Queimando tudo, seguindo em frente
o caminho pode ser escuro
se houver um sol dentro da gente.
Viver seguro é indiferente
não há muros e grades
que segurem um coração valente.
Sobraram as cinzas desse vulcão
se não cuidar da sua semente
não haverá frutos noutra estação.
Só não me deixe aqui tão sozinho
não sou tão forte, nem um menino
Só não me deixe viver sozinho
ainda posso ser a luz do seu caminho.
Explodindo tudo
tocando em frente
usando um escudo
protegendo o coração da gente.
Eu quero muito,
eu quero é mais
mas não faço guerra
para conseguir a minha paz.
Só nao me deixe aqui tão sozinho
não sou de vidro, mas posso quebrar
Só não me deixe viver sozinho
não sou perfeito, mas ainda sei amar.
terça-feira, 30 de outubro de 2012
domingo, 28 de outubro de 2012
PEQUENAS COISAS
Trago sempre comigo algo de bom que as pessoas me passam. Pequenas coisas. Paciência, carinho, a lembrança de calar a boca na hora certa. Trago um pedaço de noites mal- dormidas, de dias sem fim, de sonhos que nunca serão realidade, de ruas, países, cantores que estão sempre em mim, mas que nunca conhecerei. Divago muitas vezes nas viagens. Passo por cidades e observo gente que nunca trocarei palavras. Será que são felizes, que tem sonhos ou só vivem pelo prato de comida? Cada vez mais vivemos apenas de viagens introspectivas porque não temos tempo para sair pelo mundo e sentir as pequenas coisas, aquelas que realmente valem a pena. A trilha sem fim das formigas, o lumiar dos vagalumes nas noites de primavera, a estridência do grito das cigarras, o cheiro da bergamota colhida no pé e o café sendo preparado com carinho pela mãe. Pequenas maravilhas que nos acompanharam na infância e início da adolescência. Hoje sigo em frente com passos ora firmes, ora cambaleantes e rio sozinho dos meus pensamentos. Cada vez mais descubro que as pessoas não acreditam fácil na sua palavra e que tu tens que matar mais de dois leões por dia para ver o sorriso dos outros. Não importam mil atos de bondade, mas o tropeço é o que vais ser lembrado. Não importam as doenças diagnosticadas, as crianças salvas. Não atenda o telefone uma vez, cancele uma consulta por doença ou por necessidade e és execrado em praça pública. E onde estão as pequenas coisas? Guardadas em gavetas de armários, escondidas em recordações da infância nos jogos de botão, bolinha de gude, no voo das pandorgas que nós mesmos fazíamos, ou na promessa de um beijo de alguma namoradinha platônica. Talvez nas caixinhas de hipoglicemiantes que não querem mais fazer o efeito esperado. Ah verdes anos! Acho que é lá que estão guardados todos os segredos da felicidade. As pequenas coisas que nos fazem sorrir estão lá, nos passeios de bicicleta, no futebol do campinho que não tinha hora para acabar, no primeiro choque elétrico e na primeira vez que apanhei de cinto. Na amizade sem interesse e nas páginas dos livros emprestados da biblioteca. Hoje sigo em frente com os pés no chão, sabendo que viver bem depende apenas de mim e que meus atos de rebeldia são maduros e certos e que não é qualquer brisa passageira que vai ruir o alicerce que trago em mim.
domingo, 21 de outubro de 2012
DOS DIAS E NOITES (POEMINHA XVIII)
Ando pelas ruas e avenidas
de nossa pequena e não mais ingênua cidade
meus sonhos nascem e morrem
sufocados pelos dias e noites de trabalho
marcados a ferro pela necessidade
e que passam sem dar trégua
Hoje as crianças dividem a praça com mendigos
que se abraçam felizes
como já nao o fizemos com amigos
O mundo aqui está cada vez mais mesquinho,
egoísta e hipócrita e parcial
parece que cortaram mãos e braços
ou apenas economizamos os abraços
porque ter medo é vital
Sobrevivemos, rimos e choramos de tudo
procurando pontos finais onde não existem
alimentando as vírgulas que nos separam
Aqui o sol e a lua se confundem
e as pessoas são de lugar nenhum
e não sabem o que procuram
e você finge estar bem acompanhado
mas seu coração bate só
em uma cascata de acertos e erros
que nos deixa cada vez mais isolados
O hoje e o amanhã se confundem
atropelando o futuro que não nos pertence
apenas as lágrimas e os sorrisos
são totalmente nossos, pessoais
Meus amigos se perderam por aí
em alguma estrada ou cidade
pequena e ingênua como um
dia foi a nossa
e desapareceram quando eu mais precisei,
mas novamente grito pois sei
a força do meu braço
e novamente me renovo nos teus carinhos
e saio vivo e forte na manhã desse dia.
