domingo, 8 de dezembro de 2013

DOIS POEMINHAS FAMÍLIA

A MINHA MÃE!

Você com seus cabelos brancos,
Tão finos que parecem cristais
Prontos para quebrar
Você com essas rugas pela face
Curvas de sapiência,
Caminhos que mostram o quanto você andou
Para chegar aqui
Mulher valente,
Do meu velho, companheira
E quando ele partiu tão cedo
Partiu também seu coração, corpo, alma
Mas, manteve a ternura, a calma
E seus filhos e netos unidos.
O peito continua partido
Porque cacos de amor não colam
A vida segue e o seu mundo também
Não mais se importa se tropece ou caia
Aniversários, domingos, festas,
Esses dias são todos trocados por um único
O dia em que filhos e netos estão

Todos de volta à barra de sua saia.

A MEU PAI!

Entre o dia e a noite
passam-se os anos e eu não mais te vi
Uma dura saudade, uma coisa estranha
que ainda habita em mim
Tua falta me fere
é como uma lâmina em meu coração
Quando meu mundo vira do avesso
te queria por perto com teu lado razão
Passam horas e anos
teus cabelos brancos estão por aqui
Quando olho no espelho
eu não mais me vejo, só vejo a ti
Essa vida que levo é tão louca vida
que o tempo se esvai
Nos sonhos te vejo
não falas comigo, mas sei que és tu, pai.

domingo, 1 de dezembro de 2013

PAUL WALKER E O FILHO DE INGRID

Paul Walker morreu jovem. Não teve tempo de ser um ator consagrado e nem ter feito um filme grandioso. Mas, talvez pela morte estúpida que teve, seu nome está bombando nas redes agora. Talvez passasse a vida inteira fazendo a franquia " Velozes e Furiosos", que pasmem, já estava na sétima, e nunca teria seu nome na calçada da fama.
João Araújo, produtor musical de renome nacional e por coincidência, pai de Cazuza, morreu essa semana também, mas seu nome pouco foi citado. Talvez porque tivesse 78 anos, ou talvez porque a morte foi um simples infarto. Não que eu seja insensível a morte dos dois. Longe disso. Já chorei quando Renato Russo morreu. Ele fazia parte da minha vida. Suas letras foram por mim usadas na elaboração do discurso de formatura de Medicina. O último álbum da Legião Urbana estava tocando no meu carro no dia de sua partida. E eu estava de plantão naquele dia quando a MTV deu a notícia. Acho que naquele dia morria junto parte de uma geração que sonhava com um país melhor.
Mas, escrevo esse post por outro motivo. Quero protestar contra a mídia que só se foca em coisas ruins. Que não tem notícias na cidadela do interior e tem que mostrar a desgraça alheia das outras cidades e da capital. Do sangue que jorra nas casas, favelas, prostíbulos e que volta e meia ocupam a primeira página dos sites e jornais daqui. Não nos contentamos com nossa desgraça e importamos todos os dias o sangue que jorra em outros lugares. Deveríamos ter um jornal para noticiar coisas boas. 
Enquanto Paul morria em um acidente em Los Angeles, um recém-nascido era salvo aqui em outro acidente. Não houve vítimas fatais  é verdade. Não dá notícia. Um simples acidente de carro. Uma vítima gestante. Uma bolsa rota, um descolamento de placenta, uma hemorragia. Um batimento fetal aqui e acolá. Um médico de plantão. Um obstetra com olhos de águia escondido atrás de uns olhinhos puxados de japonês. Uma cirurgia rápida e rasteira.  Ingrid e seu filho foram salvos e passam bem.
Coisas assim acontecem todo o dia, com pessoas incógnitas com atitudes dignas de holofotes, A paciente era sus, e nem sabem se vão receber pelo trabalho. Talvez nenhum "muito obrigado". Deram seu sangue, seu trabalho, sua vida, por um momento como este, redentor, salvador. Nessas horas tenho orgulho da profissão que escolhi, dos colegas que tenho. Desvalorizados, questionados, muitas vezes processados. Desamparados pelo sistema, mas amparados por uma luz muito maior.
Paul Walker e o pai de Cazuza partiram mais cedo. Sorte, destino, estava na hora? Vá saber! O que interessa é que hoje, nesse primeiro de dezembro,  Ingrid e seu filho estão vivos
e bem. O resto, vocês já sabem. Se não sabem é só aguardar a imprensa.
E viva la vida!

quarta-feira, 20 de novembro de 2013

A CIDADE E A PUBLICIDADE! REALIDADE OU FANTASIA?


Fico me perguntando se as matérias jornalísticas que passam nas redes de televisão são pagas pelas prefeituras ou vão para o ar realmente porque são interessantes e dão audiência. Mostrar as riquezas e o crescimento de um município apenas pelo lado bom preocupa. Muito bonito ver a  cidade em que moramos, em cadeia nacional,  mostrada para nossos parentes e amigos espalhados pelo Brasil. Muito feliz ver nosso povo orgulhoso nas redes sociais. A agricultura e a coragem dos desbravadores do sul  realizaram um milagre no coração do Mato Grosso. Fica bem claro isso conhecendo as outras cidades daqui.  A natureza foi pródiga com lugares como Chapada dos Guimarães e Nobres, entre outras, mas os pontos turísticos são mal aproveitados, por serem mal administrados. Os locais onde a pecuária desponta ficou paralisado no tempo e a população colhe pobreza. Acho que é uma característica das cidades pecuaristas, pois no sul do país é igual. Lugares onde a agricultura é forte, brota oportunidades. Vide o norte desse estado. Mas isso me traz à preocupação inicial. Crescemos muito rapidamente. E todo o crescimento desenfreado gera resultados indesejáveis. A matéria, como todas as outras que foram feitas pela grande imprensa nacional refere-se apenas ao sonho realizado, os prédios maravilhosos, a fábrica que trouxe o progresso, os bons salários, a felicidade estampada na cara das pessoas, os projetos que deram certo, o time do interior que conquistou o estado e o país.
Isso é maravilhoso, mas é isso que desejamos? O Luverdense chegou onde está pela determinação e insistência de um sonhador chamado Helmuth Lawisch,  que acreditou que era possível fazer futebol nesse estado tão precário de tudo. O que era para ser um passatempo, virou profissionalismo. O que era para ser uma diversão para esse povo trabalhador, virou uma paixão.
A saúde ainda é "capenga" que nem no resto do Brasil, mas isso não dá ibope. Os PSFs são prédios bonitos, mas ter profissionais dispostos a virem para cá é outra coisa. Nosso hospital vive a realidade dos outros que atendem sus; Está pedindo socorro. O casal feliz da reportagem que comprou carro e casa e trabalham na em uma fábrica de alimentos, é uma exceção. A maioria tem rendimentos pífios e sofrem para se manter em um lugar com alto custo de vida como esse.
Em outra localidade, falaram em cortadores de cana ganhando 4 mil reais. Só esqueceram de citar é que o salário é para o operador de máquinas e não para o que corta e sua, com o facão nas mãos. Ocultaram que aqui os que operam colheitadeiras com ar condicionado e tratores, são mais valorizados e melhor remunerados,  que os professores, que vão educar seus filhos.
Quem conquistou seu quinhão há vinte, trinta anos atrás se mantém forte, mas o profissional que chega hoje aqui não tem como fincar o pé se não lhe derem as condições necessárias para sobreviver, até alcançar sua independência econômica, se é que isso ainda é possível. Luz, água, impostos e aluguéis exorbitantes, além de promessas financeiras não cumpridas, colaboram para que pediatras e outros profissionais liberais não fiquem na cidade e na região.
A riqueza do município se traduz, na realidade, em  uma porta aberta para a pobreza. As drogas, a violência, o álcool, a prostituição sempre estiveram aqui, mas agora, fogem do controle.  Formar médicos, professores, policiais, denota tempo, mas a miséria vem rápida, de todas as partes procurando um lugar digno para moradia.  Basta ver os médicos de Cuba chegando, com sua formação duvidosa, com pouca bagagem, querendo fugir de uma realidade muito pior, buscando apenas o seu lugar ao sol. Precisamos refletir se esse tipo de publicidade é bom para todos, ou apenas para meia dúzia, que almeja subir degraus na política.
E viva la vida!

