terça-feira, 20 de julho de 2010

SEMPRE O MESMO SONHO

Há alguns anos eu me perguntava escrevendo um editorial para um jornal do diretório acadêmico da Medicina: somos o presente ou continuaremos a ser o futuro do Brasil?" O que aconteceu com as pessoas e as instituições que nos apontavam como a solução para os problemas que elas inventaram?" O tempo passou, crescemos , viramos profissionais e percebemos que as melhoras nunca vieram. Na faculdade simpatizamos de cara com o PT e sua estrela solitária. Nós estudantes trazíamos dentro do peito uma ânsia que transbordava, que nos fazia sonhar com uma sociedade mais justa, e ver longe do dicionário nosso de cada dia palavras como fome, tortura, corrupção. E o PT fechava com este anseio de mudar. De fazer um Brasil melhor. Plantamos as sementes, mas esquecemos que a terra estava árida demais, e nossa estrela ao invés de iluminar nossos caminhos e mandar a chuva que precisávamos apenas produziu lama e se afogou em um mar de escândalos, mensalões e narcisos. O líder esqueceu do seu passado; da miséria e da ignorância a que foi submetido na infância e voou alto para o mundo esquecendo do país que o elegeu. Virou líder, capa de revista, respeitado pelos estrangeiros e motivo de piadas para os habitantes da terra brasílis. A saúde e a educação continuaram sendo motivo de promessas eleitoreiras e somente isso. O caos, o descaso perduraram. Professores e médicos continuaram desvalorizados e ficamos novamente brincando de ser feliz. Ao invés de dar melhores condições aos responsáveis pela educação, às escolas públicas, criaram artifícios para que estudantes com notas mais baixas entrassem nas universidades. Ao invés de valorizarmos a saúde, com remunerações dignas, planos de carreira, cursos de atualização, tapamos o sol com a peneira criando psfs sem profissionais capacitados. Pregamos a prevenção para um povo que nao tem educação para se prevenir. Apenas buscam soluções rapidas para suas doenças, e com medicamentos de graça subsidiados pelo governo. Os revoltados contra o sistema, os abandonados e os famintos continuam, mas agora não precisam mais trabalhar, ganham esmolas governamentais, bolsa-escola, família, etc. Fazer filhos,virou hobby. Criá-los, nem tanto. Hospitais e postos de saúde mostram o quanto a miséria aumentou. O quanto estamos abandonados. Nosso sonho de sermos todos iguais está cada vez mais perto. Iguais na pobreza, nivelados por baixo. Um governo analfabeto para os analfabetos. Nossa estrela apodreceu, nossos sonhos entorpeceram. O Brasil é o país do futuro, cantava Renato Russo, mas o futuro nunca chega.

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