quinta-feira, 7 de junho de 2012

PERTO DEMAIS DAS CAPITAIS

Nossa cidade é tão pequena e tão ingênua que estamos longe demais das capitais. Nesses versos de Humberto Gessinger, o poeta e letrista compara Porto Alegre a outras capitais, como se esta ainda guardasse a ingenuidade e a paz de uma cidade interiorana. Também, guardada as devidas proporções, comparo Lucas do Rio Verde, pequena, ingênua, a outros lugares até maiores do interior gaucho. Nesses quase 15 anos de morador eu vi as transformações da nossa "ilha de desenvolvimento", plagiando Criconildo, do Jornal Folha Verde, perseguindo o progresso a passos largos e desenfreados, por favor, não me digam planejados, e colhendo rapidamente a passos de ema, o lixo e a escória que o desenvolvimento acelerado trás consigo. Perdoem-me os fanfarrões, os de visão de raios-x, os que enriqueceram fácil e os deslumbrados com os rumos que a cidade tomou. Cresci também e continuo assim, as custas de trabalho. Infelizmente, e ninguém tem culpa disso, quem trabalha muito não tem tempo para ganhar dinheiro nesse país, e aqui não é diferente. É muito bom viver aqui. Parece que estamos fora do Mato Grosso. Tudo aqui é grandioso. O crescimento está nos prédios municipais, nas ruas asfaltadas, no número de moradias construídas, no grande mar de soja, que por vezes troca com o milho, o privilégio de cercar nossa ilha. Mas também nem tudo são flores. O marketing que está na tv, nos jornais e nas revistas pelo país só mostram o lado bom. Não nos condenem. O Rio também comercializa no exterior, pensando nas olímpiadas, apenas o lindo, como se aqui fosse o país das maravilhas. O feio fica escondido, longe dos holofotes, mas para quem mora aqui está por todo o lado.Nos  impostos cobrados que são exacerbados, nos mendigos e drogados que invadem as praças, nos assaltos que nos fazem apressar cada vez mais o passo, no trânsito caótico dos horários de pico, na notícia da tv sem pé e nem cabeça, na falta de mão-de-obra especializada, nas prioridades sem necessidade alguma, nos privilégios de alguns em detrimento de outros. Na verdade, eu já sei as respostas. Nas grandes cidades isso acontece há muito mais tempo, só que nós não ficávamos sabendo. A cidade pode até continuar pequena e ingênua, mas nossa paz e ingenuidade  já acabaram há muito tempo.

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