domingo, 10 de novembro de 2013

POR QUE NÃO HÁ MAIS PEDIATRAS?

As pessoas me perguntam diariamente o porquê dos pediatras não ficarem aqui em Lucas do Rio Verde, já que é uma cidade jovem, com uma população jovem e trabalho não falta.
Estou aqui há quinze anos e já vi passarem por aqui muitos médicos e alguns pediatras.
A família tem parte importante nessa decisão, mas, a promessa de bons contratos que são quebrados logo que os colegas se mudam para cá é a maior causa. Oferecem mundos e fundos quando não tem profissional na área, mas logo, isso muda com a chegada de outros que exercem a mesma especialidade e o que era bom fica sofrível.
Com a pediatria, não é diferente. A população cresce em proporção geométrica e a pobreza, resíduo do progresso sem planejamento, também.
Para início de conversa, ninguém mais quer fazer pediatria. A baixa remuneração e a necessidade de estar constantemente disponível são alguns dos motivos. Estudar 6 anos na faculdade e depois fazer de 2 a 3 anos a especialização, já não é tão atraente. Como todo profissional médico, deve exercer seu juramento e atacar a doença em duas frentes: a curativa e a preventiva. Porém, o tipo de paciente é totalmente diferenciado, não sabendo verbalizar seus sintomas ou verbalizando com dificuldade, fazendo com que o profissional fortaleça seus laços com os mesmos,  se comunicando além das palavras, da fisiologia e do diagnóstico. Carrega consigo as angústias dos pais, dos avós, de todos os que convivem com ele jogando toda essa carga em cima do pediatra.
Exercer essa especialidade é maravilhoso. Trabalhar com pessoas que não sabem ainda apontar seus problemas é difícil, mas ao mesmo tempo, não inventam dores e doenças. Não mentem.
Segundo a OMS, são 18 pediatras para cada 100000 habitantes. Então, teoricamente sobram profissionais. E por que eles não vem para o interior? Porque nos grandes centros, apesar de possuírem  quatro ou cinco empregos, quando acaba o seu turno, ficam tranquilos, já que a  responsabilidade sobre o  paciente é passada para outro colega que entra de plantão no seu lugar.
Isso não acontece nas cidades do interior, como a nossa. O paciente se torna seu eternamente, ou até o dia em que você não pode atendê-lo e seus pais o levam a outro, desistindo dos seus serviços. Pacientes graves, prematuros ou outros que necessitam cuidados intensivos, são de nossa responsabilidade até conseguir um leito em alguma CTI, que todos sabem, é praticamente impossível achar alguma vaga no estado quando precisamos.
Sem o mínimo necessário de recursos, muitas vezes básicos, para o atendimento dos seus pacientes, contratos baratos e não cumpridos, consultas de convênios com preços vis, em uma cidade cara e sem atrativos culturais, não há nada a oferecer que não tenha em outros locais, fazendo com que os poucos que se aventuram, desistirem e voltarem para suas cidades de origem.
Depois de todos esses anos morando e trabalhando aqui,  fica difícil sair e começar tudo de novo. Mas, em domingos como esse, que o tempo parece sonolento, e que a família liga para saber notícias e te falam que estão reunidos, almoçando juntos, você pensa duas vezes.
E viva la vida!


domingo, 3 de novembro de 2013

O FIM DO LIRISMO OU A GRIFE DA DEPRESSÃO

Estou farto do lirismo comedido, do lirismo bem comportado, dizia Manuel Bandeira em um dos seus poemas mais famosos. Eu também estou farto das perguntas descabidas, dos espíritos de porco, da grosseria sem noção de alguns pacientes e pessoas do meu convívio. Dos políticos feito de promessas nunca compridas, dos impostos desenfreados, da economia burra e eleitoreira de Dilma e do povo asno e preguiçoso que insiste em defendê-la.
Acho que meu otimismo tirou férias. A diabetes talvez tenha a ver com isso. Quanto mais doce, mais amargo vão ficando os dias. Moramos em um país estranho, talvez por isso estranha é a cidade em que vivo. Quem pensa ou tenta colocar suas idéias em prática é persona não grata. O privilégio é dos sem função social, dos parasitas, comensais e medíocres. Talvez se deem melhor porque são fáceis de manipular e acabam sendo laranjas de uma árvore que apodreceu faz tempo.
A imprensa impressa ainda tem um pouco de dignidade e coloca a notícia de forma clara e concisa após investigação. A televisiva, com raras exceções, é uma grande piada. Não bastasse um canal de tv com um pseudo-jornalismo, agora são dois. As redes de televisão ficaram entregues a políticos e os escolhidos para ficarem em frente às câmeras são pessoas despreparadas, analfabetas e sem comprometimento com o povo. A "grife" da notícia, diz um deles. Que beleza! Uma grife tão boa quanto o "arrocha" e o funk de Tati Quebra Barraco. Estamos descendo às escadarias do ridículo, até os porões da mediocridade. Por isso acabaram com a graduação de jornalismo, para deixar a escória assumir os veículos de comunicação e apenas noticiar o que lhes convém. Enquanto isso a população sem cérebro e manipulada, se excita com imagens de acidentes e assassinatos mostrados de modo cru e "exclusivo" nos jornais do meio-dia. Nas redes sociais compartilham fotos de abortos, pregam a discriminação e superestimam os pastores de igreja nenhuma. Será mesmo o final dos tempos?
Fico imaginando uma luz no fim do túnel. Já pensei em desistir, ir embora. Largar tudo. Esquecer de que um dia cheguei aqui cheio de sonhos, e que o hospital que eu ajudei a planejar e montar esteja tão mal-tratado. Porque sem direção nem os barcos seguem seu rumo. Vamos perdendo os bons funcionários, os que vestem a camisa, por insegurança, desvalorização. E vão ficando apenas os que não tem nada a perder, os que vivem reclamando de tudo e não se esforçam nem para manter a imagem deles, nem a do local que lhe dá o sustento.
 As drogas e a impunidade proliferam como no resto do país. Assim é tudo aqui. E, por fim, acabamos de servir de escudo aos que se julgam mal-tratados, mal-amados, e talvez o sejam. Mas a ignorância, a maldade, a grosseria  apenas vão levar ao meu desprezo e indiferença lamentando apenas pelas crianças, que em sua inocência, não tem culpa de nada.
Acho que realmente estou farto de todos os lirismos, ou talvez seja apenas depressão. Mas, se for é de grife.
E assim vamos vivendo, estressados e doces. Sobrevivendo com indignação, mas, ainda com dignidade.
E viva la vida!

