quarta-feira, 27 de junho de 2012

A POLÍTICA E A SIFILÍTICA MANEIRA DE PENSAR

A política brasileira e a sífilis são muito semelhantes. As duas são muito antigas, são doenças que podem ficar latentes por um bom tempo, mas que a qualquer momento podem ter seus sinais e sintomas fazendo estragos. A grande diferença é que uma delas tem tratamento, no caso da sífilis, mas as duas podem deixar sequelas muito graves.
A sífilis faz lesão na pele, nos ossos e em casos graves no coração e no cérebro. A política agride também o coração, mas o seu alvo principal é o cérebro. Lesa a moral, acaba com casamentos, amizades, empregos e principalmente com a ética. Os escrotos políticos brotam de qualquer lugar, sorridentes, solidários, simpáticos, abraçando os "cegos", os sem cultura, as crianças que em sua ignorância infantil sorriam porque os pais pedem, ou choram já sabendo que aquele lá cheira mais que suas fraldas cheias. A patologia da política corrói a alma dos despreparados, dos que colocam os sonhos de que podem contribuir para um mundo melhor na frente de tudo. A doença é antiga que nem a sífilis, e na maioria das vezes o doente não quer a cura. Ele quer continuar vegetando em alguma prefeitura, câmara, parasitando os que trabalham honestamente, arrastando para si os comensais de sempre. Os governos se sucedem, trocas são feitas, para melhor ou para pior, mas os parasitas e seus amigos comensais continuam ali mamando escondidos, sentados em cima dos muros, esperando um milagre econômico, uma dose de penicilina mais forte para continuar desfrutando dos melhores lugares, dos palanques e dos camarotes onde a bebida e comida importadas corre solta e a safadeza também.
Quando temos contato com alguém doente temos que usar de vacinas, imunoglobulinas, evitar o contato direto, mas não o evitamos, tratamos com carinho e com o devido respeito. Na doença da política o enfermo não separa o joio do trigo, recebe todos os contatos de sorriso aberto, diz que vai fazer e acontecer, abalar, mudar, crescer e o resultado é sempre o mesmo. Faz nada em prol da comunidade. Acontece nas redes de televisão e rádio, que por sinal pertencem aos próprios. Abalam as estruturas com escândalos dos mais variados estilos. Mudam de partido como se fosse de roupa e vendem sua alma pelo preço mais alto. Quanto ao crescimento, basta ler os jornais, observar para onde crescem as cidades e a quem pertencem essas áreas, quem vence as licitações e a qualidade das obras que geralmente é de baixa. Basta observar quem cresceu trabalhando e quem enriqueceu parasitando. Milton Nascimento em uma de suas canções disse " já não sonho, hoje faço com meu braço meu viver". Já sonhei muito. Fui presidente de diretório acadêmico e secretário de imprensa. Já participei de passeatas, carreatas, vesti camisetas e adesivei meu carro. Perdi amigos, colegas e pacientes. Vi empresas demitirem seus funcionários por nada, e acreditem, eu já votei no PT. Eu já sonhei com mudanças, e só vi os meus sonhos se tornarem pesadelos. Por isso hoje apenas trabalho, e apesar, desse governo parasitar minha vida com impostos que não acrescem em nada a vida do povo, sonho apenas continuar trabalhando.
Aos meus amigos que se envolveram com a política desejo apenas que sejam honestos consigo e com os outros. Que não se deixem contaminar pelas bactérias velhas. Que aceitem os tratamentos quando lhe forem receitados com a ética e a moral e que não caiam na tentação de usarem a sifilítica maneira de pensar e agir, da velha doença, que é a política.

quinta-feira, 7 de junho de 2012

PERTO DEMAIS DAS CAPITAIS

Nossa cidade é tão pequena e tão ingênua que estamos longe demais das capitais. Nesses versos de Humberto Gessinger, o poeta e letrista compara Porto Alegre a outras capitais, como se esta ainda guardasse a ingenuidade e a paz de uma cidade interiorana. Também, guardada as devidas proporções, comparo Lucas do Rio Verde, pequena, ingênua, a outros lugares até maiores do interior gaucho. Nesses quase 15 anos de morador eu vi as transformações da nossa "ilha de desenvolvimento", plagiando Criconildo, do Jornal Folha Verde, perseguindo o progresso a passos largos e desenfreados, por favor, não me digam planejados, e colhendo rapidamente a passos de ema, o lixo e a escória que o desenvolvimento acelerado trás consigo. Perdoem-me os fanfarrões, os de visão de raios-x, os que enriqueceram fácil e os deslumbrados com os rumos que a cidade tomou. Cresci também e continuo assim, as custas de trabalho. Infelizmente, e ninguém tem culpa disso, quem trabalha muito não tem tempo para ganhar dinheiro nesse país, e aqui não é diferente. É muito bom viver aqui. Parece que estamos fora do Mato Grosso. Tudo aqui é grandioso. O crescimento está nos prédios municipais, nas ruas asfaltadas, no número de moradias construídas, no grande mar de soja, que por vezes troca com o milho, o privilégio de cercar nossa ilha. Mas também nem tudo são flores. O marketing que está na tv, nos jornais e nas revistas pelo país só mostram o lado bom. Não nos condenem. O Rio também comercializa no exterior, pensando nas olímpiadas, apenas o lindo, como se aqui fosse o país das maravilhas. O feio fica escondido, longe dos holofotes, mas para quem mora aqui está por todo o lado.Nos  impostos cobrados que são exacerbados, nos mendigos e drogados que invadem as praças, nos assaltos que nos fazem apressar cada vez mais o passo, no trânsito caótico dos horários de pico, na notícia da tv sem pé e nem cabeça, na falta de mão-de-obra especializada, nas prioridades sem necessidade alguma, nos privilégios de alguns em detrimento de outros. Na verdade, eu já sei as respostas. Nas grandes cidades isso acontece há muito mais tempo, só que nós não ficávamos sabendo. A cidade pode até continuar pequena e ingênua, mas nossa paz e ingenuidade  já acabaram há muito tempo.