segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

O DIA DO FICO


Ficar é um verbo que pode implicar várias coisas. As pessoas ficam umas com as outras designando uma relação sem compromisso, que normalmente, não tem associada qualquer forma de fidelidade, uma vez que sua natureza é geralmente efêmera. Mas, também pode ter o significado de se tornar, ou, permanecer em um lugar.
Dom Pedro I, em 9 de janeiro de 1822, marcou a história do Brasil e do mundo ao contrariar a coroa portuguesa que exigia sua volta e deu um passo decisivo para a nossa independência. O dia ficou conhecido como, o dia do Fico.
Não menos importante, pelo menos, para toda a nação colorada foi o dia de ontem. Dia 29 de setembro de 2012, o dia do Fico de Andreas D'alessandro, o maestro e camisa 10 do Inter. Afinal, não é todo dia que se recebe uma proposta de 22,8 milhões por 2 anos de trabalho e deixa de lado.
Qualquer um teria aceitado, ainda mais quando se tem acima de 30 anos e joga futebol, ou seja, considerado em final de carreira. Tudo bem que a diretoria dobrou o salário do craque. Mas, o que pesou, foi a proximidade. A proximidade com a família na Argentina, e principalmente, a proximidade com a torcida do Inter. D'alessandro é um ídolo. E mais que um ídolo, é ele que comanda o futebol vistoso que a equipe apresenta desde 2008. Agora é torcer que ele tenha tomado a decisão certa em sua vida e que conquiste o que ele e a torcida mais aguerrida do Rio Grande desejam, ou seja, o tricampeonato da América.

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

DE VOLTA ÀS LETRAS


Ano novo, vida velha! De vez em quando perco a vontade de escrever, mas, fico feliz quando a encontro. Desde outubro que não escrevo nada. O tempo voou. Estou de volta. Espero que para ficar. Começo 2012 com um pequeno poema. Então aí vai....



Perdemos o cheiro e o sabor de tudo
lembro muito bem quando o pêssego cheirava pêssego
e a maçã cheirava maçã
e a uva, como era gostoso o cheiro da uva!
Perdeu-se o cheiro e com ele o sabor
Tudo perdeu o gosto.
Estamos perdendo tudo e todos
As letras caem das árvores
podres e solitárias letras
Economizamos palavras, frases,abraços, carinhos
Poupamos nossos hífens, acentos, acenos
Vivemos de vazios, de esconderijos, de subterfúgios,
de reality-shows e tragédias
Nos escondemos atrás de uma tela
Rimos de nós mesmos, de nossas sílabas
antes tônicas, agora, atônitas
Não criamos mais! Copiamos, compartilhamos
Caneta, lápis, giz, obsoletos caem,
assim como caíram os reis absolutos.
Nosso calinho de caligrafia no dedo
foi guilhotinado pelo tempo, por Lamarck
Atrofiamos os dedos, as letras, os neurônios
Restaram as boas lembranças
O cheiro da terra molhada,
o cheiro macio do pão
o orvalho das manhãs
o frio que habitava minha infância
e agora faz parte de mim
A idade nos deixa saudosos, mas,
o relógio da vida não para.
E nesse turbilhão enlouquecido de idéias
vamos sendo carregados
para onde, não sei.
Mas depois de tudo isso só te peço um favor:
devolva- me o cheiro e o sabor das pequenas coisas.