domingo, 27 de janeiro de 2019

DA SOLIDÃO QUE VOCÊ JURA QUE NÃO MERECIA!

A solidão é fera e devora, já dizia o poeta
e me pergunto, como alguém pode viver só
será um desvio de comportamento
angústia, medo, desconfiança?
é preciso companhia, é preciso o sorriso
de uma criança
senão apenas sobra tristeza e na garganta um nó.
Saio a percorrer a cidade
eu, o mate e a música, fiel escudeira
passo praças, bares, ruas e não vejo nada
nada que ilumine, que me faça sorrir
casais de mão dadas, jovens fumando o mal,
amigos rindo a toa, talvez falando do tempo,
de meninos e meninas, ou simplesmente de nada.
A solidão corrói a alma, e faz da calmaria
a tempestade que ninguém vê
E de voltas sem motivo,
de ruas que não levam a lugar nenhum
de praças entupidas de gente
solitárias ou não,
de canções que vertem lágrimas,
de mares nunca dante navegados
de trilhos que me levam ao passado,
a vontade é voltar para casa
a casa onde me encontro só.
Quanto ao nó continua aqui
apertando a voz na garganta
sufocando um peito que dói
destruindo um dia qualquer
porque quase todos os dias são iguais
Alguns começam bem, mesmo que nublados
mas uma palavra, uma foto, uma frase
acaba com qualquer esperança
e a amiga das horas, prima irmã do tempo
invade a casa como se fosse sua dona
A solidão é assim. Chega quando menos se espera
e aperta a gravata em nosso pescoço
devora os melhores pensamentos
os sonhos, os textos, a canção
a vontade de transformar, de crescer,
de amar novamente e de vencer.
Porque no final nem a solidão aguenta
quando o sol não mais esquenta
quando a chuva não mais refresca
ela vai embora.
Porque sabe que ali naquela vida
ela já não machuca mais.

segunda-feira, 14 de janeiro de 2019

DAS VOLTAS QUE A VIDA DÁ

De quem é a tristeza, de quem é a lembrança
que anda perdida no mundo
De quem é o grito, do velho ou criança
que vivem na praça da vida
De quem é a sorte, a melancolia
a letra da música a torturar
De quem é a festa, a tempestade
que faz o meu peito na dor dançar



Se a vida é uma só, melhor recomeçar
Se o tempo já passou, vou acordar
Se o riso se escondeu na chuva que hora cai
se o plano não valeu, deprimir
A única certeza, que vem a nossa mesa
é que um dia o sol vai voltar.

De quem é o circo, quem é o palhaço
que chora tão triste ao se pintar.
Quem é o cego que enxerga tudo
que semeia o medo na vida
e que cutuca feridas
e parasita a esperança
que fica feliz se outro dança
e põe espinhos e pedras no caminho
de quem constrói a mudança.

Se a vida é uma só
e o tempo já passou
se o cabelo branqueou, não faz mal.
Se podemos acreditar
que o sonho não morreu
então tudo valeu, afinal
se o mundo te escolheu
a fé não vai faltar
o irmão renascerá, vou amar.
Se há força e união, podemos construir
um mundo bem melhor prá viver
Então seremos mais
querendo um bem maior
os olhos se abrirão, a voz retornará
um chão pra percorrer,
um mar pra navegar
e finalmente, eu vou sorrir.


quarta-feira, 9 de janeiro de 2019

DE ONDE VIM...

Guardo um pedaço da infância junto comigo
lembro dos pingos da chuva batendo no zinco
cada perigo, um porto, um abrigo
em casa, carinho,  que um dia chegou prá ficar
Se hoje tenho a saudade, reparto contigo
se ainda tenho a esperança, tenho um amigo
Cada abraço que recebi
me fez mais forte, prá te abraçar e sorrir.
Se as palavras de apoio
partiram no vento
Se os conselhos se foram sumindo no tempo
Cada momento vivido enfim
está escondido, guardado dentro de mim
O cheirinho do pão
O abraço do irmão
folhas secas no outono,
sol e mar no verão.


Trago nos cabelos brancos
a presença de um pai
da minha mãe, suas lágrimas
que  posso chorar
Se tenho escolhas, por onde ir
tive um alicerce, e posso orar e seguir.

Primavera, as flores
pelos campos, as cores
Sendo assim, insisto, persisto
Pois, posso mudar ou transformar.

QUANDO MAIS PRECISO

Onde andam meus amigos
perdidos nesse mundo
A gente não se encontra prá conversar
e quando mais preciso, não estão lá
Andava mesmo sem rumo
buscando horizontes
que esqueci de rabiscar
sonhando caminhos, estradas, desertos,
fronteiras que nunca me permiti atravessar
E os meus amigos focados em suas vidas
a gente não se encontra mais prá sonhar
e quando mais preciso, não estão lá
Estava em cima de um muro
em uma corda bamba sem saber me equilibrar

O medo nos olhos,
e só a dona solidão a me acalentar
A música voa, encanta
e eu impedido de dançar
E os meus amigos
enrolados nos seus planos
 a gente não se encontra mais prá falar
e quando mais preciso não estão lá.