suas garras em minha vida pessoal. Os plantões tem sido cada vez mais difíceis. A população cresceu e não conseguimos mais atender a todos que precisam. Então dividimos nossas vidas, multiplicamos nossas horas trabalhadas, somamos noite mal dormidas e diminuímos nossa vontade de enfrentar essa tempestade. Sinto uma vontade diária de baixar as velas e deixar meu barco seguir ao léu. Não temos hora para comer, dormir, ou para ver o filho crescer. E o que desanima é que por mais que você se esforce nunca é suficiente. Tenho plena consciência que com esse ritmo, a boa relação médico-paciente está com os dias contados. Como em toda a relação humana você só é valorizado se está disponível 24 horas. Vidas podem ter sido salvas, diagnósticos difíceis confirmados, tratamentos acertados, mas se você atrasar por qualquer motivo ou cancelar uma consulta porque você está doente(médicos também adoecem), a condenação é certa. Os adjetivos ofensivos são facas que cortam nosso coração e nos fazem questionar o modo de vida que sonhamos e o que realmente vivemos. Sempre tenho comigo que o paciente deve estar em primeiro lugar, e principalmente, se for uma criança. Alguns colegas falam que a culpa é nossa e que acostumamos mal a população por estar sempre disponíveis. Mas o que antes, em nossa cidade, eram 14 mil habitantes, hoje são 50. O que antes era uma centena de carteiras verdes, e a grande maioria conhecidas, tornaram-se milhares. O que me deprime e tenho certeza de que não estou sozinho nessa, é a falta de educação de alguns pais, o desrespeito com o profissional, as exigências sem noção, a falta de percepção das coisas e da doença dos filhos, querendo que se resolva em 24 h o que vem se arrastando por semanas ou meses. Deprime estudar tanto para ver um governo, incluindo o estado e o município tentar promover uma saúde de faz de conta. O médico não cumpre horário porque recebe pouco e faz de conta que atende o paciente. O paciente faz de conta que é atendido, mas o que deseja é um atestado para não ir ao trabalho que não está lhe fazendo bem. E os gestores, ah os magníficos gestores, esses somam os atendimentos diários em planilhas fictícias para ganhar prêmios e construir o alicerce para seus projetos eleitoreiros. Vale o número de atendimentos e não a qualidade. Aí meus senhores, a população quer pediatras, mas não quer pagar pelo serviço. Vão dos postos ao hospital, de graça e querem atendimento pediátrico urgente. Tenho ouvido muito a frase " eu estou pagando". Vocês não imaginam a vontade de perguntar pagando o que, para quem? Bendita educação que recebi na infância pela dona Edenia e seu Valdir. Benditos pensamentos bons que passam por minha cabeça quando ouço asneiras e sorrio por dentro. Minha poesia e música estão cada vez mais deixadas de lado e rezo para que o amor pelas crianças seja eterno. O que vem pela frente só Deus sabe, espero que ele nos ensine o melhor caminhos a ser seguido.
quarta-feira, 30 de maio de 2012
DESABAFO PÓS - PLANTÃO
suas garras em minha vida pessoal. Os plantões tem sido cada vez mais difíceis. A população cresceu e não conseguimos mais atender a todos que precisam. Então dividimos nossas vidas, multiplicamos nossas horas trabalhadas, somamos noite mal dormidas e diminuímos nossa vontade de enfrentar essa tempestade. Sinto uma vontade diária de baixar as velas e deixar meu barco seguir ao léu. Não temos hora para comer, dormir, ou para ver o filho crescer. E o que desanima é que por mais que você se esforce nunca é suficiente. Tenho plena consciência que com esse ritmo, a boa relação médico-paciente está com os dias contados. Como em toda a relação humana você só é valorizado se está disponível 24 horas. Vidas podem ter sido salvas, diagnósticos difíceis confirmados, tratamentos acertados, mas se você atrasar por qualquer motivo ou cancelar uma consulta porque você está doente(médicos também adoecem), a condenação é certa. Os adjetivos ofensivos são facas que cortam nosso coração e nos fazem questionar o modo de vida que sonhamos e o que realmente vivemos. Sempre tenho comigo que o paciente deve estar em primeiro lugar, e principalmente, se for uma criança. Alguns colegas falam que a culpa é nossa e que acostumamos mal a população por estar sempre disponíveis. Mas o que antes, em nossa cidade, eram 14 mil habitantes, hoje são 50. O que antes era uma centena de carteiras verdes, e a grande maioria conhecidas, tornaram-se milhares. O que me deprime e tenho certeza de que não estou sozinho nessa, é a falta de educação de alguns pais, o desrespeito com o profissional, as exigências sem noção, a falta de percepção das coisas e da doença dos filhos, querendo que se resolva em 24 h o que vem se arrastando por semanas ou meses. Deprime estudar tanto para ver um governo, incluindo o estado e o município tentar promover uma saúde de faz de conta. O médico não cumpre horário porque recebe pouco e faz de conta que atende o paciente. O paciente faz de conta que é atendido, mas o que deseja é um atestado para não ir ao trabalho que não está lhe fazendo bem. E os gestores, ah os magníficos gestores, esses somam os atendimentos diários em planilhas fictícias para ganhar prêmios e construir o alicerce para seus projetos eleitoreiros. Vale o número de atendimentos e não a qualidade. Aí meus senhores, a população quer pediatras, mas não quer pagar pelo serviço. Vão dos postos ao hospital, de graça e querem atendimento pediátrico urgente. Tenho ouvido muito a frase " eu estou pagando". Vocês não imaginam a vontade de perguntar pagando o que, para quem? Bendita educação que recebi na infância pela dona Edenia e seu Valdir. Benditos pensamentos bons que passam por minha cabeça quando ouço asneiras e sorrio por dentro. Minha poesia e música estão cada vez mais deixadas de lado e rezo para que o amor pelas crianças seja eterno. O que vem pela frente só Deus sabe, espero que ele nos ensine o melhor caminhos a ser seguido.
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