
Lendo as páginas amarelas da Veja, edição de 8 de fevereiro, onde o entrevistado é o desembargador Ivan Sartori, que recentemente assumiu a presidência do tribunal de justiça de São Paulo, vê-se o quanto é desigual o tratamento dado aos juízes. Ele consegue justificar cada centavo ganho e explicar as fortunas que alguns ganharam,no último mes, provocando muita polêmica. A cada 5 anos têm direito a 3 licença-prêmio remuneradas. Além disso têm direito a 2 férias anuais. Com um salário mensal de 24 mil reais, mais auxílio moradia, viagens, etc, ele acha pouco comparado ao que ganha um executivo de uma multinacional. Justifica ainda que trabalha o dia inteiro e que ainda leva trabalho para casa. Médicos com casos complicados, professores que no tempo livre ficam preparando diários e corrigindo provas, esses não precisam de salários dignos.
Uma frase muito interessante do nobre magistrado:" O juíz é obrigado a dar exemplo, ser politicamente correto. Não existe jeitinho para juíz. Qualquer um pode experimentar um cigarrinho de maconha. Eu não posso, porque sou juíz!" Não é de dar dó. Que exemplo maravilhoso!
E o que dizer dos magistrados corruptos que ficam sem punição. Apenas são aposentados sem investigação nenhuma. Está nas páginas da revista, é só ler. Você termina a leitura sentindo pena ou nojo desse ser que se julga acima da lei dos homens.
Agora voltemos a nossa realidade, a saúde, a educação, a segurança, porque é tão brutal a disparidade?
Um dia desses um apresentador da tv local dizia que o prefeito de Itanhangá, uma cidade do interior do Mato Grosso, sem condições mínimas de trabalho, sem hospital, oferecia 19 mil reais, se não me falha a memória, a um médico e não o encontrava. Não se fala em auxílio-moradia ou outras regalias. A expectativa é que um recém-formado ou algum médico medíocre aceite isso. Talvez, nem os jovens médicos aceitem, pela má formação acadêmica que recebem, saindo totalmente despreparados e sem coragem para enfrentar o crú interior nessa nova empreitada em suas vidas.
Esse salário deveria estar sendo pago aqui em Lucas do Rio Verde, com seus 50 mil habitantes. Isso atraíria bons profissionais para a saúde pública e acabaria com o sucateamento do trabalho nos maravilhosos PSFs. As outras cidades, que ainda deveriam ser distritos, deveriam pagar o dobro ou o triplo para tentar assentar bons profissionais. Talvez os maus, deveriam ser aposentados como os magistrados, com salário decente, para não causarem maus-tratos a essa população tão injustiçada.
