sábado, 25 de junho de 2011

CAMINHAR É PRECISO!


"...tenho ouvido muitos discos, conversado com pessoas, caminhado meu caminho...Não me peça que eu lhe faça uma canção como se deve, correta, branca, suave, muito limpa, muito leve. Sons, palavras são navalhas e eu não posso cantar como convém, sem querer ferir ninguém..." O grande compositor e poeta Belchior nos presenteou com esses versos nos anos 70 que valem cada vez mais para os dias que estamos vivendo. Continuo caminhando, dialogando com pessoas, ouvindo muitos discos com música de qualidade falando de paz, amor, de dias melhores. Por outro lado somos submetidos todos os dias aos mais diversos barulhos que dizem ser música. Funks com adjetivos de baixo nível fazendo sacudir o esqueleto de meninas pré-adolescentes com shorts tão curtos quanto seus neurônios, as convidando a fazer sexo de maneira casual e aumentando o número de gravidez indesejada e, por consequência, superalimentando a miséria que já vivem.
Em um período em que discutimos, como combater a homofobia nas escolas, em liberação da maconha, assusta a reação que tudo isso pode causar em um povo sem cultura e dependente de tudo. Os alicerces do mundo foram sofrendo abalos cada vez mais profundos, família, igreja, governos, tudo foi consumido pela aridez do cotidiano. As famílias não conseguem mais transmitir os ensinamentos de seus antepassados aos seus filhos, onde amor e respeito valiam mais. A igreja, sinônimo de integridade moral, se perdeu em movimentos politiqueiros e os padres vestem suas batinas apenas para praticar pedofilia, desestimulando os jovens que sonhavam com o sacerdócio. Os governos estão perdidos com seus políticos despreparados e ambiciosos, querendo pregar uma moral de cuecas, cada vez mais colocando impostos nos ombros de quem trabalha dignamente para sustentar os vadios e pobres de espírito.
Caminho mesmo assim nessas ruas asfaltadas pelo progresso que aumentam o calor, cheirando à díesel e gasolina. Respiro esse ar poerento e seco do dia e essas noites com aroma de penas de frango queimadas. Caminho porque caminhar é preciso.
As canções que ouço continuam as mesmas, limpas, claras, com versos e sons corretos, com navalhas, abrindo corações com letras e melodias de fácil entendimento, ferindo apenas os ouvidos daqueles que ficaram surdos pelos insultos sonoros do tempo ou pela falta de oportunidade de sonhar e ouvir algo melhor.

quinta-feira, 23 de junho de 2011

ABSOLUTO


Hoje assisti o filme Absoluto, o Bi da Libertadores do Inter de Porto Alegre e falo para todos vocês que não tem como não se emocionar. O futebol tem essa mágica, fascina, hipnotiza e transforma homens em crianças. Acabamos rindo à toa, gritando, xingando e lubrificando os olhos como se estivessemos descascando cebolas. Assisti todos os jogos pela tv e tive o privilégio de estar no beira-rio na grande final e sei o que é isso. Já contei para vocês em outro artigo.
O filme retrata a tensão da estréia até a grande final contra o Chivas Guadalajara. Mas o que fascina é o depoimento dos torcedores. Homens e mulheres que largam tudo para acompanhar a paixão pelo time até nos jogos no exterior e olha que é preciso muita coragem para encarar os estádios adversários e seus torcedores fanáticos, principalmente, no Uruguai e na Argentina. O filme nos mostra que para vencer é preciso querer, mas ser competente também. O tempo passa muito rápido e a gente esquece, mas aquela equipe vencedora tinha Sandro, Taison, Guinazu, Dalessandro, jogando muito e o garoto Giuliano que foi decisivo na maioria das partidas.
O coração tem que ser forte para aguentar a pressão exercida de todos os lados. O time que não está bem em uma partida; o gol que não sai quando a equipe massacra o adversário como foi contra o São Paulo em Porto Alegre e o sofrimento que só o apito final acaba.
Ontem, assistindo ao jogo da final deste ano, o Santos foi muito superior e mereceu ficar com a taça, a mesma que tem o nome Internacional por duas vezes gravada ali nos últimos cinco anos. Imaginei a alegria daquela torcida ao descobrir existir vida após Pelé e a emoção que apenas quem vence a libertadores sente no peito. Parabéns ao Santos e a sua torcida, mas absoluto, só há um, o meu Internacional de Porto Alegre.

terça-feira, 7 de junho de 2011

SAÚDE OUTRA VEZ


Vivemos em uma cidade do Brasil e isso diz tudo. Com um desenvolvimento acima da média, Lucas do Rio Verde desabrochou para o mundo, na área da indústria e comércio, proporcionando um inchaço populacional e trazendo junto com o progresso, algumas dificuldades para seus moradores. Mas, aqui também é Brasil e tudo é burocrático, lento e apesar da boa vontade da prefeitura,dependemos da união para mudarmos alguma coisa. Falar em saúde, educação e segurança é sempre o assunto da moda, porque nunca vai ter solução, já que é onde os candidatos conseguem suas bandeiras e promessas de votos para as próximas e todas as outras eleições que virão. A população cresce, mas as faculdades, os hospitais, mão de obra qualificada, não crescem na mesma proporção, nos submetendo à algumas coisas que antes não faziam parte do cotidiano. Investe-se muito em políticos, mas não se investe em políticas de saúde. Não estou falando de tapar o sol com a peneira, e sim, de pagar decentemente os hospitais e os profissionais de saúde.
O SUS é um projeto maravilhoso no papel, mas é uma grande falácia na realidade. Pagar 67 reais por um atendimento de recém-nascido em uma sala-de-parto, é um absurdo! E dizer que até 2 anos atrás o valor era de 25 reais. Repassar perto de 70 reais a um profissional para cuidar de um paciente com pneumonia, independente dos dias de internação, é uma vergonha para quem trabalha e um desrespeito para quem recebe esse cuidado, sem falar do hospital que um a um vai fechando suas portas. Um corte de cabelo, um cartucho de impressora, um buque de rosas vale mais. A vida fica cada vez mais insignificante e perder um paciente por falta de leito em uma UTI ou por excesso de doentes pode se tornar uma rotina dolorosa se não dermos um basta.
Não iremos aumentar os profissionais oferecendo pouco. Morar em uma cidade do interior exige sacrifícios que a grande maioria dos recém-formados não está preparado para enfrentar, sem falar no custo de vida elevado. Desligar-se do cordão umbilical dos professores, dos exames diagnósticos de alta resolutividade, e uma medicina clínica cada vez mais pobre e desvalorizada, faz com que fiquemos, muitas vezes, à mercê de curandeiros, falsos médicos e doutores do nada.
Sendo assim, apesar de muitas vezes sermos obrigados a calar nosso grito, temos obrigação de falar, antes que nossa voz seja arrancada da garganta, aí será tarde demais, e viveremos eternamente mudos, à sombra dos caluniadores e dos pobres de espírito.