domingo, 30 de outubro de 2011

SIGLAS NOVAS, PROMESSAS VELHAS!


Para quem gosta de política ou tem planos de ascensão rápida na vida, 2012 está chegando com esperanças renovadas. Para quem trabalha e carrega a nação nas costas sabe que o seu destino está traçado e o melhor que vai acontecer é permanecer com uma carga que compense a sua desvalorização como profissional e ser humano e dê sustento à sua família.
Sonhar com dias melhores depende de cada um de nós enquanto povo. Não podemos ficar na dependência de outros. A escravidão acabou faz tempo. Os feudos e seus senhores também. As oligarquias tentam se manter no poder a qualquer custo e alguns continuam aceitando tudo isso. O bolsa-esmola corre solto aumentando o número de vagabundos pelas ruas. As vagas patrocinadas nas faculdades servem para criar um novo tipo de profissional, o mau. A frase de para-choques de caminhão: " Não dê o peixe e sim, ensine a pescar", não vale mais. Escondemos nossa incompetência como gestores em todas as áreas tentando tapar o sol com a peneira. Na saúde, educação, segurança, são achados subterfúgios para burlar as leis. A impunidade que hoje se observa nas manchetes dos jornais são velhas, amareladas pela sucessão de governos corruptos. A mesmice cansa. Votar nos velhos abutres ou em seus filhotes, cansa.
A mídia promove agora um novo partido, o vigésimo oitavo inscrito no tribunal eleitoral, o PSD ( Partido Social Democrático) e diz que aqui em Mato Grosso já é o maior em filiados. Criado por Kassab, prefeito de São Paulo, propaga aos quatro ventos que já nasce grande. Lembro a vocês que quando o PSDB nasceu em junho de 1988 também surgiu grande. Muitos migraram para a sigla. "Longe das benesses oficiais, mas perto do pulsar das ruas", era o lema. O tempo passou e o resultado foi igual a todos os outros. Os políticos que trocaram para a nova sigla falam em cabeças e idéias novas. Grande falácia! As cabeças são as mesmas e as idéias também. Kassab já trocou várias vezes de legenda, PL, PFL, DEM, até criar um partido que o promova e que sirva para seus interesses, iluminando seu projeto pessoal para 2014. No momento, a nova sigla vai servir de guarda-chuva para os políticos nas eleições municipais de 2012, enquanto isso, por baixo dos panos ele melhora suas bases e vitamina seu ego para as intenções futuras.
Meu povo! Estudamos sobre MDB e ARENA e sabíamos que o primeiro lutava contra a ditadura e o segundo, era a própria. Depois disso vimos um desmanche estatutário e ético sem precedentes. Do PDT, de Brizola, à última esperança de mudar, que foi o PT, a história caminhou e as mudanças não vieram. Então, não venham me dizer que uma nova sigla vai transformar alguma coisa em nossas vidas. Porque a base de tudo isso que é a moral e a ética não mudam. As moscas continuam as mesmas. Então, escondam seus doces e trabalhem honestamente. É o que nos resta. E viva la vida!

