Estou farto do lirismo comedido, do lirismo bem comportado, dizia Manuel Bandeira em um dos seus poemas mais famosos. Eu também estou farto das perguntas descabidas, dos espíritos de porco, da grosseria sem noção de alguns pacientes e pessoas do meu convívio. Dos políticos feito de promessas nunca compridas, dos impostos desenfreados, da economia burra e eleitoreira de Dilma e do povo asno e preguiçoso que insiste em defendê-la.Acho que meu otimismo tirou férias. A diabetes talvez tenha a ver com isso. Quanto mais doce, mais amargo vão ficando os dias. Moramos em um país estranho, talvez por isso estranha é a cidade em que vivo. Quem pensa ou tenta colocar suas idéias em prática é persona não grata. O privilégio é dos sem função social, dos parasitas, comensais e medíocres. Talvez se deem melhor porque são fáceis de manipular e acabam sendo laranjas de uma árvore que apodreceu faz tempo.
A imprensa impressa ainda tem um pouco de dignidade e coloca a notícia de forma clara e concisa após investigação. A televisiva, com raras exceções, é uma grande piada. Não bastasse um canal de tv com um pseudo-jornalismo, agora são dois. As redes de televisão ficaram entregues a políticos e os escolhidos para ficarem em frente às câmeras são pessoas despreparadas, analfabetas e sem comprometimento com o povo. A "grife" da notícia, diz um deles. Que beleza! Uma grife tão boa quanto o "arrocha" e o funk de Tati Quebra Barraco. Estamos descendo às escadarias do ridículo, até os porões da mediocridade. Por isso acabaram com a graduação de jornalismo, para deixar a escória assumir os veículos de comunicação e apenas noticiar o que lhes convém. Enquanto isso a população sem cérebro e manipulada, se excita com imagens de acidentes e assassinatos mostrados de modo cru e "exclusivo" nos jornais do meio-dia. Nas redes sociais compartilham fotos de abortos, pregam a discriminação e superestimam os pastores de igreja nenhuma. Será mesmo o final dos tempos?
Fico imaginando uma luz no fim do túnel. Já pensei em desistir, ir embora. Largar tudo. Esquecer de que um dia cheguei aqui cheio de sonhos, e que o hospital que eu ajudei a planejar e montar esteja tão mal-tratado. Porque sem direção nem os barcos seguem seu rumo. Vamos perdendo os bons funcionários, os que vestem a camisa, por insegurança, desvalorização. E vão ficando apenas os que não tem nada a perder, os que vivem reclamando de tudo e não se esforçam nem para manter a imagem deles, nem a do local que lhe dá o sustento.
As drogas e a impunidade proliferam como no resto do país. Assim é tudo aqui. E, por fim, acabamos de servir de escudo aos que se julgam mal-tratados, mal-amados, e talvez o sejam. Mas a ignorância, a maldade, a grosseria apenas vão levar ao meu desprezo e indiferença lamentando apenas pelas crianças, que em sua inocência, não tem culpa de nada.
Acho que realmente estou farto de todos os lirismos, ou talvez seja apenas depressão. Mas, se for é de grife.
E assim vamos vivendo, estressados e doces. Sobrevivendo com indignação, mas, ainda com dignidade.
E viva la vida!
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