
Neste dia primeiro de abril passado, a rede globo, através do seu programa " Globo Repórter" mostrou mais um capítulo de como a saúde pública é tratada neste país. O dia, foi perfeito para o tema apresentado, o da mentira. Parece mentira que algo tão importante seja administrado pelas autoridades com tanto descaso. O mais engraçado em tudo isso é que essa realidade mostrada não é diferente da dos últimos 20 anos. A diferença é que o governo hoje lava as mãos e empurra para o estado, que por sua vez joga para o município a obrigação de cuidar da saúde dos seus habitantes. A invenção dos PSFs(posto de saúde da família) seria tão bom quanto a do sistema único de saúde, se saísse do papel e funcionasse. Os prédios estão em pé, mas não há profissionais competentes ou em número suficiente para ocupá-los. O SUS de hoje é um grande engôdo, que leva à míngua os hospitais, fazendo com que os usuários sejam jogados de um lado para outro, tentando assim evitar fechar suas portas. Os bons médicos não querem mais atender o sistema porque o trabalho é árduo e quase desumano, além de serem mal remunerados, estão mais sujeitos a erros e por conseguinte a processos. Vimos o caos instalado nos atendimentos, enfermarias que parecem sair de filmes-catástrofes, tamanho sofrimento e desorganização. Os médicos tentando escolher os pacientes pela gravidade, mas deixando escorrer por entre seus dedos a vida de uma criança. Profissionais despreparados, irônicos, irresponsáveis em um sistema alquebrado, organizado por políticos sem visão e com idéias saídas da pré-história. A saúde agoniza e o senhor Helvécio Magalhães, secretário nacional de atenção à saúde, fala que a falta de médicos é que é uma das principais questões de saúde pública. Quer aumentar o número desses profissionais como se isso fosse uma solução para todos os problemas. Não sabe ele que basta remunerá-los melhor, dar condições de trabalho e qualificá-los para enfrentar o inferno que eles criaram, que todas as cidades desse país sem direção, teria um profissional cumprindo horário e trabalhando de bom grado pela população. Há hospitais sucateados, os que morrem na planta e os que as plantas tomaram conta. O dinheiro que é desviado para a construção de elefantes brancos e licitações duvidosas, daria para manter profissionais, instituições e uma saúde digna para atender esse escurraçado povo brasileiro.
Fico pensando quantas vezes ainda perderemos pacientes por falta de leitos ou de profissionais de bom nível. Quantas vezes choraremos em frente a tv os descasos do sistema que está aí. Talvez até a hora em que nossas lágrimas sejam pelo nosso paciente ou por alguém mais próximo. Aí será tarde demais.
Meu caro Jaime, faço eco às suas palavras, e digo mais, enquanto os cargos de gestores da saúde pública forem ocupados por pessoas que não são da área, o cáos continuará. Cabides de emprego não combinam com saúde.
ResponderExcluirUm grande abraço cheinho de saudades.
Tia Cata
Esse texto é perfeito...
ResponderExcluirInfelismente essa é realidade da saúde.
So tua fã!
Ju Bom
concordo plenamente!!!!!
ResponderExcluirprecisamos mudar!!!!
nossa saúde está doente!!!!
abraços
Perfeita a colocação!! Nós médicos, independente se ligados ao serviço público ou não, sempre vivemos alguma situação no nosso dia a dia que é resultado do descaso que este país tem com a saúde de seus cidadãos. E ainda por cima somos sempre (no atacado) os culpados pelos problemas que os governantes não querem enfrentar e resolver. Concordo com tudo que voce disse!!!
ResponderExcluirWiston B. Romero
Pediatra