sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

Diário de Bordo: PRAIA DO CASSINO

Estar no cassino, em Rio Grande é reviver grande parte de minha infância. Passamos os primeiros veraneios lá e também acampamos sozinhos a primeira vez nessa praia extensa, por sinal, a mais extensa do Brasil. Lembro já adolescente, quando na areia ouvi pela primeira vez a música "Angra dos Reis" do Legião Urbana e corri até o carro do pai para feliz curtir o novo sucesso que era lançado. A praia pouco mudou, os carros estacionam a alguns metros do mar. O vento forte insiste em surrar o corpo que queima facilmente ao sabor do sol.
O local cresceu em habitantes e triplica nesta época do ano, mas ainda traz consigo algo de pureza e tranquilidade interiorana de algumas cidades do estado.
É lamentável que no ciclo da vida vamos deixando nossos melhores dias em um canto qualquer e acabamos envelhecendo e esquecendo da felicidade que era viver em família, com pai, mãe e irmãos. O pai partiu cedo, mas deixou um legado fantástico que é a união de todos ao redor de minha mãe. Não é uma família perfeita, mas é a melhor de todas, desde os tempos que a praia do Cassino era a única no mundo, que o mar revolto e marcado pelas ondas era perfeito e que nossos sonhos se concentravam apenas em brincar e ser feliz.
Tem dias que tudo está em paz e agora os dias são iguais, como diz a canção. " Se fosse só sentir saudade, mas tem sempre algo mais...

quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Diário de Bordo: PRAIA DO LARANJAL


Pelotas sempre foi uma terra orgulhosa por seu povo, pelas suas fábricas, pelos seus doces e por ter uma praia na Lagoa dos Patos, o Laranjal. Fui até lá porque meu irmão está na conhecida "operação golfinho", como salva-vidas. Há 30 anos os bombeiros do Rio Grande atuam na prevenção e morte por afogamentos de veranistas durante a temporada de praias.
O que vimos é profundamente lamentável. A lagoa e o Laranjal cantadas em prosa e em verso, nas músicas dos irmãos Ramil, agoniza em meio aos esgotos a céu aberto que lançam seus dejetos na água. Os cachorros e seus donos passeiam pela areia evacuando e sujando apesar de ser proibido e o banho, por consequência está impróprio, colonizado por coliformes fecais.
O homem consegue destruir a natureza de maneira assustadora e o Laranjal que é um dos pontos turísticos de Pelotas está jogado ao descaso.
Os Ramil que cantam " Lagoa dos Patos dos sonhos, dos barcos, mar de água doce e paixão... Ah! Essa canção singela que fiz só prá ela não me leve a mal; Ela que é filha da lua, que ilumina as ruas lá do Laranjal!", não devem estar visitando sua terra natal nos últimos tempos; Se estiverem, devem estar muito decepcionados.

domingo, 26 de dezembro de 2010

Diário de Bordo: FÉRIAS NO RIO GRANDE

Estar em férias é algo fantástico. Quando vc tem onde ir, ou seja, visitar os familiares, os amigos, e viajar, muito. A estrada é sua amiga se vc puder aproveitá-la. Até agora fizemos uma viagem impecável. Muita calma, eu acho, e neste momento estamos na casa de minha mãe em bagé. Passamos o Natal em Passo Fundo com a sogra e alguns parentes. Estrada de má qualidade apenas no Paraná.
O bom das famílias é que todas são normais, ou quase. Você esquece que é parte de tudo isso vivendo tão longe. Brigas, discussões, abraços, choros, e um Judas para condenar em todos os finais de ano. Isto é família, como cantam os Titãs, cachorro, gato e galinha. Bom demais estar aqui.
Melhor ainda é ser o filho da mãe novamente. Coisa que esquecemos quando estamos tão longe envolvidos no trabalho. Conversaremos logo. Amanhã vou dar um pulo no Laranjal, uma praia de Pelotas onde tenho um irmão na operação golfinho. O resto só os dias vão dizer. Um abraço a todos!

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

PRIMAVERA


É primavera! Ouço os pássaros cantarem no bosque ao lado da minha casa todas as manhãs. A grama começa a ficar verde com as primeiras chuvas e as pessoas caminham com uma expressão menos cansada. Apenas meu coração continua no inverno. Um inverno quente e seco, distante da infância, que já vai longe, marcada por meus cabelos que ficam brancos que nem a geada que quebrei com os pés, quando ainda guri, ia para escola com os sapatos furados e um pedaço de papelão que voltava apodrecido e caindo ao pedaços para casa. Tinha um defeito nos pés que furava o sapato sempre no mesmo lugar. Na missa de sábado não me ajoelhava, com vergonha que alguém olhasse a sola do meu sapato. Saudades sem fim, do amor incondicional da família. As estações eram bem definidas, como a gente estudava nas aulas. O inverno era frio e chuvoso, a primavera as flores brotavam e o verde enchia de esperança nossos corações; no verão o sol brilhava queimando a pele e acendendo nosso fogo de menino ao ver o corpo da amiga bronzeada e o outono era a época das folhas caindo anunciando tempos duros que estavam por vir.
É primavera! Estamos sozinhos em uma terra que não é nossa. Trabalhamos, crescemos, envelhecemos e continuamos sozinhos. As estações aqui são misturadas, secas e úmidas. Em nossa vida, geralmente, não há fins de semana ou feriados. Trabalhamos o tempo todo. Então aquela máxima de que aqui é um lugar de excelente qualidade de vida é uma mentira.
Agora está chovendo novamente! Com certeza, neste momento, minha mãe e meus irmãos devem estar reunidos sorvendo um bom chimarrão e quem sabe, falando da boa vida que levamos aqui.
É primavera! Em algum lugar as flores estão brotando, os pássaros estão cantando e um casal de namorados caminha de mãos dadas ao sabor do sol.
Lembro de uma canção que diz: "Sol de primavera abre as janelas do meu peito... a lição sabemos de cor, só nos falta aprender..." Quem sabe é isso que está nos faltando, um objetivo maior, um sonho, ou apenas aprender o valor de estar com a família novamente.

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

ESTÁ NA HORA DE MUDANÇA!


