sábado, 12 de dezembro de 2020

MEUS PÉS!

 Meus pés nunca foram normais. Não que fossem tortos ou teimosos, mas, desde cedo deram trabalho aos meus pais. Talvez, há 50 anos, a conduta para "pé chato" fosse mais agressiva e não menos cara, mas quando se é leigo e vê seu filho sem as dobras do pé e caindo com facilidade quando usa sapatinhos, é uma tragédia familiar. Assim, como tive uma convulsão em presença de febre e acabei usando anticonvulsivante durante um tempo, porque na época era a conduta, já que a interpretação do eletroencefalograma era de epilepsia e não de imaturidade do cérebro, acabei usando botinhas especiais com uma forma de metal para tentar simular a "voltinha" do pé. Com certeza não saiu barato! 

E assim como primogênito já começava a dar prejuízos para a família que se formava.

Idas e vindas sem necessidade ao neurologista em Porto Alegre, sempre nos ônibus da viação "Ouro e Prata" e forma de metal em sapatos e botas que também eram desnecessários se fossem nos dias de hoje.

Assim meus pés foram tratados com todo cuidado possível, sempre onerando o orçamento da família. Logo, 2 anos após meu nascimento chegaria meu segundo irmão, ampliando o amor e o carinho que sempre fizeram parte daquele lar.

Não sei bem quando parei de usar os sapatos especiais, mas, com certeza foi um alívio para o pequeno bolso do meu pai. Aos 5 ou 6 anos de idade dei mais prejuízo. Junto com a alegria de ser um bom aluno veio a necessidade de usar óculos, coincidindo outra vez com mais uma chegada da cegonha. Era meu terceiro mano que chegava para fechar o grupo masculino, que mais tarde seriam "os três mosqueteiros".

Quanto aos meus pés entre "congas" e botas "sete léguas", em dias de chuva, estavam comportados. Conseguia correr como um menino normal e até fui um bom jogador de futebol até a vida adulta. Mas, outra vez os meus pés marcaram presença, me fazendo passar vergonha e aumentar meu cuidado toda a vez que iria sentar de pernas cruzadas ou me ajoelhar para rezar na capela da vila. Não sei bem se foi antes dos 10 anos ou após. Já éramos quatro irmãos. Em uma última tentativa, não sei se desesperada ou não, minha mãe ficou grávida e para a surpresa de todos chegou minha irmã, que definitivamente fecharia o grupo familiar.

Ah! Meus pés começaram a progredir e começaram a usar os famosos "kichutes" que além de ser o calçado do dia a dia, era usado com muito orgulho nas aulas de educação física e no futebol. 

Mas chegaram os sapatos e meus pés parece que não se deram muito bem. Teimavam em furar no mesmo lugar, bem embaixo do metatarso medial, abrindo grandes círculos e furando minhas meias. Os invernos se tornaram um problema sério. Estava em um colégio particular, pago com o esforço do meus pais e com "bolsas de estudo", e sempre com o sapato furado. Enchia de papelão no local que durante o dia ia se desmanchando com a umidade. No final do dia estava com tudo desmanchado e uma nova meia furada ou com o furo ampliado. 

Nas missas na capelinha Nossa Senhora das Graças, aos sábados à noite, na hora em que o padre Fredolin Brauner, narrava a última ceia, meus pés procuravam o último banco da igreja para  ajoelhar, talvez envergonhados por me fazerem sentir vergonha, talvez porque lá se sentiam melhor com a exposição mais tranquila, o que era normal para eles.

O tempo passou e meus pés cresceram e amadureceram. Nunca mais quiseram ser o ator principal do meu corpo e se contentaram em ser coadjuvantes, mesmo quando,
eu em um surto de bobeira raivosa, fraturei meu dedo do pé direito chutando um banco de concreto. 

Hoje, longe dos meus pais, eles andam comportados, não dão mais prejuízos e se contentam em me carregar de um lado para o outro, me acompanhando por vezes nas aulas de tênis. Esqueci de falar que de vez em quando o dedão fraturado fura as meias na ponta. 

Assim, deveriam ser todos os pés, comportados, seguros de si e prontos para a vida. Talvez os meus nasceram para aparecer mais que o resto do corpo, mas o amadurecimento finalmente quase chegou.  

Ah! Ainda confiro meus sapatos todos os dias quando vou calçá-los. Vá que eles voltem a se revoltar!

domingo, 22 de novembro de 2020

COMO NÃO SER REELEITO SENDO UM BOM VEREADOR! (MEU DESABAFO!)











 Existem coisas que acontecem em nossa vida que nos fazem repensar os caminhos, as prioridades, as decisões tomadas e questionamos por um minuto se vale a pena ser íntegro e honesto nesse país.

