sábado, 23 de abril de 2011

PÁSCOA! HORA DE RESSURREIÇÃO!


Mais um domingo de páscoa. Outra vez comemoramos a ressurreição de Cristo e esperamos ressuscitar na companhia dele. Outra páscoa no centro do país. Estar em uma cidade do interior do Mato Grosso é como estar do outro lado do mundo. Não é pela distância da capital ou da sua terra natal, mas por estar tão longe das pessoas que amamos, como se estivessemos em um lugar de línguas e costumes diferentes. Viemos para este lugar não para visitar amigos ou colocar no álbum fotos dos poucos pontos turísticos daqui, mas simplesmente para trabalhar. Somos patrões e escravos. Senhores de nada. Em um país onde quem trabalha mais, menos valorizado é, aqui não foge dos padrões. Somos soldados pedindo esmola! Estamos presos aqui por nossa conta. Quando saí de casa, adolescente, saí atrás do sonho de ser médico e ajudar pessoas. Crianças, principalmente, pois já havia decidido que o caminho a ser seguido seria pediatria. Lembro do orgulho de meu pai e minha família em minha formatura, mas lembro de me ver no espelho me perguntando o que fazer depois. Abandonamos a segurança de nosso lar para conquistarmos o mundo e nossa soberania. Nos tornamos homens e começamos nossa busca incessante por um lugar ao sol e desde cedo descobrimos que competência não é sinônimo de sucesso. Aprendemos que na vida, estudar é necessário, mas não nos ensinam o quanto. Os que perderam noites acabam cedo ou tarde entrando no mesmo barco que aqueles que estudaram o básico para serem aprovados, porque quem emprega não tem conhecimento ou cultura para valorizar o bom e nem separar o joio do trigo. Não nos preparam para estas batalhas de cartas marcadas. Somos educados para trabalhar e cumprir leis e não para entender porque pagamos tantos impostos, porque nosso ganha-pão é submetido à interferência de tanta gente se somos profissionais dito liberais. Todos os dias novos impostos são criados para sustentar viciados, assassinos, ladrões e principalmente a categoria que parasita o país, a classe política. Estudamos para isso. Saímos de casa. Escolhemos o lugar para criar nossos filhos, sonhando com o paraíso. E apenas isso. Nos afastamos do nosso alicerce, que é nossa família. Perdemos avós, pais, amigos pelo caminho, na distância de nossos passos, para isso. Trabalhar e trabalhar. Não vemos o sol nascer e nem se pôr, porque estamos trabalhando. Não! Esta cidade que escolhi não é o paraíso, longe disso. Apenas o sorriso da família é que remove as montanhas e nos faz seguir em frente, em busca da felicidade. Lembro de uma música que dizia " se há uma crise lá fora não fui eu quem fiz" . Será que devemos pensar assim para ser feliz? A vontade às vezes é largar tudo e fugir, mas para onde? Ficamos dependente dessa adrenalina e as pessoas cada vez mais dependentes da gente. Apenas quem está no comando não vê. Coloca todos na mesma vala. Temos que dar um jeito nisso ou vamos acabar engrossando as fileiras dos sem sonhos, que apenas sobrevivem das esmolas dadas pelo governo. Ainda bem que todo o ano Cristo volta para ressuscitar nossa vontade, sonhos e perseverança. É a páscoa que nos faz seguir em frente. Então abram seus corações e feliz páscoa a todos!

segunda-feira, 4 de abril de 2011

SAÚDE NO PRIMEIRO DE ABRIL: A GRANDE MENTIRA




Neste dia primeiro de abril passado, a rede globo, através do seu programa " Globo Repórter" mostrou mais um capítulo de como a saúde pública é tratada neste país. O dia, foi perfeito para o tema apresentado, o da mentira. Parece mentira que algo tão importante seja administrado pelas autoridades com tanto descaso. O mais engraçado em tudo isso é que essa realidade mostrada não é diferente da dos últimos 20 anos. A diferença é que o governo hoje lava as mãos e empurra para o estado, que por sua vez joga para o município a obrigação de cuidar da saúde dos seus habitantes. A invenção dos PSFs(posto de saúde da família) seria tão bom quanto a do sistema único de saúde, se saísse do papel e funcionasse. Os prédios estão em pé, mas não há profissionais competentes ou em número suficiente para ocupá-los. O SUS de hoje é um grande engôdo, que leva à míngua os hospitais, fazendo com que os usuários sejam jogados de um lado para outro, tentando assim evitar fechar suas portas. Os bons médicos não querem mais atender o sistema porque o trabalho é árduo e quase desumano, além de serem mal remunerados, estão mais sujeitos a erros e por conseguinte a processos. Vimos o caos instalado nos atendimentos, enfermarias que parecem sair de filmes-catástrofes, tamanho sofrimento e desorganização. Os médicos tentando escolher os pacientes pela gravidade, mas deixando escorrer por entre seus dedos a vida de uma criança. Profissionais despreparados, irônicos, irresponsáveis em um sistema alquebrado, organizado por políticos sem visão e com idéias saídas da pré-história. A saúde agoniza e o senhor Helvécio Magalhães, secretário nacional de atenção à saúde, fala que a falta de médicos é que é uma das principais questões de saúde pública. Quer aumentar o número desses profissionais como se isso fosse uma solução para todos os problemas. Não sabe ele que basta remunerá-los melhor, dar condições de trabalho e qualificá-los para enfrentar o inferno que eles criaram, que todas as cidades desse país sem direção, teria um profissional cumprindo horário e trabalhando de bom grado pela população. Há hospitais sucateados, os que morrem na planta e os que as plantas tomaram conta. O dinheiro que é desviado para a construção de elefantes brancos e licitações duvidosas, daria para manter profissionais, instituições e uma saúde digna para atender esse escurraçado povo brasileiro.
Fico pensando quantas vezes ainda perderemos pacientes por falta de leitos ou de profissionais de bom nível. Quantas vezes choraremos em frente a tv os descasos do sistema que está aí. Talvez até a hora em que nossas lágrimas sejam pelo nosso paciente ou por alguém mais próximo. Aí será tarde demais.