de nossa pequena e não mais ingênua cidade
meus sonhos nascem e morrem
sufocados pelos dias e noites de trabalho
marcados a ferro pela necessidade
e que passam sem dar trégua
Hoje as crianças dividem a praça com mendigos
que se abraçam felizes
como já nao o fizemos com amigos
O mundo aqui está cada vez mais mesquinho,
egoísta e hipócrita e parcial
parece que cortaram mãos e braços
ou apenas economizamos os abraços
porque ter medo é vital
Sobrevivemos, rimos e choramos de tudo
procurando pontos finais onde não existem
alimentando as vírgulas que nos separam
Aqui o sol e a lua se confundem
e as pessoas são de lugar nenhum
e não sabem o que procuram
e você finge estar bem acompanhado
mas seu coração bate só
em uma cascata de acertos e erros
que nos deixa cada vez mais isolados
O hoje e o amanhã se confundem
atropelando o futuro que não nos pertence
apenas as lágrimas e os sorrisos
são totalmente nossos, pessoais
Meus amigos se perderam por aí
em alguma estrada ou cidade
pequena e ingênua como um
dia foi a nossa
e desapareceram quando eu mais precisei,
mas novamente grito pois sei
a força do meu braço
e novamente me renovo nos teus carinhos
e saio vivo e forte na manhã desse dia.
domingo, 14 de outubro de 2012
DOS VALORES DESSA VIDA
De volta às letras! Os dias passam tão rápido que quando tu percebes já passou o mês. Fico feliz pelo término da campanha eleitoral. Apesar da opção de ficar fora sempre sofremos pressão, indo da euforia à depressão por causa do envolvimento dos amigos. Mas, tudo tem um início e um fim. Agora é ficar de olho no projeto vencedor e não só cobrar as promessas, mas, participar para que tudo seja realizado. Nós que trabalhamos com o povo, diariamente, sofríamos um verdadeiro bombardeio de perguntas sobre as propostas mais viáveis e possíveis de acontecer. Sempre falei em todo o percurso que a vitória de um ou outro iria refletir apenas no crescimento e desenvolvimento da cidade. Nós, profissionais liberais, temos é que cuidar do nosso trabalho e de nossa cozinha para que os habitantes que aqui escolherem como moradia, passageira ou definitiva, tenham a saúde necessária para encarar o dia-dia difícil a que o governo nos impõe. Não vou dissertar sobre partidos porque todos já sabem minha opinião. O PT era nossa última esperança e decepcionou a todos. Ops! Menos aos vagabundos que esperam o bolsa isso-aquilo e os parasitas do mensalão. Quanto à pediatria, chegamos no fim do túnel e não existe luz. Basta digitar "vagas para pediatras" no Google e verás o número infinito de cidades precisando de um. Olha-se o valor a ser pago e tu descobres que a pediatria e o palhaço do circo estão no mesmo patamar. O espetáculo faz todos rirem às gargalhadas de felicidade, menos ao profissional. Chegamos ao ponto de ter esta semana 29 crianças internadas, entre recém-nascidos e doentes.Tudo bem que eu estava sozinho. Mas e o consultório e as urgências no hospital? Nem vou falar na família. Esta fica em casa esperando pouca coisa do pai e do esposo. Para quem não sabe dia 21 deste mes acaba os 30 dias do nosso pedido coletivo de demissão do SUS. Somos dois atendendo um município de 50 mil habitantes. E a colega, ainda faz saúde pública. É uma piada. E antes que tu me condenes pela decisão. É muito simples. Não temos mais condições de atender bem a todos. A proposta é óbvia. Pagando bem deixamos o consultório resumido horários pífios e ficamos à disposição do maravilhoso sistema, da piada, que se chama saúde pública a nível de hospital. Temos uma saúde primária razoável aqui no município. E se compararmos com os demais munícipios do Brasil, "bingo!" ganhamos prêmios. Que beleza! Então, tu tens que ter orgulho da saúde daqui. Porque no restante do país não existe saúde. Apenas sujeira, hospitais lotados, pacientes morrendo sem atendimento, e a copa do mundo. Analfabetos ganhando o prêmio Machado de Assis da academia brasileira de letras e os pensadores, os cientistas, professores e profissionais da saúde, desvalorizados, sendo ameaçados, espancados, assassinados. E o governo roubando vergonhosamente. A sociedade brasileira de pediatria, assim como tantas outras instituições, tenta estimular a profissão. Em vão. Não vai ser o aumento de vagas em faculdades que vai fazer com que formem mais pediatras e sim a remuneração digna. O hospital é explorado diariamente pelos munícipes que exigem uma saúde de graça e de qualidade, mas que seria obrigação do governo e não do sangue dos que trabalham lá. Queria estar escrevendo poesia, música, viajando. Mas até a música, a poesia perdeu seu valor em prol do analfabetismo universitário e se houvesse alguma inspiração seria aquela da terceira fase do romantismo. Para quem não lembra, tristeza, tuberculose e suicídio. Viva la vida!
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