Todos sabem que sou essencialmente um médico-pediatra, e que nessa profissão que escolhi ainda na infância, dou o meu melhor e sou feliz por cuidar das crianças e dos adolescentes com dedicação e conhecimento.

A decisão de concorrer a um cargo na Câmara de vereadores de Lucas do Rio Verde, cidade que escolhi para viver e trabalhar, há quatro anos foi uma decisão pensada e arriscada. Afinal, a população de Lucas apenas me conhecia como médico. Nessa ocasião eu já tinha dado aula de Biologia em uma escola estadual, apresentado um programa musical em uma rádio local, participado do Conselho de Desenvolvimento da Cidade, e até fui vocalista de uma banda de pop-rock, que acabou pela dificuldade de realizar os ensaios, já que a maioria dos componentes era médico.

Ninguém colocou muita fé no pediatra que de uma hora para outra resolveu estar vereador. Muito bem! Para minha surpresa e de muitos lá estava eu, eleito com uma votação expressiva na época.

Quatro anos depois, amadurecido, cheio de indicações, projetos que viraram leis, conhecendo muito mais sobre leis, fiscalizando, ajudando a decidir o melhor caminho para Lucas, veio a surpresa mais negativa que um cidadão que cumpriu com maestria a arte de legislar poderia receber.

Ainda digerindo essa frustração sem precedentes gostaria de elencar os pecados que cometi para que outros que nem eu, no futuro não se sintam tão indignados e abatidos com a situação.

1- Seja honesto, transparente, vote sempre com sua consciência e não com a pressão de terceiros;

2- Tenha uma profissão digna! Vereador não é profissão! Não use um centavo sequer de diárias que você tem direito no seu cargo;

3- Deixe o seu gabinete aberto para a população. Não se esconda, mesmo quando estiver no meio de uma tempestade;

4- Responda a todos que te questionarem no privado e não na rede social, sempre com educação. Ninguém precisa saber se a roupa suja está sendo lavada;

5- Faça boas indicações! Não se preocupe com coisas pequenas: uma lombada, um poste.

6- Fique do lado do povo, fazendo decretos que diminuam o valor da água, por exemplo.

Indique coisas importantes, tais como:

- Reforma na praça dos Migrantes, ampliação do estacionamento(realizada), colocação de quiosques para os ambulantes venderem seus produtos e atraírem os moradores do entorno; Solicite a colocação de brinquedos, uma parada de ônibus com proteção para os alunos que vão a outras cidades à noite não se molharem na estação das chuvas.- Reforma do Lago Harry Müller, com colocação de quiosques, volta dos pedalinhos em tempo integral; Solicite uma academia para o Lago Roberto Munaretto; - Solicite ao Procon que cobre a colocação de caixas nos bancos que atenda os portadores de Nanismo e deficiência física; - Faça um decreto legislativo que tente gratificar os guardas-municipais durante a pandemia já que estão colocando sua vida em risco nas aglomerações, assim como médicos e pessoal da enfermagem; - Solicite a criação de um "Banco de Leite Humano", que vai atender a uti neonatal e as mães do município que não conseguem amamentar seus bebês; - Solicite a criação da Casa de Apoio do Hospital São Lucas que beneficiará as mães de fora da cidade que tem seus bebês internados na uti neonatal e familiares de pacientes internados - Indique a troca de mobiliário nas creches por móveis mais seguros - Solicite uma enfermeira para o PSF da Groslândia, porque vai beneficiar as pessoas que residem na agrovila.- Indique a necessidade de brinquedos na praça do Bairro Tessele Junior; - Indique a necessidade de monitores e professores nas diversas creches da cidade que foram visitadas - Indique a necessidade de reforma no PSF do São Cristóvão.

Faça projetos como:

- Criar a Semana da Leitura e da Literatura que tenta incentivar crianças e adultos a praticar a leitura, desenvolver o conhecimento, aprender a se expressar e desenvolver o raciocínio; Apoie a vinda de escritores à cidade; Tente fazer a primeira Jornada de Literatura do Mato Grosso. Faça o projeto e leve para um gestor interessado realizar. De preferência alguém culto, com uma secretária de educação interessada e um de cultura que tenha um pingo de vontade. Afinal, querem transformar a cidade em "Polo de Conhecimento". - Organize o primeiro Concurso de Contos e Poesias do município incentivando as pessoas que escrevem e aproveite para valorizar os escritores da cidade. Sim! Essa cidade tem bons escritores e escritoras; Incentive as visitas às livrarias da cidade; Sem esquecer da ação "Gabinete da Leitura", que doou mais de 800 livros para as bibliotecas municipais e continuará doando até o final do ano, com certeza!

