Meus pais tinham uma televisão telefunken, preto e branco, de 20 polegadas, coisa fina na época. Nela foram assistidos todos os jogos ao vivo, direto do estádio de Guadalajara, em Jalisco, no México. Não contente, meu pai ouvia a narração em um potente rádio, cheio de velas que iluminavam a parte de trás do mesmo.
Na noite da final da copa em que a gloriosa seleção brasileira de Pelé, Tostão e Rivelino bateram à Itália, a festa estava preparada. Minha tia Lena, irmã de minha mãe estava lá aumentando a torcida pelo Brasil. Batata doce cozida era o cardápio do jogo. A bebida, uísque, provavelmente um Drurys. O resultado foi uma festa dentro e fora do campo, com direito a um trago estupendo e ressaca certa no dia seguinte.
Mas, nem tudo foram flores. Um episódio trágico-cômico estragou a alegria deles. Faltou água em casa e e eles tiveram que ir até um poço que ficava uns 700 metros de distância, um se segurando no outro para não caírem, e ligarem o motor para encher a caixa d'água. Quando voltaram perceberam que a porta do galinheiro estava aberta.
Durante o jogo, os meliantes de plantão, roubaram as 54 galinhas do galinheiro de casa, deixando apenas uma única com a pata quebrada.
Após o episódio, minha mãe chorou copiosamente. Meu pai, sempre espirituoso, perguntou a ela se a vitória da seleção era motivo para chorar. Ela, totalmente ébria, em soluços, rebateu imediatamente: "
Não choro pelo campeonato, mas sim pelas minhas galinhas!" Minha mãe nunca mais criou galináceos e a família ficou pelo menos duas décadas sem comemorar outro título mundial.

Muito legal! O choro após a ingestão de liquidos era a tradição na família.
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