
É páscoa! Mas o que significa essa palavra? Vinda do hebraico, significa passagem, e mesmo antes de Cristo já era comemorada para celebrar a liberdade alcançada pelos judeus, após anos de escravidão pelo Egito. Para os cristãos do mundo todo passou a ser comemorada como o dia em que Jesus, ressuscitou. Ressuscitar, renascer, precisamos disso todos os dias, em nosso trabalho.
Mas hoje não vou falar da Páscoa propriamente dita. Quero falar sobre passagem, liberdade e também de ressurreição. Quero falar de saúde e de hospital. Quero comemorar a sobrevida do Hospital São Lucas, de Lucas do Rio Verde, que nesse 4 de abril, colocou mais uma velinha no bolo. Eu sei porque eu estava lá no dia da inauguração, há 8 anos, mas, por incrível que pareça, ninguém mais lembrou. Talvez porque não há muitos motivos para cantar " Parabéns a você", ou talvez porque não é para lembrar mesmo. Preferem lembrar uma fundação que nunca existiu, ou melhor, nunca cumpriu sua função, a de manter viva a estrutura hospitalar.
No dia 4 de abril de 2004, foi inaugurado esta casa de saúde, com uma intenção muito nobre, atender dignamente a população, dando resolução aos casos mais complexos, diminuindo assim, os riscos de morte e também o número de transportes para a cidade vizinha e evitar outros problemas, mas não menos importantes, uma Br. movimentada e deformada pelo tempo e abandonada pelo estado que tem ceifado a vida de muitos luverdenses. Assim, da cabeça visionária do prefeito da época, nasceu o São Lucas.
Nasceu bonito, elegante, como tudo o que se constrói neste lugar. Mas, já veio fadado ao sofrimento. Sem convênios, e com algum verba pública ele começou a vida já penando. E quando entrava algum paciente particular, já aparecia alguém querendo tirar a chance de algum crescimento e transformar esse paciente em sus, ou seja, de graça.
Tenho que lembrar as pessoas que como eu, abandonaram suas casas para dar vida ao hospital, dona Catarina Roa, incansável batalhadora e ótima administradora, que envelheceu alguns anos lá dentro e derramou muitas lágrimas vendo o descaso tomar conta dali. Keily, uma mulher de fibra que antes do hospital abrir suas portas já era responsável pela limpeza, e depois exerceu vários cargos com competência e desenvoltura. O sr. José Anhaia, nosso primeiro segurança e faz tudo. Aos médicos, que muitas vezes criticados, atenderam por valores ínfimos ou mesmo sem cobrar nos primeiros anos, e a enfermagem de qualidade, comandada com braço de ferro pela enfermeira Fabiana Dameto Mertz, mulher que vestiu a camisa do hospital até sua saída, por motivos mesquinhos e que até hoje reflete nesse trabalho tão importante que é o elo principal entre os médicos e os pacientes. Pessoas essas, pouco lembradas, e até esquecidas pela grande maioria.
Mas, se esquecemos da data de aniversário do hospital, fica fácil explicar o lapso de memória.
Hoje, passadas administrações medíocres que apenas afundaram mais o nosso " Titanic" vemos uma luz no fim do túnel. O administrador é jovem e parece querer que o hospital ressuscite forte. O problema que ele enfrenta continua sendo o mesmo, a falta de dinheiro para manter abertas as portas da instituição. A população cresceu em progressão geométrica, o faturamento, não. Está crescendo a miséria de mãos dadas com o tráfico e uso de drogas. E a prefeitura continua colaborando com pouco, já que os pacientes, na maioria são carentes e dependem de um governo que dá o peixe e não ensina pescar, ou seja, prega saúde para todos, mas não quer pagar por isso. Os médicos começam a abandonar o hospital e a enfermagem também, já que a saúde pública paga melhor e ainda dá direito a fins de semana com a família.
Queremos uma páscoa melhor para esse hospital. Sonhamos com a liberdade de poder trabalhar sem influência de poder nenhum, simplesmente, porque é o que sabemos fazer melhor. E esperamos a ressurreição, o ressurgimento, a valorização dessa casa para que nossos filhos tenham orgulho de bater no peito e dizer, aqui em Lucas do Rio Verde, temos saúde, verdadeiramente, de qualidade!
Feliz Páscoa!
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