- Criar a Semana de Prevenção da Gestação na adolescência; Sim! Devemos abrir os olhos para nossas adolescentes que são mães e pais cada vez mais jovens. Organizando palestras, trabalhando com psicólogos e médicos; incentivando a contracepção. Com a gestação precoce, muitos param de estudar e acabam saindo do conforto da família para, muitas vezes, experiências desastrosas;

- Criar o projeto " Conhecendo a Câmara". Visitamos a maioria das escolas apresentando a Câmara de Vereadores aos alunos. Conversamos sobre os direitos e deveres dos vereadores, as comissões, as leis que regem o município. Falamos de valores adormecidos como ética, cidadania, moral e civismo, sempre na esperança de que no futuro tenhamos cidadão melhores do que nós somos;

-Criar um projeto para que seja humanizado o atendimento dos surdos-mudos nas unidades de saúde, colocando ao seu dispor intérpretes na linguagem de sinais;

- Ajude a fundar uma associação e a transformar os sonhos de atletas que praticam corrida em realidade;

- Criar um projeto que dê transparência as listas de pacientes da regulação. Através de um site o paciente saberá da data e horário de consultas, exames e procedimentos;


- Criar um projeto de Educação na Terceira idade, ampliando as atividades aos idosos: A proposta contempla uma vida saudável plena, com acesso à educação, esporte, lazer, saúde, cidadania e o convívio social com a família e os mais jovens;   

- Seja contra o aumento de vereadores; Nove são suficientes para o tamanho de nossa cidade, desde que sejam alfabetizados, qualificados e tenham um passado transparente e honesto;

- Criar um projeto de " Prevenção à obesidade infantil" nas escolas, com apoio de médicos, nutricionistas e psicólogos, incentivando a família a participar do tratamento e preparando um cardápio para todos os membros;

- Criar um projeto que dê atendimento prioritário à pessoa deficiente assim como ao seu acompanhante e familiares que agora terão direito à vacinação;

- Criar um projeto que oriente as pessoas que aguardam atendimento nos postos de saúde, passando vídeos educativos sobre prevenção de doenças;

Por essas coisas e tantas outras, que me sinto indignado; Está certo que poucas pessoas tem interesse em política, que poucos assistem as sessões e acompanham os trabalhos do vereador. Mas, quando você se depara com  pessoas que julga capazes de discernimento, que acompanham seu trabalho, fazer campanha e votar em "amigos" que não tem profissão, que não tem capacidade, que possuem passado duvidoso e que dizem amar pessoas mas recebem para isso, temos que parar e repensar. 

Não sou o dono da razão, mas tenho que concordar com aquela máxima que diz: " a política é para poucos e tem que ter estômago!" Para mim basta!

Torcendo para o Miguel e o Márcio fazerem um bom governo e que a câmara renovada não os decepcione!

E viva la vida!

sexta-feira, 14 de agosto de 2020

SOU EU QUEM QUERIA


Ao longe o horizonte, deixo pampa, planície e pais
No árido asfalto, a distância parece machucar mais.
Busco sonhos de menino, passa outro dia, outra noite cai
Não sabia ainda da crueldade do tempo, 
só me dei conta quando partiu meu jovem pai.
Sou eu quem achava que a vida era brinquedo
Sou eu quem queria voltar mas tenho medo
Já passei por tantos sustos, derrotas, vitórias que contar nem sei
cometi tantos erros mas ainda posso consertar
o que importa nessa vida é cair e saber levantar
você entrou em minha vida e eu nem pensei,
porque o amor não tem idade basta saber amar.
Sou eu quem queria voltar, mas é cedo
Sou eu que um dia, morria em segredo.
Um dia eu saí de casa para aprender
vivi tantas histórias, posso te contar
amigos vieram e partiram  prá poder viver,
quero abraçar cada um deles quando eu voltar
As pipas, bolas de gude, as tardes de futebol
ficaram guardadas nas gavetas da memória
hoje já faço parte do teu livro de história
e  sei que brincar de amar não é brinquedo.
Hoje estou realizado, mas tenho que andar
essa vida pede pressa, tenho que correr
um dia quero estar contigo num lugar melhor
sentindo a brisa no meu rosto ao sabor do mar
sentar na areia, fim de tarde ver o pôr do sol,
estou fazendo tudo certo para merecer
as estrelas refletidas nesse teu olhar.
Sou eu quem queria te levar,  mas é cedo
Sou eu quem queria voltar, mas tenho medo

quarta-feira, 12 de agosto de 2020

MÚSICA E CULTURA NA PANDEMIA


 Caros amigos! 

