quinta-feira, 22 de agosto de 2013

A FESTA DE UMA CRIANÇA CHAMADA LUVERDENSE

Não lembro mais da minha festa de 9 anos e nem o que ganhei de presente. Mas, lembro que os familiares e amigos estavam lá, e por mais simples que tudo fosse, meus pais não deixavam passar em branco até porque eu e meu irmão Zeca comemorávamos no mesmo dia. Ontem à noite a cidade onde moro estava em festa. O Luverdense, modesto time da terceira divisão do futebol brasileiro, então com 9 anos de idade ganhou o melhor presente de sua infância, até hoje. Milhares de convidados lotaram o estádio também modesto, mas de um coração tão grande que não cabia mais ninguém dentro dele quando começou a festa. Uma criança com apenas 9 anos de idade, magrinha, esguia, rápida, inteligente e muito mal-criada porque maltratou parte dos convidados em 90 minutos de festejos.  Como esperar uma reação tão surpreendente em uma festa de uma criança quem mal saiu das fraldas e que recém começou a dar os primeiros passos? Talvez a soberba, a superioridade técnica, os salários astronômicos, a imprensa do centro do país que nos faz engolir jogos que não queremos assistir, comentários que ninguém quer ouvir cegaram esses  convidados, que ficaram perplexos diante de uma multidão que também é criança. Que não tem gritos expressivos de guerra, que ainda não sabe nem torcer e se expressar, porque é uma babel de todos os outros times. Porque é uma fraternidade universal de cores, sotaques, gente que como eu ainda bate dentro do peito um coração gaucho e colorado e que vieram povoar essa pequena cidade no centro-oeste do país e que viram essa criança nascer, crescer e começar a fazer mal-criações. Essa multidão verde e branca não se inibiu com os convidados que se intitulam bando de loucos, porque quem fez a loucura tomar conta das nossas cabeças e corações foi aquela criança que corria serelepe e assustada dentro do gramado. Aquela que com 9 anos de idade tratou mal parte dos convidados, que não se intimidou com provocações, com ameaças de já ganhou, de ouvir e ver a semana inteira pelo país que podia ser machucada, massacrada, goleada. A criança de 9 anos presenteou o convidado campeão do mundo com uma derrota inesquecível, histórica e que fará parte para sempre dos livros de futebol desse país, presenteou os familiares com o melhor presente que um time pode dar ao seu torcedor, a vitória sonhada, contra um grande, e transformou, sim, no final daquela festa todos os que a exaltavam em um bando verdadeiro de loucos. Quanto ao futuro, torceremos sempre para que seja saudável e vitorioso.
Parabéns Luverdense! E viva la vida!

domingo, 18 de agosto de 2013

A GANGORRA NOSSA DE CADA DIA

Passamos os dias em uma gangorra. Dias bons e ruins. Começo assim esse meu post porque parece que quanto mais queremos participar da comunidade, quanto mais deixamos nossa casa e nosso trabalho para oferecer um pouco de conhecimento, de experiência, ou simplesmente, como ouvinte, mais nos decepcionamos. Começar a entender o sistema. Todos sabem que para crescer, para se expandir precisamos de sacrifícios. Mas, e quando o sacrificado é a pessoa errada, o cargo errado, a conduta errada, porque o escolhido não tem experiência, não tem direção. Alguém ou algo sairá perdedor. E quando entendemos que o sistema não quer o melhor, que escolhe pessoas ruins, idéias piores e que ainda destrói o que foi erguido com dificuldade, perdemos o estímulo e recuamos para dentro do nosso casulo. Infelizmente o que vemos é que ao assumir um cargo, por menos importância, ou mesmo sabendo que é passageiro, o homem perde a humildade e o raciocínio lógico, se transformando  em uma mistura de vampiro nazista, porque segrega os que lhe questionam, sugando o que tem de melhor  e fascista porque usa da força do cargo para amputar os que pensam e trabalham por mudanças. Ninguém pode assumir decisões sem ouvir as pessoas envolvidas.  A palavra falada sem fundamento, o funcionário demitido sem conhecimento, a retirada de privilégios que apenas vão gerar inconformismos sem soluções práticas. O pior de tudo é você torcer para o time dar certo e o técnico jogar contra. Tentamos entender o indecifrável, o intransponível, a tática sem fundamento teórico. O mundo ignorante que conspira contra as instituições
é o mesmo que a dirige. O mesmo dirigente analfabeto, que enxergava tudo é o mesmo doutor "honoris causa" cego e surdo. Quem tem o microfone e a câmera na mão não sabe soletrar a palavra inconstitucional, apenas grita, saliva, esbraveja e não diz nada, diferente do que tem alguma coisa para acrescentar e não tem voz ativa. A conclusão de tudo isso é que nunca haverá mudanças enquanto as pessoas escolhidas para dirigirem as empresas e instituições não se desnudarem da soberba e não vestirem conhecimento e sensibilidade. Para o bom entendedor é só vestir a carapuça!