E vamos para o segundo turno! Graças a uma pessoa com cara de brasileiro, corpo frágil, simples, mas de uma simpatia e inteligência privilegiadas. Falo de Marina, morena, do PV. Debateu com sabedoria, não levantou a voz nenhuma vez, não provocou ninguém e levou a eleição para o segundo turno. Agora ela deve ficar em cima do muro apenas observando, comentando, esperando o vencedor desse embate para quem sabe assim ocupar algum cargo de destaque no novo governo.
Ela pode, pois cumpriu a tarefa mais difícil que era contrariar as pesquisas que apontavam para a vitória de Dilma em turno único.
Agora meus amigos e colegas, nós temos a obrigação de mudar alguma coisa nesse país. Nos últimos anos o partido do governo, que era no passado nosso sonho de mudança, fez alianças de todos os tipos com os piores políticos e governantes que este país já teve: Abraçou Collor, Toninho Malvadeza e tantos outros que enxovalharam e estupraram o país. Lula que era um exemplo de liderança e humildade se perdeu pelo caminho tornando-se um hipócrita igual a todos os outros que ele condenava. Leia algumas frases do "cara" e entendam do que estou falando:
1986: " Qualquer governo comparado ao de Sarney, será socialista, tal a mediocridade de sua administração."
1987: " Adhemar de Barros e Maluf poderiam ser ladrões, mas são trombadinhas perto do grande ladrão que é o governante da Nova República." (referindo-se a Sarney)
2009: " Sarney tem história no Brasil suficiente para que não seja tratado como se fosse uma pessoa comum."
" Eu tenho consciência de que o Maluf, o Collor e outros são inimigos dessas idéias...do compromisso que eu tenho nos chamados setores mais pobres."
2006: Com a experiência de presidente da República, Collor vai certamente fazer um trabalho excepcional no senado."
2009: Quero fazer justiça ao senador Collor e ao senador Renan Calheiros, que tem dado sustentação ao governo em seu trabalho no senado."
Agora raciocinem comigo, qual o significado dessas mudanças de comportamento senão a corrupção do pensamento e do juízo? O país mudou pouco perto do que se esperava e agora Lula quer nos empurrar guela abaixo uma pessoa sem qualificação política, que aprendeu a sorrir e a dar bom dia apenas após sua candidatura?
Lula falhou. Ao invés de trabalhar pelo país ele resolveu brincar de líder mundial se envolvendo em polêmicas e defendendo ditadores . Passou oito anos comprando votos com suas bolsas isso ou aquilo. Foi a compra de votos mais dentro da lei que aconteceu neste país "justo" chamado Brasil e insisto em falar na igualdade social por baixo, juntando todas as classes na letra C ou D.
Amigos, escrevo este texto porque podemos mudar agora e tentar dar um basta a esta corrupção absurda desse governo que se diz do povo. Votar em Serra é uma incógnita. Mas votar na continuidade é aceitarmos a impunidade de um governo deslumbrado com o poder, alicerçados por um partido liderado por pessoas de má índole e comprometidas apenas consigo mesmas.
Lembrem que se o Serra não cumprir com suas promessas, daqui a quatro anos podemos mudar. Nós elegemos o Lula. Mas se a dona Dilma se eleger serão mais anos de assalto e impunidade. Pensem bem, Marina merece esse carinho! A hora é essa!

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

A ESTRELA DESCE OU PORQUE NÃO VOTO EM DILMA!


Alguns dias nos separam de mais um pleito onde iremos escolher quem vai governar o Brasil nos próximos 4 anos. Ainda tenho registrado na memória os anos de pré-vestibular, onde meu cursinho situado na rua independência em Passo Fundo era vizinho de uma sede do PT. Havia um irmão de um colega que era o responsável pela sede, usava barba, uns óculos tipo John Lennon e uma camiseta vermelha com a afirmativa oPTei. Fiquei maravilhado com seu discurso de mudança, com sua integridade, com suas idéias de divisão de terras e de renda e com o fim da chamada burguesia que eu só conhecia da revolução francesa. Mas o que realmente me chamava a atenção era a fé depositada naquela estrela e nos líderes que levavam ela no peito. Nunca mais encontrei o irmao do Miga, mas ele teve influência nos meus primeiros anos de politização. Logo entrei na faculdade e levei comigo a certeza de que o Brasil mudaria um dia.
No meu terceiro ano, entrei para o diretório acadêmico como secretário de imprensa. Tínhamos alguns colegas do sexto ano já engajados com o socialismo e foi um ano com algumas paralisações contra abusos da universidade e contra alguns professores que não estavam qualificados para o ensino médico. No quarto ano assumi a presidência do diretório acadêmico da Medicina e acabei entendendo um pouco mais da política estudantil, frequentando reuniões no DCE, diretório central dos estudantes, e na reitoria com o reitor e seus subordinados. Descobri a força da união dos estudantes pelo bem comum, mas também o poder por trás da máquina que era a universidade.
O tempo passou, mas o ideal ficou plantado. Na minha cabeça e coração adolescentes acendeu uma chama de esperança de mudança. Já sabia contra quem ia lutar e porque. Nunca, liberdade, igualdade e fraternidade ficaram tão claros. A pobreza um dia iria acabar, não haveria mais bandidagem, apenas homens bons e de braços dados uns com os outros em prol de algo muito maior. Ledo engano.
Hoje vejo que nada mudou, apenas mudaram as moscas. Os que antes lutavam nos portões das fábricas por igualdade de salários, subiram em pedestais e amaram o poder e a glória que dele exala. Os que eram os colarinhos brancos, os marajás e senhores de escravos, não foram punidos, continuam a viver nas casas grandes, mas agora como comensais, aproveitando-se dos restos dos novos senhores do engenho chamado Brasil. E o povo, em um ato muito simples se dividiu. Os que ainda trabalham e sonham com um lugar melhor para os seus filhos e os que sem ter onde cair morto venderam sua alma por uma esmola apelidada de bolsa-família, bolsa-isso ou aquilo e parasitam os que conseguem produzir algo nessa terra que ficou árida de tanto ser explorada.
A igualdade está chegando, mas não como sonhamos um dia. Usando as palavras que ouvi naquela época de faculdade: Vem invadindo nossos jardins, pisoteando nossas flores, matando nossos cães, pilhando nossas casas, porque nos calamos todos esses anos e porque não gritamos já roubaram nossa voz. A igualdade tão sonhada é por baixo, dando valor não a quem tem menos, mas a quem faz menos. Não aqueles que suam no seu trabalho, mas aos que esperam sentados por um milagres na soleira de seus barracos. Esse é um novo tipo de governo, um governo que privilegia os que estudam menos, trabalham menos, sonham menos.
É essa a igualdade que vocês sonharam ? Se for me perdoem! Já parei de sonhar faz tempo.

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

SEM FUTURO !? (Poeminha XVI)


Diz prá mim porque as coisas são assim
nada mais tem solução
o que antes era saudade agora perdeu a graça
e as pessoas falam em amor por falar
Ninguém quer mais criar coisas boas
Talvez seja egoísmo cuidar apenas de nossa casa,
do nosso eu, do pequeno universo que somos.
Apenas seremos mais um.
Solitários,perdidos,medrosos,inseguros,imperfeitos
As palavras morrem sufocadas pelo
descompasso do coração, que agora bate em vão
doído, machucado pela pessoa desejada.
As pessoas estão cada vez mais sós
acabou a confiança que nunca existiu
a lealdade tomba que nem teto de vidro
ao choque da primeira pedra
Nossa cidade é um pedaço disso
um grão de areia perdido na deserta
miséria do mundo.
Solidários somos na desgraça das massas,
esquivos na fome e na doença do vizinho
Alguma coisa morreu! Uma flor no jardim,
uma canção não terminada
um por de sol perdeu o sentido
a poesia perdeu suas métricas
e o poeta envelheceu de solidão.
Quanto ao amor, deve estar por aí
nos braços de um desconhecido
procurando se encontrar.

