segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

ACIMA DA LEI



Lendo as páginas amarelas da Veja, edição de 8 de fevereiro, onde o entrevistado é o desembargador Ivan Sartori, que recentemente assumiu a presidência do tribunal de justiça de São Paulo, vê-se o quanto é desigual o tratamento dado aos juízes. Ele consegue justificar cada centavo ganho e explicar as fortunas que alguns ganharam,no último mes, provocando muita polêmica. A cada 5 anos têm direito a 3 licença-prêmio remuneradas. Além disso têm direito a 2 férias anuais. Com um salário mensal de 24 mil reais, mais auxílio moradia, viagens, etc, ele acha pouco comparado ao que ganha um executivo de uma multinacional. Justifica ainda que trabalha o dia inteiro e que ainda leva trabalho para casa. Médicos com casos complicados, professores que no tempo livre ficam preparando diários e corrigindo provas, esses não precisam de salários dignos.
Uma frase muito interessante do nobre magistrado:" O juíz é obrigado a dar exemplo, ser politicamente correto. Não existe jeitinho para juíz. Qualquer um pode experimentar um cigarrinho de maconha. Eu não posso, porque sou juíz!" Não é de dar dó. Que exemplo maravilhoso!
E o que dizer dos magistrados corruptos que ficam sem punição. Apenas são aposentados sem investigação nenhuma. Está nas páginas da revista, é só ler. Você termina a leitura sentindo pena ou nojo desse ser que se julga acima da lei dos homens.
Agora voltemos a nossa realidade, a saúde, a educação, a segurança, porque é tão brutal a disparidade?
Um dia desses um apresentador da tv local dizia que o prefeito de Itanhangá, uma cidade do interior do Mato Grosso, sem condições mínimas de trabalho, sem hospital, oferecia 19 mil reais, se não me falha a memória, a um médico e não o encontrava. Não se fala em auxílio-moradia ou outras regalias. A expectativa é que um recém-formado ou algum médico medíocre aceite isso. Talvez, nem os jovens médicos aceitem, pela má formação acadêmica que recebem, saindo totalmente despreparados e sem coragem para enfrentar o crú interior nessa nova empreitada em suas vidas.
Esse salário deveria estar sendo pago aqui em Lucas do Rio Verde, com seus 50 mil habitantes. Isso atraíria bons profissionais para a saúde pública e acabaria com o sucateamento do trabalho nos maravilhosos PSFs. As outras cidades, que ainda deveriam ser distritos, deveriam pagar o dobro ou o triplo para tentar assentar bons profissionais. Talvez os maus, deveriam ser aposentados como os magistrados, com salário decente, para não causarem maus-tratos a essa população tão injustiçada.

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

OS VÁRIOS LADOS DE UMA TRAGÉDIA


Hoje em nossa cidade podemos experimentar as mais diversas sensações que um ser humano pode sentir: medo, ansiedade, insegurança, confiança e desconfiança, excitação e decepção.
Após a tentativa de assalto ao Banco do Brasil na madrugada descobrimos que podemos sim contar com a polícia local. Se tiveram, ou não, informações privilegiadas é outra coisa. O importante é que as usaram muito bem. A região norte do estado vive com medo há muito tempo. Roubos a banco a mão armada, explosões de caixas, fugas mirabolantes e até a expressão " novo cangaço" andam tirando o sono dos habitantes. Era certo que uma hora dessas, nossa cidade ia ser a escolhida para tal fim.
Ainda não se sabe muito sobre os bandidos, nem quantos eram no total. Sabe-se no entanto que tres morreram no confronto e mais quatro foram presos. Realmente, a polícia agiu na hora certa e com a autoridade que lhe compete. Nesses tempos inseguros, de descaso total de nossos governantes, é muito bom contar com alguém como o Major Cunha, o delegado Marcelo Torhacs e suas equipes e o Bope de Cuiabá.
Mas, o que me chamou a atenção, é o gosto do povo por tragédia, a multidão atrás da polícia, as fofocas e insinuações que pipocavam em segundos pelo facebook. Lojas invadidas, mortes dentro de uma clínica, a utilização de reféns, os tiroteios descabidos em parte das ruas da cidade, causando medo e intranquilidade a quem estava no trabalho ou trafegando pela cidade. Qual é a sensação de plantar falsas informações e duplicar o pânico que já se encontrava entre nós?
Devemos confiar em nossos veículos de comunicação quando plantam notícias mais rápidas do que elas acontecem? Acho que no" frigir dos ovos", tudo deu certo. Apesar da notícia ser muito dinâmica, os sites da cidade foram eficientes em sua tarefa de informar. A decepção ficou por conta das redes de televisão. O esforço foi visível por parte da tv Rio Verde, cada vez mais madura, e da Record News, mas faltaram entrevistas com as partes envolvidas. Ninguém questiona muita coisa. Na Record as imagens foram repetitivas e o SBT, mais uma vez não merece comentários. O evento foi tratado com displicência total e no meio de outra notícia qualquer, a apresentadora interrompeu apenas para agradecer a polícia, e chamar mais um comercial dentro de outro. Precisamos de mais dinamismo e maturidade para lidar com essas questões. Assim, teremos mais tranquilidade e sabedoria ao divulgar fatos e fotos nas redes sociais e na imprensa propriamente dita.