sexta-feira, 22 de março de 2013

QUANTO VALE UMA VIDA

Se somos todos iguais perante Deus, porque tão desiguais em atitudes? Por que uns são tão humanos e outros tão animais? Caminhamos em uma corda bamba sob uma tortura psicológica chamada insegurança. Cada vez mais se fala em combater a pobreza, fome zero, igualdade de condições. Mas, tudo é dado de graça, sem educação, sem formação, sem trabalho e sem caráter. E tudo o que vem sem esforço não é valorizado. Em que fase da vida se define o que vamos ser ? Heróis, bandidos, anônimos. Por que se desvalorizou tanto a vida? Em que período da história os valores familiares foram trocados por armas e pó?  O que faz um adolescente que convive pacificamente com outros, nas escolas, casas noturnas, tirar a vida de outro como se fosse rasgar a folha de um caderno?  Por que uns se esforçam tanto e outros não estão nem aí? Por que roubar se a vida oferece tantos caminhos? As opções para ganhar dinheiro fácil estão cada vez mais salientes, saltando aos olhos pelas redes sociais e no nosso cotidiano.  Tive a sorte de nascer em uma família abençoada. Meu pai suou muito para dar educação e estudos para os filhos, mas nunca lhe faltou esperança e fé na vida. Fiz a faculdade com desafios maiores que muitos de meus colegas, mas consegui. Todos podem. Não é preciso machucar ninguém ou destruir famílias para você se dar bem. Não é preciso cotas para que haja igualdade. Não é preciso bolsas-miséria para que as pessoas sejam dignas. É preciso amor à vida. Um governo correto que saiba valorizar quem trabalha e estuda. Mas como isso é possível se até em cidades pequenas e fáceis de governar o privilégio é dado a quem não vale um tostão furado.
Uma professora gaucha que corrigiu as redações do enem confessou que não há critérios nem para a escolha dos profissionais e nem currículos são exigidos para a correção. Todos são indicados. E o pior de tudo, o governo pediu para fazer vistas grossas na hora da correção, pois, no ano anterior enfrentou vários processos que deram prejuízo ao erário público, como se os calhordas do congresso não saqueassem diariamente nossos bolsos.
Assim caminha a humanidade. Cada vez mais hipócrita e menos humana. Quanto vale uma vida? Até quando vamos ficar de olhos fechados esperando um milagre? Saúde a preço de bananas, jornalismo sem diploma, professores amordaçados, assassinos livres e nós atrás de muros e grades.
Mais um jovem perde a vida, uma pedra jogada, um buraco na estrada, uma overdose, uma facada pelas costas, um tiro sem misericórdia. Nosso mundo virado do avesso. Há de haver uma saída. Nossos filhos merecem muito mais do que damos a eles. Mas, pensando bem como eu gostaria de dar apenas o convívio com os avós, a paz que eu tive, a infância e a adolescência onde os dramas eram apenas um coração partido pela primeira namorada. Sem riscos nem medos, apenas com a certeza de que nossos pais tinham de que seu filho iria voltar para casa no final da tarde.