domingo, 20 de outubro de 2013

A CONFUSÃO DAS PALAVRAS

 Viajando para o sul essa semana, passei tantas horas em aviões e aeroportos que deu tempo para refletir muito. Refletir sobre trabalho, família, amigos e o quanto é difícil ter tudo ao alcance das mãos e, principalmente, do coração. Refletir sobre o dicionário que trazemos dentro de nós e o poder das palavras contidas nele. Em sete dias consegui viver várias emoções. Minha mãe que faria um procedimento de risco e que aos 45 minutos do segundo tempo, o colega percebeu que seria mais arriscado mexer no problema a deixar como está. A gravidade da vida acompanhada pela simplicidade das decisões. O amargo de uma separação em uma família que transforma tudo em um aglomerado de situações que ninguém em sã consciência deseja viver. Queremos mudar a vida de todos, acomodando a nossa maneira. E vem o que chamamos de destino e gira o mundo de todos como se fosse uma roda-gigante. É possível amar as pessoas como se não houvesse amanhã? O dia seguinte está ali do outro lado, impiedosamente nos cobrando cada minuto, cada sorriso e cada lágrima caída no dia anterior. É possível amar todos os que cruzam o nosso caminho? Como manter unidos família, trabalho e ter tempo ainda para rir a toa?
As palavras fluem, se confundem, cobram cada interrogação, cada exclamação jogada ao vento. Benditos os pensamentos que ficam guardados em gavetas lacradas em nossa memória e que não causam estragos na vida de ninguém. A palavra, não. Ela levanta e derruba. Ela aproxima e separa. Constrói e destrói amores, amizades, famílias, sonhos. Como foi bom entrar em uma loja e ser bem atendido! Como foi bom conversar com aquela pessoa que você nem conhecia em uma poltrona de avião! Como explicar para uma adolescente que ninguém é culpado pela separação dos pais? E que a paixão vem sem explicação e quem sabe um dia ela vai passar pela mesma situação.
Todos somos viajantes. Andamos em busca de paz, amor, sucesso. E descobrimos em nossas viagens o quanto é difícil reunir tudo isso e chegar a tão desejada felicidade.
Lembrei agora de uma letra que diz: " Palavras são palavras e a gente nem percebe o que disse sem querer, o que deixou prá depois..." As palavras são assim, transformam nossa vida. Quantas vezes elas nos faltam e nos deixam embasbacados, vivendo situações em que seriam vitais em nossa defesa ou ataque. E quantas vezes somos traídos por elas, nos colocando em situações vexatórias e de saia justa.
Talvez as viagens sirvam para isso também, principalmente, quando partimos sozinho e ficamos na solidão acompanhada de um banco de aeroporto. Perdido em pensamentos, solitário no meio de uma multidão sem fim. Quisera tivesse as palavras certas para toda a ocasião, na alegria e na tristeza. Mas essas também nos fogem quando mais precisamos. Na hora de dizer a vida é assim. Vá em frente! Siga teu caminho que deve ter algo melhor te esperando. Quando casar sara! Ou será que não?
E viva la vida!

domingo, 29 de setembro de 2013

O FIM DA ESPERANÇA, OU O CABO DA ENXADA!

Quantas vezes lemos e ouvimos nas últimos meses, " não é pelos vinte centavos!". O Brasil saiu às ruas e protestou contra o governo e seus desmandos. Agora uso uma frase semelhante para explicar à população que parece não entender a revolta dos médicos brasileiros. " Não é contra os cubanos!"
Como tudo o que é desgraça vira noticia os jornais preferem mostrar os vândalos que gratuitamente geram violência do que as manifestações pacificas, assim, como preferem dar ênfase a meia duzia de médicos que num momento infeliz de raiva acabaram agredindo verbalmente os de Cuba, do que exaltar a briga por melhores condições de trabalho, de respeito no atendimento do povo doente e no sistema falido que o governo liquidou ao longo dos anos e que atende pela alcunha de sus.
A saúde vem sendo explorada durante anos como palanque em época de eleição. Isso porque há anos o governo tomou conta das caixas da previdência e desviou o dinheiro para outros fins, colocando o desenvolvimento e o progresso à frente de tudo, até chegar a este momento trágico em que a corrupção tomou conta de tudo e os impostos pagos vão para os bolsos dos "safados" que elegemos.
Ouço em meu trabalho as mais variadas opiniões. Uns a favor do programa "mais médicos", outros, contra. Tenho uma opinião formada há muito tempo. Nem o meu município que é pequeno tem ouvidos, quanto mais um país tão grande quanto o Brasil.
Quando o conselho federal de medicina decidiu impedir a criação de mais cursos, pensava na qualidade do ensino que começava a cair. E tinha razão. O país que privilegia o analfabetismo nunca valorizou a educação, a ciência, a medicina. Para que se tenham bons profissionais, é preciso que se valorizem os professores, os mestres, os doutores, porque senão teremos medíocres ensinando a outros a serem medíocres. Então, chegamos ao ponto que todos os que tem cérebro, não precisa ter dez dedos nas mãos, ou ser ex-terrorista, sabem  que a educação é tudo. Criando maus médicos, chegamos a uma encruzilhada. Ou ficamos sendo estudantes o resto da vida, sem tomar decisões sobre nossos pacientes ou vamos para os psfs atender tudo e resolver pouco. Não estou querendo polemizar ou generalizando, pois convivo com muitos profissionais bons. Mas, também conheço os outros. Por isso, não sou contra a entrada de cubanos, bolivianos, árabes ou quaisquer outros que escolham o país das maravilhas para trabalhar. Sou contra a esse governo espúrio, ridículo, repito, analfabeto, que quer impor guela abaixo profissionais sem provas de revalidação do diploma, destruindo as categorias e os conselhos responsáveis pelos médicos. Dos jornalistas, já retiraram o diploma, com que intuito senão apenas liberar os políticos a ter veículos de comunicação, sem ônus, valorizando os analfabetos que com o microfone na mão e um gravador ou jornal emitem opiniões que só servem a um grupo que faz política de quinta categoria.
Não sei qual vai ser o nosso futuro, nem o do nosso povo. A culpa não é só do PT. O partido da estrela foi apenas uma grande decepção. O homem nasce bom, o congresso os corrompe. São todos. Lula=Collor= Dilma=Sarney=Zé Dirceu= Silval= qualquer outro que te faz promessa em época de eleição.
Não existem mais milagres! Não existe esperança! A não ser que nasça um louco que feche o congresso. Coloque todos no cabo de uma enxada, ou pague apenas um valor simbólico. Esse filme eu já vi e o final é sempre o mesmo.
V
iva la vida!

domingo, 22 de setembro de 2013

UM PINGO DE SOLIDARIEDADE, É O QUE PRECISAMOS!

