Lembro da minha infância e da importância de setembro nela. Um mes antes já começavamos a ensaiar para o desfile do dia 7. Todos os dias tinhamos pelo menos dois períodos da aula para o ensaio. Marchávamos como militares ao som da banda marcial do colégio e éramos cobrados na postura, no alinhamento e nas gracinhas que sempre alguém teimava em fazer. Na época sobrava orgulho em representar a escola e homenagear a independência. Talvez o orgulho em relação ao Brasil fosse forçado, reprimido, imposto, mas não tinhamos nenhuma noção que as pessoas morriam e desapareciam na escuridão dos porões da polícia do governo. Apenas amávamos o país e pronto. Brasil, ame-o ou deixe-o! Era o lema a ser seguido e nós acreditávamos nesse amor sem saber realmente o seu significado. Com o passar dos anos descobrimos que muitas dessas pessoas que deixaram o país, o amavam mais que os senhores que inventaram a frase. Uma vez o presidente Emílio Médici foi visitar sua terra natal, por coincidência, minha também e eu estava mal, febril, mas estava lá de bandeirinha na mão esperando aquele que mais tarde eu descobriria que era um dos chefes dos carrascos da ditadura. Quase desmaiei de febre, mas estava orgulhoso demais para isso. Outra lembrança boa era a banda do colégio, a melhor banda da cidade, que fazia evoluções enquanto tocava clássicos da música popular e suas balizas dançavam e faziam evoluções. Era platonicamente apaixonado por uma delas e ainda tinha minha prima que era mascote e que eu fazia questão de acompanhar.
Bons tempos! Mas o melhor da festa era a chegada do vinte de setembro na comemoração da revolução farroupilha, onde loucos como Bento Gonçalves, Giuseppe Garibaldi e outros, sonharam com um estado independente e sem os impostos cobrados pela união. Dessa data temos um orgulho que ultrapassa as fronteiras e o que é interessante, o Rio Grande ainda sofre com a falta de emprego e muitas cidades vivem em uma pobreza absoluta e, mesmo assim, continua cultivando sua tradição e comemorando este dia como se realmente tivesse ocorrido uma vitória e mudado os rumos da história.
Os tempos mudaram! As datas continuam as mesmas, mas as comemorações perderam o sentido. As escolas apenas tentam manter o respeito à pátria fazendo algumas homenagens. As crianças caminham e nao desfilam e não há mais o sorriso nos lábios, apenas a obrigação de estar naquele local representando sua escola. Os maus políticos mataram o espírito patriótico com suas falcatruas, escândalos, roubos e falsas promessas de um Brasil melhor. Hoje cada um defende o seu e o povo já aprendeu isso, visto o número de pessoas despreparadas candidatas a uma vaga na assembléia. Tudo virou uma brincadeira. A primeira mulher a ser presidente da república poderia ser uma pessoa mais brilhante, sensata e humana e a oposição deveria ser um pouco mais inteligente, já que José Serra não tem empatia nenhuma para enfrentar qualquer um, quanto mais alguém manipulado pelo simpático e destemido presidente Lula.
Quem sabe daqui a alguns anos surja um movimento novo baseado na justiça, no bem comum e na valorização da educação e do trabalho. Aí sim, nossos filhos e netos poderão voltar a exaltar com orgulho os símbolos e os heróis desse amado país e esperar um novo setembro.
terça-feira, 7 de setembro de 2010
QUANDO SETEMBRO VOLTAR
Lembro da minha infância e da importância de setembro nela. Um mes antes já começavamos a ensaiar para o desfile do dia 7. Todos os dias tinhamos pelo menos dois períodos da aula para o ensaio. Marchávamos como militares ao som da banda marcial do colégio e éramos cobrados na postura, no alinhamento e nas gracinhas que sempre alguém teimava em fazer. Na época sobrava orgulho em representar a escola e homenagear a independência. Talvez o orgulho em relação ao Brasil fosse forçado, reprimido, imposto, mas não tinhamos nenhuma noção que as pessoas morriam e desapareciam na escuridão dos porões da polícia do governo. Apenas amávamos o país e pronto. Brasil, ame-o ou deixe-o! Era o lema a ser seguido e nós acreditávamos nesse amor sem saber realmente o seu significado. Com o passar dos anos descobrimos que muitas dessas pessoas que deixaram o país, o amavam mais que os senhores que inventaram a frase. Uma vez o presidente Emílio Médici foi visitar sua terra natal, por coincidência, minha também e eu estava mal, febril, mas estava lá de bandeirinha na mão esperando aquele que mais tarde eu descobriria que era um dos chefes dos carrascos da ditadura. Quase desmaiei de febre, mas estava orgulhoso demais para isso. Outra lembrança boa era a banda do colégio, a melhor banda da cidade, que fazia evoluções enquanto tocava clássicos da música popular e suas balizas dançavam e faziam evoluções. Era platonicamente apaixonado por uma delas e ainda tinha minha prima que era mascote e que eu fazia questão de acompanhar.