sábado, 18 de setembro de 2010

PRIORIDADES


Estou sentado à frente da tv onde passa um desenho qualquer. Gostaria de escrever algo sobre o novo mas só coisas antigas desfilam em minha mente. Gosto do velho, talvez pela idade que vai avançando dia a dia, apesar de minhas atitudes as vezes estarem mais para um adolescente sonhador do que para um adulto que não tem muito tempo para pensar porque passa quase o tempo todo trabalhando. Ontem à noite fui ao CTG de Lucas e assisti a uma sessão da camara realizada naquele local para homenagear a revolução farroupilha. Um vereador conhecido fez um discurso bem razoável para o momento e falou em revolução de costumes, familiares, de caráter. Quais são nossas prioridades? Falou também no valor que temos que dar aos filhos e criticou nossa vida corrida sufocada por computadores e toques de celulares. Lindo discurso,mas pensei que não serve para minha vida. O meu celular dorme ao lado da cama, me acompanha ao banheiro e fica me observando o dia todo impassível, esperando que eu o atenda prontamente a qualquer toque. Não posso abandoná-lo. Sou seu escravo graças a profissão que eu escolhi. Não, não estou me queixando da minha profissão, mas me recordo que há poucos anos o telefone não saia do lugar, ficava abandonado em nossa casa ou no local de trabalho, e tinhamos momentos dedicados exclusivamente à família. Depois veio o bip, o pager e o celular que acabou com nossa paz e nossa capacidade de ter uma vida propria. Não atender o telefone hoje significa deixar de atender alguem que precisa de cuidados e quando por um motivo ou outro não atendo passo de herói a vilão, de alguem confiável a um qualquer.
A alegria da vida fica em segundo plano. Os encontros com amigos, o futebol dos sábados a tarde, a música e a literatura, escondidos em algum canto esperando que um dia não muito distante voltem a fazer parte desse mundo novo e antigo que coloca a gente em uma engrenagem que não sai mais do lugar. Enquanto isso o mundo se perde por aí em algumas dessas esquinas que só alguns privilegiados podem dobrar.

terça-feira, 7 de setembro de 2010

QUANDO SETEMBRO VOLTAR

Lembro da minha infância e da importância de setembro nela. Um mes antes já começavamos a ensaiar para o desfile do dia 7. Todos os dias tinhamos pelo menos dois períodos da aula para o ensaio. Marchávamos como militares ao som da banda marcial do colégio e éramos cobrados na postura, no alinhamento e nas gracinhas que sempre alguém teimava em fazer. Na época sobrava orgulho em representar a escola e homenagear a independência. Talvez o orgulho em relação ao Brasil fosse forçado, reprimido, imposto, mas não tinhamos nenhuma noção que as pessoas morriam e desapareciam na escuridão dos porões da polícia do governo. Apenas amávamos o país e pronto. Brasil, ame-o ou deixe-o! Era o lema a ser seguido e nós acreditávamos nesse amor sem saber realmente o seu significado. Com o passar dos anos descobrimos que muitas dessas pessoas que deixaram o país, o amavam mais que os senhores que inventaram a frase. Uma vez o presidente Emílio Médici foi visitar sua terra natal, por coincidência, minha também e eu estava mal, febril, mas estava lá de bandeirinha na mão esperando aquele que mais tarde eu descobriria que era um dos chefes dos carrascos da ditadura. Quase desmaiei de febre, mas estava orgulhoso demais para isso. Outra lembrança boa era a banda do colégio, a melhor banda da cidade, que fazia evoluções enquanto tocava clássicos da música popular e suas balizas dançavam e faziam evoluções. Era platonicamente apaixonado por uma delas e ainda tinha minha prima que era mascote e que eu fazia questão de acompanhar. Bons tempos! Mas o melhor da festa era a chegada do vinte de setembro na comemoração da revolução farroupilha, onde loucos como Bento Gonçalves, Giuseppe Garibaldi e outros, sonharam com um estado independente e sem os impostos cobrados pela união. Dessa data temos um orgulho que ultrapassa as fronteiras e o que é interessante, o Rio Grande ainda sofre com a falta de emprego e muitas cidades vivem em uma pobreza absoluta e, mesmo assim, continua cultivando sua tradição e comemorando este dia como se realmente tivesse ocorrido uma vitória e mudado os rumos da história. Os tempos mudaram! As datas continuam as mesmas, mas as comemorações perderam o sentido. As escolas apenas tentam manter o respeito à pátria fazendo algumas homenagens. As crianças caminham e nao desfilam e não há mais o sorriso nos lábios, apenas a obrigação de estar naquele local representando sua escola. Os maus políticos mataram o espírito patriótico com suas falcatruas, escândalos, roubos e falsas promessas de um Brasil melhor. Hoje cada um defende o seu e o povo já aprendeu isso, visto o número de pessoas despreparadas candidatas a uma vaga na assembléia. Tudo virou uma brincadeira. A primeira mulher a ser presidente da república poderia ser uma pessoa mais brilhante, sensata e humana e a oposição deveria ser um pouco mais inteligente, já que José Serra não tem empatia nenhuma para enfrentar qualquer um, quanto mais alguém manipulado pelo simpático e destemido presidente Lula. Quem sabe daqui a alguns anos surja um movimento novo baseado na justiça, no bem comum e na valorização da educação e do trabalho. Aí sim, nossos filhos e netos poderão voltar a exaltar com orgulho os símbolos e os heróis desse amado país e esperar um novo setembro.

domingo, 5 de setembro de 2010

DOS DIAS DE HOJE( poeminha XV)


Tenho escrito pouco
Escrever é bom, me acalma
e traz paz a minha alma
abro uma cerveja e sorvo
cada gole com prazer
o mesmo prazer que ainda sinto
com teus beijos e carinhos
Você fica tão feia brava
mas teu sorriso é tão lindo
Teus olhos castanhos sorriam
e me deixam feliz apesar dos dias ruins
Dos teus que são meus também,
dias de guerra!
Você está perto e longe
é tão simples e complicado
Estamos juntos e muitas vezes separados
Quase marcamos hora para o encontro
Uma rua, uma hora,
um passo de cada vez
Adianto, atraso e nada
O relógio é cruel
e nao gosta da coincidência do encontro
Você também sabe ser cruel
Os dias passam lentos
quando você não está neles
e voam quando à noite
meu olhar cruza com o teu
O beijo é roubado, partido
Você foge,
mas também é promessa de dias perfeitos.

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

DOIS LADOS

É preciso percorrer infinitos caminhos para buscar explicação lógica para os sentimentos que regem a vida. A infinita bondade de Deus e a suspeita bondade dos políticos; o doce acúcar que circula nas artérias de um diabético e seu amargo cotidiano; os encontros que nos enlouquecem e as despedidas sem adeus; a emoção de um linda melodia e o sucesso das palavras sem nexo; a exatidão da loucura e a embriaguês dos que se julgam sóbrios.Há no mínimo dois lados ou dois caminhos a escolher. É preciso caminhar sempre em frente, mas com um olho no passado. Um passo de cada vez sem esquecer dos pais, dos avós que nos deram o primeiro tijolo para o alicerce que construimos. Em um mundo tão frio como esse não é possivel negar carinhos, abraços e sorrisos. Somos feitos da mesma massa, mas são as atitudes, os pequenos gestos que nos diferem. Reconhecer limites, driblar os obstáculos, e seguir em frente mesmo que feridos, estrangulados, pisoteados, mas seguir. O sol nasce a cada dia sem cobrar nada e aquece, ilumina a todos da mesma forma, mas sujamos o ar, destruímos o ozônio e ficamos a mercê das mazelas e dos dissabores dos seus efeitos mais perigosos. Plantamos coisas boas, colhemos dificuldades. Semeamos coisas ruins, e podemos viver o resto de nossas vidas de colarinho branco, em reuniões infindas, decidindo quem nos serve e quem deve ir embora. Qual o segredo da vida? Que caminhos escolher? Procuramos escolher o melhor rumo, mas os ventos erram a direção e acabam nos levando para portos desconhecidos, inseguros. Naufragamos em águas rasas mas sobrevivemos as mais terríveis tempestades. Vez por outra nos sentimos amordaçados, de coração apertado, como se fosse nosso derradeiro momento. De repente, um sorriso, um abraço, uma ligação e tudo muda. A alegria e a tristeza se confundem e sempre uma delas sairá vencedora. Nós apenas nos conformamos e sonhamos que amanhã, com certeza, será um dia melhor.