Ontem dormi pensando naquele vídeo que tailandês que compartilhei no face. Ser solidário é tudo o que temos de melhor em nossa vida. A música de Milton Nascimento nos diz: " O solidário não quer solidão!" Isso é explicado no seu conceito. Uma ação generosa ou bem intencionada. De qualquer forma, na etmologia da palavra solidariedade, está se referindo a um comportamento onde se unem os destinos de duas ou mais pessoas. Resumindo, não é só prestar ajuda, uma vez que também implica um compromisso com aquele a quem se oferece. Infelizmente, a palavra começou a perder sentido pelo abuso do discurso político e do chamado marketing solidário. É certo que a verdadeira ação solidária consiste em ajudar alguém sem receber nada em troca e sem que ninguém saiba. É na sua essência, ser desinteressado, de não ter segundas intenções. É justiça e igualdade. Então, vocês podem ver como é difícil praticar no sentido mais fiel da palavra.
Meus pais sempre me falavam: "faça o bem sem olhar a quem". Tento trazer isso comigo sempre. Não levar em conta cor, raça, religião. Eles só esqueceram de me falar o quanto é difícil fazer isso.
Lembro de dois episódios em minha infância, A criança guarda muito mais coisas do que a gente imagina. Morávamos há 5 km da cidade e meu pai tinha o único carro da vizinhança, um fusca. Em uma noite fria de Bagé, adoeceu a avó de uma conhecida nossa, porque não éramos amigos, e meu pai na madrugada foi levá-la até o hospital. Na janela da minha casa, de olhos espichados, como qualquer menino que ainda não conhece a doença e a morte, mas que já estudava na terceira série e naquele momento já tinha algum conhecimento do livro texto "Nossa Terra, Nossa Gente!", perguntei a minha mãe. Isso que é solidariedade? E ela me disse, sim, isso é solidariedade. Minha outra lembrança, é que ao lado de nossa casa passava um córrego e quando chovia muito a água transbordava. Não foi uma ou duas madrugadas que vi minha casa cheia de gente, fugindo de suas casas alagadas, molhados na roupa e nos olhos. E minha mãe os recebia com carinho, fazendo café para aquecê-los e dizendo palavras de consolo que o dia seguinte seria melhor. Nunca pediram nada em troca, mas no seu coração ganharam o amor e o respeito daquelas pessoas.
Os tempos mudaram. Hoje fazer solidariedade é praticamente impossível. Vivemos em um mundo de desconfiança e bandidagem que pensamos duas vezes antes de dar um prato de comida ou um ajudar alguém que está precisando de dinheiro para comprar um prato de comida. Então, juntamos comida, roupas usadas e doamos para algumas instiuições consideradas sérias. Falo isso, porque na enchente ocorrida em Santa Catarina há alguns anos quando o Brasil encheu os containers de comida e roupas para ajudar os sobreviventes, foram encontrados meses depois comida estragando e roupas estocadas em algum lugar daquele estado. Esperar por um governo que não dá apoio as suas instituições sérias como as APAES, é esperar por um milagre. Então temos que assumir esse papel que nos compete como cidadão.
O problema é que  ser solidário ao pé da letra, está se tornando
impossível. Temos que fotografar e divulgar o que recolhemos e a quem entregamos para provar aos outros nosso caráter e nossa intenção.
Mas, no resumo de tudo, queremos ser igual a nossos pais. Queremos a essência boa deles e de nossos avós, voltar no tempo de vez em quando e fazer o bem sem olhar a quem. Ser solidário e escapar da solidão.

quinta-feira, 22 de agosto de 2013

A FESTA DE UMA CRIANÇA CHAMADA LUVERDENSE

Não lembro mais da minha festa de 9 anos e nem o que ganhei de presente. Mas, lembro que os familiares e amigos estavam lá, e por mais simples que tudo fosse, meus pais não deixavam passar em branco até porque eu e meu irmão Zeca comemorávamos no mesmo dia. Ontem à noite a cidade onde moro estava em festa. O Luverdense, modesto time da terceira divisão do futebol brasileiro, então com 9 anos de idade ganhou o melhor presente de sua infância, até hoje. Milhares de convidados lotaram o estádio também modesto, mas de um coração tão grande que não cabia mais ninguém dentro dele quando começou a festa. Uma criança com apenas 9 anos de idade, magrinha, esguia, rápida, inteligente e muito mal-criada porque maltratou parte dos convidados em 90 minutos de festejos.  Como esperar uma reação tão surpreendente em uma festa de uma criança quem mal saiu das fraldas e que recém começou a dar os primeiros passos? Talvez a soberba, a superioridade técnica, os salários astronômicos, a imprensa do centro do país que nos faz engolir jogos que não queremos assistir, comentários que ninguém quer ouvir cegaram esses  convidados, que ficaram perplexos diante de uma multidão que também é criança. Que não tem gritos expressivos de guerra, que ainda não sabe nem torcer e se expressar, porque é uma babel de todos os outros times. Porque é uma fraternidade universal de cores, sotaques, gente que como eu ainda bate dentro do peito um coração gaucho e colorado e que vieram povoar essa pequena cidade no centro-oeste do país e que viram essa criança nascer, crescer e começar a fazer mal-criações. Essa multidão verde e branca não se inibiu com os convidados que se intitulam bando de loucos, porque quem fez a loucura tomar conta das nossas cabeças e corações foi aquela criança que corria serelepe e assustada dentro do gramado. Aquela que com 9 anos de idade tratou mal parte dos convidados, que não se intimidou com provocações, com ameaças de já ganhou, de ouvir e ver a semana inteira pelo país que podia ser machucada, massacrada, goleada. A criança de 9 anos presenteou o convidado campeão do mundo com uma derrota inesquecível, histórica e que fará parte para sempre dos livros de futebol desse país, presenteou os familiares com o melhor presente que um time pode dar ao seu torcedor, a vitória sonhada, contra um grande, e transformou, sim, no final daquela festa todos os que a exaltavam em um bando verdadeiro de loucos. Quanto ao futuro, torceremos sempre para que seja saudável e vitorioso.
Parabéns Luverdense! E viva la vida!

