
O vento minuano batendo na janela
entrando pelas frestas da humilde moradia
a lenha crepitando no choro do fogão
no velho rádio, Jaime Caetano fazendo poesia.
O leite apojado subindo na panela
o cheiro do café acordando o tempo
chaleira assoviando a música do dia
meu pai já com a cuia cevando o chimarrão
Lá fora o frio do inverno com o manto da geada
cobrindo a campanha, mudando sua cor
a mãe prepara a mesa e a roupa da piazada
que logo vão pra escola em busca do seu valor.
Lembranças que a memória de guri gravou,
que ficam para sempre e são por toda a vida
A dor e o sofrimento são pedras no caminho
que pássaros meninos enfrentam pra crescer
não dá mais pra voltarem ao seu velho ninho
pois voam e se perdem na ânsia de viver.
Ah! Se os relógios voltassem suas horas
se o frio de agosto eu sentisse um só instante
família unida pra mais um aniversário
sem dúvida seria o meu melhor presente.
Aqui estou tão longe, perdido em minhas memórias
meu pai se foi tão cedo, deixando sua herança:
ser gente, ser homem, fazer história
ter honra e respeito e a pureza de criança;
Hoje trago tudo isso em meu coração,
um pouco rude mesclado com ternura
homem, menino, sonho e um pouco de paixão,
pura razão com um gosto de loucura.
Trago esperança de família reunida
com meu amor, minha mãe e meus irmãos
a saudade dos tempos da minha infância
e do meu pai me alcançando um chimarrão