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

DA SOLIDÃO(Poeminha XIV)


Tua ausência me machuca
você está ao meu lado, mas me tira o chão
Flutuo sem ter onde pousar
sem seus braços para me abraçar
O silêncio enche meu coração
e no vazio das suas palavras
me perco como um dicionário em branco
que não tem valor algum
Fico quieto, desisto, insisto
numa batalha só minha
porque o dragão não está mais ali
apenas o moinho de vento me observa
quixote, sonhador
tentando num sopro de vida
ainda respirar seu ar
Apesar disso quero você, desejo você!
linda,brava, excitada, depressiva,
voz e gestos fortes
porque perto de mim posso zelar por ti
posso beber do teu sorriso
mergulhar neste mar que são seus olhos
e nunca mais morrer de frio

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

TUDO OUTRA VEZ


Hoje assisti ao horário político pela primeira vez e fiquei imaginando o que falar ao povo se eu fosse candidato. Os anos passam e as pessoas continuam sem noção do que faz um deputado seja estadual ou federal. Talvez porque os indivíduos são os mesmos que foram ou tentaram ocupar cargos políticos em outros anos. Quando conseguem se expressar e falar nossa língua mater corretamente, discorrem dos mesmos temas, ou seja, saúde, segurança e educação. Temas que desde que me entendo por gente, e olha que faz tempo, fazem parte dos discursos mais eloquentes ou inflamados que já assisti. O interessante é que se o problema a ser resolvido é o mesmo e a grande maioria desses senhores já estiveram em algum momento exercendo algum cargo político porque não os aboliram ainda?
O governo federal cada vez mais empurra para os estados suas obrigações, que por sua vez passa para os municípios que apenas repassa aos contribuintes. Faltam escolas, mas, principalmente valorizar os professores. Assim como os pediatras assistem o momento do parto que pode definir uma vida com qualidade ou um deficiente que vai depender o resto de sua vida dos outros, os professores irão provocar uma mudança tanto em termos de conhecimento como formando um cidadão de caráter. Criam UPAs(unidade de pronto atendimento) por toda a parte, mas pagam mal os médicos e enfermeiros fazendo com que os bons não procurem o interior preferindo viver enclaurados em plantões nas capitais, mas com uma qualidade de vida seja cultural ou de lazer muito superior ao que vivemos em cidades pequenas. Chegamos a um beco sem saída, povoado de fantoches e bobos da corte. Todos querem aparecer ao lado do cara. O cara está por cima e fico feliz por um operário semi-analfabeto se dar tão bem na vida. Talvez por Lula ter trabalhado pouco na vida ele prefira distribuir os peixes ao invés de ensinar a pescar. Talvez a Dilma seja um milagre ou uma aberração. Já escrevi neste blog que estamos sendo nivelados por baixo. Os jornalistas, fazem faculdade, se preparam anos, fazem pós-graduação e competem com réles donos de jornais. Os médicos que hoje competem com balconistas de farmácia, poderão no futuro voltar ao passado e discutir tratamentos com xamãs, curandeiros, mães-de-santo e homens da cobra. Sim! Estou deprimido com o que vejo e ouço. Por incrível que pareça a candidata Marina falou sobre homens e mulheres ao invés de maquinas e construções. Esqueceram que quem está por trás dos exames, das cirurgias, dos diagnósticos, da educação e do futuro, são seres humanos. Está na hora de valorizarmos a coragem de mudar, o saber interior, o crescer no sentido de desenvolver, sem falcatruas e acordos obscuros, recheando cuecas e meias. É hora de mudar, mas ir para onde? Temos uma oposição burra e frágil e uma situação forte e podre. Sinceramente, nao saberia o que dizer ao povo se é que este povo quer ouvir alguma coisa. Cada vez mais vale aquela máxima: Cada povo tem o governo que merece!

domingo, 22 de agosto de 2010

CORAÇÃO ATEU(Poeminha XIII)



Um coração a olhar
O que é que vai ser, o que é que vai dar
desse amor segredo sem se revelar
de tanto receio nem acreditar......
Coração ateu é que dá
vive na esperança e não que enxergar
na alegria mesmo começa a chorar.
Coração ateu não vai dar
volte para o nada eu sei que dará
a flor que eu tenho é o amor pra dar.
A vida trará a resposta
senão for a que eu quero uma outra terá
e sei que será melhor.........
melhor........ prá mim.

sábado, 21 de agosto de 2010

AMÉRICA VERMELHA OUTRA VEZ


A felicidade é feita de momentos e é resultado de um amontoado de emoções e nada paga a emoção de estar assistindo ao time do coração em uma final de campeonato, mais que uma final, pois era a libertadores da América. A paixão por um time, por uma bandeira, vai além de qualquer coisa, além das mesas de bares, das discussões intermináveis dos comentaristas da tv, dos tijolos que unidos fazem a parede de um estádio. É um amor visceral, descontrolado que só se descobre quando se entra no palco de uma final, quando se entra em um gigante às margens de um rio chamado Guaíba. Talvez o coro de 60 mil vozes, talvez as camisas vermelhas, talvez a certeza de uma celebração que faz mexer com o coração da gente. Gritos,cantos, lágrimas, palavras de ordem, tudo colocado em cima de uma bola, de um atacante recém-contratado e de um goleiro que faz nosso peito resfolegar. Suores, tremores, sinais da cruz de pessoas que talvez nunca rezaram, tudo num estado convulsivo, embriagado, fazendo uma comunhão de pessoas que nunca se encontraram com se fossem um só. Isso é paixão, é amor, loucura que não sabemos aonde vai nos levar após aqueles 90 minutos. Onde nos levará essa coisa exagerada e que está longe de ter uma explicação.
A final da libertadores não poderia ter sido diferente, com todas as suas variações e emoções. Tivemos a expectativa antes do início, o medo, e alguns minutos de dúvida naquele longo intervalo de 15 min em que o Chivas transformou em 20 quem sabe já sabendo ou imaginando o que viria depois. A volta triunfal, como os velhos farrapos, dando o sangue em campo. Colorado é o teu nome. Mostramos valor, constância, como diz o hino rio-grandense e o time mexicano caiu diante do guerreiro internacional. Aí sim, extravasamos todos os nossos sentimentos, sorrisos, lágrimas de felicidade e os céus do estádio que vai sediar a copa pintou o céu de Porto Alegre com fogos das mais diferentes cores. Valeu a pena ter ido e visto a magnitude de um time que amadureceu e se solidificou. Que fez juz ao nome Internacional conquistando mais um título para o Rio Grande e para o Brasil. " Sirvam nossas façanhas de modelo a toda a terra!" E que venha o mundial!

