
"...tenho ouvido muitos discos, conversado com pessoas, caminhado meu caminho...Não me peça que eu lhe faça uma canção como se deve, correta, branca, suave, muito limpa, muito leve. Sons, palavras são navalhas e eu não posso cantar como convém, sem querer ferir ninguém..." O grande compositor e poeta Belchior nos presenteou com esses versos nos anos 70 que valem cada vez mais para os dias que estamos vivendo. Continuo caminhando, dialogando com pessoas, ouvindo muitos discos com música de qualidade falando de paz, amor, de dias melhores. Por outro lado somos submetidos todos os dias aos mais diversos barulhos que dizem ser música. Funks com adjetivos de baixo nível fazendo sacudir o esqueleto de meninas pré-adolescentes com shorts tão curtos quanto seus neurônios, as convidando a fazer sexo de maneira casual e aumentando o número de gravidez indesejada e, por consequência, superalimentando a miséria que já vivem.
Em um período em que discutimos, como combater a homofobia nas escolas, em liberação da maconha, assusta a reação que tudo isso pode causar em um povo sem cultura e dependente de tudo. Os alicerces do mundo foram sofrendo abalos cada vez mais profundos, família, igreja, governos, tudo foi consumido pela aridez do cotidiano. As famílias não conseguem mais transmitir os ensinamentos de seus antepassados aos seus filhos, onde amor e respeito valiam mais. A igreja, sinônimo de integridade moral, se perdeu em movimentos politiqueiros e os padres vestem suas batinas apenas para praticar pedofilia, desestimulando os jovens que sonhavam com o sacerdócio. Os governos estão perdidos com seus políticos despreparados e ambiciosos, querendo pregar uma moral de cuecas, cada vez mais colocando impostos nos ombros de quem trabalha dignamente para sustentar os vadios e pobres de espírito.
Caminho mesmo assim nessas ruas asfaltadas pelo progresso que aumentam o calor, cheirando à díesel e gasolina. Respiro esse ar poerento e seco do dia e essas noites com aroma de penas de frango queimadas. Caminho porque caminhar é preciso.
As canções que ouço continuam as mesmas, limpas, claras, com versos e sons corretos, com navalhas, abrindo corações com letras e melodias de fácil entendimento, ferindo apenas os ouvidos daqueles que ficaram surdos pelos insultos sonoros do tempo ou pela falta de oportunidade de sonhar e ouvir algo melhor.
Os jovens brasileiros não se interessam por politica, economia, cultura, estão perdendo seus valores aos poucos, é preciso que os jovens brasileiros comecem a se interessar por eles mesmo e pelo Brasil!
ResponderExcluirpensar é preciso! fugir nao é!
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