domingo, 4 de novembro de 2012

E SE....... ( POEMINHA XXI)

Então é tudo verdade.
Você vive mas não sabe como,
escravo de si mesmo.
Estamos tão próximos de nada
e de ninguém
E se eu apenas vivesse
apenas por viver
E se eu mexesse as peças
como em um jogo de xadrez
e todos pudessem ser não peões
mas, humanos
Estou cansado de ouvir
histórias de cidades perfeitas,
governos e sociedades perfeitas
No fim de tudo é você
quem trabalha e morre
As palavras se perderam
como fomos nos perder com elas
Trocamos pela distância
o nascer e os por de sol
E se eu dissesse agora
vamos mudar de vida
o que você faria
E se eu largasse tudo
e fosse apenas viver a vida
Você viria comigo?

sexta-feira, 2 de novembro de 2012

DOS CAMINHOS DESSA VIDA ( POEMINHA XX)

Já andei tantos caminhos
persegui meus passos
já provei mil vinhos
me fiz em pedaços
e me fiz de mudo para renascer
Estive em muitos lugares
sonhei tantos planos
mergulhei nos mares
bebi oceanos
mas só matei minha sede
quando me encontrei Escalei muitas promessas
mirei horizontes
dancei em tantas festas
me joguei de pontes
e a felicidade não estava em mim
Me falaram em liberdade
e muitos valores
cercearam minha vida
com tantos temores
quase desisti, mas tinha você, pai!


terça-feira, 30 de outubro de 2012

NÃO SEI VIVER SOZINHO ( POEMINHA XIX)

Queimando tudo, seguindo em frente
o caminho pode ser escuro
se houver um sol dentro da gente.
Viver seguro é indiferente
não há muros e grades
que segurem um coração valente.
Sobraram as cinzas desse vulcão
se não cuidar da sua semente
não haverá frutos noutra estação.
Só não me deixe aqui tão sozinho
não sou tão forte, nem um menino
Só não me deixe viver sozinho
ainda posso ser a luz do seu caminho.

Explodindo tudo
tocando em frente
usando um escudo
protegendo o coração da gente.
Eu quero muito,
eu quero é mais
mas não faço guerra
para conseguir a minha paz.
Só nao me deixe aqui tão sozinho
não sou de vidro, mas posso quebrar
Só não me deixe viver sozinho
não sou perfeito, mas ainda sei amar.

domingo, 28 de outubro de 2012

PEQUENAS COISAS

Trago sempre comigo algo de bom que as pessoas me passam. Pequenas coisas.  Paciência, carinho, a lembrança de calar a boca na hora certa. Trago um pedaço de noites mal- dormidas, de dias sem fim,  de sonhos que nunca serão realidade, de ruas, países, cantores que estão sempre em mim, mas que nunca conhecerei. Divago muitas vezes nas viagens. Passo por cidades e observo gente que nunca trocarei palavras. Será que são felizes, que tem sonhos ou só vivem pelo prato de comida? Cada vez mais vivemos apenas de viagens introspectivas porque não temos tempo para sair pelo mundo e sentir as pequenas coisas, aquelas que realmente valem a pena. A trilha sem fim das formigas, o lumiar dos vagalumes nas noites de primavera, a estridência do grito das cigarras, o cheiro da bergamota colhida no pé e o café sendo preparado com carinho pela mãe. Pequenas maravilhas que nos acompanharam na infância e início da adolescência. Hoje sigo em frente com passos ora firmes, ora cambaleantes e rio sozinho dos meus pensamentos. Cada vez mais descubro que as pessoas não acreditam fácil na sua palavra e que tu tens que matar mais de dois leões por dia para ver o sorriso dos outros. Não importam mil atos de bondade, mas o tropeço é o que vais ser lembrado. Não importam as doenças diagnosticadas, as crianças salvas. Não atenda o telefone uma vez, cancele uma consulta por doença ou por necessidade e és execrado em praça pública. E onde estão as pequenas coisas? Guardadas em gavetas de armários, escondidas em recordações da infância nos jogos de botão, bolinha de gude, no voo das pandorgas que nós mesmos fazíamos, ou na promessa de um beijo de alguma namoradinha platônica. Talvez nas caixinhas de hipoglicemiantes que não querem mais fazer o efeito esperado. Ah verdes anos! Acho que é lá que estão guardados todos os segredos da felicidade. As pequenas coisas que nos fazem sorrir estão lá, nos passeios de bicicleta, no futebol do campinho que não tinha hora para acabar, no primeiro choque elétrico e na primeira vez que apanhei de cinto. Na amizade sem interesse e nas páginas dos livros emprestados da biblioteca. Hoje sigo em frente com os pés no chão, sabendo que viver bem depende apenas de mim e que meus atos de rebeldia são maduros e certos e que não é qualquer brisa passageira que vai ruir o alicerce que trago em mim.

domingo, 21 de outubro de 2012

DOS DIAS E NOITES (POEMINHA XVIII)

Ando pelas ruas e avenidas
de nossa pequena e não mais ingênua cidade
meus sonhos nascem e morrem
sufocados pelos dias e noites de trabalho
marcados a ferro pela necessidade
e que passam sem dar trégua
Hoje as crianças dividem a praça com mendigos
que se abraçam felizes
como já nao o fizemos com amigos
O mundo aqui está cada vez mais mesquinho,
egoísta e hipócrita e parcial
parece que cortaram mãos e braços
ou apenas  economizamos os abraços
porque ter medo é vital
Sobrevivemos, rimos e choramos de tudo
procurando pontos finais onde não existem
alimentando as vírgulas que nos separam
Aqui o sol e a lua se confundem
e as pessoas são de lugar nenhum
e não sabem o que procuram
e você finge estar bem acompanhado
mas seu coração bate só
em uma cascata de acertos e erros
que nos deixa cada vez mais isolados
O hoje e o amanhã se confundem
atropelando o futuro que não nos pertence
apenas as lágrimas e os sorrisos
 são totalmente nossos, pessoais
Meus amigos se perderam por aí
em alguma estrada ou cidade
pequena e ingênua como um
dia foi a nossa
e desapareceram quando eu mais precisei,
mas novamente grito pois sei
a força do meu braço
e novamente me renovo nos teus carinhos
e saio vivo e forte na manhã desse dia.

