Não lembro mais da minha festa de 9 anos e nem o que ganhei de presente. Mas, lembro que os familiares e amigos estavam lá, e por mais simples que tudo fosse, meus pais não deixavam passar em branco até porque eu e meu irmão Zeca comemorávamos no mesmo dia. Ontem à noite a cidade onde moro estava em festa. O Luverdense, modesto time da terceira divisão do futebol brasileiro, então com 9 anos de idade ganhou o melhor presente de sua infância, até hoje. Milhares de convidados lotaram o estádio também modesto, mas de um coração tão grande que não cabia mais ninguém dentro dele quando começou a festa. Uma criança com apenas 9 anos de idade, magrinha, esguia, rápida, inteligente e muito mal-criada porque maltratou parte dos convidados em 90 minutos de festejos. Como esperar uma reação tão surpreendente em uma festa de uma criança quem mal saiu das fraldas e que recém começou a dar os primeiros passos? Talvez a soberba, a superioridade técnica, os salários astronômicos, a imprensa do centro do país que nos faz engolir jogos que não queremos assistir, comentários que ninguém quer ouvir cegaram esses convidados, que ficaram perplexos diante de uma multidão que também é criança. Que não tem gritos expressivos de guerra, que ainda não sabe nem torcer e se expressar, porque é uma babel de todos os outros times. Porque é uma fraternidade universal de cores, sotaques, gente que como eu ainda bate dentro do peito um coração gaucho e colorado e que vieram povoar essa pequena cidade no centro-oeste do país e que viram essa criança nascer, crescer e começar a fazer mal-criações. Essa multidão verde e branca não se inibiu com os convidados que se intitulam bando de loucos, porque quem fez a loucura tomar conta das nossas cabeças e corações foi aquela criança que corria serelepe e assustada dentro do gramado. Aquela que com 9 anos de idade tratou mal parte dos convidados, que não se intimidou com provocações, com ameaças de já ganhou, de ouvir e ver a semana inteira pelo país que podia ser machucada, massacrada, goleada. A criança de 9 anos presenteou o convidado campeão do mundo com uma derrota inesquecível, histórica e que fará parte para sempre dos livros de futebol desse país, presenteou os familiares com o melhor presente que um time pode dar ao seu torcedor, a vitória sonhada, contra um grande, e transformou, sim, no final daquela festa todos os que a exaltavam em um bando verdadeiro de loucos. Quanto ao futuro, torceremos sempre para que seja saudável e vitorioso.Parabéns Luverdense! E viva la vida!
Excelente texto, Doc... e viva o Luver!!!
ResponderExcluirPARABÉNS Dr Jaime.. E OLHA QUE DE CRIANÇA VOCÊ ENTENDE E MUITO NÃO É?MAS O SEU COMENTÁRIO É A PURA VERDADE.LUVERDENSE É UMA PEQUENA GRANDE CRIANÇA QUE DEIXOU MILHARES DE PESSOAS FELIZES E RINDO A TOA.
ResponderExcluirOBRIGADA POR ESCREVER COISAS TÃO BOAS.
Minha filha tem nove anos e amou o texto.
ResponderExcluirÉ sempre muito bom parar diante de um texto seu e nos deleitar com a leitura de tal...PARABÉNS LUVERDENSE....meu coração Atleticano também bate por você....
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