domingo, 18 de agosto de 2013

A GANGORRA NOSSA DE CADA DIA

Passamos os dias em uma gangorra. Dias bons e ruins. Começo assim esse meu post porque parece que quanto mais queremos participar da comunidade, quanto mais deixamos nossa casa e nosso trabalho para oferecer um pouco de conhecimento, de experiência, ou simplesmente, como ouvinte, mais nos decepcionamos. Começar a entender o sistema. Todos sabem que para crescer, para se expandir precisamos de sacrifícios. Mas, e quando o sacrificado é a pessoa errada, o cargo errado, a conduta errada, porque o escolhido não tem experiência, não tem direção. Alguém ou algo sairá perdedor. E quando entendemos que o sistema não quer o melhor, que escolhe pessoas ruins, idéias piores e que ainda destrói o que foi erguido com dificuldade, perdemos o estímulo e recuamos para dentro do nosso casulo. Infelizmente o que vemos é que ao assumir um cargo, por menos importância, ou mesmo sabendo que é passageiro, o homem perde a humildade e o raciocínio lógico, se transformando  em uma mistura de vampiro nazista, porque segrega os que lhe questionam, sugando o que tem de melhor  e fascista porque usa da força do cargo para amputar os que pensam e trabalham por mudanças. Ninguém pode assumir decisões sem ouvir as pessoas envolvidas.  A palavra falada sem fundamento, o funcionário demitido sem conhecimento, a retirada de privilégios que apenas vão gerar inconformismos sem soluções práticas. O pior de tudo é você torcer para o time dar certo e o técnico jogar contra. Tentamos entender o indecifrável, o intransponível, a tática sem fundamento teórico. O mundo ignorante que conspira contra as instituições
é o mesmo que a dirige. O mesmo dirigente analfabeto, que enxergava tudo é o mesmo doutor "honoris causa" cego e surdo. Quem tem o microfone e a câmera na mão não sabe soletrar a palavra inconstitucional, apenas grita, saliva, esbraveja e não diz nada, diferente do que tem alguma coisa para acrescentar e não tem voz ativa. A conclusão de tudo isso é que nunca haverá mudanças enquanto as pessoas escolhidas para dirigirem as empresas e instituições não se desnudarem da soberba e não vestirem conhecimento e sensibilidade. Para o bom entendedor é só vestir a carapuça!

sábado, 3 de agosto de 2013

DE HERÓIS E DE HOMENS!

Os meus heróis não morreram todos de overdose, mas os inimigos estão sim no poder. Dá para ver nos escândalos, nos roubos escabrosos, nas licitações estapafúrdias, onde apenas um lado ganha, e não é o nosso. Num mundo praticamente sem heróis, sem Cristos nem Budas, sem Mahatmas ou santos vivos, descobrimos uma luz no fim do túnel. De uma igreja envelhecida, esquálida, retrógrada e intransigente em muitos aspectos, e  que perde suas ovelhas para pastores de Deus nenhum, que adoram o próprio bolso, surge das cinzas um homem,  Jorge Mario Bergoglio, o papa Francisco. Já fora surpresa a abdicação de Bento XVI, coisa que não acontecia na igreja há 700 anos, mas a eleição de um argentino,foi realmente um acontecimento inusitado.
Em um mundo carente de pessoas boas parece que surge alguém preocupado com o povo e com sua igreja. Capaz de transformar antigos dogmas ultrapassados em palavras de esperança.  Já fui católico praticante, de dedicar meu sábado à tarde e noite para preparar a missa, de fazer retiros e participar da liturgia. Com o passar do tempo, fui me decepcionando aos poucos. Os padres, que são seres humanos, viraram políticos, discursando ao invés de pregar, passaram a dar  força para a invasão de terras, sendo que a igreja, dona de imensos territórios  é que deveria dividir suas posses. Esqueceram dos dez mandamentos e do principal deles, amar a Deus sobre todas as coisas. Pecaram dos originais, como homem algum deve pecar e até o pior crime da humanidade alguns cometeram, a pedofilia.
Tudo isso e mais a cobrança de dízimos cobrados para fazer parte da sociedade da igreja católica fizeram com que eu me afastasse cada vez mais. Mas, não fui o único. Milhares de pessoas abandonaram o catolicismo e partiram em busca de paz em outras igrejas e templos. O desespero e a falta de um apoio religioso no cotidiano levou a criação de centenas de pseudos-igrejas e claro de falsos pastores que transformaram a leitura da bíblia, acrescida de gritos e cantos em  investimentos milionários.
Não abandonei a igreja, mas abandonei os templos. Oro todos as noites e agradeço a Deus, o meu dia, a família, os amigos, a profissão que exerço com empenho. Peço para ter forças para suportar cada obstáculo, remover as pedras do caminho magoando o menor número possível de pessoas. Quem sabe, nessa história de heróis, Francisco seja apenas mais um sonhador. Mas ele tem o poder nas mãos e tem Deus ao seu lado. Se tiver vontade e humildade pode mudar tudo, mostrando caminhos que nós desconhecemos para chegar a paz sonhada. O catolicismo andou cego e carente, porque a igreja fechou os olhos para seu povo. Precisamos de heróis humanos, de palavras de alento, de amor de irmãos, mas, principalmente de esperança em uma vida melhor.
 Não prometo voltar às missas dominicais, mas vou tentar crer nos homens de batina novamente, que participem da sociedade distribuindo o pão ao invés de tomá-lo, multiplicando o vinho ao invés dos cofres, abraçando as crianças como benfeitores e não com outras intenções. Que as sandálias de São Francisco, sejam calçada por esses homens que tem o poder de dar esperança a esse povo tão cansado e carente,  que é o nosso.
E viva la vida!