domingo, 14 de outubro de 2012

DOS VALORES DESSA VIDA

De volta às letras! Os dias passam tão rápido que quando tu percebes já passou o mês. Fico feliz pelo término da campanha eleitoral. Apesar da opção de ficar fora sempre sofremos pressão, indo da euforia à depressão por causa do envolvimento dos amigos. Mas, tudo tem um início e um fim. Agora é ficar de olho no projeto vencedor e não só cobrar as promessas, mas, participar para que tudo seja realizado. Nós que trabalhamos com o povo, diariamente, sofríamos um verdadeiro bombardeio de perguntas sobre as propostas mais viáveis e possíveis de acontecer. Sempre falei em todo o percurso que a vitória de um ou outro iria refletir apenas no crescimento e desenvolvimento da cidade. Nós, profissionais liberais, temos é que cuidar do nosso trabalho e de nossa cozinha para que os habitantes que aqui escolherem como moradia, passageira ou definitiva, tenham a saúde necessária para encarar o dia-dia difícil a que o governo nos impõe. Não vou dissertar sobre partidos porque todos já sabem minha opinião. O PT era nossa última esperança e decepcionou a todos. Ops! Menos aos vagabundos que esperam o bolsa isso-aquilo e os parasitas do mensalão. Quanto à pediatria, chegamos no fim do túnel e não existe luz. Basta digitar "vagas para pediatras" no Google e verás o número infinito de cidades precisando de um. Olha-se o valor a ser pago e tu descobres que a pediatria e o palhaço do circo estão no mesmo patamar. O espetáculo faz todos rirem às gargalhadas de felicidade, menos ao profissional. Chegamos ao ponto de ter esta semana 29 crianças internadas, entre recém-nascidos e doentes.Tudo bem que eu estava sozinho. Mas e o consultório e as urgências no hospital? Nem vou falar na família. Esta fica em casa esperando pouca coisa do pai e do esposo. Para quem não sabe dia 21 deste mes acaba os 30 dias do nosso pedido coletivo de demissão do SUS. Somos dois atendendo um município de 50 mil habitantes. E a colega, ainda faz saúde pública. É uma piada. E antes que tu me condenes pela decisão. É muito simples. Não temos mais condições de atender bem a todos. A proposta é óbvia. Pagando bem deixamos o consultório resumido horários pífios e ficamos à disposição do maravilhoso sistema, da piada, que se chama saúde pública a nível de hospital. Temos uma saúde primária razoável aqui no município. E se compararmos com os demais munícipios do Brasil, "bingo!" ganhamos prêmios. Que beleza! Então, tu tens que ter orgulho da saúde daqui. Porque no restante do país não existe saúde. Apenas sujeira, hospitais lotados, pacientes morrendo sem atendimento, e a copa do mundo. Analfabetos ganhando o prêmio Machado de Assis da academia brasileira de letras e os pensadores, os cientistas, professores e profissionais da saúde, desvalorizados,  sendo ameaçados, espancados, assassinados. E o governo roubando vergonhosamente. A sociedade brasileira de pediatria, assim como tantas outras instituições, tenta estimular a profissão. Em vão. Não vai ser o aumento de vagas em faculdades que vai fazer com que formem mais pediatras e sim a remuneração digna. O hospital é explorado diariamente pelos munícipes que exigem uma saúde de graça e de qualidade, mas que seria obrigação do governo e não do sangue dos que trabalham lá. Queria estar escrevendo poesia, música, viajando. Mas até a música, a poesia perdeu seu valor em prol do analfabetismo universitário e se houvesse alguma inspiração seria aquela da terceira fase do romantismo. Para quem não lembra, tristeza, tuberculose e suicídio. Viva la vida!