Na segunda feira, à noite,  na Câmara de Vereadores, passou em primeira votação um projeto polêmico que autoriza o município a criar o projeto emergencial " Lucas em casa" , com intenção de auxiliar os artistas que estão sofrendo, sem conseguirem trabalhar e consequentemente, sem renda a se manterem durante a pandemia. 

Na apresentação do projeto não ficou bem claro quem serão os beneficiados já que em nossa cidade tem profissionais em todas as áreas da cultura. Da mesma forma a polêmica criada e questionada por alguns colegas é  o porque de ser apenas uma classe, já que muitas outras estão sem trabalho desde o início da pandemia. 

Na discussão argumentei isso. Que profissionais serão beneficiados? Nós, vereadores, fizemos dois projetos de extrema importância nesse período: um destinando gratificação aos funcionários da saúde que estavam a frente na luta contra o covid; Outro, destinado aos guardas municipais e outros que também estavam trabalhando e se colocando em risco no enfrentamento da pandemia.

Queria dizer que sou um dos vereadores que mais atuam em defesa da cultura. Amo a música, dança, teatro e cinema. Sou responsável pela ação " Gabinete da Leitura" , que arrecada e doa livros às escolas e bibliotecas do municìpio. 

Tenho o maior respeito pelos músicos dessa terra e de todas as outras. A música é minha vida, mesmo não sendo músico. Admiro quem faz da arte a sua profissão. Apenas questionei porque outros artistas não tem sido chamados nas lives e em outros eventos que a prefeitura fez no passado. E coloquei a minha opinião em relação a estilo musical, coisa que não cabia fazer ali, naquele momento. 

Tenho grandes amigos músicos e em todas as ocasiões em que eu pude contratá-los o fiz com o maior respeito e admiração sempre valorizando o seu trabalho e não os explorando. Tenho muitos amigos  que só dependem disso para viver e estão passando dificuldades enormes nesse momento. 

Tem gente daqui da terra que poderia estar mostrando seu talento em qualquer lugar do país. Cito apenas alguns, Giovani, da dupla Felipe e Ferrari, Lorinei e Lurivan, Rick Nunes, o pessoal da Meteoros, Estaca Zero, Jhonatam Anjos, meus amigos Biro, Remy e Fonseca.

O que não posso admitir é pessoas que não produzem nada fazerem críticas e acusações ao meu trabalho e , principalmente a minha pessoa. Nunca em minha vida pública e privada fui exonerado de minhas funçôes por qualquer motivo,como um desses que me ofendeu. Tudo o que faço é com extrema dedicação, seja na minha profissão ou na vida pública. Não preciso dizer para os que só parasitam e são contratados para ficarem o dia inteiro nas redes sociais, que estive sempre à frente na pandemia, seja na minha clínica e no hospital. Nunca parei. Estive no comitê científico da prefeitura e fui um dos responsáveis pela elaboração do protocolo de atendimento aos pacientes com suspeitas de covid. Esse tratamento que de repente alguns de vocês críticos usaram. Não tenho que contar as doações de cestas básicas que faço, as consultas que atendo de graça, porque isso é o cidadão Jaime e não o vereador porque não é essa a função do vereador, mas posso contar para vocês que 99 % dos livros doados no Gabinete da Leitura,  foram doados por mim.

Não tenho que contar nas redes que todos os dias ajudo alguém sempre que posso e nunca usando isso para proveito próprio. Talvez tenha sido infeliz nas minhas palavras. Talvez tenha sido mal interpretado e até falei com alguns músicos próximos sobre o projeto e meus questionamentos. Assim como as redes sociais ajudam a divulgar meu trabalho, elas também são usadas para o mal por alguns. Nunca critico nada ou respondo à acusações na rede. Sempre chamo no privado e respondo tudo e a todos com muita educação, diferente desses que apenas ofendem porque são contratados para tal. Peço desculpas aos músicos que não pude falar pessoalmente ou por telefone.

Termino dizendo a todos, que chamaremos a Secretária de Cultura para uma reunião na câmara para entender melhor o projeto, e, principalmente ajudar aqueles que dependem exclusivamente da música e de outras formas de cultura no município.

terça-feira, 4 de agosto de 2020

CARTA ABERTA À ENFERMAGEM DO HOSPITAL SÃO LUCAS
















Meus caros amigos e amigas da enfermagem!
Ninguém sabe mais o valor do trabalho de vocês do que o médico. Ninguém valoriza esse trabalho mais do que eu, pediatra! Foram os técnicos de enfermagem, na época, auxiliares, que me ensinaram os primeiros passos da minha caminhada. Com vocês aprendi a pegar uma veia, a fazer uma injeção intra-muscular, a fazer os primeiros curativos e a respeitar a dor dos pacientes.