domingo, 15 de agosto de 2010

Meu Álbum II: CAÇADOR DE MIM- MILTON NASCIMENTO


O tempo é cruel e passa tão rápido que já se vão longos 28 anos do lançamento do meu álbum preferido de Milton. O garoto Bituca, carioca de nascimento e mineiro de coração, adotado por um casal musical, ela, professora de música, ele, dono de uma estação de rádio, foi morar em Tres Pontas antes dos 2 anos e aos 13 já cantava em festas e bailes da cidade. Sua primeira gravação foi "Barulho de Trem", em 1962. Mudou-se para Belo Horizonte antes de 64 para cursar economia, conhecendo alguns amigos que mais tarde fundariam o famoso Clube da Esquina que chamou a atenção de músicos brasileiros e estrangeiros pelas composições engajadas, a miscelânia de sons e riqueza poética. Alguns desses nomes: os irmãos Borges, Marilton, Lô e Márcio; Wagner Tiso, Tavinho Moura, Flavio Venturini, Vermelho, Beto Guedes, Toninho Horta e Fernando Brant, seu parceiro mais frequente.
Compositor e cantor de músicas e letras maravilhosas como Travessia, Para Lennon e Mcartney, Canção do sal, Canção da América, Coração de Estudante, Maria Maria e tantas outras. Seu estilo surge do desdobramento da bossa nova, do jazz, do jazz-rock, seguindo a linha dos Beatles, mas com pitadas de Mercedes Sosa, Pablo Milanes, Violeta Parra. Ao mesmo tempo bebe de águas regionais e de Minas.
Em 1981, o estouro veio com esse álbum e o hit Caçador de Mim, composição de Magrão e Sérgio Sá, esteve em primeiro nas rádios do Brasil. Falando em amor, esperança, fé, generosidade, sonhos de infância, dignidade e justiça, este é um prato para ser degustado lentamente saboreando cada palavra, cada tom de Milton.
Lista de Músicas:
1- Crescente/Cavaleiros do Céu
2- Amor Amigo
3- De Magia, de Dança e Pés
4- Notícias do Brasil
5- Vida
6- Caçador de Mim
7- Sonho de Moço
8- Nos Bailes da Vida
9- Coração Civil
10-Bela, Bela

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

O ACASO (Poeminha XII)


Procuro algo chamado acaso
não o acaso marcado, provocado
mas o acaso do mundo
dessa conspiração que diz existir
a nosso favor
Procuro este pra te reencontrar
com meu coração cheio de surpresa
e meus lábios pronunciando teu nome
Preciso deste acaso
preciso estar apaixonado
Quero o acaso da tranquilidade
de olhar novamente o sorriso
dos teus olhos
de beijar tua boca
sem um traço de pressa
Quero um encontro tranquilo
um amor tranquilo
quero que você seja meu acaso.

INTER QUASE BI DA LIBERTADORES!



Quando o inter começou sua campanha na libertadores guiado por Fossatti, torcíamos com desconfiança e mais, sendo colorados da cabeça aos pés até fechávamos os olhos para as escalações e substituições sem sentido. Torcíamos apenas porque era o vermelho rubro que estava em campo e é impossível negar a um time de tantas histórias e glórias um minuto, um momento de rancor ou descrédito. Podemos separar a campanha em duas fases, uma antes e outra após a entrada de Celso Roth. A equipe ganhou ânimo, voltou a sempre presente raça, que andava escondida em alguma gaveta e os mesmos jogadores vestiram a mesma camiseta, mas como se fosse uma armadura de cavalheiro. Estava, enfim, pronto para recomeçar a luta pela hegemonia da América. Após o primeiro jogo contra o temido São Paulo, com uma vitória expressiva, apesar de um único gol e a maturidade alcançada no segundo jogo, apesar da derrota, sentimos que realmente o internacional estava de volta. Ontem, apesar de estar jogando em Guadalajara, no estádio de Jalisco, com grama sintética e tudo, fomos soberanos sempre. Nem a falha da zaga, nem o gol adversário no final do primeiro tempo nos desalentou um segundo. O que vimos foi um grupo maravilhoso que lembrou o antigo carrossel holandês de 78. Girando, procurando não dar espaços ao Chivas, atacando o tempo todo, como se estivesse em sua própria casa. Quarta tem mais. É no beira-rio, em Porto Alegre. Deus queira que vença o melhor e que sejamos nós. Estarei lá para conferir, cantar e vibrar. E se acontecer o que esperamos que aconteça, a América será vermelha outra vez.

sábado, 7 de agosto de 2010

Meu álbum I: HOTEL CALIFORNIA- EAGLES


Eagles é uma das mais famosas bandas de country-rock, tendo seus álbuns em primeiro lugar nos Estados Unidos, durante 4 anos seguidos, de 72 a 76. Formado em 1971, por Randy Meissner(baixo), Bernie Leadon(guitarra e vocais), Don Hendley (bateria) e Glenn Frey(guitarra) lançaram o LP de estréia em 72. Após o terceiro disco, o guitarrista e vocalista Don Felder entrou na banda. Em 76 Bernie deixou o grupo sendo substituído por Joe Walsh.
A formação atual inclui ainda Joe Vitale (teclados) e o baixista e vocalista Timothy Schmitt, em substituição a Randy.
Em dezembro de 76 foi lançado Hotel California, álbum que traria o hit de mesmo nome e o maior sucesso deles. Esse, encarna o baixo-astral da costa oeste americana depois que a época paz e amor se transformou num hedonismo cínico, e vendeu mais de 16 milhões de cópias. O trabalho faz uma reflexão sobre o custo do estilo desregrado de vida de uma geração, baseada em sua própria experiência em cinco anos de discos de sucesso e turnês. Essa parte do delírio de viagens, em parte uma balada mortal, a faixa-título, com seu ritmo vivo e linhas de guitarra pungentes, evoca um lugar onde o mal espreita por trás de palmeiras e sorrisos de boas vindas. O duelo furioso das guitarras de Joe e Don é um dos momentos memoráveis do rock. Uma das marcas do álbum, é exatamente mudar o foco da visão geral dos excessos cometidos pra retratos fechados do dano causado. Atenção para as canções New Kid in Town, Life in The Fast Lane e Wasted Time.
De muitas maneiras Hotel California representa tudo o que o punk queria destruir; uma produção esmerada, solos de guitarra harmonizados e "temas".
Lista de músicas:
01- Hotel California
02- New Kid in Town
03- Life in The Fast Lane
04- Wasted Time
05- Wasted Time(reprise)
06- Victim of Love
07- Pretty Maids all in a Row
08- Try And Love Again
09- The Last Resort

MÚSICAS , FILMES E LIVROS

Quem me conhece sabe que sou pediatra e também sabe dos meus outros amores, música, literatura e cinema. Vou colocar a palavra cinema, mesmo sabendo que alguns vão rir de mim. Não temos cinema na cidade, mas curto vídeos e até coleciono alguns. Este ano assisti 3 filmes em Cuiabá, embora nenhum que seja digno de nota. Vou ao cinema com a família e meu filho é que geralmente escolhe os filmes. Vi Homem de Ferro II, aventura bem legal. Eclipse, a continuação da saga de Crepúsculo, feito realmente para adolescentes e Odorico, o Bem Amado, da obra do gênio Dias Gomes, dirigido por Guel Arraes. Bom filme! Apesar de assistir sempre comparando à novela e a minissérie produzida pela Globo há alguns anos e que trazia atores maravilhosos como Paulo Gracindo, no papel de Odorico, agora vivido por Marco Nanini e Lima Duarte, que fazia o pistoleiro Zeca Diabo, interpretado agora por José Wilker. Outra paixão é a música. Fiz um programa na Regional Fm durante cinco anos. Todas as sextas à noite eu estava ao vivo com o programa Calendário do Pop-Rock. Eram 2 horas com músicas escolhidas do meu repertório pessoal. O público acessava a rádio via Web e tínhamos fãs em Floripa, Bagé, Passo Fundo, Cuiabá e cidades aqui da região e participavam por telefone. Mas, os frutos que eu gostaria ter colhido, não chegaram. Os outros horários mantiveram o de sempre. Em resumo, apartir de agora começarei a colocar meus albuns, livros e filmes favoritos, com comentários para que vocês que leem este blog possam compartilhar comigo.

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

BOA EXPOLUCAS!