segunda-feira, 10 de setembro de 2012

ESPERANDO UM MILAGRE

O tempo passa rapidamente e rouba os dias com ele. Passam coisas boas em companhia das más. Andam juntas, de braços dados, como se precisassem uma da outra. Eu passo também. Passo em pacientes, em pessoas, em anos, como se a rotina do mundo fosse minha, e só minha. Parece não mudar nada. Acordo à noite e volto para casa à noite. Descubro que a noite voltou a ser minha amiga. Faço planos e não consigo colocá-los em prática. Os dias lentos ficam cada dia mais raros e, tristemente, às vezes, prefiro que passem rápidos mesmo, sem me preocupar com o relógio do tempo que não dá trégua a meu corpo. Os cabelos cada vez mais brancos e apesar de meu coração tentar continuar jovem, as agruras, as cobranças, os compartilhamentos imbecis das páginas sociais, o assassinato da língua portuguesa e essa música sertaneja pestilenta e analfabeta faz com que meus sonhos fiquem cada vez mais secos, como os galhos das árvores dessa cidade que moro castigada pela seca e pelo calor. Fico esperando um milagre. Não os milagres de falsos profetas, das igrejas lotadas, dos pastores que devoram o salário de suas ovelhas. Espero o milagre da educação, da cultura, do entendimento. Não das promessas sem valor, dos carinhos sem amor, da fragilidade das coisas. Mas, do discernimento. De saber separar o bem do mal, as promessas sem futuro, da verdade absoluta. De saber que o mundo em que vivemos não foi feito da noite para o dia, e que uma noite de estrela não vai fazer de você uma constelação. Espero o milagre dos teus olhos, desse coração que cheio de esperanças, e que esquece de viver. Desse cérebro que não consegue usar 1% da sua capacidade para coisas simples e boas. Lembro os versos de Oswaldo Montenegro que diz:
" Faça uma lista de grandes amigos, quem você mais via há 10 anos atrás, quantos você ainda vê todo dia, quantos você já naõ encontra mais. Faça uma lista dos sonhos que tinha, quantos você desistiu  de sonhar, quantos amores jurados pra sempre, quantos você conseguiu preservar? Onde você ainda se reconhece, da foto passada, ou no espelho de agora? Hoje é do jeito que você queria, quantos amigos você jogou fora?  Quantos mistérios que vc sondava, quantos você conseguiu entender? Quantos segredos que vc guardava, hoje tão bobos ninguém quer saber. Quantas mentiras vc condenava, quantas vc teve que cometer. Quantos defeitos sanados com o tempo, eram o melhor que havia em você? Quantas canções que você não cantava? Hoje assovia para sobreviver. Quantas pessoas que você amava e hoje acredita que amam você?"
 As coisas acontecem em nossa vida tão rapidamente que acabamos perdendo a essência da maioria delas. Nos preocupamos em adquirir coisas e esquecemos das pessoas que diariamente cruzam nosso caminho. Quando lembramos é tarde demais. Passaram-se os dias, os amigos, os amores, a música, as pessoas de valor, os sonhos. Sobrarão apenas recordações dos bons tempos.
Por isso enfiamos a cara no trabalho e choramos no fim de noite, escondidos em nossa solidão nos perguntando se tudo isso vale a pena. Eu continuarei trabalhando enquanto eu puder. Mas sempre sonhando. Sonhando e esperando um milagre! Viva la vida!

domingo, 2 de setembro de 2012

AS BRIGAS QUE EU PERDI

Faz tanto tempo que não escrevo, muito mesmo, que me sinto candidato a um cargo político, promessa e não cumprimento. Havia prometido escrever com mais frequência e não estou. Meu fim de semana não está dos melhores por causa das palavras. Palavras que usei, que escrevi, que falei. As palavras tem vida própria. Deveriam ter um freio, um "carrinho" violento, algo que soasse como um sino em nossa boca e trancasse nossa via de comunicação.  E as palavras, levam as brigas. Não vou falar por parábolas porque isso ou é coisa de pastor ou é de fanático religioso e eu não me considero nenhum deles. Esse sábado e domingo serviram para meditação. O que um homem, um profissional, um pai tem que fazer para manter sua família unida? Por que as mágoas antigas não se dissipam como as névoas que quando brilha o sol somem para sempre? Por que sempre tem alguém querendo atrapalhar a felicidade dos outros, como se aquilo fosse a salvação da sua alma?  Como tem mau-caráter travestido de bom moço! Estamos vivendo um período eleitoral e vejo o retorno dos lobos em forma de cordeiro, de todos os lados, berrando, oferecendo sua lã, aproximando-se da manjedoura, como se ele fosse a salvação, e não Cristo. Não senhoras e senhores! A salvação está dentro de nós. Depende apenas do nosso trabalho, da nossa consciência, de nossos alicerces. Não podemos vender nossa vida e nossa alma a quem paga mais. Não podemos oferecer nossa família em sacrifício. Não podemos ser escravos de senhores feudais, de padres ou pastores, da mídia analfabeta, de santos de araque ou de multiplicadores de pães. Já temos um governo criador de comensais. Você não precisa mais trabalhar, pois sua esmola está garantida, você não precisa mais estudar porque se for afro-descendente, índio, ou seja lá o que Deus quiser, sua vaga estará garantida na universidade. Você não precisa mais questionar nada, pedir nada, lutar por nada. Está tudo aí, ao seu alcance. As reuniões que tenho participado estão abrindo o baú do passado em minha mente. Afinal, são quinze anos aqui nesta cidade, e muito mais em uma universidade.  Passei por tudo, vi de tudo.  Então não me peçam para assumir um ou outro lado. Assumirei o lado que acho certo na hora certa. Acreditem! Eu já sonhei muito. Magoei e fui magoado. Tentei fazer o melhor para minha classe e não foi o bastante. Na verdade, nunca é o bastante. Por isso hoje me abstenho das organizações de classe, das igrejas, das ongs, de tudo, porque em todos os lugares existem os bons e os maus, e estes, não importa o credo, a cor, estão sempre prontos para "dar o bote" se lhes for conveniente. Perdi e ganhei brigas, como diz a letra da banda mineira Pato Fu. " Pouco adiantou falar palavrão, perder a razão.Eu quis ser eu mesmo, eu quis ser alguém, mas sou como os outros que não são ninguém. Acho que eu fico mesmo diferente quando falo tudo o que sinto realmente. As brigas que ganhei nenhum troféu como lembrança, pra casa eu levei. As brigas que perdi, essas sim, eu nunca esqueci."
Então, meus amigos, que se exaltam nas páginas sociais, que estão transformando seus amigos em pessoas indesejáveis por causa da política ou de amores impossíveis, ergam as mãos para os céus e agradeçam aqueles que realmente vibram com seu crescimento como pessoa.  Quatro anos passam muito rápido. Na verdade tudo passa, mas o amor é o que vai ficar. Viva la vida!