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

18 DE OUTUBRO: DIA DO MÉDICO


Comemorar o dia da minha profissão é celebrar a vida. Mas em um período em
que a vida tem cada vez menos valor, fico feliz com as poucas lembranças e agradecimentos nesse dia. Sei que todos foram de coração. Minha mãe ligou cedinho para me parabenizar, esposa, filho e poucos pacientes. Talvez porque é apenas mais uma profissão, ou apenas porque os valores foram invertidos. Volto aos tempos de faculdade e lembro dos meus sonhos de moço e estudante. Do departamento de imprensa do diretório acadêmico, à presidência no ano seguinte. Das brigas por condições melhores de transporte, refeição e melhores professores. Da decisão de seguir a mesma especialização de meu pediatra, sem saber do descaso que iríamos enfrentar no futuro.
O pseudo-socialismo do governo, gera,divulga e defende uma "moral" amoral, que degenera a pessoa humana transformando a vida de alguns à custa de outros, exigindo nosso sacrifício e suor nos sobrecarregando de impostos e outras obrigações, por vezes difíceis de cumprir.
Tento acreditar em dias melhores, em nos libertarmos disso tudo e exercermos a dignidade da nossa profissão.
Continuamos a ser estimulados ao individualismo, cujo único pensamento estreito começa e termina em nós mesmos. O indivíduo é empurrado a conseguir para si o maior número de bens materiais, mesmo que isso signifique pisar no colega ao lado. A qualidade da relação entre os profissionais desce a níveis nuncas antes imaginados. A ética médica é afetada, pois ela é reflexo dos princípios morais prevalentes na sociedade. Quando há um enfraquecimento geral da moral, como a do governo brasileiro, cada qual querendo tirar vantagem dos demais, difícil preservar princípios honestos de conduta em um segmento da população. Os médicos, não sendo melhores, nem piores que os demais sofrem, igualmente as pressões do meio. Já senti na pele o que discorro aqui. Nem todos conseguem ser éticos. Há felizmente, um número considerável de brasileiros, entre os quais muitos médicos, em luta pela reversão disso tudo.
Tudo o que vivemos hoje, origina-se do fato que uma minoria controla direta ou indiretamente os meios de produção e distribuição de bens e tenta manter seus privilégios a qualquer preço, mantendo inalterada a situação na educação, segurança e saúde que são cabides eleitorais todos os anos.
O Brasil continua organizado para satisfazer uma pequena parcela da população; Uns trabalham.Para os demais, bolsas-família servindo como mordaça na luta pela dignidade. O caos continua instalado nas unidades de saúde de todo o país. Se a assistência médica fosse organizada e houvesse valorização dos profissionais, todos os médicos já sairiam da faculdade empregados e não haveria essa carência e essa precariedade em alguns lugares.
Em nossa formação ouvimos que nosso sucesso dependeria do esforço pessoal, da capacidade técnica, do senso do dever e de outras qualidades individuais, mas descobrimos com o passar do tempo que dependemos mais ainda de uma política sem compromisso com a vida. O caminho é longo e precisa de organização social e política que valorize o trabalho acima de tudo.
Ainda assim, meu trabalho é gratificante. A relação de respeito e afeto com os pequenos pacientes faz com que sonhamos com dias melhores. A tarefa de acompanhá-los nessa caminhada procurando ajudá-los a construírem-se como pessoas é ímpar e cativante. Então, poder imaginar um mundo melhor vale suportar as larvas diárias, com a certeza que um dia serão, finalmente, borboletas.
Obrigado a meus pais e aos mestres que me incentivaram na caminhada como médico e principalmente, como ser humano!

