O homem, sua maneira de vida,
domínio de tudo o que é criatura
Mentira! E o pobre que ganha migalhas,
espalha nada sobre sua mesa. Que mesa?
A mesa quase abandonada...
Criança, o choro na madrugada
Que fome! A fome um grito infinito,
Que hora pra tempestade! Que noite!
A noite encerra toda a tristeza
Cansaço! A esmola é pra cerveja.
E bebe, e sonha com cobre, fartura
E vai trocando pernas pra casa. Que casa!
A casa com teto, quatro paredes
sem rede, sem cama e nem sofá
A cama são trapos, fiapos da vida e
sonha já com o dia. Que dia!
O dia, com ele nasce a esperança
Que nada, mais um dia de trabalho.
Trabalho! Esmola que seja breve
A greve! Quem sabe seja esta a hora
A hora não chega e nem vai embora
O medo penetra em toda a história
Que história! O medo é da morte
Que sorte seria não ter nascido mendigo
Mendigo! Promessas a todo o instante,
O santo exausto desaparece
E roga a praga, de mal com o mundo imundo
E vem o homem da conta. Que conta!
A conta de mais de algum mês e meio
O jeito é mesmo pedir desculpas
Desculpa? Mea culpa! Justiça!
Cobiça é ajustiça dos homens. Que homens!!
Os homens que vão direto ao boteco
e pedem o álcool da alegria
Que pena que dura tão pouco. É pouco!
Que vida! O jeito é ira pra casa. Que casa!!
A casa, lugar de sonho e descanso.
Se cansa do grito da criançada
È a fome que está chegando. Dançando
O jeito é ir pra rua. Que rua!!
A rua deserta, sem estrutura,
segura os passos sem direção. Sem rumo.
Sem rumo pensa em assalto. É errado?
Pecado é não ter o que comer. O sonho!
No sonho a mesa está cheia
Alegria no rosto da gurizada
Acorda! E chora, hora do pega
Quem sabe a coisa muda de figura.
Esperança! Esperar!!

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