domingo, 7 de julho de 2013

ODE AO PUXA-SAQUISMO

Li muitos artigos e posts sobre as manifestações que tomaram conta do país. Fiquei muito tentado a escrever sobre isso, mas tudo o que eu queria dizer foi dito, em blogs, jornais escritos e falados. Então sobrou pouca coisa. Saio do planalto, passo por Cuiabá e chego a Lucas do Rio Verde, a cidade onde moro, e que muitas vezes não vejo o sol, porque saio de casa na madruga e volto à noite. Uma cidade cheia de índices e prêmios, com prédios públicos maravilhosos; são escolas, psfs, passeios e o paço municipal dignos de uma cidade em desenvolvimento.  E eu me pergunto e vos repasso a pergunta, por que tanta insatisfação com esse paraíso todo? Por que a saúde, a educação, a segurança, são o "calcanhar de Aquiles" aqui também?
Uma das culpas sem dúvida alguma é do governo do estado e do país que sangram os municípios com impostos, assim como, nos parasitam, torcendo nosso pescoço, drenando nosso sangue e nossa vida. Mas sempre falei para os meus amigos mais chegados, e nesses 15 anos morando aqui que quando quisermos arrumar um país, temos que começar pela nossa casa, pela nossa cozinha. Se não soubermos fazer isso não chegaremos a lugar nenhum, mesmo pintando nossos rostos e saindo às ruas com gritos e palavras de  ordem. Por isso temos que apoiar nossos professores, policiais militares e civis e  médicos.
Todos sonhamos com dias melhores, mas que seja para todos, com trabalho e dignidade e não com bolsas-família e marketing multi- nível. Estamos parando de trabalhar para ser parasitas de nós mesmos. Não condeno quem o faz, mas me entristeço com os que fazem empréstimos, dilaceram suas economias, largam seus empregos por um sonho sem alicerce. Mas, o que me despertou hoje para escrever esse post é ler um artigo que revela uma pesquisa feita por dois americanos sobre puxa-saquismo. Eles revelam que você pode ser o mais estudioso, inteligente, esforçado, mas, senão puxar o saco do seu chefe suas chances diminuem muito. Mesmo o chefe analfabeto, burro e sem escrúpulos. O estudo ressalta que não precisa ser o "Tonicão" que aplaude sempre e deseja saúde para quando o chefe for espirrar, mas que você precisa pedir a opinião e elogiar sempre, mesmo que sua atitude seja outra. Chego a resposta que faltava a todas as minhas perguntas. O porquê de mesmo sendo um médico-pediatra competente e dedicando 15 anos à medicina pública, transportando crianças na BR 163, correndo perigo sem ganhar um centavo, fui convidado a me retirar do serviço a partir do momento que eu pedi o que achava que era justo. Esqueci de puxar o saco. Desde que cheguei aqui, sempre me impuseram um lado a escolher, não o do bem ou mal, mas o lado de cá e o de lá.  Escolhi meu lado porque também sou povo, sou um zé ninguém.  As falácias, fadas, gnomos, que surgem em campanhas políticas se afogam em copos de cerveja na primeira noite de comemoração.  Morro como os peixes, pela boca. Não consigo me calar ao ver tanta ignorância e hipocrisia juntas. Tanta falta de bom senso. Tanta gente ruim cercada de gente pior. Morro todos os dias vendo o hospital que ajudei a criar ser alvo de tantos ataques sem conhecimento de causa, de ser sucateado e explorado. Da mistura que fazem do público com o privado. De ter uma administração tão boa de coração e tão ruim de gestão, ficando à mercê de funcionários inúteis e que sobrevivem de falsos elogios e de puxa-saquismo. O triste de tudo é você exigir respeito pelo seu trabalho e ser taxado como "persona não grata", como senão estivesse vestindo a camisa, como se as "organizações tabajara" fosse o melhor para todos.
Espero que todos, da cozinha, à sala de reuniões, que saíram as ruas com seus cartazes, que choraram suas lágrimas por sprays de pimenta e bombas de "efeito amoral".Leiam isso e se lembrem em todas as eleições que vierem. O inimigo é outro. Mas, esse inimigo pode ser você, cada vez que quiser levar vantagem, enriquecer fácil, comprar favores, vender sua vida por um terreno ou uma bolsa-miséria.
 Agora, aqui para nós, temos um coração e uma vontade de ser feliz que ninguém imagina. O poder que mora dentro da gente é muito maior do que eles pensam. Teremos pela frente eleições e podemos unir forças e descartar o mal. E se, o bom se transformar em mau, se o lobo tirar sua fantasia de cordeiro, vamos às ruas novamente e o tiraremos do poder. Porque democracia é isso. Um poder que emana do povo, pelo povo e para o povo. Esquecemos fácil dos nossos direitos quando nossa vida é cheia de deveres. Quanto aos puxa-sacos, que vegetem, parasitem, sequem suas vítimas até a última gota porque tudo muda. Os políticos não são para sempre e os cargos criados por eles também não. Mas, vocês, profissionais médicos, professores, policiais e outros que fazem o melhor pelo povo no dia-dia, são para sempre. E viva la vida!

domingo, 14 de abril de 2013

DE QUE LADO VOCÊ ESTÁ?

Tenho lido muito e escrito pouco. Quando tento escrever penso em quantas pessoas vou atingir com o post. Meço as palavras, escancaro, xingo, extravaso, mas, fico pensando qual o efeito que vou produzir com isso, e muitas vezes, acabo passando o bisturi em meu texto. Quando saio de casa para as poucas reuniões que participo, corpo clínico, associação médica, levo comigo uma singela recomendação da esposa: fique quieto, ouça e não fale o que pode te prejudicar. Agora, eu pergunto a vocês, então, porque sair de casa?
Toda vez que nos calamos concordamos com tudo o que acontece ao nosso redor. Guilherme Arantes cantava:" Se há uma crise lá fora não foi eu que fiz! ". Será mesmo?  Será que temos que ficar calados ouvindo asneiras de pessoas analfabetas politicamente, líderes que teimam em ficar em cima do muro, doentes mentais que usam a bíblia como bucha de canhão para atingir o maior número possível de pessoas ignorantes e despreparadas?
Na infância e na adolescência conhecemos a bíblia, fizemos cursos, cursilhos, retiros espirituais, vestimos Deus em nosso coração com que finalidade, senão, amar aos outros como a si mesmo, respeitar o próximo, ajudar aos outros como fez o "bom samaritano", amar, amar e amar de novo e se me lembro bem, não usar o santo nome de Deus em vão.
Aprendemos a respeitar as outras religiões, as crenças, as cores, a língua e a opção sexual de cada ser humano da terra. O que aconteceu desde então? Nos calamos, entramos para dentro de si mesmos apenas fazendo o básico. Estudamos, exercemos nossa profissão, cuidamos da nossa família, erguemos muros e redomas e nos fechamos para o resto. Só que o resto está aí estampado nos jornais, revistas, na tv, na internet, entrando em nossa casa mexendo conosco porque nós deixamos.
O audio e o vídeo não nos pertencem, mas estão dilacerando nossas vidas, com imagens dantescas, agressões inúteis, pseudo-pastores, mais para vendilhões do templo, políticos e apresentadores que não sabem se comportar na função que exercem. O respeito morreu. A paciência esgotou. A tolerância desceu a níveis impensáveis.
Onde ficaram os padres, os pastores que colocavam a fé do seu rebanho a frente de tudo, das contas bancárias, dos movimentos políticos, do despotismo e da ignorância religiosa total?
Ficamos calados e ajudamos a criar Marcos Felicianos, Lulas Inácios, Josés Dirceus,  Jeans Willis, este último saído de um "reality show" e tantos outros, que enriqueceram às custas da fé e da boa vontade do povo. As igrejas se tornaram franquias e os partidos perderam suas bandeiras, apenas servindo de alcova para os sem serventia.
Hoje somos bombardeados apenas por polêmicas que não nos levam a nada. Tenho raiva de tudo o que leio, de pessoas que defendem esse pastor racista e homofóbico, dos que resolvem assumir sua sexualidade à frente das cameras, quando deveria ser uma coisa normal e tranquila. Raiva das fotos de abortos, assassinatos, que teimam em colocar nas redes sociais pedindo compartilhamento. Fico me perguntando o que isso pode trazer de bom em nossas vidas, senão, asco. Pessoas que colocam a foto de Cristo questionando o porque que você não compartilha. Gente que acende uma vela para Deus e outra para o diabo.
Deus está em nossos corações e é preciso respeito aos outros para que ele permaneça nele. Os pseudo-religiosos esquecem mas eles frequentam apenas templos, porque a igreja meus amigos,
está dentro de nós.
Está passando da hora de escolhermos um lado. Abrirmos os olhos e o coração. O bem e o mal sempre estiveram de mãos dadas desde o início dos tempos. A decisão de escolher só depende de nós. Eu já escolhi o meu lado e você? E viva la vida!

