quinta-feira, 15 de abril de 2021

PERDIDO EM MEUS PENSAMENTOS























Pensei que a vida fosse doce, 
pastilhas e balas, sonhos de moço,
nada de dor, galopes ao vento,
finais de tarde azuis de sol pôr. 
Pensei que a vida fosse um circo 
trapézios, palhaços, no picadeiro, 
bailarinos, motoqueiros no globo da morte
entregues à sorte, sem saber como lutar. 
Pensei que a amizade fosse sadia
e a competição, uma farsa doentia 
a felicidade, uma questão de tempo, 
mas era só um feliz momento.
Pensei que a chuva fosse garoa
molhando as casas, telhado de zinco, 
o cheiro da terra, os frutos, as flores 
não sabia das enchentes, 
nem da frustração dos amores. 
Pensei que fosse comédia 
risos, abraços, anéis, mãos e laços,
sem culpas, desculpas, promessas desfeitas, 
transbordando nos copos. 
Pensei que aquele amigo que partiu comigo
estivesse bem sorrindo pra vida, em clara euforia
mas que ironia, estava sozinho e doente
vítima de uma epidemia.
Pensei que em nossos caminhos
não houvessem espinhos ou ervas daninhas 
e que as crianças não passassem fome,
nem fossem brinquedos quebrados 
pelas mãos do homem. 
Pensei que o meu trabalho mudasse essa gente, 
abrissem as mentes, que lessem mais livros, 
fossem mais amigos, olhassem o futuro,
pensassem caminhos livres da ignorância,
não deram importância, não é de comer,
não querem pensar apenas sobreviver.
E nesses descaminhos, nesses desgovernos
insisto na vida, galopo sem freio 
peço que meus filhos se tornem iguais
semeando sementes em terra decente 
e colham os frutos, de amor e de paz.

sexta-feira, 9 de abril de 2021

QUEM DIRIA!














 A linha que tracei para minha vida deu um nó

Estava acompanhado e ao mesmo tempo estava só

Perdido em meus caminhos vi tanta gente passar

Pisei em tantos espinhos para tua flor eu ver brotar

E eu, quem diria, cheguei a um lugar

Abri minha mente para enfim te encontrar.

A estrada que segui não percebi alguns sinais

que me mostrassem algo que não fosse apenas caos

A luz que me guiava era mais fraca do que eu

A voz que me falava , minha torre de babel.

E eu, quem diria, achei meu lugar

Tua luz me ilumina

Teu abraço, meu porto final.

quinta-feira, 8 de abril de 2021

POEMINHA DA VOLTA!













 Hoje parei para tomar um mate

ao meu lado, meu amor servia a cuia

Lembrei-me a minha infância,

de outra páscoa

e do medo de enfrentar a aleluia

Das correrias, minhas tardes campesinas

de jogar bola com amigos de toda a vida

da pandorga, que o céu todo coloria

e da prosa das tardes tão compridas

Das festinhas da garagem lá de casa, 

a liturgia preparada com carinho

a timidez da primeira namorada

e as charlas mudas no cochicho das vizinhas.

Hoje distante da família e dos amigos

parece que o pago é em outro planeta

Os descaminhos e os vales percorridos

nos fazem tristes e felizes por sonhar

um dia voltar montado na cauda de um cometa.

Embora o tempo continue em seu galope

e já não tenha mais idade para montar

hoje, mateio com a prenda mais bonita

que no meu rancho escolheu para morar.

Passam-se os anos e a vontade é retornar

para a fronteira que divide o coração

Lá tem família, mãe, irmãos, é meu lugar

levar comigo meu amor e o chimarrão.

domingo, 4 de abril de 2021

SIGA LÁ UMA CANÇÃO

 













Siga lá uma canção 

que fale da vida e da alegria

da vontade de vivê-la

Siga lá a esperança 

de ver terminar essa epidemia,

pandemia, da vacina

dos amigos dessa vida

Olho outros olhos vejo medo

surtam sem saber o que perseguem

tento fazer versos mais bonitos

mas os dias mais bonitos foram embora

Siga lá meu coração

que ainda bate na certeza

de outros dias, outro sóis, outras luas

e encontros, de abraços das pessoas

Olho outros olhos vejo a guerra

guerra invisível que nos leva

A ignorância veste a mente

dos que não plantam sementes

mas querem colher os frutos.