domingo, 22 de julho de 2012

O MEDO DE AMAR É O MEDO DE SER LIVRE

Começo essa postagem usando as palavras do grande compositor mineiro Beto Guedes,: " O medo de amar é o medo de ser livre, livre para o que  der e vier, livre para sempre estar onde o justo estiver. O medo de amar é o medo de a todo momento ter de escolher com acerto e precisão a melhor direção."
Temos medo, só que às vezes nos escondemos dentro de nossa armadura imaginária, nos fazendo de fortes ou de loucos e calando nossa voz diante do poder que nos cerca e por vezes nos corrompe, com palavras e com ameaças. E o que era homem ao se sentir ferido, mostra suas garras, abandona o lar, entra numa jaula imaginária e apela com a ignorância, sua arma favorita.
Lembro dos primeiros medos, engolir o chiclete era terrível pelo risco de ficar com " as tripas coladas", cortar as unhas a noite era encurtar os anos de vida da mãe, banho após o almoço jamais, e um dos piores, senão o pior, acordar molhado na cama, primeiro por xixi e mais tarde por polução. Medo e vergonha se a mãe encontrasse a cama molhada. Nesse dia nós arrumávamos os lençóis para a alegria da família e até recebíamos um elogio. Não sabiam que era apenas por medo. Um medo que nunca se concretizou em ações bizarras ou belicosas por parte dos pais, que só nós temíamos.
Crescemos e o medo tornou-se companheiro inseparável. Ele acompanhou as primeiras derrotas no vestibular e as primeiras perdas, o casamento e a separação, o primeiro filho ainda na faculdade, as provas e a insegurança na hora de escolher a especialização, a mudança de cidade e de região e o afastamento das raízes. Acompanhou as transformações de menino em homem e eu descobri que o medo se escancarou quando perdi meu pai, meu alicerce, e me  tornei pai novamente, agora com os pés no chão. Agora tudo é meu e peço a Deus todos os dias pelos meus filhos. Para que aprendam a enfrentar o mundo.
Hoje caminho mais tranquilo mas ainda o medo está ali, escondido, de tocaia, esperando um passo em falso, um desafio, um obstáculo, para mostrar suas garras. Quando se caminha sozinho, não se pensa muito nas consequências, mas , quando família, tudo muda de figura. O homem vira menino de novo e fica esperando a mão do pai para se agarrar.
Aprendi com a vida. A coragem e o medo estão ali de mãos dadas, cada qual, esperando a chance de se manifestar. Meu concurso que passei em primeiro lugar e depois joguei fora por pressão e por não saber levar desaforo para casa. A decepção com a direção clínica de um hospital, com colegas despreparados e outros de má índole. A imaturidade de assumir um lado na política em uma terra de coronéis, sendo perseguido ou ignorado pelo outro lado. O medo que assusta é o mesmo medo que nos faz virar gente de novo e crescer. O mundo está aí escancarado a tua frente. Você tem o poder de dizer sim e não, elogiar e criticar, desde que não pise no pé de ninguém. Ignorantes, frequentadores de pequenas igrejas e grandes negócios, bandidos, ladrões e mensaleiros que vendem sua alma assim como os vendilhões do templo. Você pode escolher, o medo ou a coragem, ou ficar em cima do muro como a maioria, indo a favor da corrente, mas sem poder navegar o próprio navio da vida.
 " O sol levantou mais cedo e cegou o medo nos olhos de quem foi ver tanta luz...."

quarta-feira, 27 de junho de 2012

A POLÍTICA E A SIFILÍTICA MANEIRA DE PENSAR

A política brasileira e a sífilis são muito semelhantes. As duas são muito antigas, são doenças que podem ficar latentes por um bom tempo, mas que a qualquer momento podem ter seus sinais e sintomas fazendo estragos. A grande diferença é que uma delas tem tratamento, no caso da sífilis, mas as duas podem deixar sequelas muito graves.
A sífilis faz lesão na pele, nos ossos e em casos graves no coração e no cérebro. A política agride também o coração, mas o seu alvo principal é o cérebro. Lesa a moral, acaba com casamentos, amizades, empregos e principalmente com a ética. Os escrotos políticos brotam de qualquer lugar, sorridentes, solidários, simpáticos, abraçando os "cegos", os sem cultura, as crianças que em sua ignorância infantil sorriam porque os pais pedem, ou choram já sabendo que aquele lá cheira mais que suas fraldas cheias. A patologia da política corrói a alma dos despreparados, dos que colocam os sonhos de que podem contribuir para um mundo melhor na frente de tudo. A doença é antiga que nem a sífilis, e na maioria das vezes o doente não quer a cura. Ele quer continuar vegetando em alguma prefeitura, câmara, parasitando os que trabalham honestamente, arrastando para si os comensais de sempre. Os governos se sucedem, trocas são feitas, para melhor ou para pior, mas os parasitas e seus amigos comensais continuam ali mamando escondidos, sentados em cima dos muros, esperando um milagre econômico, uma dose de penicilina mais forte para continuar desfrutando dos melhores lugares, dos palanques e dos camarotes onde a bebida e comida importadas corre solta e a safadeza também.
Quando temos contato com alguém doente temos que usar de vacinas, imunoglobulinas, evitar o contato direto, mas não o evitamos, tratamos com carinho e com o devido respeito. Na doença da política o enfermo não separa o joio do trigo, recebe todos os contatos de sorriso aberto, diz que vai fazer e acontecer, abalar, mudar, crescer e o resultado é sempre o mesmo. Faz nada em prol da comunidade. Acontece nas redes de televisão e rádio, que por sinal pertencem aos próprios. Abalam as estruturas com escândalos dos mais variados estilos. Mudam de partido como se fosse de roupa e vendem sua alma pelo preço mais alto. Quanto ao crescimento, basta ler os jornais, observar para onde crescem as cidades e a quem pertencem essas áreas, quem vence as licitações e a qualidade das obras que geralmente é de baixa. Basta observar quem cresceu trabalhando e quem enriqueceu parasitando. Milton Nascimento em uma de suas canções disse " já não sonho, hoje faço com meu braço meu viver". Já sonhei muito. Fui presidente de diretório acadêmico e secretário de imprensa. Já participei de passeatas, carreatas, vesti camisetas e adesivei meu carro. Perdi amigos, colegas e pacientes. Vi empresas demitirem seus funcionários por nada, e acreditem, eu já votei no PT. Eu já sonhei com mudanças, e só vi os meus sonhos se tornarem pesadelos. Por isso hoje apenas trabalho, e apesar, desse governo parasitar minha vida com impostos que não acrescem em nada a vida do povo, sonho apenas continuar trabalhando.
Aos meus amigos que se envolveram com a política desejo apenas que sejam honestos consigo e com os outros. Que não se deixem contaminar pelas bactérias velhas. Que aceitem os tratamentos quando lhe forem receitados com a ética e a moral e que não caiam na tentação de usarem a sifilítica maneira de pensar e agir, da velha doença, que é a política.

