Começo essa postagem usando as palavras do grande compositor mineiro Beto Guedes,: " O medo de amar é o medo de ser livre, livre para o que der e vier, livre para sempre estar onde o justo estiver. O medo de amar é o medo de a todo momento ter de escolher com acerto e precisão a melhor direção."
Temos medo, só que às vezes nos escondemos dentro de nossa armadura imaginária, nos fazendo de fortes ou de loucos e calando nossa voz diante do poder que nos cerca e por vezes nos corrompe, com palavras e com ameaças. E o que era homem ao se sentir ferido, mostra suas garras, abandona o lar, entra numa jaula imaginária e apela com a ignorância, sua arma favorita.
Lembro dos primeiros medos, engolir o chiclete era terrível pelo risco de ficar com " as tripas coladas", cortar as unhas a noite era encurtar os anos de vida da mãe, banho após o almoço jamais, e um dos piores, senão o pior, acordar molhado na cama, primeiro por xixi e mais tarde por polução. Medo e vergonha se a mãe encontrasse a cama molhada. Nesse dia nós arrumávamos os lençóis para a alegria da família e até recebíamos um elogio. Não sabiam que era apenas por medo. Um medo que nunca se concretizou em ações bizarras ou belicosas por parte dos pais, que só nós temíamos.
Crescemos e o medo tornou-se companheiro inseparável. Ele acompanhou as primeiras derrotas no vestibular e as primeiras perdas, o casamento e a separação, o primeiro filho ainda na faculdade, as provas e a insegurança na hora de escolher a especialização, a mudança de cidade e de região e o afastamento das raízes. Acompanhou as transformações de menino em homem e eu descobri que o medo se escancarou quando perdi meu pai, meu alicerce, e me tornei pai novamente, agora com os pés no chão. Agora tudo é meu e peço a Deus todos os dias pelos meus filhos. Para que aprendam a enfrentar o mundo.
Hoje caminho mais tranquilo mas ainda o medo está ali, escondido, de tocaia, esperando um passo em falso, um desafio, um obstáculo, para mostrar suas garras. Quando se caminha sozinho, não se pensa muito nas consequências, mas , quando família, tudo muda de figura. O homem vira menino de novo e fica esperando a mão do pai para se agarrar.
Aprendi com a vida. A coragem e o medo estão ali de mãos dadas, cada qual, esperando a chance de se manifestar. Meu concurso que passei em primeiro lugar e depois joguei fora por pressão e por não saber levar desaforo para casa. A decepção com a direção clínica de um hospital, com colegas despreparados e outros de má índole. A imaturidade de assumir um lado na política em uma terra de coronéis, sendo perseguido ou ignorado pelo outro lado. O medo que assusta é o mesmo medo que nos faz virar gente de novo e crescer. O mundo está aí escancarado a tua frente. Você tem o poder de dizer sim e não, elogiar e criticar, desde que não pise no pé de ninguém. Ignorantes, frequentadores de pequenas igrejas e grandes negócios, bandidos, ladrões e mensaleiros que vendem sua alma assim como os vendilhões do templo. Você pode escolher, o medo ou a coragem, ou ficar em cima do muro como a maioria, indo a favor da corrente, mas sem poder navegar o próprio navio da vida.
" O sol levantou mais cedo e cegou o medo nos olhos de quem foi ver tanta luz...."

dechamos de fazer muitas coisas por medo, msm sem perceber. Eu sou do tipo k faço o k quero mas msm assim deixo d fazer algo k depois me arependo, e é por medo!
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