sexta-feira, 22 de março de 2013

QUANTO VALE UMA VIDA

Se somos todos iguais perante Deus, porque tão desiguais em atitudes? Por que uns são tão humanos e outros tão animais? Caminhamos em uma corda bamba sob uma tortura psicológica chamada insegurança. Cada vez mais se fala em combater a pobreza, fome zero, igualdade de condições. Mas, tudo é dado de graça, sem educação, sem formação, sem trabalho e sem caráter. E tudo o que vem sem esforço não é valorizado. Em que fase da vida se define o que vamos ser ? Heróis, bandidos, anônimos. Por que se desvalorizou tanto a vida? Em que período da história os valores familiares foram trocados por armas e pó?  O que faz um adolescente que convive pacificamente com outros, nas escolas, casas noturnas, tirar a vida de outro como se fosse rasgar a folha de um caderno?  Por que uns se esforçam tanto e outros não estão nem aí? Por que roubar se a vida oferece tantos caminhos? As opções para ganhar dinheiro fácil estão cada vez mais salientes, saltando aos olhos pelas redes sociais e no nosso cotidiano.  Tive a sorte de nascer em uma família abençoada. Meu pai suou muito para dar educação e estudos para os filhos, mas nunca lhe faltou esperança e fé na vida. Fiz a faculdade com desafios maiores que muitos de meus colegas, mas consegui. Todos podem. Não é preciso machucar ninguém ou destruir famílias para você se dar bem. Não é preciso cotas para que haja igualdade. Não é preciso bolsas-miséria para que as pessoas sejam dignas. É preciso amor à vida. Um governo correto que saiba valorizar quem trabalha e estuda. Mas como isso é possível se até em cidades pequenas e fáceis de governar o privilégio é dado a quem não vale um tostão furado.
Uma professora gaucha que corrigiu as redações do enem confessou que não há critérios nem para a escolha dos profissionais e nem currículos são exigidos para a correção. Todos são indicados. E o pior de tudo, o governo pediu para fazer vistas grossas na hora da correção, pois, no ano anterior enfrentou vários processos que deram prejuízo ao erário público, como se os calhordas do congresso não saqueassem diariamente nossos bolsos.
Assim caminha a humanidade. Cada vez mais hipócrita e menos humana. Quanto vale uma vida? Até quando vamos ficar de olhos fechados esperando um milagre? Saúde a preço de bananas, jornalismo sem diploma, professores amordaçados, assassinos livres e nós atrás de muros e grades.
Mais um jovem perde a vida, uma pedra jogada, um buraco na estrada, uma overdose, uma facada pelas costas, um tiro sem misericórdia. Nosso mundo virado do avesso. Há de haver uma saída. Nossos filhos merecem muito mais do que damos a eles. Mas, pensando bem como eu gostaria de dar apenas o convívio com os avós, a paz que eu tive, a infância e a adolescência onde os dramas eram apenas um coração partido pela primeira namorada. Sem riscos nem medos, apenas com a certeza de que nossos pais tinham de que seu filho iria voltar para casa no final da tarde.

sábado, 23 de fevereiro de 2013

DOS CAMINHOS E ESCOLHAS DA VIDA

A vida continua cheia de escolhas, mas parece que tem mudado a idade para fazê-las. As decisões estão cada vez mais precoces, mas sem o alicerce firme para tomá-las. As crianças estão deixando cada vez mais cedo as brincadeiras de lado. Essa "adultização" precoce está formando uma multidão de adolescentes tipo" Peter Pan" e "Sininhos".
Nessa correria sem rumo os valores vão sendo trocados por experiências mal-sucedidas na escola, trabalho e vida familiar. A vida nos oferece muitos caminhos, alguns muito fáceis e de final dramático, outros, um pouco mais difíceis, mas com estradas, pontes mais firmes, mesmo que cheios de obstáculos.
Na minha infância não tínhamos muitas escolhas e opções. Éramos quatro. E os tres homens tiveram oportunidade de estudar nas mesmas escolas. As roupas eram compradas em liquidações e eram iguais. Ninguém sabia o que era grife, boutiques, status, ou seja, não havia moda. O caminho inicial foi o mesmo para todos e mesmo sendo filhos dos mesmos pais, criados com o mesmo amor e educação, cada um seguiu um rumo diferente apartir da adolescência. Não lembro qual foi minha primeira escolha importante, mas optar por medicina foi uma delas. O caminho percorrido foi difícil e continua assim. Matamos um leão por dia, mas deitamos à noite com a consciência tranquila.
O que me parece hoje é que com a facilidade das coisas, inverteram- se os valores. Pai e mãe trabalham e não conseguem acompanhar o ritmo dos filhos. Relegam a educação aos professores cobrando apenas o amor que eles não podem dar. Com o bombardeio globalizado de informações em cérebros imaturos os caminhos escolhidos estão sendo os mais fáceis, os mais rápidos e os mais tênues, com final nem sempre agradável. O estudo fica em segundo plano. A leitura, a música, o sexo, tudo é rápido, sem compromisso. No fim das contas niguem tem culpa. Perdemos os valores há muito tempo. O país do faz de conta não produz mais nada de valor. Pense comigo. Qual o último escritor, músico, pintor, autor, que foi destaque e que está nos livros de história? Mudamos a maneira de valorizar a vida ou ela que foi desvalorizando com o tempo? A igualdade proclamada aos quatro cantos pelo governo é do menor valor. Estudar mais já não basta. Ser melhor que os outros na escola não basta. Os governantes analfabetos, e eu ajudei a eleger o "Lulinha paz e amor" tentam formar uma legião com formação igual a deles, muito mais fácil de governar. Desvalorizam a educação formadora dos grandes pensadores, massacrando sonhos e manipulando profissionais de formação pobre em detrimento dos que fazem a diferença.
Os caminhos estão aí cada vez mais fáceis de seguir com suas diversas opções. Aqueles com obstáculos, que nos obrigavam a pensar, estudar, se apaixonar, estão com os dias contados. Ainda há tempo de fazer a diferença. Basta você tomar a decisão certa  e ensinar o melhor caminho para seus filhos. E viva la vida!

