Na minha cidade tem amigos, amigos
que não se escondem dos perigos
e quando são chamados, amados
vem de todos os lugares, cidades lunares
escondidos em suas ruas, planetas,
redes sociais são lunetas que mostram
suas vidas, suas mortes, suas dores,
o que fazem, o que comem, seus amores.
Em algum lugar eu tenho gente, temente,
que um dia vão brotar de suas sementes
toda tristeza irá embora, na hora
explodindo o mundo em flores, em cores.
Seus sorrisos são cativos, nativos,
mas serão todos ouvidos, cifrados, gargalhados
nos encontros, nos abraços, nos braços
que já estão tão emperrados
por não serem mais usados.
Em algum lugar eu tenho história, história
escondida em algum livro guardado
na estante da memória, memória
com imagens e palavras faladas
que me contam do meu ninho, caminho,
de pai, de mãe e avós, de mulheres respeitadas
de canções nunca gravadas, cantadas,
com as vozes dos meus erros e acertos, apertos,
que na vida eu passei, sorri , chorei
para um dia te ancorar amor, amor puro,
dos poetas e das musas, das sereias e medusas,
dos mares nunca navegados,
e encontrar a paz sonhada.
nos teus braços meu porto seguro.






