domingo, 25 de março de 2012

BEM SIMPLES


Domingo! Ouvindo nesse momento uma seleção de pop-rock dos anos 80. Gosto de ouvir e cantar. Parecia tudo simples naquela década e realmente tocava o coração da gente. Letras de protesto, mas de amor na sua forma mais simples. Simples como a vida, ou não. Gostaria de fazer muitas coisas que me atraem e me dão paz. Cantar, escrever, sonhar, estar cercado de amigos, jogar conversa fora, estar com minha mãe e irmãos. Tudo muito simples, como a música dos anos 80. Sem desfilar terceiras intenções, sem matar, nem ferir, dizer segredos de liquidificador sem triturar ninguém. Na infância sonhamos em ser super-heróis. Na adolescência até pensamos que somos. E na vida adulta, trabalhamos e esquecemos que um dia usamos capa e máscara e paramos de sorrir e viver.
Acho que todos os que tem minha idade, um dia lhes foi perguntado, o que iria ser quando crescer? É uma pergunta que um dia todos te fazem. Eu desde os 9 anos, quando entrei na quinta-série, lá no colégio Nossa Senhora Auxiliadora, em Bagé onde nasci, lembro de ter respondido, médico. Não tinha familiares na saúde, mas tinha um pediatra muito dedicado que interferiu direto no meu caminho, mesmo sem saber. Mário Mansur, o nome dele. Pessoa simples, dedicada, estudiosa que me fez trilhar o caminho que escolhi. Ainda não sabia quão árduo, tortuoso e, hoje, desvalorizado é esse caminho. Pediatra! Todos querem ter um disponível, mas não querem pagar pelo trabalho dele. Ando exausto. Cansado pelo excesso de trabalho e exaurido pela exigência das pessoas que dependem diretamente da minha profissão.
Li esta semana na revista Época, uma crônica de Walcir Carrasco, novelista da rede Globo, onde ele elogia Jô Soares, pelas suas múltiplas faces, show man, escritor, diretor e, nas horas vagas, pintor. É quase impossível fazer tantas atividades diferentes ao mesmo tempo. É coisa de super-herói. E faz bem feito. Na área da saúde, tenho muitos conhecidos que conseguem tocar, cantar, escrever e até atuar, mas todos moram em cidades grandes. Eu ainda não consegui esse feito, mesmo sabendo da necessidade de fazer alguma coisa extra para não pirar o cérebro. Tenho um irmão que é motorista do SAMU, faz plantões como técnico de enfermagem e ainda tem tempo para servir sopa aos pobres no inverno rigoroso de Bagé. Este é um herói anônimo, sem capa, sem máscara,sem espada, que ainda sonha com dias melhores para seu povo.
Precisamos de mais gente assim. Precisamos de sonhar sonhos novos. Amar as pessoas que merecem. Vivenciar novas aventuras. É assim que tem que ser. Do meu lado, quero apenas não ser grosseiro com os ignorantes, abrir meus olhos e ouvidos para as coisas boas da vida e não pirar do cabeção. Será que é pedir demais?