Parece que os dias descritos nessa composição estão cada dia mais presentes na vida da gente. Dias em que a rotina e a falta de bom senso imperam e transformam nosso humor em uma roda gigante em questão de minutos.
Enquanto escasseiam alimentos nas prateleiras dos supermercados, devido a paralisação na estrada pelos caminhoneiros, desaparecem a paciência e a tolerância. Não sei se isso acontece com todo mundo, mas parece que quando a coisa está ruim, sempre pode piorar ainda mais.
Deveríamos ter a nossa máquina do tempo ou uma rota de fuga em algum lugar da casa ou da clínica. Em caso de "incêndio" use esta saída! E cairíamos dentro de nossa casa na infância, à mesa de refeições com os pais e irmãos. Conversando sobre o dia, fazendo tarefas ou simplesmente tramando a próxima brincadeira. Que saudade das preoucupações levianas, quando fazíamos o maior drama na chegada das provas e queríamos tirar notas boas para que pais e professores se orgulhassem e ficassem felizes com nosso desempenho. Parecia que tudo tirávamos de "letra". Minha mãe, que na sua simplicidade, de quem havia sido criada apenas para essa vocação maior, ensinava a tabuada como se fosse o melhor matemático do mundo. Nos finais de tarde nos dava banho para esperar meu pai de braços abertos no final do expediente, que chegava cansado, mas sempre com o sorriso no rosto. Meus vizinhos, que eram todos amigos de verdade, arquitetos de sonhos,como eu, faziam planos para o futuro, mas no final das contas, o que valia era estar juntos eternamente.
O tempo passou e os problemas que eram de nossos pais hoje são nossos. Tentar dar o melhor sem saber se estamos realmente fazendo o melhor pelos nossos filhos. Cuidar do trabalho, da harmonia da casa, zelar pelas boas relações e ainda sonhar. Como é difícil!
Meus pais esqueceram de me avisar que crescer e assumir responsabilidades era parar de sonhar. Hoje tento entender e aprender com meu filho essa nova fase da vida. O trabalho suga o nosso melhor porque temos que dar o máximo. E lidar com doenças 24 h acaba adoecendo a nossa alma e por vezes, ficamos
estáticos à frente de pequenos problemas,tais como, uma lâmpada queimada, o motor da piscina que morreu, o telhado que tem goteiras e as fofocas e desconfianças do cotidiano.
Chico tinha razão. Tem dias que a gente se sente partindo ou morrendo, ou desistimos ou damos asas à imaginação e procuramos nossa rota de fuga. Cadê a saída de "incêndio"?
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