quinta-feira, 7 de junho de 2012

PERTO DEMAIS DAS CAPITAIS

Nossa cidade é tão pequena e tão ingênua que estamos longe demais das capitais. Nesses versos de Humberto Gessinger, o poeta e letrista compara Porto Alegre a outras capitais, como se esta ainda guardasse a ingenuidade e a paz de uma cidade interiorana. Também, guardada as devidas proporções, comparo Lucas do Rio Verde, pequena, ingênua, a outros lugares até maiores do interior gaucho. Nesses quase 15 anos de morador eu vi as transformações da nossa "ilha de desenvolvimento", plagiando Criconildo, do Jornal Folha Verde, perseguindo o progresso a passos largos e desenfreados, por favor, não me digam planejados, e colhendo rapidamente a passos de ema, o lixo e a escória que o desenvolvimento acelerado trás consigo. Perdoem-me os fanfarrões, os de visão de raios-x, os que enriqueceram fácil e os deslumbrados com os rumos que a cidade tomou. Cresci também e continuo assim, as custas de trabalho. Infelizmente, e ninguém tem culpa disso, quem trabalha muito não tem tempo para ganhar dinheiro nesse país, e aqui não é diferente. É muito bom viver aqui. Parece que estamos fora do Mato Grosso. Tudo aqui é grandioso. O crescimento está nos prédios municipais, nas ruas asfaltadas, no número de moradias construídas, no grande mar de soja, que por vezes troca com o milho, o privilégio de cercar nossa ilha. Mas também nem tudo são flores. O marketing que está na tv, nos jornais e nas revistas pelo país só mostram o lado bom. Não nos condenem. O Rio também comercializa no exterior, pensando nas olímpiadas, apenas o lindo, como se aqui fosse o país das maravilhas. O feio fica escondido, longe dos holofotes, mas para quem mora aqui está por todo o lado.Nos  impostos cobrados que são exacerbados, nos mendigos e drogados que invadem as praças, nos assaltos que nos fazem apressar cada vez mais o passo, no trânsito caótico dos horários de pico, na notícia da tv sem pé e nem cabeça, na falta de mão-de-obra especializada, nas prioridades sem necessidade alguma, nos privilégios de alguns em detrimento de outros. Na verdade, eu já sei as respostas. Nas grandes cidades isso acontece há muito mais tempo, só que nós não ficávamos sabendo. A cidade pode até continuar pequena e ingênua, mas nossa paz e ingenuidade  já acabaram há muito tempo.

quarta-feira, 30 de maio de 2012

DESABAFO PÓS - PLANTÃO


 O trabalho esqueceu que existem relógios com seus ponteiros treinados para anunciar o final do expediente e massacra as horas invadindo meus momentos mais preciosos, lançando
 suas garras em minha vida pessoal. Os plantões tem sido cada vez mais difíceis. A população cresceu e não conseguimos mais atender a todos que precisam. Então dividimos nossas vidas, multiplicamos nossas horas trabalhadas, somamos noite mal dormidas e diminuímos nossa vontade de enfrentar essa tempestade. Sinto uma vontade diária de baixar as velas e deixar meu barco seguir ao léu. Não temos hora para comer, dormir, ou para ver o filho crescer. E o que desanima é que por mais que você se esforce nunca é suficiente. Tenho plena consciência que com esse ritmo, a boa relação médico-paciente está com os dias contados. Como em toda a relação humana você só é valorizado se está disponível 24 horas. Vidas podem ter sido salvas, diagnósticos difíceis confirmados, tratamentos acertados, mas se você atrasar por qualquer motivo ou cancelar uma consulta porque você está doente(médicos também adoecem), a condenação é certa. Os adjetivos ofensivos são facas que cortam nosso coração e nos fazem questionar o modo de vida que sonhamos e o que realmente vivemos. Sempre tenho comigo que o paciente deve estar em primeiro lugar, e principalmente, se for uma criança. Alguns colegas falam que a culpa é nossa e que acostumamos mal a população por estar sempre disponíveis. Mas o que antes, em nossa cidade, eram 14 mil habitantes, hoje são 50. O que antes era uma centena de carteiras verdes, e a grande maioria conhecidas, tornaram-se milhares. O que me deprime e tenho certeza de que não estou sozinho nessa, é a falta de educação de alguns pais, o desrespeito com o profissional, as exigências sem noção, a falta de percepção das coisas e da doença dos filhos, querendo que se resolva em 24 h o que vem se arrastando por semanas ou meses. Deprime estudar tanto para ver um governo, incluindo o estado e o município tentar promover uma saúde de faz de conta. O médico não cumpre horário porque recebe pouco e faz de conta que atende o paciente. O paciente faz de conta que é atendido, mas o que deseja é um atestado para não ir ao trabalho que não está lhe fazendo bem. E os gestores, ah os magníficos gestores, esses somam os atendimentos diários em planilhas fictícias para ganhar prêmios e construir o alicerce para seus projetos eleitoreiros. Vale o número de atendimentos e não a qualidade.  Aí meus senhores, a população quer pediatras, mas não quer pagar pelo serviço. Vão dos postos ao hospital, de graça e querem atendimento pediátrico urgente. Tenho ouvido muito a frase " eu estou pagando". Vocês não imaginam a vontade de perguntar pagando o que, para quem? Bendita educação que recebi na infância pela dona Edenia e seu Valdir. Benditos pensamentos bons que passam por minha cabeça quando ouço asneiras e sorrio por dentro. Minha poesia e música  estão cada vez mais deixadas de lado e rezo para que o amor pelas crianças seja eterno. O que vem pela frente só Deus sabe, espero que ele nos ensine o melhor caminhos a ser seguido.