sábado, 2 de fevereiro de 2013

O DIA EM QUE SANTA MARIA FEZ O BRASIL CHORAR

É muito fácil falar agora em como deveria ter sido evitada e buscar os culpados para a tragédia que fez Santa Maria e o Brasil chorar. É sempre fácil para quem está de fora questionar e crucificar alguém, porque automaticamente, procuramos um culpado para tudo aquilo que nos foge do controle. Nunca dirigimos nosso carro pensando em um acidente. Confiamos em nós, no carro e jogamos para Deus a responsabilidade da nossa proteção. Dirigimos a 180 e nunca imaginamos um buraco, o estouro de um pneu, um animal atravessando a pista. Porque a vida é assim. Quantas festas foram feitas nessa casa noturna em sua existência, sem que  houvesse qualquer intercorrência?
Lembro das festas que frequentei na faculdade. Sempre lotadas em casas noturnas e casas velhas que estavam caindo aos pedaços, mas nós, em nossa ânsia juvenil nunca percebemos o perigo. Faz parte da adolescência esse sentimento mágico de que o presente está ali para ser vivido, sem medos e com pouco cuidado. Nos anos 80, época mais doce de minha juventude, quando estourava nas rádios o rock nacional éramos apenas felizes. Em Passo Fundo, em uma cidade muito semelhante com Santa Maria, onde a maior indústria é a faculdade, vivíamos realizados. Cursávamos o curso dos nossos sonhos, em uma cidade do interior, pequena, ingênua, mas de um crescimento absurdo. A casa noturna em que o diretório acadêmico e as associações de turma faziam suas festas era um porão. Um local chamado "New Head" onde as janelas eram apenas onde se localizavam os exaustores. Quanto mais gente, melhor era a festa. Nunca pensávamos no pior, fosse uma briga ou algo maior. Bebíamos, confraternizávamos ao som de Talking Heads, Erasure e Pet Shop Boys. Infelizmente, quando acontecem tragédias como essa, nos damos conta da linha tênue que separa a vida da morte.
Nos damos conta de que essa já era uma tragédia anunciada, fosse em Santa Maria ou em tantos outros lugares que vivem lotados e sem a segurança necessária. Vivemos em um país de faz de conta onde a famosa " lei de Gerson", aquela do leve vantagem você também, está em todas as instituições. Todos fazem falcatruas querendo fugir de suas responsabilidades.
Muitos falaram que o que viram era pior que na guerra. Não tem comparação. Na guerra os jovens vão preparados para a morte ou com um fio de esperança de voltarem. Lá, todos estavam se divertindo e nem sonhavam que a festa terminaria daquela maneira. Na guerra, os jovens vão porque são soldados, porque, muitas vezes é o único futuro que tem pela frente, porque alguém mais velho, quer resolver um conflito de uma maneira selvagem e que muitas vezes morrem sem saber porque estão lutando. Lá na boate, os jovens estavam em paz, curtindo a música, os amigos, os flertes com as meninas e os velhos que os levaram para lá estavam em suas casas, em suas cidades, felizes porque, talvez, com muito esforço haviam colocado seus filhos em uma das melhores universidades do Brasil. Lá desapareceram os filhos, os estudantes, a juventude na sua melhor fase da vida,  e os futuros profissionais desse país cada vez mais sem futuro. Lá naquele lugar que era para ser apenas de diversão ficou dilacerado o coração de muitas famílias. Vi sensacionalismo nas tvs, mas vi a solidariedade renascer mais forte daquelas cinzas. Os culpados devem ser punidos, seja pela falta de moral ou descuido ao montar uma casa noturna sem portas de emergência, seja por colocar tanta gente em um espaço que não comportava ou pela ingenuidade ou falta de bom senso da banda que tocava naquele momento e acendeu o estopim daquela tragédia.
Infelizmente, vai continuar morrendo jovens por esse mundo a fora, nas guerras, nas estradas esburacadas, nas drogas, no descaso da política que teima em desvalorizar os bons profissionais em prol dos incompetentes e puxa-sacos.
Mas, nós, cidadãos de bem, seguimos nosso caminho cuidando de nossos filhos, semeando o amanhã na base do amor e da solidariedade e rezando muito para que Deus não permita que quem sonha sonhos bons morra de uma maneira tão cruel e sem sentido.

domingo, 6 de janeiro de 2013

O FIM DO MUNDO OU O FIM DE TUDO QUE NOS FAZ MAL

Os maias erraram. O terceiro segredo de Fátima nos fala "no fim da igreja" e Nostradamus prevê uma terceira guerra mundial. Acho esta mais provável, mas, graças ao bom Deus ainda não tem data. Enquanto alguns esperavam o fim de tudo, outros simplesmente trabalhavam e amavam sem pensar no dia seguinte. O mundo não acabou, então é hora de por fim a algumas coisas. Por fim a tudo o que é negativo em tua vida. Vasculhar as gavetas, os armários e jogar o lixo fora. Esvaziar os bolsos, as estantes, a cabeça e o coração. Temos mais uma chance de nos livrarmos das coisas ruins, dos pensamentos negativos, da maldade que faz vizinhança com a ignorância. É hora de lavar a alma, afastar as pessoas ruins  que nos fazem mal, que jogam com nossa vida como se fossemos peões em um jogo de xadrez. Hora de estabelecermos metas, caminhos positivos e nos libertarmos das regras da sociedade hipócrita e analfabeta que teimam em estabelecer regras apenas para alguns. Por fim ao "puxa-saquismo" descarado de alguns, que para subir um degrau são capazes de puxar o tapete dos outros. Hora de andarmos com nossas próprias pernas, esquecermos da dependência servil da política, que sempre vai nos decepcionar. "O jardim não tem culpa se o jardineiro muda, mas as ervas daninhas permanecem". É hora de trabalhar mais, amar mais, sentir mais, dividir mais e somar menos. Querer mais, brincar mais, jogar bola com os amigos, brindar à vida, abrir, nossa caixa de ferramentas apenas para construir bondade, e nossa casa para deixar o sol entrar.
O fim do mundo não chegou mas tu podes por fim a tudo que te agride, que te faz infeliz, que te faz chorar, que te faz sobreviver em uma cidade estranha com pessoas que não são tuas.
Então, lute pelo teu sucesso, mas não esqueça de sonhar sonhos bons e realizá-los. As pessoas boas precisam de ti. 2013 chegou, então, é hora de renascer!  Viva la vida!