A enfermagem é amor ao próximo, é ajudar seu semelhante quando ele mais precisa. É ser altruísta sem perceber. É abraçar o paciente no seu momento mais sensível. Tudo isso e muito mais!
Como pediatra, como diretor clínico e técnico que fui nos primeiros anos de hospital sempre tratei com zelo e com respeito todos vocês. Do início do Hospital São Lucas sobraram poucos. Então, como a história é efêmera e cai fácil no esquecimento vocês talvez não a conheçam e não sabem o esforço que foi empreendido nesta estrutura no início e nem do respeito e da valorização que sempre tivemos  pelos profissionais da enfermagem, como também pelos guardas, secretárias, zeladoras, etc.
Por esse hospital já dei meu sangue e minha vida e deixei dentro dele, talvez, a melhor parte de mim.
É triste saber que parte de vocês não entende o trabalho de vereador, e, que parte de vocês que votou em mim não acompanhou esses quase quatro anos de legislador. Muitos projetos de relevância para o município que saíram do meu gabinete e também as homenagens feitas a médicos, enfermeiros e técnicos.
A pandemia chegou e trouxe uma triste realidade. Lidar com o desconhecido, com o medo e a necessidade de se manterem serenos diante da doença potencialmente transmissível e mortal,  honrando a profissão que escolheram.
O Hospital São Lucas é uma fundação privada, sem fins lucrativos, sendo responsável pela atenção secundária e terciária à saúde do município e este ano já recebeu da Prefeitura para o Contrato de Gestão, que é o atendimento aos pacientes SUS e UTIs, em torno de 2 milhões e Duzentos mil reais. Valores que passaram pela votação dos vereadores, que são sabedores da necessidade dessa casa de saúde.
Para o atendimento dos pacientes com Covid 19, foram repassados em torno de ,1 milhão e cento e trinta e dois mil reais.
O trabalho do vereador é votar projetos do município e relacionados aos funcionários que trabalham nele. Não podemos fazer projetos que onerem o município, exceção à pandemia que estamos passando.
A Câmara por sua iniciativa criou dois projetos, um que beneficiava os trabalhadores da saúde e outro para os que estão trabalhando no enfrentamento da pandemia, sob forma de gratificação.
Infelizmente está fora de nossa alçada, projetos que contemplem a iniciativa privada, e o hospital São Lucas é uma empresa privada.
Todos os trabalhadores da saúde merecem ser gratificados. Muitos adoeceram fazendo atendimento e continuam adoecendo e ainda não sabemos quando vai acabar tudo isso.
Quanto a vocês minhas caras e caros amigos e colegas deveriam também ser valorizados e gratificados pelo trabalho que estão desempenhando durante esse período, mas isso tem que partir da diretoria do hospital e não de qualquer órgão público.
É mister, que fique bem claro essa situação. A câmara vota projetos relacionados ao município de Lucas. Vocês são merecedores do meu respeito! Um dia eu participei da diretoria e posso falar que foram dias sofridos. Mas no natal, páscoa, aniversário do hospital, que ninguém lembra, vocês eram sempre lembrados, prestigiados  e valorizados.
Queira Deus que a diretoria seja tocada por um espírito de solidariedade e também gratifique todos vocês, que são os verdadeiros alicerces dessa estrutura chamada São Lucas.

Dr. Jaime Eduardo Borges Floriano, pediatra e vereador


sábado, 18 de julho de 2020

MEMÓRIAS DE AGOSTO
























O vento minuano batendo na janela
entrando pelas frestas da humilde moradia
a lenha crepitando no choro do fogão
no velho rádio, Jaime Caetano fazendo poesia.
O leite apojado subindo na panela
o cheiro do café acordando o tempo
chaleira assoviando a música do dia
meu pai já com a cuia cevando o chimarrão
Lá fora o frio do inverno com o manto da geada
cobrindo a campanha, mudando sua cor
a mãe prepara a mesa e a roupa da piazada
que logo vão pra escola em busca do seu valor.
Lembranças que a memória de guri gravou,
que ficam para sempre e são por toda a vida
A dor e o sofrimento  são pedras no caminho
que pássaros meninos enfrentam pra crescer
não dá mais pra voltarem ao seu velho ninho
pois voam e se perdem na ânsia de viver.
Ah! Se os relógios voltassem suas horas
se o frio de agosto eu sentisse um só instante
família unida pra mais um aniversário
sem dúvida seria o meu melhor presente.
Aqui estou tão longe, perdido em minhas memórias
meu pai se foi tão cedo, deixando sua herança:
ser gente, ser homem, fazer história
ter honra e respeito e a pureza de criança;
Hoje trago  tudo isso em meu coração,
um pouco rude mesclado com ternura
homem, menino, sonho e um pouco de paixão,
pura razão com um gosto de loucura.
Trago esperança de família reunida
com meu amor, minha mãe e meus irmãos
a saudade dos tempos da minha infância
e do meu pai me alcançando um chimarrão

