sábado, 18 de julho de 2020

MEMÓRIAS DE AGOSTO
























O vento minuano batendo na janela
entrando pelas frestas da humilde moradia
a lenha crepitando no choro do fogão
no velho rádio, Jaime Caetano fazendo poesia.
O leite apojado subindo na panela
o cheiro do café acordando o tempo
chaleira assoviando a música do dia
meu pai já com a cuia cevando o chimarrão
Lá fora o frio do inverno com o manto da geada
cobrindo a campanha, mudando sua cor
a mãe prepara a mesa e a roupa da piazada
que logo vão pra escola em busca do seu valor.
Lembranças que a memória de guri gravou,
que ficam para sempre e são por toda a vida
A dor e o sofrimento  são pedras no caminho
que pássaros meninos enfrentam pra crescer
não dá mais pra voltarem ao seu velho ninho
pois voam e se perdem na ânsia de viver.
Ah! Se os relógios voltassem suas horas
se o frio de agosto eu sentisse um só instante
família unida pra mais um aniversário
sem dúvida seria o meu melhor presente.
Aqui estou tão longe, perdido em minhas memórias
meu pai se foi tão cedo, deixando sua herança:
ser gente, ser homem, fazer história
ter honra e respeito e a pureza de criança;
Hoje trago  tudo isso em meu coração,
um pouco rude mesclado com ternura
homem, menino, sonho e um pouco de paixão,
pura razão com um gosto de loucura.
Trago esperança de família reunida
com meu amor, minha mãe e meus irmãos
a saudade dos tempos da minha infância
e do meu pai me alcançando um chimarrão

segunda-feira, 13 de julho de 2020

A EPIDEMIA QUE BUSCAMOS

















Eu vi lá no sul, eu vi além mar
algo invisível a nos afastar
Eu vi a emoção, o choro e a dor
pessoas partindo, deixando um amor,
Eu vi a pobreza e a ignorância.
eu vi o poder negando a doença.
Eu vi uma mãe deixar  uma criança
sozinha no mundo, sem sonhos, só dor
se algo restou se chama esperança.
Eu vi o sol se pôr, se pôr para sempre
vi seres de luz ,  apagando de repente.
Eu vi um idoso ficar isolado,
não por querer estar só, mas por ser amado,
Eu vi tanta gente ficando sem ar
buscando por oxigênio ou uma vaga
só para poder respirar.
Eu vi o cansaço no rosto do herói
vestido de branco, salvando tanta gente
Eu vi um lágrima caindo no rosto
molhando sua máscara, chorando o desgosto,
sem saber que também estava doente,
Podemos vencer essa dura luta
agindo com consciência e união
dividindo o mesmo pão prá sobreviver.
Quero acreditar que todos podem cantar
em uma  só voz, a mesma canção,
provocando uma epidemia  de amor e
vacinando com paz  todo coração.
A vida trás mistérios que só mesmo Deus
explica essa fé que agora brota no ateu
A mãe que perde  sua filha
e morre por dentro, minguando a família
sem ter um segundo para dar um adeus.
Corremos atrás de tantos desejos
e hoje queremos apenas abraços e beijos.
Tanto ar, tanto mar, tanto sol, quanta vida
buscamos reencontros, sorrisos e risos,
em pouco tempo, tantas partidas
Saudades dos portos, aeroportos, estrada,
amigos, parentes, de gente da gente.
Podemos alimentar essa guerra ou antecipar seu fim
é só proteger os que te são caros, e a vida, dizer sim
Se hoje plantarmos o amor, podemos sonhar a estação
e esperar o trem que vai chegar
trazendo um belo verão, a primavera em flor
ou a tristeza sem fim.