Bons tempos! Mas o melhor da festa era a chegada do vinte de setembro na comemoração da revolução farroupilha, onde loucos como Bento Gonçalves, Giuseppe Garibaldi e outros, sonharam com um estado independente e sem os impostos cobrados pela união. Dessa data temos um orgulho que ultrapassa as fronteiras e o que é interessante, o Rio Grande ainda sofre com a falta de emprego e muitas cidades vivem em uma pobreza absoluta e, mesmo assim, continua cultivando sua tradição e comemorando este dia como se realmente tivesse ocorrido uma vitória e mudado os rumos da história.
Os tempos mudaram! As datas continuam as mesmas, mas as comemorações perderam o sentido. As escolas apenas tentam manter o respeito à pátria fazendo algumas homenagens. As crianças caminham e nao desfilam e não há mais o sorriso nos lábios, apenas a obrigação de estar naquele local representando sua escola. Os maus políticos mataram o espírito patriótico com suas falcatruas, escândalos, roubos e falsas promessas de um Brasil melhor. Hoje cada um defende o seu e o povo já aprendeu isso, visto o número de pessoas despreparadas candidatas a uma vaga na assembléia. Tudo virou uma brincadeira. A primeira mulher a ser presidente da república poderia ser uma pessoa mais brilhante, sensata e humana e a oposição deveria ser um pouco mais inteligente, já que José Serra não tem empatia nenhuma para enfrentar qualquer um, quanto mais alguém manipulado pelo simpático e destemido presidente Lula.
Quem sabe daqui a alguns anos surja um movimento novo baseado na justiça, no bem comum e na valorização da educação e do trabalho. Aí sim, nossos filhos e netos poderão voltar a exaltar com orgulho os símbolos e os heróis desse amado país e esperar um novo setembro.
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Oi Jaime, fiquei contente por me mandares o endereço de teu blog.
ResponderExcluirLendo o que escreveste sobre setembro,e também com o impacto da foto do Auxiliadora, me reportei a um tempo, com lembranças tão boas mas que parece que assisti num filme ou li em algum livro. Talvez por ter perdido o contato com as pessoas que compartilhei os bons momentos daquela época.
Lembrei do Lino nos chamando para fila com o clarim, das quintas-feiras onde cantávamos os hinos da escola e nacional. Do Médici visitando Bagé e eu também com uma bandeirinha na esquina da prefeitura...
Bom, agora que aqueci minha memória, poderia enumerar tantos outros fatos inusitados,que alías, só quem viveu a adolescência em Bagé, na década de 70,pode saber.
Que bom que me proporcionaste este momento de pensar em um tempo tão distante. A memória afetiva nos prega peças mesmo...rsrsr.
Bom, vamos conversando, na medida que o tempo cronos nos permite.
Abração,
Andrea
Que bom que tu lestes Andrea! Saudades dos bons tempos. Sempre lembro de vc, pequena e inteligente. Bj e abraço!
ResponderExcluirQuerido Irmão, como é bom refletir sobre os teus textos..."Os tempos mudaram! As datas continuam as mesmas". Lembrei agora do Renato mais Brasil do que Russo: "Não tenho medo do escuro...Mas deixe as luzes acesas".
ResponderExcluirCheguei em Bagé em 1977, e fui cursar a 6 série. No começo foi difícil morar num lugar tão distante de tudo, mas perto demais da amizade dos filhos do Seu Valdir e da Dona Edênia, que tornaram a adaptação mais fácil.
Meu irmão Alexandre e eu fomos privilegiados, pois sem saber, ganhamos os irmãos Jaime, Cláudio e Zeca para brincar numa infância tão linda. A Aninha ainda era muito criança.
Só tenho a agradecer a todos...pois o adulto que sou hoje, carregará sempre o menino feliz de Bagé no coração, junto com seus amigos, suas canções, sua paz e seu amor. Como diria o mestre Milton: "Há um menino, há um muleque, morando sempre no meu coração, toda vez que o adulto balança ele vem pra me dar a mão"!
Ainda sonho levar os meus filhos para apresentá-los aos lugares e aos amigos que me tornaram Feliz! Nesta caminhada, o porto de partida seria Bagé.
Faremos nossos temas de casa, sairemos correndo, atravessaremos com cuidado as cercas de arame farpado, caminharemos sobre os trilhos do trem e chegaremos ao campinho. Mais um clássico irá começar, os sem-camisa contra os com-camisa...10 vira...e nunca mais termina!
Obrigado!!!
Meu amigo e irmao Carlos! Vc também escreve bem e mais uma vez me fez derramar lágrimas. Estou ficando velho e falar no meu pai e na minha mãe, em nossa velha e boa amizade me fizeram voltar no tempo. 10 vira e nunca mais termina! Obrigado pela tua amizade!
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