segunda-feira, 13 de julho de 2020

A EPIDEMIA QUE BUSCAMOS

















Eu vi lá no sul, eu vi além mar
algo invisível a nos afastar
Eu vi a emoção, o choro e a dor
pessoas partindo, deixando um amor,
Eu vi a pobreza e a ignorância.
eu vi o poder negando a doença.
Eu vi uma mãe deixar  uma criança
sozinha no mundo, sem sonhos, só dor
se algo restou se chama esperança.
Eu vi o sol se pôr, se pôr para sempre
vi seres de luz ,  apagando de repente.
Eu vi um idoso ficar isolado,
não por querer estar só, mas por ser amado,
Eu vi tanta gente ficando sem ar
buscando por oxigênio ou uma vaga
só para poder respirar.
Eu vi o cansaço no rosto do herói
vestido de branco, salvando tanta gente
Eu vi um lágrima caindo no rosto
molhando sua máscara, chorando o desgosto,
sem saber que também estava doente,
Podemos vencer essa dura luta
agindo com consciência e união
dividindo o mesmo pão prá sobreviver.
Quero acreditar que todos podem cantar
em uma  só voz, a mesma canção,
provocando uma epidemia  de amor e
vacinando com paz  todo coração.
A vida trás mistérios que só mesmo Deus
explica essa fé que agora brota no ateu
A mãe que perde  sua filha
e morre por dentro, minguando a família
sem ter um segundo para dar um adeus.
Corremos atrás de tantos desejos
e hoje queremos apenas abraços e beijos.
Tanto ar, tanto mar, tanto sol, quanta vida
buscamos reencontros, sorrisos e risos,
em pouco tempo, tantas partidas
Saudades dos portos, aeroportos, estrada,
amigos, parentes, de gente da gente.
Podemos alimentar essa guerra ou antecipar seu fim
é só proteger os que te são caros, e a vida, dizer sim
Se hoje plantarmos o amor, podemos sonhar a estação
e esperar o trem que vai chegar
trazendo um belo verão, a primavera em flor
ou a tristeza sem fim.


terça-feira, 2 de junho de 2020

SONHANDO O MESMO SONHO QUE NINGUÉM SONHOU




Clara como a lua vence a escuridão
sigo meu caminho sempre com os pés no chão
já não tenho a pressa que eu tinha há tempos atrás
ferido e cansado, mas muito mais sábio
escolho a verdade porque eu quero paz.
Sei que é o trabalho que me alimenta
brigar contra as horas atrasa, não adianta
tirei da estrada cada pedra encontrada
e construí meu castelo por pura teimosia
Das guerras, vitórias, derrotas não sei
porque hoje o amor não é mais teoria
e sonho sempre o mesmo sonho que ninguém sonhou
na ânsia do poeta compor a mais bela poesia
Da janela desenhei um sol se pôr
mesmo não sabendo qual seria sua cor
as horas vem e vão pra nunca mais
e não importa a cor quando o mundo está em paz
No fundo o sonho e a fantasia estão logo ali
na casa que deixei quando me conheci
Trago aqui comigo que existe algo melhor
quem tem um amor amigo pode acreditar
que a vida é uma peça no mundo ao seu redor
se o ator sabe o texto vai saber interpretar
e assim movendo mundos eu vou
sonhando o mesmo sonho que ninguém sonhou.
Bem vindo seja o amor!

domingo, 31 de maio de 2020

PALAVRA LIVRE, COMITÊ E CORONAVÍRUS


















Falando um pouco sobre a pandemia em Lucas e o papel do comitê contra o coronavírus, criado no início da crise.
Desde sua criação, o comitê enfrentou sempre o dilema de decidir o futuro da cidade frente à crise. Muitos falam que o fechamento do comércio foi precipitado. Mas se não tivesse sido feito, não sabemos se nossa situação não estaria pior. Lidamos com um vírus novo e desconhecido. Todos os dias são feitos novos estudos e novas revelações tanto em relação ao corona, quanto ao seu possível tratamento.
Os números estão aumentando porque a testagem aumentou,  mas é preciso coerência nas atitudes, mantendo o uso da máscara, do álcool em gel e do isolamento necessário.
O comitê, às vezes, não consegue satisfazer às pessoas, porque cada um tem que defender o seu sustento, mas com o andar da carroça tem flexibilizado algum ramos do comércio, sempre tentando proteger o munícipe. Têm dado um passo de cada vez para que não tenha que voltar atrás.  Por isso, a necessidade dos decretos que vão sendo feitos após as reuniões de acordo com a situação epidêmica no município. Há um sofrimento evidente de todos em relação à economia .

