domingo, 21 de outubro de 2012

DOS DIAS E NOITES (POEMINHA XVIII)

Ando pelas ruas e avenidas
de nossa pequena e não mais ingênua cidade
meus sonhos nascem e morrem
sufocados pelos dias e noites de trabalho
marcados a ferro pela necessidade
e que passam sem dar trégua
Hoje as crianças dividem a praça com mendigos
que se abraçam felizes
como já nao o fizemos com amigos
O mundo aqui está cada vez mais mesquinho,
egoísta e hipócrita e parcial
parece que cortaram mãos e braços
ou apenas  economizamos os abraços
porque ter medo é vital
Sobrevivemos, rimos e choramos de tudo
procurando pontos finais onde não existem
alimentando as vírgulas que nos separam
Aqui o sol e a lua se confundem
e as pessoas são de lugar nenhum
e não sabem o que procuram
e você finge estar bem acompanhado
mas seu coração bate só
em uma cascata de acertos e erros
que nos deixa cada vez mais isolados
O hoje e o amanhã se confundem
atropelando o futuro que não nos pertence
apenas as lágrimas e os sorrisos
 são totalmente nossos, pessoais
Meus amigos se perderam por aí
em alguma estrada ou cidade
pequena e ingênua como um
dia foi a nossa
e desapareceram quando eu mais precisei,
mas novamente grito pois sei
a força do meu braço
e novamente me renovo nos teus carinhos
e saio vivo e forte na manhã desse dia.

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