terça-feira, 20 de agosto de 2019

PELAS RUAS DE BAGÉ



















Á noite sonhei que eu caminhava nas ruas da infância que eu te falava

pedras, calçadas que eu conhecia,vozes de amigos que há muito eu não ouvia
rostos sorrindo, rostos cansados, que em grandes abraços se transformavam
Era criança, no inverno a geada, o branco nos campos que me encantava
chegava o verão, e tudo era festa,os banhos de açude, um dia de pesca.
bola de gude, bike e pandorga,,sonhos de escola,banda, balizas,
Viviane, Simone e Mila dançando a sorrir, sonho de guria,
pelas ruas de Bagé.
As avenidas enormes, as vitrines da Sete, a vila São João, Ipiranga, 
a gasolina cheirando no ar, quilômetros para estudar e um dia ser gente.
Os trilhos da vinte, carinho de avós, hoje na garganta, um soluço, um nó.
E no campinho ao lado, o futebol bem jogado, a tarde e a noite pra nós era uma só
Carlinhos, Totona, o Claudio e o Zeca, os craques de ontem, agora são pais.
Os mundos que giram em rota inversa, por que não colidem e se unem em um só
para poder voltar e poder abraçar nos finais de tarde, o meu jovem pai,
que mesmo cansado trazia a esperança de dar aos seus filhos sua melhor herança,estudo.
Martinho Saraiva, Auxiliadora, preparando a vida que há de chegar
a história envelhece, os sonhos também, os passos mais lentos, o amor de alguém
pelas ruas de Bagé.
O time da escola já não joga mais, mas sei que a amizade não mudou jamais
os sinos da igreja na catedral chamando pra missa, um frio, temporal
os finais de ano, família reunida, troca de presentes, pedidos pra vida
Passaram-se os anos, mudou quase tudo, os pequenos erros, agora fatais
errar era humano, agora não mais, "não amar é sofrer, amar é sofrer demais"
pelas ruas de Bagé.
Sempre penso em voltar, Borges, Floriano, no fundo sou coração
paro, penso e choro,e quando as lágrimas secam
 abro os olhos num vislumbre de razão,
já não sou mais a criança que um dia pegou rumo
apenas saio do prumo quando a saudade maltrata
Me fiz homem tão igual ao meu velho, amoroso, honesto, por vezes rude
e quando tento lembrar seu rosto basta me olhar no espelho
pois aquele que está ali não sou mais eu e não há nada que mude.
A ausência dói mais forte nos domingos de  manhã
meu pai cevando a erva, minha mãe preparando o café
cheiros, sons e aromas que só a infância nos trás
os risos dos irmãos, o cheiro macio do pão, o latido de cachorros.
Acorda!  isso não é real, apenas um sonho de uma noite de  natal
do menino que pensava que a vida fosse uma brincadeira
e achava  que sempre teria ao lado sua família inteira,
que um dia caminhavam de mãos dadas
pelas ruas de Bagé.


quarta-feira, 14 de agosto de 2019

QUERO OUVIR UMA CANÇÃO



Quero ouvir uma canção pra ver sorrir essa menina
E envolvê-la nos meus braços, nos meus passos
Vejo um segundo de futuro
Nessa estrada longa e tão estreita
Quero os teus olhos para sempre iluminando meus caminhos.
Quero uma canção pra ver dançar essa menina
E  enlaçá-la, e beijá-la, flutuar.

Quero teu segredo mais secreto,
Quero teu silêncio murmurado
Gritos que provocam meus desejos
Que eu nem sabia que ainda havia

Quero ouvir uma canção prá bem amar essa menina
E sentí-la tão brilhante
Quero amar teu corpo sem ter medo
Quero só morrer amanhã cedo
Quero nessa noite de desejos
 me perder na encruzilhada dos teus beijos
prá nunca mais  ires embora.

terça-feira, 13 de agosto de 2019

O LIMITE DA FELICIDADE

Qual o limite da minha felicidade?
um dia, uma semana, um mês
Qual o limite da tua desconfiança?
Quem define os limites?
Qual o pecado e quem é o pecador
onde a confiança se transforma em dor
Um salto em falso pra qualquer lugar
palavras que morrem antes de nascer
abortadas pelo medo e pela suposição
pela conspiração das redes e dos sem nexo

espalhadas pelos perdedores do jogo
Uma semana, amor sem fim
Uma segunda, uma tristeza assim
Será que a felicidade vem em prestações
suaves no início, cruéis no fim
Qual o limite da felicidade
um fim de semana, um ato, uma cena
um romance secreto, o final de um poema
as juras, palavras, promessas
as bocas, os sussurros, as conversas
os "eu te amos" encharcados de lágrimas e suor
as juras secretas, o amor sem pressa
a insegurança, o futuro incerto, a verdade
qual o limite da minha felicidade?