
Ano novo, vida velha! De vez em quando perco a vontade de escrever, mas, fico feliz quando a encontro. Desde outubro que não escrevo nada. O tempo voou. Estou de volta. Espero que para ficar. Começo 2012 com um pequeno poema. Então aí vai....
Perdemos o cheiro e o sabor de tudo
lembro muito bem quando o pêssego cheirava pêssego
e a maçã cheirava maçã
e a uva, como era gostoso o cheiro da uva!
Perdeu-se o cheiro e com ele o sabor
Tudo perdeu o gosto.
Estamos perdendo tudo e todos
As letras caem das árvores
podres e solitárias letras
Economizamos palavras, frases,abraços, carinhos
Poupamos nossos hífens, acentos, acenos
Vivemos de vazios, de esconderijos, de subterfúgios,
de reality-shows e tragédias
Nos escondemos atrás de uma tela
Rimos de nós mesmos, de nossas sílabas
antes tônicas, agora, atônitas
Não criamos mais! Copiamos, compartilhamos
Caneta, lápis, giz, obsoletos caem,
assim como caíram os reis absolutos.
Nosso calinho de caligrafia no dedo
foi guilhotinado pelo tempo, por Lamarck
Atrofiamos os dedos, as letras, os neurônios
Restaram as boas lembranças
O cheiro da terra molhada,
o cheiro macio do pão
o orvalho das manhãs
o frio que habitava minha infância
e agora faz parte de mim
A idade nos deixa saudosos, mas,
o relógio da vida não para.
E nesse turbilhão enlouquecido de idéias
vamos sendo carregados
para onde, não sei.
Mas depois de tudo isso só te peço um favor:
devolva- me o cheiro e o sabor das pequenas coisas.
Perfeito!!!
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