Estamos vivendo tempos de festa em nossa cidade. A expolucas como é conhecida a exposição de Lucas do Rio Verde-MT, é realizada todos os anos no mes de agosto, coincidindo com o aniversário da cidade. Hoje é um festejo consagrado, uma feira agropecuária de bom nível, sendo considerada uma das maiores, senão, a maior feira do estado. Além de mostrar o que a cidade produz, são feitas palestras ao público produtor agrícola na tentativa de mostrar novos caminhos para que, diante de um governo paralítico, a produção que é geralmente farta, não se perca apodrecendo em silos e armazéns. Os caminhos para a pecuária, suinocultura e avicultura estão abertos e suscetíveis de sucesso, assim como o desenvolvimento desta pequena-grande cidade no norte do Mato Grosso. Minha sugestão é além de palestrantes ligados à agro-industria, tragam pessoas de outras áreas, como escritores, jornalistas e outros engajados com a parte social e cultural do país. A feira está consolidada e mesmo na época das "vacas magras", quando a maioria das cidades vizinhas não realizaram suas exposições, a nossa saiu. O público é brindado com shows de nível nacional, mas de alguns anos para cá, de qualidade duvidosa. Há alguns anos ouvi uma aberração de uma pessoa da direção do evento que dizia que o rock, não era desejado porque incentivaria os jovens de Lucas a usarem drogas. Droga é o que temos de ouvir diariamente em nossas radios que nao tem coragem de mudar. A cidade cresceu. Há 12 anos éramos em torno de 14 mil habitantes. Hoje somos mais de 50 mil, segundo especulações. E com o desenvolvimento vem as drogas e a criminalidade. Aqui a gurizada usa drogas ouvindo tecno ou Xitão e Xororó. E nós seres civilizados temos que engolir música de baixa qualidade. A mídia é cruel. E infelizmente o que nosso povo ouve é o que está nas novelas da rede globo. Perdemos nossa identidade musical e cultural. Aqui não temos cinemas, teatros ou qualquer diversão sadia. Quem tem o poder e o dinheiro nos brinda com artistas de mau gosto, desafinados e sem qualquer compromisso com o futuro. Tenho uma teoria. A expolucas cresceu de tal maneira que não tem mais como dar errado; rodeio, sorteio de excelentes premios. Falta pouca coisa para ser a maior. Talvez coragem para mudar, para tentar o novo, sem medo de ser feliz. Se não sofrermos um choque logo, ano que vem teremos que ouvir Sandy ou risca-faca. Boa expolucas!

sábado, 31 de julho de 2010

OS DIAS COLLORIDOS VOLTARAM

Em um país sem memória como o nosso, alguns bandidos são esquecidos atrás das grades, muitas vezes por crimes menores, perto de criminosos de colarinho branco que apesar de cassados ressuscitam das cinzas e voltam ao crime, ou melhor a cargos públicos e com a assinatura do povo. Fernando Collor de Mello escreveu uma página negra à frente do governo brasileiro. Foi eleito com golpes baixos em cima de Lula e de Brizolla. Lembram? Também se não lembrarem não tem culpa. Lula também ficou desmemoriado, talvez pelas festas ou excessos e perdoou Collor. Mais que isso, citou em um discurso feito em Brasília logo após as eleições de 2006: " Com a experiência de presidente da República, Collor vai certamente fazer um trabalho excepcional no senado." Mais tarde, em 2009, um abraço no antigo desafeto, mostrou o quanto é semelhante ao mesmo e falou:" Quero fazer justiça ao senador collor e ao senador Renan( calheiros), que têm dado sustentação ao governo em seu trabalho no senado." Com isso chegamos a conclusão que apenas mudam os porcos, mas a lavagem é a mesma. Decepção! Mais uma, depois de tantos escândalos.
E agora o digníssimo senador é candidato ao governo de Alagoas, novamente. Qual a explicação para algúem que foi retirado da presidência desse país, por má administração, reaver seus direitos, enquanto deveria estar preso. Apenas tirou férias e voltou com o aval e o carinho do governo atual. E o nosso super ex-presidente já está mostrando suas garras. Frente a uma denúncia feita pela revista Isto É , na quinta-feira passada, ligou para o repórter Hugo Marques da sucursal de Brasília fazendo ameaças:" Quando eu lhe encontrar, vai ser para enfiar a mão na sua cara", gritando palavrões a seguir. E, pasmem, ele está em campanha. Continua civilizado como nos tempos das entrevistas na casa da dinda. A república das Alagoas está de volta e com o apoio do partido dos trabalhadores, ou seja, de Lula, cada vez mais colorido.

segunda-feira, 26 de julho de 2010

27 DE JULHO: DIA DO PEDIATRA


Sabe aquelas coisas que falamos na infância e ninguém leva muito a sério. Pois é dessas coisas que estou falando. Na primeira aula de Moral e Cívica(eu fiz isso) na quinta série, eu com 9 anos, respondi a pergunta que o professor Guido de Moraes fez para todos. O que você quer ser na vida? Respondi: médico. Não sei quando decidi pela Pediatria, mas meu pediatra com certeza me deu o primeiro impulso. O nome dele: Mário Mansur; pessoa fantástica, carinhosa e muito estudiosa. Na faculdade, tive bons mestres que só me fizeram ratificar minha escolha. Ruy Wolff, Luis Ecker, Gaspar e o velho Rudah Jorge, figura incansável pelo bom desempenho do hospital onde fiz minha residência. Hoje estou em uma cidade com aproximadamente 50 mil habitantes e divido meu trabalho com uma colega. Vivo bem, mas os tempos mudaram. As faculdades procriaram médicos de todos os tipos, fora os que importamos da Bolívia e de outros países vizinhos e a profissão, antes um sacerdócio, ficou banalizada. A política de saúde do governo é cruel e desumana, e cada vez mais joga para os estados e municípios a obrigação que era sua. Os planos de saúde mataram os pacientes particulares e restaram apenas os empregos em plantoes com salários vis e nas prefeituras. Com a pediatria acontece algo semelhante. Hoje precisamos correr ensandecidos em nosso dia-dia. Consultório, hospital, postos de saúde, salas-de-parto que nao tem fim, mas tudo por causa da desvalorização profissional. Nos colocaram no mesmo saco que todos os outros. As residências em pediatria sobram vagas. Nas cidades do interior faltam pediatras. Nossa sociedade nos enaltece como heróis que somos, e luta por uma remuneração digna. Promove campanhas, congressos, cursos, tudo em prol de um atendimento de qualidade, mas bate de frente com um governo repleto de vícios e sem interesse nenhum em melhorar a saúde. A SBP tenta há anos colocar os pediatras em PSFs, defendendo os interesses das crianças e dos adolescentes, sem sucesso. Agora, a sociedade, coloca mais uma campanha nacional em defesa da classe. "Quem vai ao pediatra volta tranquilo" Está nas ruas, nos out-doors. Esperamos que também entre na cabeça dos responsáveis pelas políticas de saúde.
Acho que ainda somos dignos. Colocamos nossa cara a tapa todo o dia, quando temos que estar em dois lugares ao mesmo tempo. Ainda não largamos o sus no hospital porque nao tem ninguém para atender essas crianças e elas não merecem e nao imaginam o descaso com que suas vidas são tratadas pelos responsáveis pela saúde. Neste dia 27, o dia em que foi fundada a Sociedade Brasileira de Pediatria, comemoramos o dia do pediatra. Talvez nenhum paciente lembre desta data. Talvez os pediatras esqueçam porque estarão de plantão ou porque cansaram e foram vencidos pelo descaso. Acho que nem tudo está perdido. Enquanto houver uma criança nascendo teremos esperança de que algum dia as coisas mudem e esta data seja sempre lembrada por todos que acreditam no futuro.

domingo, 25 de julho de 2010

ACORDA MULHER (Poeminha XI)

Acorda mulher!
Está faltando você em minha vida
e você nao percebe isso
Está perdida, absorta na sua
sem tempo para sonhar.
Maldita depressão! Mantém seus olhos longe dos meus
Volta logo para mim!
Não suporto mais viver assim
Eu ligo e você desligada
Volta! Vamos ser felizes!
O vento vem. Varre os gritos,
as brigas, os sonhos desfeitos
mas ele é sábio também,
traz a promessa de sol na manhã.