domingo, 8 de abril de 2012

É PÁSCOA! É ANIVERSÁRIO DO HOSPITAL SÃO LUCAS


É páscoa! Mas o que significa essa palavra? Vinda do hebraico, significa passagem, e mesmo antes de Cristo já era comemorada para celebrar a liberdade alcançada pelos judeus, após anos de escravidão pelo Egito. Para os cristãos do mundo todo passou a ser comemorada como o dia em que Jesus, ressuscitou. Ressuscitar, renascer, precisamos disso todos os dias, em nosso trabalho.
Mas hoje não vou falar da Páscoa propriamente dita. Quero falar sobre passagem, liberdade e também de ressurreição. Quero falar de saúde e de hospital. Quero comemorar a sobrevida do Hospital São Lucas, de Lucas do Rio Verde, que nesse 4 de abril, colocou mais uma velinha no bolo. Eu sei porque eu estava lá no dia da inauguração, há 8 anos, mas, por incrível que pareça, ninguém mais lembrou. Talvez porque não há muitos motivos para cantar " Parabéns a você", ou talvez porque não é para lembrar mesmo. Preferem lembrar uma fundação que nunca existiu, ou melhor, nunca cumpriu sua função, a de manter viva a estrutura hospitalar.
No dia 4 de abril de 2004, foi inaugurado esta casa de saúde, com uma intenção muito nobre, atender dignamente a população, dando resolução aos casos mais complexos, diminuindo assim, os riscos de morte e também o número de transportes para a cidade vizinha e evitar outros problemas, mas não menos importantes, uma Br. movimentada e deformada pelo tempo e abandonada pelo estado que tem ceifado a vida de muitos luverdenses. Assim, da cabeça visionária do prefeito da época, nasceu o São Lucas.
Nasceu bonito, elegante, como tudo o que se constrói neste lugar. Mas, já veio fadado ao sofrimento. Sem convênios, e com algum verba pública ele começou a vida já penando. E quando entrava algum paciente particular, já aparecia alguém querendo tirar a chance de algum crescimento e transformar esse paciente em sus, ou seja, de graça.
Tenho que lembrar as pessoas que como eu, abandonaram suas casas para dar vida ao hospital, dona Catarina Roa, incansável batalhadora e ótima administradora, que envelheceu alguns anos lá dentro e derramou muitas lágrimas vendo o descaso tomar conta dali. Keily, uma mulher de fibra que antes do hospital abrir suas portas já era responsável pela limpeza, e depois exerceu vários cargos com competência e desenvoltura. O sr. José Anhaia, nosso primeiro segurança e faz tudo. Aos médicos, que muitas vezes criticados, atenderam por valores ínfimos ou mesmo sem cobrar nos primeiros anos, e a enfermagem de qualidade, comandada com braço de ferro pela enfermeira Fabiana Dameto Mertz, mulher que vestiu a camisa do hospital até sua saída, por motivos mesquinhos e que até hoje reflete nesse trabalho tão importante que é o elo principal entre os médicos e os pacientes. Pessoas essas, pouco lembradas, e até esquecidas pela grande maioria.
Mas, se esquecemos da data de aniversário do hospital, fica fácil explicar o lapso de memória.
Hoje, passadas administrações medíocres que apenas afundaram mais o nosso " Titanic" vemos uma luz no fim do túnel. O administrador é jovem e parece querer que o hospital ressuscite forte. O problema que ele enfrenta continua sendo o mesmo, a falta de dinheiro para manter abertas as portas da instituição. A população cresceu em progressão geométrica, o faturamento, não. Está crescendo a miséria de mãos dadas com o tráfico e uso de drogas. E a prefeitura continua colaborando com pouco, já que os pacientes, na maioria são carentes e dependem de um governo que dá o peixe e não ensina pescar, ou seja, prega saúde para todos, mas não quer pagar por isso. Os médicos começam a abandonar o hospital e a enfermagem também, já que a saúde pública paga melhor e ainda dá direito a fins de semana com a família.
Queremos uma páscoa melhor para esse hospital. Sonhamos com a liberdade de poder trabalhar sem influência de poder nenhum, simplesmente, porque é o que sabemos fazer melhor. E esperamos a ressurreição, o ressurgimento, a valorização dessa casa para que nossos filhos tenham orgulho de bater no peito e dizer, aqui em Lucas do Rio Verde, temos saúde, verdadeiramente, de qualidade!
Feliz Páscoa!

