um raio de sol entrou de assalto em minha janelaComo poderia se a noite ainda era breu,
e se os ponteiros do relógio engatinhavam lentamente
longe do romper da aurora?
Tocou meu rosto, adolescente, quase distraído, assustado, por tamanho atrevimento
Meus olhos não acreditaram quando viram
os teus, que brilhavam intensamente, como se
um mar de lágrimas transparentes beijassem
a areia num fim de tarde de um verão qualquer,
como se o brilho de milhares de estrelas
se tornassem um farol guiando minha nau
perdida rumo ao teu olhar.
Dos privilégios que a vida me trouxe
quase que despercebida, trouxe você,
de um jeito louco, anjo caído aqui
não sei de qual céu, feito um querubim
ora alegria tresloucada, ora tristeza sem fim
sorriso com alma, riso sem calma
lábios de uma beleza irriquieta
que beijam os meus, roubando
meus sonhos, meu presente, minha vida
Nada mais pertence a mim,
nem mesmo meu sorriso amarelo
que se escancara de felicidade e
que se fecha na amargura dos substantivos,
quando meu nome substitui a palavra amor
Dos caminhos, nada sei
do futuro, nada sei
porque os caminhos são tua estrada
porque o futuro é incerto
e entre dúvidas e certezas eu vou,
feito um barco sem rumo descendo
a correnteza de um rio com tantos desvios
Uns vão até o mar dos teus olhos,
outros a cachoeiras que verão meu fim
Como perder o medo? Como navegar
em mar tão agitado? Tua beleza me
assusta, inebria, me enlouquece
Não sei o que fazer porque teu brilho
não é meu, tua vida não me pertence
e quanto mais eu navego em tua direção
naufrago em sonhos que só eu sonho,
em fontes que só eu bebo
e depois disso tudo, o dia ainda não nasceu para mim.
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