TUDO PASSA(Poeminha X)

* Esta é de 1981

Um dia, em uma longa estrada
um olhar que fez tremer
surgiu no ar em forma de música
e tocou no coração
transformou-se em acorde e chegou a ser canção
Longe dali, naquele instante, num vale triste e sombrio
uma voz, chamava incessante e ele partiu
Se foi com o vento e levou o sentimento
que antes era canção
Restou do acorde só o lamento
e da música, só a ilusão.
Nesta vida tudo muda,
nada é certo, tudo passa
hoje você desanima,
amanhã você é raça
e nesta luta é verdade
só o amor é que interessa.
seja de que modo for , tudo passa
mas o amor ha de ficar.

ENCONTROS E DESENCONTROS ( Poeminha IX)

Tenho escrito pouco
Escrever é bom, me acalma
e traz paz para minha alma
Abro uma cerveja e sorvo cada gole com prazer
o mesmo prazer que ainda sinto com teus beijos e carinhos.
Você fica tão feia brava!
Teus olhos castanhos sorriam e me deixam feliz.
Apesar dos dias ruins, dos teus, que são meus também
dias de guerra.
Você está perto e longe
É simples e complicado
Estamos juntos e muitas vezes, separados
Quase marcamos hora para o encontro
Uma rua, uma hora, um passo de cada vez
Adianto, atraso e nada
O relógio é cruel, e nao gosta da coincidência dos encontros
Você mulher, também sabe ser cruel.
Os dias passam lentos quando você não está neles.
E voam quando na noite
meu olhar cruza com o teu.
O beijo é roubado, partido...
Você foge, mas também é promessa de um dia perfeito.

SINTO FALTA( Poeminha VIII)

Tarde da noite, sozinho no quarto...
o filho dorme e sorri dormindo
Quais serão seus sonhos? Os mesmos nossos?
Não sabe ele que Deus intefere nos sonhos, na vida
Tenho sonhado com meu pai
ele parece preoucupado com algo, mas sorri
seu sorriso é bonito
me enche de esperança.
Será que ele nos protege?
Tuas viagens curtas e perigosas
nosso filho perdido na vida
dserá que você é feliz comigo?
Sinto tua falta, sinto falta de nós!
nossos planos, mesmos planos, mesma vida.
Não quero pensar que o prá sempre, sempre acaba
Fico eu, o note, a sós.
Descobri algo sobre nós.
Nossa solidão é a do mundo.
Falo com pessoas que mal vejo
que nao vejo, que não conheço e todas abrem o coração
Estão sozinhas, como nós
Eu quero você perto de mim, grudada em mim
como no passado, no meu braço.
Sorrindo, sonhando!
Aqui na cama é teu lugar...
aqui! na minha vida!

NOSSA VIDA( Poeminha VII)

Você foge e me deixa sem ter para onde ir
sem ter com quem falar sobre você.
Esta depressão que nao passa
fico pensando se nao é melhor fechar os olhos e sonhar
Sonhar com anos passados
Eu, você, a felicidade....
Nosso filho, maravilhoso, nosso sonho.
O sol nasce todo o dia, mas nem sempre para mim.
Talvez a sua ausência se possa explicar.
Ele está tentando iluminar você !

COTIDIANO( Poeminha VI)

Quando beijo tua boca não sinto mais o gosto de sempre o gosto do amor e você as vezes tão distante por vezes feliz, por vezes depressiva. Queria ouvir a voz do seu pensamento mas você se encolhe e troca amor por trabalho, carinhos por cansaço. Talvez o tempo tenha te congelado mas porque as vezes me queima com seu calor? Trabalho, família, tudo cansa... mas quero uma última dança e que esta seja para sempre amada mia.

sábado, 24 de julho de 2010

FAVORITOS

Sou um crítico inveterado, e para muitos amigos e conhecidos, um chato! Mas para quem viveu o início da adolescência, no final dos anos 70, sempre tenho a impressão que eram anos mais felizes. Então, a música, a literatura, as artes no geral e a gramática escrita e falada parecia ser muito melhor comparada com os dias de hoje. A língua é todo o dia assassinada e acho que a tecnologia deu a sua ajuda quando inventou os chats e msn. Começamos a economizar e simplificar as palavras e daí foi um passo para escrevê-las cheias de defeitos nas escolas e no dia-dia. Escrevíamos melhor, falávamos de maneira que todos entendiam e quando tinhamos alguma dificuldade visitavamos o Aurélio e sanavamos nossas dúvidas. Quando fiz um programa em uma FM local, tentei colocar músicas com algum teor, mensagem e alguma melodia. Na verdade tentei apresentar para os ouvintes os mestres da MPB, do pop-rock nacional e internacional, mas em uma cidade como a nossa, essencialmente agrícola e com cérebros de vaqueiros sempre predomina músicas onde o homem e o boi são chifrudos e gostam de sê-lo. Ouviamos as melhores músicas em rádios de pilha, fitas e bolachoes riscados. Hoje temos que suportar carros de 10 mil , com som de 15 e músicas que repete dezenas de vezes o mesmo refrão. E o que falarmos do sertanejo universitário que na verdade é feito por analfabetos em sua maioria e que nunca sonharam com uma universidade. Eu sei o que vão falar. Mas, sou assim, radical, chato e tentando me acomodar aos novos tempos. Plagiando Chico: Hoje você é quem manda, falou, tá falado , não tem discussão. Mas continuo com meus favoritos e graças ao bom Deus, meu filho tenta seguir meus passos. Um leitor de mão cheia, ouvindo música que nao machucam nossos ouvidos.

UM NOVO COMEÇO( Poeminha V)

Sempre imaginei que o mundo pudesse eu mudar
que menor pela rua tivesse o seu lar
Mas como mudar se o mundo é feito de gente
pessoas nuas, cruas, que nem folhas secas
tão sempre cruéis e decentes.
Apertos de mão e abraços tão falsos, decentes
E o mundo gritando, chorando, implorando,
sozinho e carente.
Queria que essas pessoas fossem iguais
na força, amigos fiéis, que nem os meus pés
Mas egoísmo e a inveja já vem de berço
Então só me resta dormir e sonhar um novo começo.

ESTRELA ( Poeminha IV)

Eu tenho uma estrela que anda comigo
ela me orinta, ilumina e dá abrigo
Abrigo da noite escura e da maldade alheia,
das noites distantes
onde meu amor passeia;
Ela guia meus passos
e me abraça substituindo seus braços
E me afaga quando em casa, cansado,
eu só penso em te ver.
Estrela de mil pontas, mil mãos, mil luzes
chega a deixar a lua tonta
só pelo prazer de ser
me empresta um raio de luz
pra que eu possa trazer meu amor de volta.

