segunda-feira, 29 de maio de 2017

O MÉDICO E O VEREADOR

As pessoas me  perguntam todos os dias como está a vida de vereador. A única resposta que tenho é que é bem mais  tranquila que a vida de médico. 
A política está presente em nosso  dia a dia,  em todos os lugares. Invade nossos lares e governa nossas  vidas. Então, não podemos mais ficar de braços cruzados  e esperar que os maus, os preguiçosos, os vagabundos, organizem  nosso  dia e nos roubem durante a noite. Precisamos assumir um papel na sociedade que é crucial para todos. Se não, algum sem caráter fará isso. 
Difícil entender de leis, é verdade. Mas, se é difícil para quem lê e as interpreta, quanto mais para quem não frequentou os bancos escolares. Por isso a decisão de entrar na vida  política. Estou aprendendo muito todos os dias. E tentando, da melhor maneira, ajudar meu povo. Quanto mais estudo, mais eu vejo que tenho que saber mais. Quanto mais caminho  e faço visitas,  mais vejo o quanto é difícil governar uma cidade como a  nossa, que dirá um país tão imenso quanto o  Brasil. 
Quanto à Medicina e à Pediatria, estou  me sentindo  um pouco fustrado. 
Alguns  cidadãos teimam em acreditar em milagres. Pessoas que surgem do nada, como tantas que já passaram por aqui, recebem o poder no colo, e sabemos que no final das contas, a única coisa que deixam sempre é  desconfiança e descrença em nossa saúde,  Pessoas, que sem ética, destróem um trabalho de anos, denegrindo a imagem dos médicos e de uma instituição. Que assumem cargos que não lhe competem e atos que estão longe de sua capacidade de formação. Tudo isso com o aval de parte da sociedade. 
É deprimente ver algo que você ajudou a construir ser destruído em nome de um falso milagre. Perdemos a vontade de trabalhar, o estímulo de ajudar, de fazer crescer e melhorar sempre. Dói no peito, ver as pessoas da enfermagem, secretárias, técnicos, serem mal tratadas. Difícil  imaginar há algum tempo atrás colegas de profissão   serem interrogados de maneira grotesca pelos corredores e acusados de atos que não condizem com  a realidade.
Lutamos pela liberdade de expressão, pela livre  iniciativa e  contra a corrupção que ataca nossas instituições públicas e não conseguimos arrumar nossa casa. Entregamos a chave ao primeiro oportunista que aparece, a raposa das histórias infantis, para tomar conta do nosso maior tesouro. 
Lembro de alguns versos que aprendi na faculdade, do escritor brasileiro Eduardo Alves da Costa que diz assim:

"[...]
Na primeira noite eles se aproximam
e roubam uma flor
do nosso jardim.
E não dizemos nada.
Na segunda noite, já não se escondem;
pisam as flores,
matam nosso cão,
e não dizemos nada.
Até que um dia,
o mais frágil deles
entra sozinho em nossa casa,
rouba-nos a luz, e,
conhecendo nosso medo,
arranca-nos a voz da garganta.
E já não podemos dizer nada.
[...]"

É preciso falar antes que fiquemos sem voz. É preciso abrir os olhos antes que nos ceguem em definitivo.
Quero crer em um futuro melhor, em  uma saúde melhor, onde os milagres sejam apenas através  de  Deus por nosso trabalho.
Quanto ao político, ao vereador,  vamos ser éticos e acreditar que a  leitura, a educação, a boa formação alimentem nossa juventude para que o futuro que a gente sonhou um dia,  seja o presente que nossos filhos merecem.