Estou de volta ao trabalho. Gostaria de escrever todos os dias, mas o cotidiano acaba matando as idéias e meu espírito rebelde vai ficando cada vez mais domado. A cada dia que passa parece que vamos esquecendo dos nossos sonhos e deixando para trás o empreendedor e guerreiro que havia dentro da gente. O dia-dia é assim, cruel, egoísta e mata nossa vontade de querer mais, ser mais. Somos escravos de nós mesmos, pois concordamos com tudo o que nos cerca. Somos apenas números nesse mundo que vivemos. Vejam pela nossa cozinha ou nossa cidade, como queiram chamar. Há 13 anos quando cheguei não possuia mais que 14 mil habitantes. As pessoas pareciam mais felizes e o máximo de maldade eram as fofocas que livremente fluíam pelas vizinhas sem porvir ou nos salões de beleza. Hoje são mais de 40 mil pessoas, buscando um lugar ao sol que brilha apenas para poucos. O local perdeu sua magia, seu entusiasmo adolescente e sua integridade moral que só os pequenos municípios tem. Toda a semana a polícia prende pelo menos 10 pessoas com alguma relação com o tráfico e na mesma semana a grande maioria está de volta às ruas por serem menores. Aumentaram os roubos, as agressões, o desrespeito. Desapareceram as expectativas de prosperidade e vida estável.
Está certo. Você está me achando pessimista. Também sinto isso. Mas quanto mais passam os anos mais eu vejo que os hipócritas, puxa-sacos e maus profissionais é que se dão bem. Estamos cada vez mais sós, mais presos em nosso trabalho e mais introspectivos. Como cantava Renato Russo: " Os assassinos estão livres, nós não estamos".
