segunda-feira, 10 de setembro de 2012

ESPERANDO UM MILAGRE

O tempo passa rapidamente e rouba os dias com ele. Passam coisas boas em companhia das más. Andam juntas, de braços dados, como se precisassem uma da outra. Eu passo também. Passo em pacientes, em pessoas, em anos, como se a rotina do mundo fosse minha, e só minha. Parece não mudar nada. Acordo à noite e volto para casa à noite. Descubro que a noite voltou a ser minha amiga. Faço planos e não consigo colocá-los em prática. Os dias lentos ficam cada dia mais raros e, tristemente, às vezes, prefiro que passem rápidos mesmo, sem me preocupar com o relógio do tempo que não dá trégua a meu corpo. Os cabelos cada vez mais brancos e apesar de meu coração tentar continuar jovem, as agruras, as cobranças, os compartilhamentos imbecis das páginas sociais, o assassinato da língua portuguesa e essa música sertaneja pestilenta e analfabeta faz com que meus sonhos fiquem cada vez mais secos, como os galhos das árvores dessa cidade que moro castigada pela seca e pelo calor. Fico esperando um milagre. Não os milagres de falsos profetas, das igrejas lotadas, dos pastores que devoram o salário de suas ovelhas. Espero o milagre da educação, da cultura, do entendimento. Não das promessas sem valor, dos carinhos sem amor, da fragilidade das coisas. Mas, do discernimento. De saber separar o bem do mal, as promessas sem futuro, da verdade absoluta. De saber que o mundo em que vivemos não foi feito da noite para o dia, e que uma noite de estrela não vai fazer de você uma constelação. Espero o milagre dos teus olhos, desse coração que cheio de esperanças, e que esquece de viver. Desse cérebro que não consegue usar 1% da sua capacidade para coisas simples e boas. Lembro os versos de Oswaldo Montenegro que diz:
" Faça uma lista de grandes amigos, quem você mais via há 10 anos atrás, quantos você ainda vê todo dia, quantos você já naõ encontra mais. Faça uma lista dos sonhos que tinha, quantos você desistiu  de sonhar, quantos amores jurados pra sempre, quantos você conseguiu preservar? Onde você ainda se reconhece, da foto passada, ou no espelho de agora? Hoje é do jeito que você queria, quantos amigos você jogou fora?  Quantos mistérios que vc sondava, quantos você conseguiu entender? Quantos segredos que vc guardava, hoje tão bobos ninguém quer saber. Quantas mentiras vc condenava, quantas vc teve que cometer. Quantos defeitos sanados com o tempo, eram o melhor que havia em você? Quantas canções que você não cantava? Hoje assovia para sobreviver. Quantas pessoas que você amava e hoje acredita que amam você?"
 As coisas acontecem em nossa vida tão rapidamente que acabamos perdendo a essência da maioria delas. Nos preocupamos em adquirir coisas e esquecemos das pessoas que diariamente cruzam nosso caminho. Quando lembramos é tarde demais. Passaram-se os dias, os amigos, os amores, a música, as pessoas de valor, os sonhos. Sobrarão apenas recordações dos bons tempos.
Por isso enfiamos a cara no trabalho e choramos no fim de noite, escondidos em nossa solidão nos perguntando se tudo isso vale a pena. Eu continuarei trabalhando enquanto eu puder. Mas sempre sonhando. Sonhando e esperando um milagre! Viva la vida!

domingo, 2 de setembro de 2012

AS BRIGAS QUE EU PERDI

Faz tanto tempo que não escrevo, muito mesmo, que me sinto candidato a um cargo político, promessa e não cumprimento. Havia prometido escrever com mais frequência e não estou. Meu fim de semana não está dos melhores por causa das palavras. Palavras que usei, que escrevi, que falei. As palavras tem vida própria. Deveriam ter um freio, um "carrinho" violento, algo que soasse como um sino em nossa boca e trancasse nossa via de comunicação.  E as palavras, levam as brigas. Não vou falar por parábolas porque isso ou é coisa de pastor ou é de fanático religioso e eu não me considero nenhum deles. Esse sábado e domingo serviram para meditação. O que um homem, um profissional, um pai tem que fazer para manter sua família unida? Por que as mágoas antigas não se dissipam como as névoas que quando brilha o sol somem para sempre? Por que sempre tem alguém querendo atrapalhar a felicidade dos outros, como se aquilo fosse a salvação da sua alma?  Como tem mau-caráter travestido de bom moço! Estamos vivendo um período eleitoral e vejo o retorno dos lobos em forma de cordeiro, de todos os lados, berrando, oferecendo sua lã, aproximando-se da manjedoura, como se ele fosse a salvação, e não Cristo. Não senhoras e senhores! A salvação está dentro de nós. Depende apenas do nosso trabalho, da nossa consciência, de nossos alicerces. Não podemos vender nossa vida e nossa alma a quem paga mais. Não podemos oferecer nossa família em sacrifício. Não podemos ser escravos de senhores feudais, de padres ou pastores, da mídia analfabeta, de santos de araque ou de multiplicadores de pães. Já temos um governo criador de comensais. Você não precisa mais trabalhar, pois sua esmola está garantida, você não precisa mais estudar porque se for afro-descendente, índio, ou seja lá o que Deus quiser, sua vaga estará garantida na universidade. Você não precisa mais questionar nada, pedir nada, lutar por nada. Está tudo aí, ao seu alcance. As reuniões que tenho participado estão abrindo o baú do passado em minha mente. Afinal, são quinze anos aqui nesta cidade, e muito mais em uma universidade.  Passei por tudo, vi de tudo.  Então não me peçam para assumir um ou outro lado. Assumirei o lado que acho certo na hora certa. Acreditem! Eu já sonhei muito. Magoei e fui magoado. Tentei fazer o melhor para minha classe e não foi o bastante. Na verdade, nunca é o bastante. Por isso hoje me abstenho das organizações de classe, das igrejas, das ongs, de tudo, porque em todos os lugares existem os bons e os maus, e estes, não importa o credo, a cor, estão sempre prontos para "dar o bote" se lhes for conveniente. Perdi e ganhei brigas, como diz a letra da banda mineira Pato Fu. " Pouco adiantou falar palavrão, perder a razão.Eu quis ser eu mesmo, eu quis ser alguém, mas sou como os outros que não são ninguém. Acho que eu fico mesmo diferente quando falo tudo o que sinto realmente. As brigas que ganhei nenhum troféu como lembrança, pra casa eu levei. As brigas que perdi, essas sim, eu nunca esqueci."
Então, meus amigos, que se exaltam nas páginas sociais, que estão transformando seus amigos em pessoas indesejáveis por causa da política ou de amores impossíveis, ergam as mãos para os céus e agradeçam aqueles que realmente vibram com seu crescimento como pessoa.  Quatro anos passam muito rápido. Na verdade tudo passa, mas o amor é o que vai ficar. Viva la vida!