domingo, 25 de março de 2012

BEM SIMPLES


Domingo! Ouvindo nesse momento uma seleção de pop-rock dos anos 80. Gosto de ouvir e cantar. Parecia tudo simples naquela década e realmente tocava o coração da gente. Letras de protesto, mas de amor na sua forma mais simples. Simples como a vida, ou não. Gostaria de fazer muitas coisas que me atraem e me dão paz. Cantar, escrever, sonhar, estar cercado de amigos, jogar conversa fora, estar com minha mãe e irmãos. Tudo muito simples, como a música dos anos 80. Sem desfilar terceiras intenções, sem matar, nem ferir, dizer segredos de liquidificador sem triturar ninguém. Na infância sonhamos em ser super-heróis. Na adolescência até pensamos que somos. E na vida adulta, trabalhamos e esquecemos que um dia usamos capa e máscara e paramos de sorrir e viver.
Acho que todos os que tem minha idade, um dia lhes foi perguntado, o que iria ser quando crescer? É uma pergunta que um dia todos te fazem. Eu desde os 9 anos, quando entrei na quinta-série, lá no colégio Nossa Senhora Auxiliadora, em Bagé onde nasci, lembro de ter respondido, médico. Não tinha familiares na saúde, mas tinha um pediatra muito dedicado que interferiu direto no meu caminho, mesmo sem saber. Mário Mansur, o nome dele. Pessoa simples, dedicada, estudiosa que me fez trilhar o caminho que escolhi. Ainda não sabia quão árduo, tortuoso e, hoje, desvalorizado é esse caminho. Pediatra! Todos querem ter um disponível, mas não querem pagar pelo trabalho dele. Ando exausto. Cansado pelo excesso de trabalho e exaurido pela exigência das pessoas que dependem diretamente da minha profissão.
Li esta semana na revista Época, uma crônica de Walcir Carrasco, novelista da rede Globo, onde ele elogia Jô Soares, pelas suas múltiplas faces, show man, escritor, diretor e, nas horas vagas, pintor. É quase impossível fazer tantas atividades diferentes ao mesmo tempo. É coisa de super-herói. E faz bem feito. Na área da saúde, tenho muitos conhecidos que conseguem tocar, cantar, escrever e até atuar, mas todos moram em cidades grandes. Eu ainda não consegui esse feito, mesmo sabendo da necessidade de fazer alguma coisa extra para não pirar o cérebro. Tenho um irmão que é motorista do SAMU, faz plantões como técnico de enfermagem e ainda tem tempo para servir sopa aos pobres no inverno rigoroso de Bagé. Este é um herói anônimo, sem capa, sem máscara,sem espada, que ainda sonha com dias melhores para seu povo.
Precisamos de mais gente assim. Precisamos de sonhar sonhos novos. Amar as pessoas que merecem. Vivenciar novas aventuras. É assim que tem que ser. Do meu lado, quero apenas não ser grosseiro com os ignorantes, abrir meus olhos e ouvidos para as coisas boas da vida e não pirar do cabeção. Será que é pedir demais?

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

ACIMA DA LEI



Lendo as páginas amarelas da Veja, edição de 8 de fevereiro, onde o entrevistado é o desembargador Ivan Sartori, que recentemente assumiu a presidência do tribunal de justiça de São Paulo, vê-se o quanto é desigual o tratamento dado aos juízes. Ele consegue justificar cada centavo ganho e explicar as fortunas que alguns ganharam,no último mes, provocando muita polêmica. A cada 5 anos têm direito a 3 licença-prêmio remuneradas. Além disso têm direito a 2 férias anuais. Com um salário mensal de 24 mil reais, mais auxílio moradia, viagens, etc, ele acha pouco comparado ao que ganha um executivo de uma multinacional. Justifica ainda que trabalha o dia inteiro e que ainda leva trabalho para casa. Médicos com casos complicados, professores que no tempo livre ficam preparando diários e corrigindo provas, esses não precisam de salários dignos.
Uma frase muito interessante do nobre magistrado:" O juíz é obrigado a dar exemplo, ser politicamente correto. Não existe jeitinho para juíz. Qualquer um pode experimentar um cigarrinho de maconha. Eu não posso, porque sou juíz!" Não é de dar dó. Que exemplo maravilhoso!
E o que dizer dos magistrados corruptos que ficam sem punição. Apenas são aposentados sem investigação nenhuma. Está nas páginas da revista, é só ler. Você termina a leitura sentindo pena ou nojo desse ser que se julga acima da lei dos homens.
Agora voltemos a nossa realidade, a saúde, a educação, a segurança, porque é tão brutal a disparidade?
Um dia desses um apresentador da tv local dizia que o prefeito de Itanhangá, uma cidade do interior do Mato Grosso, sem condições mínimas de trabalho, sem hospital, oferecia 19 mil reais, se não me falha a memória, a um médico e não o encontrava. Não se fala em auxílio-moradia ou outras regalias. A expectativa é que um recém-formado ou algum médico medíocre aceite isso. Talvez, nem os jovens médicos aceitem, pela má formação acadêmica que recebem, saindo totalmente despreparados e sem coragem para enfrentar o crú interior nessa nova empreitada em suas vidas.
Esse salário deveria estar sendo pago aqui em Lucas do Rio Verde, com seus 50 mil habitantes. Isso atraíria bons profissionais para a saúde pública e acabaria com o sucateamento do trabalho nos maravilhosos PSFs. As outras cidades, que ainda deveriam ser distritos, deveriam pagar o dobro ou o triplo para tentar assentar bons profissionais. Talvez os maus, deveriam ser aposentados como os magistrados, com salário decente, para não causarem maus-tratos a essa população tão injustiçada.

