sábado, 30 de julho de 2011

UM DIA DE SOL EM AGOSTO



Mais um aniversário se aproxima. Já não me interesso mais em contar quantos passaram e muito menos quantos ainda hão de vir. Simplesmente os anos passam muito mais rápido do que gostaríamos e vemos passar cada vez mais pessoas por esse tempo corrido que se chama vida. Não uso relógio no pulso há muito tempo, mas não preciso dele para ser escravo dos minutos e das horas. Somos escravizados por ele sem perceber. Vão se os dias, meses e anos e você só se dá conta disso quando ve seu filho crescido e seus parentes encurtando suas posturas. Continuo a comemorar cada aniversário como se fosse o único e último, assim como me congratulo com Deus todos os dias, agradecendo a oportunidade de estar fazendo parte da vida de todos, sejam familiares, pacientes ou apenas aqueles que sorrindo ou acenando de longe nos tornam seres mais valorizados e melhores. Esta semana conversava com amigos sobre os aniversários da infância. A simplicidade das coisas, das superfestas regadas a pepsi e guaraná amazonas. Do frio e da chuva fina do agosto de Bagé . O churrasco de costela ao meio-dia, a roupa nova para aquela data, a mãe fazendo o bolo com o recheio mais simples do mundo, o rizoto, a torta fria, a salada de frutas e a expectativa dos presentes que na sua simplicidade me faziam a criança mais feliz do mundo.
Hoje enchemos nossos filhos das coisas que sonhamos e das que não existiam também, tentando preencher a lacuna deixada pela distância que escolhemos para continuar nossa caminhada. Privamos eles dos avós, das brincadeiras com os primos, de tudo que era simples e bom. Dói pensar que os anos não passam apenas para nós e que meus cabelos que hoje embranquecem não se comparam aos de minha mãe que alvos e finos se quebram com o passar dos dias, distante dos meus olhos.
Mas, a felicidade da família se resume a que seus filhos sigam em frente, vivendo bem e respeitando o sobrenome que é a maior herança deixada pelos pais e avós. Os dias criam asas e partem cedo. As noites desaparecem quietas, escondidas no meio deles e assim passa-se o tempo e chega mais um aniversário. A idade, esta não me interessa. Mais velho, mais experiente, mas ainda com o espírito do menino que jogava bola no campinho ao lado de casa todas as tardes, que jogava bolinha de gude, soltava pandorga, corria de bicicleta,que viu o Inter ser campeão brasileiro, tinha mais irmãos que amigos, ouvia Roberto, Raul, Almondêgas, Abba e Bee Gees e aos 9 anos dizia que seria médico. Ainda ouço esse pessoal, acho que sou um bom médico, gosto de cantar, sempre estou lendo um bom livro e ainda tento escrever nas horas vagas, cada vez menos vagas. Por isso comemoro a data do meu nascimento como se fosse o primeiro dia. Um dia dos pais de um ano qualquer. Um dia de sol na vida dos meus pais. Um dia de sol para o resto de minha vida.

2 comentários:

  1. Meu querido Jaime!
    Matou a pau. Quantas lembranças! Que bom tê-las, pois são elas que alimentam nossa alma.
    Parabéns por mais um aniversário, dos muitos que virão. VIDA LONGA E PLENA DE FELICIDADE!
    BEIJOS DO BER, DA LU E DA SUA AMIGONA DE SEMPRE.
    TIA CATA

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  2. Ped, que bom ter vc em nossas vidas, quem realmente te conhece sabe a pessoa maravilhosa que és,que Nosso Senhor continue te abençõando e que em teu coração sempre exista essa saudade dos tempos que se foram só assim vc não se esquece que é especial...FELICIDADES AMIGO!!!

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