de outros estados e o reencontro com amigos da residência. Estamos em uma fase em que muito pouco se cria e muito se copia. Os laboratórios investem muito em fórmulas já existentes, prometendo sabores diversos que vão agradar nossos pacientes; Alguns apelam para o preço e outros na qualificação e na história de seus produtos. A briga maior fica por conta dos alimentos, os leites, para lactentes e crianças menores. Danone, Nestlé, Abbott, Meadjohnson e outras brigam pelo seu espaço como se fosse cachorro grande. E acho que são mesmo.
Todo o congresso vale por nos fazer recordar de tudo. São temas diversos do nosso cotidiano passando por doenças que existem, mas não fazem parte do dia-dia. O melhor de tudo é que saímos com aquela vontade de estudar mais, saber mais e dedicar mais tempo a vida. O dia do pediatra também foi discutido. A desvalorização, a falta de incentivo, os planos de saúde que nos escravizam e os governos que nos sufocam. Apesar da luta da sociedade brasileira de pediatria pela nossa valorização, não se vê luz no fim do túnel. Conversando com outros colegas, éramos próximos de 6000 no evento, vemos a disparidade de situações e salários. A exploração vem de todos os lados, explicando a todos porque ninguém mais quer fazer pediatria. Muito mais fácil realizar exames como ultra-som que demoram cerca de um minuto para serem realizados, ou fazer qualquer tipo de cirurgia. Propostas de emprego pipocam por todo o lado. Mas os valores, na maioria, vergonhosos, além de ficar na mão de prefeitos e secretários de saúde que não sabem o quanto vao durar em seus cargos.
Ir a este congresso foi como ressuscitar, sair da caverna do ostracismo, e sorrir para o mundo. Renova-se o espírito, e voltamos ao viço da juventude que tínhamos quando saímos da faculdade e da especialização. A vontade é sempre de mudar o mundo e salvar todas as crianças. Pena que a vida é tão desvalorizada. O SUS está morto e esqueceram de enterrar. Cheira mal e não consegue mais se esconder atrás de invenções tapa-furos, as OS, UPAs, PSFs. Os hospitais fechados ou vegetando em UTIs. Essa é a má notícia, mas isso vocês estão cansados de saber. Não adianta prédios ostentando luxo e profissionais desvalorizados. Materiais de procedência discutível e nivelação de todos por baixo. Isso foi muito discutido sem chegar a solução nenhuma. De uma cidade de Minas, com uma população semelhante a nossa, encontrei um colega satisfeito com o que ganha da prefeitura. Os dois pediatras vivem que nem a gente que trabalha aqui, sem tempo para a família e para a própria vida, mas ganham mais que o dobro. Talvez porque o prefeito é pediatra, talvez porque simplesmente tem que ser assim.
Volto renovado, mas com a certeza de que sonhar com melhoras só quando estiver em outro congresso. E viva la vida!

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