UM DIA PERFEITO( Poeminha III)

Todos os momentos passados jogados no chão
todas as lembranças vividas guardadas em algum porão
tudo o que eu queria prá nós era um dia perfeito. Perfeito!
Todas as canções que eu fiz, jogadas ao vento
palavras que eu tento ensaiar
perdidas no tempo
Os beijos que eu nunca te dei me deixam saudade
Os bares que não frequentei nesta cidade
E quando você foi embora, já estava sozinho
tirando você e suas pedras do meu caminho

PERDAS E GANHOS( Poeminha II)

Voltamos a viver o nosso dia-dia
cansado de sofrer com tanta hipocrisia
a amizade fácil, a falsa indiferença
o alicerce frágil, a falta de consciência
O peso do dinheiro, lavando toda a alma
conflito de interesses tirando a minha calma
Voltamos a a sentir o medo do passado
o certo pelo avesso, amar é tão errado
carinhos escondidos, os beijos censurados
a amizade antiga trocada por centavos
voltamos de repente pro nosso proprio umbigo
perdemos a confiança até no velho amigo
mudanças indecentes, as vidas tão vazias
explicações perdidas em alguma laje fria.

SAÍDAS (poeminha I)

Às vezes preciso sair de mim e ver com outros olhos
Só assim eu posso sentir o que eles pensam
sou apenas um cara quase normal
querendo vencer a batalha final, sem magoar, ferir ou ter que matar pra ser feliz
Nessas saídas eu vejo a dor nos olhos daqueles que sem amor
na inveja e na maldade buscam viver melhor.
Mas se viver é parasitar
prefiro a morte a ter que pisar nesses insetos
que buscam a luz e que de tão cegos me deixam em paz.

terça-feira, 20 de julho de 2010

SEMPRE O MESMO SONHO

Há alguns anos eu me perguntava escrevendo um editorial para um jornal do diretório acadêmico da Medicina: somos o presente ou continuaremos a ser o futuro do Brasil?" O que aconteceu com as pessoas e as instituições que nos apontavam como a solução para os problemas que elas inventaram?" O tempo passou, crescemos , viramos profissionais e percebemos que as melhoras nunca vieram. Na faculdade simpatizamos de cara com o PT e sua estrela solitária. Nós estudantes trazíamos dentro do peito uma ânsia que transbordava, que nos fazia sonhar com uma sociedade mais justa, e ver longe do dicionário nosso de cada dia palavras como fome, tortura, corrupção. E o PT fechava com este anseio de mudar. De fazer um Brasil melhor. Plantamos as sementes, mas esquecemos que a terra estava árida demais, e nossa estrela ao invés de iluminar nossos caminhos e mandar a chuva que precisávamos apenas produziu lama e se afogou em um mar de escândalos, mensalões e narcisos. O líder esqueceu do seu passado; da miséria e da ignorância a que foi submetido na infância e voou alto para o mundo esquecendo do país que o elegeu. Virou líder, capa de revista, respeitado pelos estrangeiros e motivo de piadas para os habitantes da terra brasílis. A saúde e a educação continuaram sendo motivo de promessas eleitoreiras e somente isso. O caos, o descaso perduraram. Professores e médicos continuaram desvalorizados e ficamos novamente brincando de ser feliz. Ao invés de dar melhores condições aos responsáveis pela educação, às escolas públicas, criaram artifícios para que estudantes com notas mais baixas entrassem nas universidades. Ao invés de valorizarmos a saúde, com remunerações dignas, planos de carreira, cursos de atualização, tapamos o sol com a peneira criando psfs sem profissionais capacitados. Pregamos a prevenção para um povo que nao tem educação para se prevenir. Apenas buscam soluções rapidas para suas doenças, e com medicamentos de graça subsidiados pelo governo. Os revoltados contra o sistema, os abandonados e os famintos continuam, mas agora não precisam mais trabalhar, ganham esmolas governamentais, bolsa-escola, família, etc. Fazer filhos,virou hobby. Criá-los, nem tanto. Hospitais e postos de saúde mostram o quanto a miséria aumentou. O quanto estamos abandonados. Nosso sonho de sermos todos iguais está cada vez mais perto. Iguais na pobreza, nivelados por baixo. Um governo analfabeto para os analfabetos. Nossa estrela apodreceu, nossos sonhos entorpeceram. O Brasil é o país do futuro, cantava Renato Russo, mas o futuro nunca chega.

domingo, 18 de julho de 2010

FRIO EM JULHO NO MT

Quem diria que teríamos frio em Mato Grosso? Grande parte das pessoas estão sentindo essa sensação a primeira vez, assim como grande parte da população não tem o que vestir e como se proteger dessas baixas temperaturas. Para nós que viemos do frio, Bagé, Passo Fundo, foi um final de semana para tomar uma sopa de nholine e saborear um vinho. Hoje matei a saudade do sul tentando tocar no violão músicas nativas. Que saudade tche! César Passarinho, Wilson Paim e outros que o tempo não derruba. Cantei muito na época de faculdade na companhia de colegas e amigos que com certeza hoje passaram encolhidos à beira de uma lareira ou de um fogão de lenha e quem sabe ouvindo as mesmas canções. Até ouvi alguns bolachões, herança de um passado nao muito distante, com chiadinho, pulos e tudo mais. Ouvi Jerônimo Jardim, lembram dele? Um talento muitas vezes incompreendido. Massacrado algumas vezes em festivais, como aquele em que venceu com Purpurina, cantada por Lucinha Lins. Para quem não sabe é de Bagé. Pois tenho um LP desse guri. Me emocionei hoje ouvindo a faixa Avenida Sete. Por onde andará esse gaudério? O frio faz isso. Você fica meio encolhido e começa a recordar o passado; família, amigos e pessoas que passaram na nossa vida, deixaram assinaturas e sumiram sem deixar endereços, telefones ou um sinal no céu. Até a chuva e os treze graus no beira-rio me deixaram melancólico. Isso que eu vi pela tv. O inter venceu, mas não convenceu mais uma vez. Tudo bem. O inverno é assim. O frio é assim. Aproxima as pessoas, mesmo que elas estejam a milhas de distância. Pelo menos temos a internet e suas conexões maravilhosas. Assim conseguimos ficar mais aquecidos, como se estivéssemos no mesmo lugar, quem sabe conversando com os amigos à beira daquela lareira ou daquele fogão à lenha da casa de todas as avós do sul desse país.

sábado, 17 de julho de 2010

O ÍNICIO DE TUDO


Começar um blog, este é o início de tudo. Não sou jornalista, nem professor de gramática e estou me aventurando por mares nunca dantes navegados. Já escrevi poesia, contículos que depois de lê-los rasguei. Sou médico-pediatra, já dei aula de biologia, escrevi alguns artigos, fiz um programa de pop-rock em uma radio local e fui vocalista de uma banda de pop-rock. Acreditem! Fui largando tudo aos poucos. Por vários motivos e o mais poderoso deles, minha profissão, não fui em frente. Mas, como todo o brasileiro que teve a sorte de fazer uma faculdade e mais do que isso, uma família pra incentivar, ainda tenho muitos sonhos a realizar.
Sonho com um hospital decente, especializado em pediatria, ou materno-infantil, que não tenha interferência de pessoas ignorantes no assunto. Sonho com música com palavras que busquem saídas, fundamentadas por pessoas com envolvimento com a sociedade. Com livros sóbrios que falem de vida, sem explorarem Deus ou a falta de conhecimento dos outros. Acho que pra começar está bom. Por hoje fico por aqui. Até mais.