terça-feira, 7 de junho de 2011

SAÚDE OUTRA VEZ


Vivemos em uma cidade do Brasil e isso diz tudo. Com um desenvolvimento acima da média, Lucas do Rio Verde desabrochou para o mundo, na área da indústria e comércio, proporcionando um inchaço populacional e trazendo junto com o progresso, algumas dificuldades para seus moradores. Mas, aqui também é Brasil e tudo é burocrático, lento e apesar da boa vontade da prefeitura,dependemos da união para mudarmos alguma coisa. Falar em saúde, educação e segurança é sempre o assunto da moda, porque nunca vai ter solução, já que é onde os candidatos conseguem suas bandeiras e promessas de votos para as próximas e todas as outras eleições que virão. A população cresce, mas as faculdades, os hospitais, mão de obra qualificada, não crescem na mesma proporção, nos submetendo à algumas coisas que antes não faziam parte do cotidiano. Investe-se muito em políticos, mas não se investe em políticas de saúde. Não estou falando de tapar o sol com a peneira, e sim, de pagar decentemente os hospitais e os profissionais de saúde.
O SUS é um projeto maravilhoso no papel, mas é uma grande falácia na realidade. Pagar 67 reais por um atendimento de recém-nascido em uma sala-de-parto, é um absurdo! E dizer que até 2 anos atrás o valor era de 25 reais. Repassar perto de 70 reais a um profissional para cuidar de um paciente com pneumonia, independente dos dias de internação, é uma vergonha para quem trabalha e um desrespeito para quem recebe esse cuidado, sem falar do hospital que um a um vai fechando suas portas. Um corte de cabelo, um cartucho de impressora, um buque de rosas vale mais. A vida fica cada vez mais insignificante e perder um paciente por falta de leito em uma UTI ou por excesso de doentes pode se tornar uma rotina dolorosa se não dermos um basta.
Não iremos aumentar os profissionais oferecendo pouco. Morar em uma cidade do interior exige sacrifícios que a grande maioria dos recém-formados não está preparado para enfrentar, sem falar no custo de vida elevado. Desligar-se do cordão umbilical dos professores, dos exames diagnósticos de alta resolutividade, e uma medicina clínica cada vez mais pobre e desvalorizada, faz com que fiquemos, muitas vezes, à mercê de curandeiros, falsos médicos e doutores do nada.
Sendo assim, apesar de muitas vezes sermos obrigados a calar nosso grito, temos obrigação de falar, antes que nossa voz seja arrancada da garganta, aí será tarde demais, e viveremos eternamente mudos, à sombra dos caluniadores e dos pobres de espírito.

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