Na segunda reunião que tivemos citei sobre a barreira sanitária. No dia 15 de maio foi registrada em ata e em nosso último encontro foi formalizada. Sua importância está relacionada aos viajantes que chegam das mais diferentes regiões do país.
Na minha concepção, se o governo brasileiro no início da pandemia tivesse colocado barreiras nos portos e aeroportos, com certeza, não teríamos esse número exorbitante de infectados e de óbitos.
Vale lembrar que três casos positivos chegaram de fora para trabalharem em uma empresa. Foram diagnosticados no primeiro dia e colocados em quarentena. Essa é a finalidade principal da barreira citada. Faz -se necessário que quem chegar à cidade cumpra o isolamento mínimo de 14 dias antes de se relacionar com seus familiares e amigos, evitando assim, a transmissão do vírus.
Infelizmente há uma barreira invisível muito pior, que é a teimosia, a ignorância e a desobediência. O povo brasileiro parece que tem no seu DNA uma dificuldade de cumprir leis. Não conseguem usar máscaras e nem higienizar as mão de modo correto. Quem sabe, "lavar as mãos" vai ser o grande legado da epidemia.
Somos questionados sobre doações. Fizemos várias. Mas não precisamos colocar nos veículos de comunicação e redes sociais, esse tipo de trabalho.
Visitamos famílias guerreiras, humildes e muito agradecidas, mas também pessoas que não se esforçam. Casas imundas, crianças mal cuidadas. Pobreza nunca foi defeito, mas a falta de higiene, sim. É preciso cuidar da casa, da família e das crianças indefesas. O vírus também está relacionado com a sujeira, fica depositado no ambiente.
Quanto ao aumento do número de infectados, é óbvio que a partir do momento em que começassem a realizar mais testes apareceriam os infectados. Precisamos testar mais! Mas, os testes custam dinheiro. E enquanto não tivermos exames para todos, é necessário que usemos as armas que temos: o isolamento social e as medidas de higiene e proteção.
Tenho que falar um pouco em educação. Nesses, quase quatro anos legislando, fizemos projetos na cultura, leitura, esportes, proteção das crianças contra abuso e incentivando os idosos a continuarem estudando, sempre pensando em futuro e em família.
Então, não vamos deixar qualquer um entrar em nossas casas, falando bobagens para que seu filho fique repetindo e xingando uns aos outros. Não podemos aplaudir pessoas que agem dessa forma, e que usam palavras de baixo calão.
Não assistam o que faz mal a vocês! Não sejam extremistas colocando pessoas em pedestais ou no chinelo. Não curtam e nem compartilhem notícias falsas e agressões só porque não foram vocês que escreveram.
Temos que ser bons exemplos. A criança imita o adulto.
Temos que falar, comportar, relacionar e viver bem com nossos filhos. Temos que tornar cotidiano palavras como generosidade, amor fraternal, generosidade, solidariedade, tolerância e perseverança. Assim, teremos um verdadeiro legado para o futuro e sairemos mais fortes no final dessa pandemia.


sexta-feira, 31 de janeiro de 2020

A EPIDEMIA QUE JÁ ESTÁ ENTRE NÓS!
















Nesses novos velhos tempos bicudos continuamos nos deparando com a ineficiência e com a lerdeza revestidas, talvez, de politicagem na hora de tomar as condutas mais coerentes e plausíveis. Esperamos detonar uma guerra para equiparmos nossos soldados. E quando, por fim, os armamos, não temos competência para ensinar como utilizar o armamento.
Passamos 14 anos, criando uma legião de miseráveis, dando o peixe e não ensinando a pescar. Muito mais fácil para manter o povo em currais eleitorais como era a velha política do coronelismo. Enquanto o país precisava de qualificação, o governo insistia em dar o bolsa-família para quem não produz absolutamente nada. Criaram centenas de municípios sem as mínimas condições de sobrevivência política e agora querem devolvê-los às cidades-mães, que hoje não conseguem manter o básico para seus cidadãos.
Agora, na presença de um novo vírus, ou seja, na possibilidade de uma epidemia ou pandemia, já que pode ser mundial, o governo quer aumentar em mil leitos, acreditem se quiserem, o credenciamento de utis. Necessitamos de muito mais, todos os dias.
Não precisamos entrar em pânico, quando o mesmo já está instalado. Está na cara de todos. Nos telejornais, sites e redes sociais. Temos uma onda de Dengue e outras doenças co-irmãs, causadas pelo mosquito Aedes, que suas complicações necessitam urgentemente de suporte intensivo. Temos as vítimas diárias da BR 163, que por muitas vezes são nossos parentes e amigos que morrem por não terem um leito de uti, já que duplicar, fazer um acostamento decente, é impossível mesmo pagando impostos exorbitantes e pedágios sem fim.A influenza e outras tantas patologias que podem levar o paciente a óbito.
Todos os dias temos recém-nascidos prematuros que necessitam de um leito e não conseguem.
Então, meus amigos e leitores, não basta tapar o sol com a peneira. Urge um tratamento que corte o mal pela raíz. Sabemos das dificuldades de um país que foi devastado pelos governos anteriores.
Mas, nesse momento, é necessário uma  força-tarefa que produza resultados. Que prepare não somente o terreno para uma eminente epidemia, mas sim para a epidemia diária de atrocidades que extingue a vida e os sonhos do povo brasileiro.
Se a China consegue construir um hospital em vinte dias, porque não podemos abrir e principalmente manter mais leitos de uti?
Por menos regalias de poucos para a felicidade de muitos. Quem sustenta esse país merece respeito!
E viva la vida!

