sábado, 23 de fevereiro de 2013

DOS CAMINHOS E ESCOLHAS DA VIDA

A vida continua cheia de escolhas, mas parece que tem mudado a idade para fazê-las. As decisões estão cada vez mais precoces, mas sem o alicerce firme para tomá-las. As crianças estão deixando cada vez mais cedo as brincadeiras de lado. Essa "adultização" precoce está formando uma multidão de adolescentes tipo" Peter Pan" e "Sininhos".
Nessa correria sem rumo os valores vão sendo trocados por experiências mal-sucedidas na escola, trabalho e vida familiar. A vida nos oferece muitos caminhos, alguns muito fáceis e de final dramático, outros, um pouco mais difíceis, mas com estradas, pontes mais firmes, mesmo que cheios de obstáculos.
Na minha infância não tínhamos muitas escolhas e opções. Éramos quatro. E os tres homens tiveram oportunidade de estudar nas mesmas escolas. As roupas eram compradas em liquidações e eram iguais. Ninguém sabia o que era grife, boutiques, status, ou seja, não havia moda. O caminho inicial foi o mesmo para todos e mesmo sendo filhos dos mesmos pais, criados com o mesmo amor e educação, cada um seguiu um rumo diferente apartir da adolescência. Não lembro qual foi minha primeira escolha importante, mas optar por medicina foi uma delas. O caminho percorrido foi difícil e continua assim. Matamos um leão por dia, mas deitamos à noite com a consciência tranquila.
O que me parece hoje é que com a facilidade das coisas, inverteram- se os valores. Pai e mãe trabalham e não conseguem acompanhar o ritmo dos filhos. Relegam a educação aos professores cobrando apenas o amor que eles não podem dar. Com o bombardeio globalizado de informações em cérebros imaturos os caminhos escolhidos estão sendo os mais fáceis, os mais rápidos e os mais tênues, com final nem sempre agradável. O estudo fica em segundo plano. A leitura, a música, o sexo, tudo é rápido, sem compromisso. No fim das contas niguem tem culpa. Perdemos os valores há muito tempo. O país do faz de conta não produz mais nada de valor. Pense comigo. Qual o último escritor, músico, pintor, autor, que foi destaque e que está nos livros de história? Mudamos a maneira de valorizar a vida ou ela que foi desvalorizando com o tempo? A igualdade proclamada aos quatro cantos pelo governo é do menor valor. Estudar mais já não basta. Ser melhor que os outros na escola não basta. Os governantes analfabetos, e eu ajudei a eleger o "Lulinha paz e amor" tentam formar uma legião com formação igual a deles, muito mais fácil de governar. Desvalorizam a educação formadora dos grandes pensadores, massacrando sonhos e manipulando profissionais de formação pobre em detrimento dos que fazem a diferença.
Os caminhos estão aí cada vez mais fáceis de seguir com suas diversas opções. Aqueles com obstáculos, que nos obrigavam a pensar, estudar, se apaixonar, estão com os dias contados. Ainda há tempo de fazer a diferença. Basta você tomar a decisão certa  e ensinar o melhor caminho para seus filhos. E viva la vida!

sábado, 2 de fevereiro de 2013

O DIA EM QUE SANTA MARIA FEZ O BRASIL CHORAR

É muito fácil falar agora em como deveria ter sido evitada e buscar os culpados para a tragédia que fez Santa Maria e o Brasil chorar. É sempre fácil para quem está de fora questionar e crucificar alguém, porque automaticamente, procuramos um culpado para tudo aquilo que nos foge do controle. Nunca dirigimos nosso carro pensando em um acidente. Confiamos em nós, no carro e jogamos para Deus a responsabilidade da nossa proteção. Dirigimos a 180 e nunca imaginamos um buraco, o estouro de um pneu, um animal atravessando a pista. Porque a vida é assim. Quantas festas foram feitas nessa casa noturna em sua existência, sem que  houvesse qualquer intercorrência?
Lembro das festas que frequentei na faculdade. Sempre lotadas em casas noturnas e casas velhas que estavam caindo aos pedaços, mas nós, em nossa ânsia juvenil nunca percebemos o perigo. Faz parte da adolescência esse sentimento mágico de que o presente está ali para ser vivido, sem medos e com pouco cuidado. Nos anos 80, época mais doce de minha juventude, quando estourava nas rádios o rock nacional éramos apenas felizes. Em Passo Fundo, em uma cidade muito semelhante com Santa Maria, onde a maior indústria é a faculdade, vivíamos realizados. Cursávamos o curso dos nossos sonhos, em uma cidade do interior, pequena, ingênua, mas de um crescimento absurdo. A casa noturna em que o diretório acadêmico e as associações de turma faziam suas festas era um porão. Um local chamado "New Head" onde as janelas eram apenas onde se localizavam os exaustores. Quanto mais gente, melhor era a festa. Nunca pensávamos no pior, fosse uma briga ou algo maior. Bebíamos, confraternizávamos ao som de Talking Heads, Erasure e Pet Shop Boys. Infelizmente, quando acontecem tragédias como essa, nos damos conta da linha tênue que separa a vida da morte.
Nos damos conta de que essa já era uma tragédia anunciada, fosse em Santa Maria ou em tantos outros lugares que vivem lotados e sem a segurança necessária. Vivemos em um país de faz de conta onde a famosa " lei de Gerson", aquela do leve vantagem você também, está em todas as instituições. Todos fazem falcatruas querendo fugir de suas responsabilidades.
Muitos falaram que o que viram era pior que na guerra. Não tem comparação. Na guerra os jovens vão preparados para a morte ou com um fio de esperança de voltarem. Lá, todos estavam se divertindo e nem sonhavam que a festa terminaria daquela maneira. Na guerra, os jovens vão porque são soldados, porque, muitas vezes é o único futuro que tem pela frente, porque alguém mais velho, quer resolver um conflito de uma maneira selvagem e que muitas vezes morrem sem saber porque estão lutando. Lá na boate, os jovens estavam em paz, curtindo a música, os amigos, os flertes com as meninas e os velhos que os levaram para lá estavam em suas casas, em suas cidades, felizes porque, talvez, com muito esforço haviam colocado seus filhos em uma das melhores universidades do Brasil. Lá desapareceram os filhos, os estudantes, a juventude na sua melhor fase da vida,  e os futuros profissionais desse país cada vez mais sem futuro. Lá naquele lugar que era para ser apenas de diversão ficou dilacerado o coração de muitas famílias. Vi sensacionalismo nas tvs, mas vi a solidariedade renascer mais forte daquelas cinzas. Os culpados devem ser punidos, seja pela falta de moral ou descuido ao montar uma casa noturna sem portas de emergência, seja por colocar tanta gente em um espaço que não comportava ou pela ingenuidade ou falta de bom senso da banda que tocava naquele momento e acendeu o estopim daquela tragédia.
Infelizmente, vai continuar morrendo jovens por esse mundo a fora, nas guerras, nas estradas esburacadas, nas drogas, no descaso da política que teima em desvalorizar os bons profissionais em prol dos incompetentes e puxa-sacos.
Mas, nós, cidadãos de bem, seguimos nosso caminho cuidando de nossos filhos, semeando o amanhã na base do amor e da solidariedade e rezando muito para que Deus não permita que quem sonha sonhos bons morra de uma maneira tão cruel e sem sentido.