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

OS VÁRIOS LADOS DE UMA TRAGÉDIA


Hoje em nossa cidade podemos experimentar as mais diversas sensações que um ser humano pode sentir: medo, ansiedade, insegurança, confiança e desconfiança, excitação e decepção.
Após a tentativa de assalto ao Banco do Brasil na madrugada descobrimos que podemos sim contar com a polícia local. Se tiveram, ou não, informações privilegiadas é outra coisa. O importante é que as usaram muito bem. A região norte do estado vive com medo há muito tempo. Roubos a banco a mão armada, explosões de caixas, fugas mirabolantes e até a expressão " novo cangaço" andam tirando o sono dos habitantes. Era certo que uma hora dessas, nossa cidade ia ser a escolhida para tal fim.
Ainda não se sabe muito sobre os bandidos, nem quantos eram no total. Sabe-se no entanto que tres morreram no confronto e mais quatro foram presos. Realmente, a polícia agiu na hora certa e com a autoridade que lhe compete. Nesses tempos inseguros, de descaso total de nossos governantes, é muito bom contar com alguém como o Major Cunha, o delegado Marcelo Torhacs e suas equipes e o Bope de Cuiabá.
Mas, o que me chamou a atenção, é o gosto do povo por tragédia, a multidão atrás da polícia, as fofocas e insinuações que pipocavam em segundos pelo facebook. Lojas invadidas, mortes dentro de uma clínica, a utilização de reféns, os tiroteios descabidos em parte das ruas da cidade, causando medo e intranquilidade a quem estava no trabalho ou trafegando pela cidade. Qual é a sensação de plantar falsas informações e duplicar o pânico que já se encontrava entre nós?
Devemos confiar em nossos veículos de comunicação quando plantam notícias mais rápidas do que elas acontecem? Acho que no" frigir dos ovos", tudo deu certo. Apesar da notícia ser muito dinâmica, os sites da cidade foram eficientes em sua tarefa de informar. A decepção ficou por conta das redes de televisão. O esforço foi visível por parte da tv Rio Verde, cada vez mais madura, e da Record News, mas faltaram entrevistas com as partes envolvidas. Ninguém questiona muita coisa. Na Record as imagens foram repetitivas e o SBT, mais uma vez não merece comentários. O evento foi tratado com displicência total e no meio de outra notícia qualquer, a apresentadora interrompeu apenas para agradecer a polícia, e chamar mais um comercial dentro de outro. Precisamos de mais dinamismo e maturidade para lidar com essas questões. Assim, teremos mais tranquilidade e sabedoria ao divulgar fatos e fotos nas redes sociais e na imprensa propriamente dita.

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

O DIA DO FICO


Ficar é um verbo que pode implicar várias coisas. As pessoas ficam umas com as outras designando uma relação sem compromisso, que normalmente, não tem associada qualquer forma de fidelidade, uma vez que sua natureza é geralmente efêmera. Mas, também pode ter o significado de se tornar, ou, permanecer em um lugar.
Dom Pedro I, em 9 de janeiro de 1822, marcou a história do Brasil e do mundo ao contrariar a coroa portuguesa que exigia sua volta e deu um passo decisivo para a nossa independência. O dia ficou conhecido como, o dia do Fico.
Não menos importante, pelo menos, para toda a nação colorada foi o dia de ontem. Dia 29 de setembro de 2012, o dia do Fico de Andreas D'alessandro, o maestro e camisa 10 do Inter. Afinal, não é todo dia que se recebe uma proposta de 22,8 milhões por 2 anos de trabalho e deixa de lado.
Qualquer um teria aceitado, ainda mais quando se tem acima de 30 anos e joga futebol, ou seja, considerado em final de carreira. Tudo bem que a diretoria dobrou o salário do craque. Mas, o que pesou, foi a proximidade. A proximidade com a família na Argentina, e principalmente, a proximidade com a torcida do Inter. D'alessandro é um ídolo. E mais que um ídolo, é ele que comanda o futebol vistoso que a equipe apresenta desde 2008. Agora é torcer que ele tenha tomado a decisão certa em sua vida e que conquiste o que ele e a torcida mais aguerrida do Rio Grande desejam, ou seja, o tricampeonato da América.

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

DE VOLTA ÀS LETRAS


Ano novo, vida velha! De vez em quando perco a vontade de escrever, mas, fico feliz quando a encontro. Desde outubro que não escrevo nada. O tempo voou. Estou de volta. Espero que para ficar. Começo 2012 com um pequeno poema. Então aí vai....



Perdemos o cheiro e o sabor de tudo
lembro muito bem quando o pêssego cheirava pêssego
e a maçã cheirava maçã
e a uva, como era gostoso o cheiro da uva!
Perdeu-se o cheiro e com ele o sabor
Tudo perdeu o gosto.
Estamos perdendo tudo e todos
As letras caem das árvores
podres e solitárias letras
Economizamos palavras, frases,abraços, carinhos
Poupamos nossos hífens, acentos, acenos
Vivemos de vazios, de esconderijos, de subterfúgios,
de reality-shows e tragédias
Nos escondemos atrás de uma tela
Rimos de nós mesmos, de nossas sílabas
antes tônicas, agora, atônitas
Não criamos mais! Copiamos, compartilhamos
Caneta, lápis, giz, obsoletos caem,
assim como caíram os reis absolutos.
Nosso calinho de caligrafia no dedo
foi guilhotinado pelo tempo, por Lamarck
Atrofiamos os dedos, as letras, os neurônios
Restaram as boas lembranças
O cheiro da terra molhada,
o cheiro macio do pão
o orvalho das manhãs
o frio que habitava minha infância
e agora faz parte de mim
A idade nos deixa saudosos, mas,
o relógio da vida não para.
E nesse turbilhão enlouquecido de idéias
vamos sendo carregados
para onde, não sei.
Mas depois de tudo isso só te peço um favor:
devolva- me o cheiro e o sabor das pequenas coisas.