sábado, 3 de agosto de 2013

DE HERÓIS E DE HOMENS!

Os meus heróis não morreram todos de overdose, mas os inimigos estão sim no poder. Dá para ver nos escândalos, nos roubos escabrosos, nas licitações estapafúrdias, onde apenas um lado ganha, e não é o nosso. Num mundo praticamente sem heróis, sem Cristos nem Budas, sem Mahatmas ou santos vivos, descobrimos uma luz no fim do túnel. De uma igreja envelhecida, esquálida, retrógrada e intransigente em muitos aspectos, e  que perde suas ovelhas para pastores de Deus nenhum, que adoram o próprio bolso, surge das cinzas um homem,  Jorge Mario Bergoglio, o papa Francisco. Já fora surpresa a abdicação de Bento XVI, coisa que não acontecia na igreja há 700 anos, mas a eleição de um argentino,foi realmente um acontecimento inusitado.
Em um mundo carente de pessoas boas parece que surge alguém preocupado com o povo e com sua igreja. Capaz de transformar antigos dogmas ultrapassados em palavras de esperança.  Já fui católico praticante, de dedicar meu sábado à tarde e noite para preparar a missa, de fazer retiros e participar da liturgia. Com o passar do tempo, fui me decepcionando aos poucos. Os padres, que são seres humanos, viraram políticos, discursando ao invés de pregar, passaram a dar  força para a invasão de terras, sendo que a igreja, dona de imensos territórios  é que deveria dividir suas posses. Esqueceram dos dez mandamentos e do principal deles, amar a Deus sobre todas as coisas. Pecaram dos originais, como homem algum deve pecar e até o pior crime da humanidade alguns cometeram, a pedofilia.
Tudo isso e mais a cobrança de dízimos cobrados para fazer parte da sociedade da igreja católica fizeram com que eu me afastasse cada vez mais. Mas, não fui o único. Milhares de pessoas abandonaram o catolicismo e partiram em busca de paz em outras igrejas e templos. O desespero e a falta de um apoio religioso no cotidiano levou a criação de centenas de pseudos-igrejas e claro de falsos pastores que transformaram a leitura da bíblia, acrescida de gritos e cantos em  investimentos milionários.
Não abandonei a igreja, mas abandonei os templos. Oro todos as noites e agradeço a Deus, o meu dia, a família, os amigos, a profissão que exerço com empenho. Peço para ter forças para suportar cada obstáculo, remover as pedras do caminho magoando o menor número possível de pessoas. Quem sabe, nessa história de heróis, Francisco seja apenas mais um sonhador. Mas ele tem o poder nas mãos e tem Deus ao seu lado. Se tiver vontade e humildade pode mudar tudo, mostrando caminhos que nós desconhecemos para chegar a paz sonhada. O catolicismo andou cego e carente, porque a igreja fechou os olhos para seu povo. Precisamos de heróis humanos, de palavras de alento, de amor de irmãos, mas, principalmente de esperança em uma vida melhor.
 Não prometo voltar às missas dominicais, mas vou tentar crer nos homens de batina novamente, que participem da sociedade distribuindo o pão ao invés de tomá-lo, multiplicando o vinho ao invés dos cofres, abraçando as crianças como benfeitores e não com outras intenções. Que as sandálias de São Francisco, sejam calçada por esses homens que tem o poder de dar esperança a esse povo tão cansado e carente,  que é o nosso.
E viva la vida!