terça-feira, 28 de janeiro de 2020

UMA HISTÓRIA

Corre menino, corre moleque, procura te encontrar
O tempo é curto, o tempo é nada, mas costuma nos faltar
Corre menino, corre pivete, futuro do Brasil
Bate carteira, rouba sacolas das damas tão gentis
Corre menino que o tempo é curto, procura a salvação

Batem à porta, não tem esmola, nem solução
Corre menino que houve encrenca e vem o guarda aí
foge pro morro, asas nas pernas, olha a grana e sorri
O tempo passa , o tempo voa e cresce o guri
Ninguém percebe, mas têm medo, tira esse Zé daqui
O tempo segue, pede emprego, mas não tem vaga não
Procura ajuda, não tem ajuda, só repressão
O tempo voa e tem destino, sexo sem lição
e tem Maria na sua vida, o filho chama, João
O tempo corre e sem trabalho, a fome corre atrás
Volta no tempo, rouba carteira, não reza mas pede paz
O tempo corre, era menino, futuro do Brasil
Hoje é manchete, era pivete, hoje é o marginal
Agora é tarde e não tem volta, só tem Maria e João
Mas tem revolta, ódio no coração
É o fim do tempo, fim do caminho, estrada sem direção
E na esquina, lágrima nos olhos
de um menino chamado João
Corre menino, corre moleque, procura a salvação
Bate carteira, asas nas pernas, e se chama João

segunda-feira, 27 de janeiro de 2020

PERFIL DE UMA SOCIEDADE

O homem, sua maneira de vida,
domínio de tudo o que é criatura
Mentira! E o pobre que ganha migalhas,
espalha nada sobre sua mesa. Que mesa?
A mesa quase abandonada...
Criança, o choro na madrugada
Que fome! A fome um grito infinito,
Que hora pra tempestade! Que noite!
A noite encerra toda a tristeza
Cansaço! A esmola é pra cerveja.
E bebe, e sonha com cobre, fartura
E vai trocando pernas pra casa. Que casa!
A casa com teto, quatro paredes
sem rede, sem cama e nem sofá
A cama são trapos, fiapos da vida e
sonha já com o dia. Que dia!
O dia, com ele nasce a esperança
Que nada, mais um dia de trabalho.
Trabalho! Esmola que seja breve
A greve! Quem sabe seja esta a hora
A hora não chega e nem vai embora
O medo penetra em toda a história
Que história! O medo é da morte
Que sorte seria não ter nascido mendigo
Mendigo! Promessas a todo o instante,
O santo exausto desaparece
E roga a praga, de mal com o mundo imundo
E vem o homem da conta. Que conta!
A conta de mais de algum mês e meio
O jeito é mesmo pedir desculpas
Desculpa? Mea culpa! Justiça!
Cobiça é ajustiça dos homens. Que homens!!
Os homens que vão direto ao boteco
e pedem o álcool da alegria
Que pena que dura tão pouco. É pouco!
Que vida! O jeito é ira pra casa. Que casa!!
A casa, lugar de sonho e descanso.
Se cansa do grito da criançada
È a fome que está chegando. Dançando
O jeito é ir pra rua. Que rua!!
A rua deserta, sem estrutura,
segura os passos sem direção. Sem rumo.
Sem rumo pensa em assalto. É errado?
Pecado é não ter o que comer. O sonho!
No sonho a mesa está cheia
Alegria no rosto da gurizada
Acorda! E chora, hora do pega
Quem sabe a coisa muda de figura.
Esperança! Esperar!!