domingo, 16 de outubro de 2011

CONGRESSO BRASILEIRO DE PEDIATRIA


Estar participando do congresso brasileiro de pediatria é algo muito bom, e sendo em Salvador, é melhor ainda. Apesar de ser cansativo o ciclo de palestras, e uma correria para entrar em uma sala com algum tema mais interessante, é renovador. Não falo pelas mudanças em condutas ou tratamentos, pois, cada vez menos temos alterações significantes, mas pelo contato com colegas de outros estados e o reencontro com amigos da residência. Estamos em uma fase em que muito pouco se cria e muito se copia. Os laboratórios investem muito em fórmulas já existentes, prometendo sabores diversos que vão agradar nossos pacientes; Alguns apelam para o preço e outros na qualificação e na história de seus produtos. A briga maior fica por conta dos alimentos, os leites, para lactentes e crianças menores. Danone, Nestlé, Abbott, Meadjohnson e outras brigam pelo seu espaço como se fosse cachorro grande. E acho que são mesmo.
Todo o congresso vale por nos fazer recordar de tudo. São temas diversos do nosso cotidiano passando por doenças que existem, mas não fazem parte do dia-dia. O melhor de tudo é que saímos com aquela vontade de estudar mais, saber mais e dedicar mais tempo a vida. O dia do pediatra também foi discutido. A desvalorização, a falta de incentivo, os planos de saúde que nos escravizam e os governos que nos sufocam. Apesar da luta da sociedade brasileira de pediatria pela nossa valorização, não se vê luz no fim do túnel. Conversando com outros colegas, éramos próximos de 6000 no evento, vemos a disparidade de situações e salários. A exploração vem de todos os lados, explicando a todos porque ninguém mais quer fazer pediatria. Muito mais fácil realizar exames como ultra-som que demoram cerca de um minuto para serem realizados, ou fazer qualquer tipo de cirurgia. Propostas de emprego pipocam por todo o lado. Mas os valores, na maioria, vergonhosos, além de ficar na mão de prefeitos e secretários de saúde que não sabem o quanto vao durar em seus cargos.
Ir a este congresso foi como ressuscitar, sair da caverna do ostracismo, e sorrir para o mundo. Renova-se o espírito, e voltamos ao viço da juventude que tínhamos quando saímos da faculdade e da especialização. A vontade é sempre de mudar o mundo e salvar todas as crianças. Pena que a vida é tão desvalorizada. O SUS está morto e esqueceram de enterrar. Cheira mal e não consegue mais se esconder atrás de invenções tapa-furos, as OS, UPAs, PSFs. Os hospitais fechados ou vegetando em UTIs. Essa é a má notícia, mas isso vocês estão cansados de saber. Não adianta prédios ostentando luxo e profissionais desvalorizados. Materiais de procedência discutível e nivelação de todos por baixo. Isso foi muito discutido sem chegar a solução nenhuma. De uma cidade de Minas, com uma população semelhante a nossa, encontrei um colega satisfeito com o que ganha da prefeitura. Os dois pediatras vivem que nem a gente que trabalha aqui, sem tempo para a família e para a própria vida, mas ganham mais que o dobro. Talvez porque o prefeito é pediatra, talvez porque simplesmente tem que ser assim.
Volto renovado, mas com a certeza de que sonhar com melhoras só quando estiver em outro congresso. E viva la vida!

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

A PALAVRA ESCONDIDA


Já falei mais de uma vez que a falta de tempo ou minha desorganização não me deixa escrever o quanto desejaria. Talvez a mesma falta de tempo que faz com que algumas pessoas, escondidas em sua covardia e mediocridade, fiquem tecendo comentários com palavras chulas usando pseudônimos. Não produzem nada, mas criticam quem produz. Esquecem de viver sua vida para viver a vida dos outros. São os noveleiros de plantão. A turma dos que só ficam felizes com a desgraça alheia. Os que mandam bilhetes e e-mails sem assinar. Enquanto tentamos construir uma vida melhor, um lugar melhor para viver, os abutres e os vermes se fecham em si mesmo, ficando com suas palavras em cima do muro, ou pior, atrás dos seus pcs semeando discórdia para colher ódio. Acho condenável escrever em jornais e não se identificar. Confundem liberdade com libertinagem. Todos temos que assumir o que falamos e o que escrevemos. Todos somos passíveis de erros e cometer injustiças com atos e palavras. Alguns até sofrem por ter coragem demais quando falam e outros minguam pois em sua timidez se perdem e não conseguem exprimir nada.
Quando comecei a escrever neste blog até comentei que não sou escritor, jornalista ou qualquer artista das letras. Escrevo por escrever. Por me sentir bem e tenho certeza que não estou machucando qualquer outra pessoa, a não ser eu mesmo quando escrevo meus textos.
Sou feliz quando escrevo, assim como quando estou atendendo uma criança, ou cantando entre amigos.
Esses dias tem sido cansativos demais. Fiquei sozinho na pediatria por tres semanas. Hospital e consultório lotados. Encarei junto com o consulado a festa do Inter. Dei aula de urgência para uma turma de Pós- graduação. E abracei os problemas que qualquer ser humano enfrenta no dia a dia, encarando de frente, assinando e carimbando meu nome embaixo.
Peço a todos que continuem comentando. Só assim poderei saber se estou agradando ou não. Aos analfabetos de coração e que adoram usar adjetivos que só são conhecidos em suas pocilgas sem números ou assinaturas, posso dizer que rezem bastante para logo encontrarem um sentido melhor a sua vida. Ainda dá tempo!